Nutrição de equinos

Nutrição de equinos

(Parte 1 de 4)

Professor Me. Lourival Júnior

Autores: Alinne D. Sippell Souza

Diego Cordeiro de Paula Marribe Síria Cardena

Ao contrario de outras espécies de interesse zootécnico, em que o criador busca um rápido crescimento e ganho de peso, os cavalos necessitam de uma dieta nutricional adequada a sua utilização. Os programas de alimentação para equinos variam conforme a idade, o sexo e a atividade a qual é destinado.

Potros com crescimento, éguas em lactação e gestação, garanhões e cavalos adultos em trabalho não conseguem satisfazer suas necessidades nutricionais somente com volumosos. Pelo menos, 50% de suas exigências diárias devem ser fornecidas pelos concentrados. O balanceamento correto da dieta resulta em um animal mais saudável e pronto para desenvolver o trabalho a que esta destinado.

Quando estão em seu ambiente natural à dieta dos cavalos é composta exclusivamente de vegetais e água. No pasto, os cavalos encontram basicamente, proteínas, carboidratos e sais minerais.

Devido à domesticação da espécie e principalmente, as atividades esportivas desenvolvidas por esses animais, as exigências nutricionais, básicas para o bom desempenho, aumentam de maneira bastante significativa.

Os alimentos comuns para cavalos geralmente são classificados em três categorias: volumosos, concentrados e suplementos. Os volumosos contêm alto teor de fibras e relativamente baixo teor em energia, incluem pastagens, palhas, culturas forrageiras e silagens. As pastagens e palhas são os volumosos mais comuns. Os concentrados são baixo teor de fibras e alto teor energético, incluem grãos e alguns subprodutos de grãos. Os suplementos são utilizados para balancear as rações e para ajustar as deficiências em proteína, minerais e vitaminas. Os suplementos protéicos podem ser de origem animal ou vegetal, enquanto muitos minerais estão presentes em substancias orgânicas e inorgânicas. Cada vitamina tem variadas fontes naturais e em determinadas instancias o cavalo pode sintetizá-la.

VOLUMOSOS Pastagens: são as mais utilizadas como fonte forrageira para animais estabulados ou em pastagem. Muitos cavalos são mantidos em pastagens de3 gramíneas, leguminosas e culturas.

Nas pastagens anuais há grande variação no conteúdo nutritivo, dependendo do tipo de pastagem e da estação de crescimento. No começo da estação de crescimento o pasto verde é alto em umidade e baixo em conteúdo energético, mais avançada a estação o conteúdo de umidade é mais baixo e o valor nutritivo é maior, porém a medida q continua a amadurecer fica mais deficiente em proteína, energia e outros nutrientes. Um programa de suplementação deve ser considerado para as pastagens durante os períodos baixos em nutrientes. Também é aconselhável que a pastagem seja mista, composta de uma ou duas gramíneas com uma ou duas leguminosas. A quantidade de pasto requerido por cavalo pode ser estimada. Em medi, um cavalo adulto consome 2,5% do seu peso vivo em matéria seca (MS) por dia. Então um cavalo adulto consome 1.3 kg de MS/dia ou 340,2 kg por mês. O mínimo seria 1 ha por cavalo adulto e 0,5 ha por pônei.

Fenos: é a forma mais comum de fornecimento de volumoso para equinos. É difícil para produzir ou ate comprar um feno de boa qualidade. Há muitas variedades na produção de feno, e a compreensão dos fatores que afetam a qualidade dos fenos ajudara a selecionar os melhores fenos.

A espécie de planta afeta certas qualidade de um bom feno. As leguminosas são mais altas em proteínas, energia, cálcio e vitamina A que as gramíneas. A mistura leguminosa e gramínea será benéfica para certos tipos de cavalos ou área geográfica.

Na seleção do feno confira o estádio de maturidade do feno, observando as folhas e as vagens das sementes. Sementes não maduras ou plantas em plena florescência devem estar presentes. As folhas são as partes da planta com maior qualidade, então procure por uma lata proporção de folhas em relação aos talos. Determine quais plantas estão no feno e a quantidade delas. Uma cor verde brilhante indica uma mínima quantidade de almejamento, branqueamento e perda de vitamina A, deve apresentar um bom cheiro, odores de mofo ou sujeira são indesejáveis, não deve haver material estranho devendo-se examinar com cuidado a presença de hastes, restolhos, ervas daninhas, sujeiras.

A quantidade de feno requerida pelos animais estabulados vai de 1 a 1,5% de seu peso vivo. As menores quantidades são usadas para animais de trabalho pesado, que recebem maior proporção de concentrados, e as maiores para animais em de descanso. Para animais estabulados como único alimento estes pode consumir de 12 a 15 kg em média fornece-se 1,2% do peso vivo ou 4 a 6 kg por dia por cabeça. Dois terços desse feno devem ser substituídos por forragem verde. Quando se dá feno de leguminosas a vontade os animais podem comer demais e sofrer indigestão.

Silagens: são alimentos suculentos, conservados em meio adequado na ausência de ar, após terem sido submetidos a fermentação. Geralmente são usados para o gado leiteiro e são pouco fornecidos para equinos, no entanto em alguns países elas são oferecidas para estes animais.

A silagem de milho de boa qualidade é um alimento de valor alimentar proveitoso e pode ser consumida na base de 30 a 35 kg por cabeça dia para animal pesado e para animal mais leve 15 a 20 kg.

A silagem não deve estar estragada ou mofada, pois pode ser toxica aos equinos. Como são alimentos fermentados alguns cavalos podem não querer come-los, deve-se fazer uma adaptação fornecendo pequenas quantidades aos poucos até se acostumarem. Usadas de preferência aos potros, éguas criadeiras, evitando para animais de trabalho pesado.

Palhas: possuem baixo valor nutritivo apesar disso apresentam interesse na alimentação de equinos. Levando em conta o temperamento deste animal à palha propicia uma ocupação que tem por conseqüência acalmar o animal, além disso, contribui para regularizar o transito digestivo e favorece uma atividade microbiana desejável no intestino grosso.

Em países de clima frio na Europa o uso de palhas de cereais é comum, quando os cavalos permanecem estabulados e inativos no inverno. No Brasil, o uso de palhas é raro, a não ser quando os animais a apanham espontaneamente no tempo seco.

Não havendo outra forragem volumosa, o cavalo pode ingerir até 25 kg de palha por dia, conforme seu tamanho.

Forragens desidratadas: em geral tem um valor alimentar elevado e são muito apreciadas pelos equinos, porém o entrave no maior uso é do elevado custo. São mais utilizadas nos EUA e França. Os cavalos de hípicas podem ser alimentados com alimentos completos aglomerados em complemento de palha ou feno, na maioria das vezes são fabricados com grandes quantidades de forragem desidratadas, em particular, de alfafa.

CONCENTRADOS Como o nome diz concentrados são alimentos que fornecem alta quantidade de energia alimentar e por essa razão, tem uma baixa fibra bruta (menos 18%). Como regra geral os concentrados nunca deveriam ultrapassar mais da metade do peso total do alimento ingerido pelo cavalo.

Os concentrados não devem ser fornecidos menos de 2 vezes por dia. Se a quantidade fornecida de 1 vez for maior que 3.5 kg aumente a freqüência de alimentação para 2 vezes ao dia em intervalos de 8 h, mas mantenha a ingestão total diariamente.

Grãos de cereais e subprodutos: são muito utilizados na alimentação de equinos, ricos em energia pela elevada taxa de amido que contém e muito digestíveis devido ao seu baixo teor de celulose (2% no milho a 10% na aveia).

Aveia- é o cereal mais comum a ser dado aos equinos. Baseado na energia, a aveia é o grão mais caro, pois, esta contém menos energia que os outros grãos de cereais, devendo ser ingerida em maior quantidade, podendo levar a problemas de laminite ou problemas digestivos. Cavalos de raça fina, como o puro sangue, recebem de 2 a 8 kg por animal por dia.

Cavalos em trabalho pesado ou em treinamento intensivo podem receber maiores quantidades.

Cevada- é comparável a aveia como alimento para equinos. Pode ser substituta da aveia se seu custo por unidade de energia for menor. A cevada é mais pobre em fibras que a aveia e é classificada como alimento pesado, seu grão é mais duro que da aveia por isso deve ser amassado antes de ser fornecido. Geralmente usa-se de 2 a 3 kg por dia por cabeça e para garanhões pode chegar a 4 e 5 kg. Pode ser dada como único grão na ração.

Centeio- é outro substituto parcial da aveia, podendo ser usado até 3 kg por dia em grãos inteiros, moídos, amassados, macerados ou cozidos; porém é menos apreciável que outros grãos. A planta pode ter fungo parasita que provoca distúrbios sérios como aborto nas éguas, intoxicações, etc.

Milho- pode ser dado em espiga, grão inteiro, quebrado, amassado, cozido, de molho, etc. A espiga pode também ser moída som sabugo e mesmo com palha, que contribui para evitar cólicas nos animais. O milho sob forma de quirera grossa é melhor aproveitado que sob forma de grãos inteiros e a pior maneira de se fornecer é em forma de fubá fino, que pode formar uma massa indigesta no estômago do animal.

A quantidade usada varia de 0 a 6 kg/dia/animal. Zero para animais de descanso, dispondo de pasto ou feno e 6 para animais grandes em trabalho pesado. Em média usa-se 2 a 3 kg para os que fazem trabalho médio e éguas com cria. Os potros em crescimento podem receber de 3 a 4,5 kg/dia e garanhões até 6 kg. O milho associado a um bom feno de leguminosas pode constituir uma ração equilibrada para diversas classes de equinos.

Trigo, grãos e farelo- o grão de trigo não deve ser dado de maneira exclusiva, mas junto a um volumoso. O trigo pelo fato de ter um teor elevado de proteína digestível (9,5%) constitui uma boa complementação para alimentos fibrosos como palha ou feno de má qualidade.

O farelo de trigo é adicionado a ração de grãos ou dado como um ensopado de farelo quente.

Em contraste com a crença popular o farelo não possui efeito laxativo, todavia aumenta a quantidade de fezes excretadas, é grosseiro, pobremente digerido e um alimento de baixa energia.

A quantidade usual vai de 0,1 a 1 kg /dia/cabeça. Arroz e subprodutos- os grãos de arroz em casca, quando disponível a baixo custo, poderão substituir os de outros cereais, contudo, serem previamente moídos e misturados na farelada ou macerados em água para amolecer sua casca.

O subproduto mais utilizado é o farelo de arroz, porém de difícil conservação, dado ao seu alto teor de óleo.

Esses farelos podem ser usados em substituição ao milho (10 a 30%), ou mais nas misturas em proporção de 0,5 a 1 kg/dia/cabeça, para animais de trabalho.

SUPLEMENTOS PROTEICOS Diversos alimentos não contêm proteína suficiente para suprir as necessidades de uma égua em lactação ou um cavalo em crescimento, a proteína adicional necessária é geralmente suprida pela adição de um alimento que tenha alta quantidade de proteína em uma mistura de concentrados.

Suplementos protéicos podem ser de origem animal ou vegetal, que são os mais usados. Suplementos protéicos de origem animal Leite e subprodutos – geralmente utiliza-se o leite desnatado ou mesmo o integral corrigido para ajudar o crescimento dos animais novos ou fazer aleitamento artificial.

Produtos de leite são excelentes suplementos protéicos para cavalos em crescimento, por causa de seu alto conteúdo de lisina.

As quantidades usuais são as seguintes: até 6 meses 1 a 2 litros por dia; dos 6 a 12 meses 4 litros por dia e dos 12 aos 24 meses 4 a 6 litros por dia.

Farinha de carne- é um alimento pouco apreciado pelos equinos e por isso raramente usada, apenas para éguas de cria e animais desnutridos. Deve-se escolher um produto de boa qualidade, podendo-se empregar 300g/dia/animal.

Farinha de ossos – Há diversos tipos de farinha de ossos, devendo-se dar preferência á degelatinada e desengordurada ou calcinada, sem cheiro. É constituída de fosfato tricálcio (28 a 30% de Ca e 13 a 14% de P). Ela é necessária para cobrir as necessidades de fósforo e cálcio das misturas, geralmente deficientes nesses dois minerais. Geralmente, é misturada com o sal. Os equinos requerem 40 a 80g diários de farinha de ossos misturada ao sal.

Ovos- são habitualmente fornecidos aos garanhões de monta, como um estimulante e corretivo da ração. A quantidade usada varia de ½ a duas dúzias. O ovo é o alimento mais completo que existe, e sem duvida substituiria com vantagem os subprodutos de leite para reforçar a alimentação dos potros enfraquecidos.

Farinha de sangue- é um alimento muito rico em proteínas e ferro. É pouco apetitosa e usada em pequenas quantidades para animais fracos ou os que exerçam trabalho pesado, sempre com outros farelos. A quantidade usada varia de 250 a 500 g para adultos e 100 a 200g para os jovens por dia por cabeça, ou até 50% da mistura alimentícia, possui um agravante é constipante.

Suplemento protéico de origem vegetal Farelo de soja- considerado a melhor fonte de proteína para os eqüídeos, podendo entrar em todas as misturas em quantidade adequada para equilibrar a dieta. É apetitoso.

Geralmente 1 a 2 kg por dia por animal ou 5 a 10% da mistura alimentícia, completa as necessidades protéicas do animal, porém quantidades maiores não são danosas. Os fenos de soja forrageira e de soja perene podem substituir o de alfafa.

Farelos úmidos não devem ser dados aos cavalos, pois contêm um fator antitripsina que inibe a digestão de proteína, é destruído quando tostado. Contém muita lisina ao redor de 2,9%.

Farelo de linhaça- é produzido de maneira semelhante ai farelo de soja, mas é originário de sementes fibrosas. Proporções elevadas podem ser tóxicas, o limite de 200 a 500g/dia/animal. Em Kansas, usou-se uma mistura de 60% de milho, 30% de farelo de trigo, 10% de farelo de linhaça numa ração para trabalho pesado com bons resultados, o feno deve ser sempre adicionado.

Farelo de algodão- Desde o estado do Paraná até o Nordeste o farelo de algodão é a fonte de proteína mais barata e mais fácil de ser encontrada para equilibrar a ração. O produto, resíduo da extração do óleo das sementes do algodão, encerra quantidades variáveis de cascas, segundo o método de fabricação. As tortas ou farelos podem conter desde 28 até 43% de PB e seu preço comercial estará de acordo com este teor.

O farelo de algodão contém alguns princípios tóxicos como o gossipol, ácidos ciclopropenóides, etc. cuja proporção depende dos métodos de conservação das sementes na industrialização.

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