INTRODUÇÃO A ECONOMIA_EXERCICIOS

INTRODUÇÃO A ECONOMIA_EXERCICIOS

(Parte 1 de 3)

Introdução à Economia 1º / 2009

1 GABARITO

LISTADE EXERCÍCIOS

(Unidade 1)

Conceitos importantes

1) A análise econômica: a hipótese do “homem econômico” e os incentivos 2) Economia positiva x Economia normativa 3) Eficiência x equidade 4) Tipos de bens e fatores de produção

5) O problema econômico: escassez, escolha, tradeoff e custo de oportunidade 6) A curva de possibilidades de produção (CPP) e a linha de possibilidades de consumo (LPC) 7) Vantagem absoluta e vantagem comparativa 8) Trocas, tendência à especialização e ganhos de comércio

1. PROVÃO [2001 – nº 8] QUESTÃO DISCURSIVA CULTURA ECONÔMICA

“Não há talvez uma única ação na vida de um homem em que ele não esteja sob a influência, imediata ou remota, de algum impulso que não seja o simples desejo de riqueza. Sobre esses atos a economia política nada tem a dizer. Mas há também certos departamentos dos afazeres humanos em que a obtenção de riqueza é o fim principal e reconhecido. A economia política leva em conta unicamente estes últimos.”

MILL, J.S. Da Definição de Economia Política e do Método de Investigação Próprio a Ela. São Paulo: Abril Cultural, 1973, p. 291

Essa passagem clássica da obra de J. Stuart Mill relaciona-se com o importante conceito de “homem econômico”. Com base na citação, responda às perguntas a seguir:

a) O que é o “homem econômico”? b) Qual é a funcionalidade desse conceito para a construção de teorias econômicas? a) O homem econômico é uma abstração, que ignora (deixa de lado) todas as motivações do comportamento humano, exceto o comportamento maximizador ou de acumulação de riqueza. Como a economia é a ciência que estuda a forma pela qual a sociedade administra seus recursos escassos entre fins alternativos, o homem econômico é justamente o agente dessa ciência. Ele age com base em decisões que são tomadas unicamente com o intuito de maximizar benefícios e minimizar prejuízos. Embora ninguém seja, todo o tempo, um “homem econômico”, pois muitas de nossas ações têm outras motivações, há uma parcela suficiente de verdade nessa abstração para fazer que tanto a análise econômica quanto os modelos baseados na ideia do comportamento maximizador sejam relevantes para o entendimento do mundo real.

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2 b) Trata-se de uma simplificação do comportamento econômico dos indivíduos, o que facilita o processo de teorização – permite construir teorias mais enxutas e garante a parcimônia dos modelos. Os economistas procuram tratar seu objeto de estudo com a objetividade e a imparcialidade de um cientista, formulando teorias, coletando dados e analisando-os para poder refutá-las ou corroborá-las. O estabelecimento da ideia de homem econômico constitui, assim, um modelo, já que concebe o comportamento humano de forma simplificada e realista, facilitando a compreensão dos fenômenos econômicos.

2. Como o advento dos carros bicombustíveis, alguns motoristas enfrentam, cotidianamente, um dilema entre abastecer seus carros com álcool ou com gasolina, como se refere o seguinte trecho da reportagem abaixo, publicada no caderno Economia do jornal Correio Braziliense no dia 10/01/2006.

Gasolina vence álcool em Brasília

Com a disparada dos preços do álcool nas bombas, os donos de carros bicombustíveis devem fazer as contas com cuidado na hora de abastecer. De acordo com uma pesquisa (...), encher o tanque com gasolina é mais vantajoso em, pelo menos, 15 estados e no Distrito Federal. (...)

(...) Segundo os especialistas, por ser um combustível que rende menos, o álcool deve custar no máximo entre 60% e 70% do valor da gasolina para ser vantajoso ao motorista.

Como se interpreta, nesse contexto, o princípio: “Os agentes econômicos respondem a incentivos”.

A tomada de decisão individual do “homem econômico” condiciona-se à comparação entre custos e benefícios de uma determinada escolha, ou seja, um tomador de decisões racional executa uma ação se, e somente se, os benefícios de sua execução superam os custos associados. No caso, o incentivo é dado pela redução do custo proporcionado pela utilização alternativa do álcool ou da gasolina. O consumidor racional (ou seja, cujo comportamento é determinado pela maximização de ganhos) observará com atenção a relação de preços dos dois combustíveis e decidirá, cada vez, pelo que proporcionar menor custo por quilômetro rodado.

3. PROVÃO [2001 – nº 7] QUESTÃO DISCURSIVA

Milton Friedman, prêmio Nobel de Economia, defende que a fixação do salário mínimo, embora tenha uma clara dimensão normativa, pode ser discutida no campo da economia positiva.

a) Em que consiste a distinção entre economia positiva e economia normativa? b) Dê exemplos de afirmações positivas e normativas associadas à fixação do salário mínimo.

a) A economia positiva trata do que é, do que acontece na economia, abordando questões que envolvem descrição e explicação de fatos; a economia normativa trata do que deve ser, do que deveria acontecer ou ser feito, abrangendo um aspecto prescritivo e, por conseguinte, incluindo valores em suas afirmações (já que as pessoas podem ter ideias e preferências diferentes a respeito do que deve ser feito).

Os economistas, tomados como um grupo, são frequentemente criticados por oferecerem pareceres contraditórios aos formuladores de políticas. Motivos que explicariam isso podem tanto decorrer de teorias positivas alternativas a respeito do funcionamento da economia, como podem estar associadas ao fato de que diferentes economistas tenham valores diferentes, o que inclui opiniões normativas diferentes acerca dos possíveis objetivos das políticas consideradas. b) Afirmação positiva: “A fixação do salário mínimo acima de certo nível levará as firmas a demitir trabalhadores”. Essa é uma afirmativa de fato, cuja veracidade poderá, em princípio, ser verificada; não se trata de uma opinião.

Afirmação normativa: “A fixação do salário mínimo deve ter como objetivo assegurar ao trabalhador e sua família um nível de vida adequado”; ou “A fixação do salário mínimo deve ter como objetivo maximizar o nível de emprego de trabalhadores não-qualificados”. Essas afirmativas encerram opiniões diferentes, juízos de valor distintos sobre o que deve nortear a política de salário mínimo. Não se pode dizer que uma opinião seja superior à outra: são posições diferentes sobre um mesmo tema.

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3 EFICIÊNCIA x EQUIDADE

4. “As decisões de produção tomadas pelo mercado costumam ser bem-sucedidas quanto à eficiência, mas podem ser malsucedidas quanto à equidade”. Explique como você entende essa afirmativa, apresentando uma breve diferenciação desses dois conceitos.

Entende-se por eficiência a propriedade que a sociedade tem de obter o máximo benefício possível a partir de seus recursos escassos, enquanto equidade é a propriedade de distribuir a prosperidade econômica entre os membros da sociedade.

As preferências da coletividade podem ou ser reveladas no mercado pelas decisões de compra de cada um, que representam “votos” relativos ao que se prefere consumir, ou ser decididas de forma centralizada, por meio de um órgão de planejamento que resolva o que deve ser produzido, quanto e como. No primeiro caso, costuma haver maior eficiência: em vez de atribuir à burocracia governamental a decisão sobre, por exemplo, quantas padarias devem existir em uma cidade, onde localizá-las e que tipos de pães produzir, parece mais fácil e eficiente deixar tais escolhas à iniciativa dos empreendedores individuais, baseadas nos estímulos proporcionados pelas decisões de compra dos consumidores. As decisões de mercado, entretanto, podem ser falhas em termos de igualdade, pois os “votos” são ponderados pelo poder de compra de cada um. Em uma sociedade que apresenta distribuição de renda muito desigual, as necessidades dos mais pobres podem não ser atendidas (haverá pouca demanda revelada no mercado para postos de saúde em bairros humildes, por exemplo).

Assim, ao considerar a maximização dos benefícios e a minimização dos custos almejadas pelo “homem econômico”, parece convincente supor que as decisões de produção tomadas pelo mercado (campo de ação do “homem econômico”) sejam bem-sucedidas quanto à eficiência, mas possivelmente malsucedidas quanto à equidade.

5. Classifique cada uma das seguintes atividades do governo de acordo com a sua motivação: uma preocupação com a equidade ou uma preocupação com a eficiência. Justifique sua classificação.

a) Regulamentar os preços da de serviços públicos como água e eletricidade.

Equidade, uma vez que o preço de tais serviços, muitas vezes oferecidos por uma só empresa pode, se fixado pelo mercado, atingir níveis que penalizem o consumidor, especialmente os de menor renda.

b) Oferecer a uma parcela da população pobre tíquetes que podem ser usados para comprar comida.

Equidade, pois visa a uma melhor distribuição dos benefícios econômicos entre os membros da população, equiparando-os.

c) Dividir a Standard Oil (que chegou a deter 90% das refinarias de petróleo dos Estados Unidos) em diversas empresas menores.

Eficiência, pois diversas firmas em concorrência maximizam o benefício total da sociedade. d) Aumentar as alíquotas de imposto de renda das pessoas com alta renda.

Equidade, pois tal política consiste, em essência, em uma redistribuição da renda nacional.

6. Discuta no contexto da matéria abaixo, de Fernando Dantas, publicada no caderno Economia do jornal O Estado de S. Paulo em 1/5/05, e discuta-os aplicando os conceitos de eficiência e equidade.

“Mercado de trabalho chinês é o mais capitalista do mundo”

Para o economista chinês Dong Tao, ‘o mercado de trabalho da China é o mercado mais capitalista do mundo’. (...) os trabalhadores chineses do setor fabril de bens de consumo trabalham 14 horas por dia, 7 dias por semana, com praticamente nenhuma proteção trabalhista (...)

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Segundo o economista, ‘isso é triste do ponto de vista dos direitos dos trabalhadores e dos direitos humanos, mas é absolutamente positivo para o capitalismo’. Para Dong, essa flexibilidade trabalhista explica o volume maciço de investimentos estrangeiros na China, e está por trás do boom exportador e do acelerado crescimento do país.

O mercado de trabalho chinês, de acordo com a reportagem acima, apresenta bons resultados em termos de eficiência, pois, ao utilizar o insumo trabalho de forma tão intensa, obtém-se um alto benefício de seu uso, apesar de ser possível prolongar ainda mais a jornada de trabalho. No entanto, ainda que tal contexto seja “absolutamente positivo para o capitalismo”, há perdas em termos de equidade, já que “essa flexibilidade trabalhista” implica perda de garantias salariais e/ou contratuais. Essa situação explicita o potencial tradeoff (definido como uma escolha entre fins mutuamente exclusivos) existente entre eficiência e equidade.

7. Discuta a seguinte assertiva aplicando os conceitos de economia positiva, economia normativa, eficiência e equidade.

“Acredito que os governos precisam – e podem – adotar políticas que ajudem não só os países a crescer, mas que também assegurem que esse crescimento seja compartilhado de maneira mais equitativa pela população.”

A globalização e seus malefícios, Joseph Stiglitz (prêmio Nobel de Economia em 2001)

Um dos possíveis papéis desempenhados pelo economista, na condição de cientista, é auxiliar os formuladores de políticas públicas na análise da viabilidade de planos alternativos de ação. Dessa forma, sua participação tende a centrar-se em aspectos positivos, isto é, na descrição objetiva da realidade econômica, feita com base em modelos científicos e em dados estatísticos. A escolha da política a implementar, contudo, condiciona-se a critérios normativos, e, como tal, vincula-se a juízos de valor e interpretações subjetivas da realidade. Tal fato tem clara interferência tanto nos propósitos das políticas escolhidas quanto no alcance e na abrangência de seus efeitos.

A assertiva de J. Stiglitz encerra, portanto, o seguinte significado: a adoção de políticas deve não somente basear-se em critérios de eficiência, como o simples aumento do produto, ou seja, crescimento econômico; deve, também, atender a critérios de equidade, de modo a distribuir os benefícios advindos do crescimento econômico entre a maior parte da população, promovendo desenvolvimento econômico e social.

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