Curso Prático de Orçamento

Curso Prático de Orçamento

(Parte 1 de 3)

INTRODUÇÃO2
ELABORAÇÃO DO DISCRIMINATIVO orçAMENTÁRIO3
1. Serviços Preliminares:3
2. Infra-Estrutura:4
3. Supra-Estrutura:5
4. Impermeabilizações:6
5. Paredes:7
6. Cobertura:8
7. Revestimentos de Paredes:8
8. Revestimentos de Teto:9
9. Pisos:10
10. Esquadrias Metálicas:1
1. Esquadrias de Madeira:12
12. Instalações Hidráulicas e de Prevenção Contra Incêndio:12
13. Instalações Elétricas, Telefônica, Interfone:12
14. Pintura:12
15. Vidraçaria:13
16. Serviços Complementares:14
17. Limpeza Final da Obra:15
TAXAS DE LEIS SOCIAIS E RISCOS DO TRABALHO2
BDI – Benefício e despesas indiretas23

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2 INTRODUÇÃO

A área de orçamento é de importância fundamental na execução de qualquer produto ou empreendimento, principalmente na construção civil, pois a área de produção está exposta a variações climáticas e financeiras, em virtude do tempo de execução que é longo em relação a outros produtos industrializados.

Segundo Assumpção (2003), as informações de custo têm se tornado cada vez mais importantes para empresas de construção civil, principalmente depois de meados da década de 80. A partir dessa data, modificações substanciais passaram a ocorrer no panorama do mercado nacional, tais como a escassez de recursos públicos para financiar a produção e comercialização, a redução significativa na oferta de obras públicas (principalmente as de construção pesada), a queda do poder de compra da classe média e baixa aliada ao surgimento de consumidores mais exigentes que buscam sempre melhor preço, impondo níveis mais elevados de qualidade dos produtos. Desta forma, a eficiência na produção passou a ser fator preponderante para o sucesso dos empreendimentos em construção, devendo buscar-se, ao mesmo tempo, redução de custo e melhoria da qualidade.

É indispensável para a avaliação de custos e desembolso os seguintes elementos:

Quantificação de serviços. Elaboração de Discriminativo Orçamentário. Atualização de Composições de Custos Unitários. Elaboração de Cronograma Físico-Financeiro (gráfico de Gantt).

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O primeiro passo para a formulação do orçamento é a elaboração do

Discriminativo Orçamentário com base nos projetos e nas Especificações Técnicas e de Acabamento, os quais determinam a forma executiva da edificação e acabamentos que serão utilizados. Quando se executa a tarefa de quantificação com freqüência é aconselhável a elaboração de um roteiro básico para levantamento de quantidades de serviços, que são registradas através de memórias de cálculo, o qual prevê todas as etapas de uma obra, em ordem cronológica, facilitando o serviço de quem efetua o levantamento de quantidades. Com base neste roteiro são quantificados todos os serviços para a execução da obra, conforme metodologia que será descrita na seqüência:

1. Serviços Preliminares: • Nesta etapa são considerados os seguintes serviços:

− Placa de obra: conforme modelo de placa da empresa, sendo a unidade de medida em metros quadrados.

− Instalações provisórias de água, esgoto e energia: uma unidade de cada uma destas instalações, tendo sido considerado valor global neste item.

− Tapume em madeira compensada: quantidades conforme características e dimensões do terreno, sendo a unidade de medida para este serviço o metro quadrado.

− Abrigo provisório para depósito, escritório e sanitário: quantidades estimadas, em função da necessidade de instalações para obra, com base em outras edificações semelhantes executadas, no entanto

Curso Prática de Orçamento de Obras - agosto de 2008 Eng. Civil Maria Estela Montini Domingues – e-mail: estela@construtorappn.com.br quando da elaboração do PCMAT1 , estas quantidades poderão ser revistas.

− Andaime de madeira: quantidades estimadas em função das dimensões da edificação e número de pavimentos, sendo a unidade de medida para este serviço o metro.

− Projetos complementares: orçar os projetos complementares junto a profissionais especialistas de cada área, obtendo-se desta forma um custo para elaboração dos mesmos, sendo a unidade de medida adotada um valor global em moeda corrente.

− Aprovação de projetos e ARTs, foram estimados os custos, destas despesas com base na tabela do CREA-PR e demais órgãos para as devidas aprovações, obtendo-se desta forma um custo aproximado destes gastos, sendo a unidade de medida adotada o valor global em moeda corrente.

− Terraplenagem: devem ser verificadas as cotas naturais do terreno, e com o projeto arquitetônico solicitar orçamento junto a empresas para levantamento do custo para execução da terraplenagem. Também devem ser verificados os níveis especificados em projeto, para que seja necessário o mínimo possível de movimento de terra, explorando a compensação com material do lote. A unidade de medida adotada pode ser um valor global em moeda corrente.

2. Infra-Estrutura: − Escavação manual de valas de fundação e blocos: levantadas as quantidades em função do volume de concreto dos blocos de fundação

1 PCMAT: Programa de Condições e Meio Ambiente de Trabalho, determina diretrizes conforme NR-18, para as condições de trabalho, higiene e segurança em estabelecimentos com mais de 20 funcionários.

Curso Prática de Orçamento de Obras - agosto de 2008 Eng. Civil Maria Estela Montini Domingues – e-mail: estela@construtorappn.com.br e vigas alavanca2 que serão executadas, considerando-se o dobro do volume de concreto, como volume de escavação. A unidade de medida utilizada é o metro cúbico.

− Reaterro de valas de fundação e blocos: considerar que a quantidade de reaterro é a metade do volume de escavação, pois a outra metade é ocupada pelo concreto das fundações. A unidade de metida utilizada é o metro cúbico.

− Estaca escavada com diâmetro de 30 cm: estimadas as profundidades das estacas de fundação, com base nos carregamentos dos pilares constantes no projeto estrutural, orçar com empresa de fundação o tipo de estaca e profundidade necessária em função da carga e diâmetro da estaca. A unidade de medida utilizada é o metro de estaca.

3. Supra-Estrutura: − Concreto estrutural usinado: adotado que todo o concreto da supra- estrutura será usinado e bombeado, por empresa especializada, sendo que o lançamento será executado pelos funcionários da obra, tendo sido levantados os volumes necessários conforme resumos do projeto estrutural. A unidade de medida utilizada é o metro cúbico.

− Fôrmas de madeira: as fôrmas em madeira serrada, executadas na obra. As quantidades levantadas conforme resumo do projeto estrutural, sendo a unidade de medida utilizada o metro quadrado.

− Armaduras de aço para estrutura: considerado que todas as armaduras serão pré-dobradas e cortadas pelo fornecedor de aço, ficando a cargo

2 Viga Alavanca ou Viga em Balanço: elemento estrutural utilizada na infra-estrutura para recuo de blocos de fundação das divisas do terreno, transferindo os esforços das vigas baldrame das divisas do terreno para o bloco de fundação.

Curso Prática de Orçamento de Obras - agosto de 2008 Eng. Civil Maria Estela Montini Domingues – e-mail: estela@construtorappn.com.br da do armador da obra a amarração e montagem das mesmas no canteiro de obras. As quantidades podem ser levantadas conforme resumo do projeto estrutural e a unidade de medida utilizada é o quilograma.

− Lajes de forro e piso: adotado conforme previsto no projeto estrutural, laje do tipo mista em todos os ambientes, exceto nas sacadas que será em laje armada in loco. As quantidades são levantadas no projeto estrutural calculando-se as áreas de cada laje, sendo a unidade de medida utilizada o metro quadrado.

4. Impermeabilizações: − Impermeabilização com pintura betuminosa: levantadas as dimensões das vigas baldrames, ou seja, comprimentos e seções transversais (base e altura) para obter as áreas a serem impermeabilizadas. A unidade de medida utilizada é o metro quadrado.

− Impermeabilização com manta: levantadas as áreas de impermeabilização do reservatório elevado e áreas de box dos sanitários, sendo a unidade de medida utilizada o metro quadrado.

− Proteção mecânica3: considerado a mesma área de impermeabilização com manta.

A impermeabilização com pintura betuminosa é realizada com material betuminoso, com a finalidade de impedir que a umidade proveniente do solo atinja as paredes da edificação, para tal é realizada a impermeabilização das vigas baldrame que estão em contato direto com o solo.

3 Proteção mecânica: camada de argamassa de cimento, cal e areia na proporção de 1:3:10, com a finalidade de proteger a manta de impermeabilização contra as intempéries.

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A impermeabilização com manta é recomendada para impermeabilizar reservatórios de água e locais sujeitos a umidade constante como área de banho em sanitários, de forma a impedir que a água existente nestes locais infiltre em paredes e pisos atingindo desta forma outros ambientes. Após a aplicação da impermeabilização com manta asfáltica é recomendada a execução de uma camada de regularização com argamassa de cimento e areia, de forma a proteger a ação direta de intempéries sobre a manta, o que reduz sua durabilidade.

5. Paredes: − Paredes externas: são levantados os comprimentos de todas as paredes externas e multiplicadas pela altura do pé-direito nos respectivos pavimentos, obtendo-se desta forma a área em metro quadrado de alvenaria. Após isso são descontadas todas as aberturas das esquadrias, localizadas nestas paredes, independentemente do tamanho das aberturas. A unidade de medida utilizada é o metro quadrado.

− Vergas de concreto: são levantadas as larguras de todas as esquadrias e acrescentado mais 30 cm de cada lado para transpasse das vergas, obtendo-se desta forma quantidade total de vergas necessárias. A unidade de medida adotada é o metro.

− Paredes internas: são levantados os comprimentos de todas as paredes internas e multiplicadas pela altura do pé-direito nos respectivos pavimentos, obtendo-se desta forma a área em metro quadrado de alvenaria. Após isso são descontadas todas as aberturas das esquadrias, localizadas nestas paredes, independentemente do tamanho das aberturas. A unidade de medida utilizada é o metro quadrado.

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6. Cobertura: − Estrutura de madeira: calcular a área em metro quadrado da cobertura conforme previsto na planta de cobertura do projeto arquitetônico. Esta se refere à área plana sem a inclinação, adotada a estrutura tipo pontaleteada4 para telhas de fibrocimento. A unidade de medida utilizada é o metro quadrado.

− Telhas de fibrocimento: considerar a mesma área da estrutura da cobertura.

− Cumeeira de fibrocimento: levantar a quantidade na planta de cobertura nas divisões das águas do telhado, sendo a unidade de medida utilizada o metro.

− Calhas, rufos e contra-rufos: levantar as quantidades na planta de cobertura do projeto arquitetônico, tendo sido considerado o corte5 da chapa galvanizada de 80 cm, 35 cm e 30cm, respectivamente para calhas, rufos e contra-rufos. A unidade de medida utilizada é o metro.

7. Revestimentos de Paredes: − Chapisco e emboço: considerar a área de alvenaria interna multiplicada por dois, mais uma vez a área da alvenaria externa, obtendo-se desta forma a área total destes revestimentos internos. Na área externa adotadar a área da alvenaria multiplicada por um,

4 Pontaleteada: Estrutura de madeira para cobertura, composta por ripas para assentamento de telhas, apoiadas sobre terças de madeira, que por sua vez são fixadas sobre vigas que compõe o banzo superior, as quais distribuem suas cargas aos pontaletes de madeira apoiados perpendicularmente a laje de cobertura, sem a necessidade da utilização de todos os elementos de uma tesoura de madeira para cobertura. 5 Corte : termo utilizado para definir a largura total de chapa utilizada na confecção de calhas, rufos e contra-rufos.

Curso Prática de Orçamento de Obras - agosto de 2008 Eng. Civil Maria Estela Montini Domingues – e-mail: estela@construtorappn.com.br obtendo-se a área total destes revestimentos externos. A unidade de medida utilizada é o metro quadrado.

− Reboco: considerar reboco somente nas alvenarias internas, exceto os locais que receberão revestimentos cerâmicos, utilizar a área de chapisco e emboços internos, descontando o revestimento cerâmico. A unidade de medida utilizada é o metro quadrado.

− Azulejo: somar os perímetros das paredes que receberão azulejo, conforme indicado no projeto arquitetônico, e depois multiplicar pelo pé-direito de cada ambiente. Descontar as áreas das aberturas das esquadrias de cada um destes ambientes, obtendo a área total de revestimento cerâmico, sendo a unidade de medida o metro quadrado.

− Pastilha esmaltada: levantar as quantidades de pastilha conforme indicado no projeto arquitetônico, sendo a unidade de medida adotada o metro quadrado.

− Peitoril de granito: levantar as larguras de todas as esquadrias (janelas), obtendo-se desta forma à quantidade de peitoril necessário. A unidade de medida adotada é o metro, com largura de 15 cm.

8. Revestimentos de Teto: − Chapisco, emboço e reboco: considerar as áreas de laje, exceto dos sanitários, obtendo-se desta forma a área total destes revestimentos teto. A unidade de medida utilizada é o metro quadrado.

− Forro de Gesso: considerar as áreas de laje de todos os sanitários, sendo a unidade de medida utilizada o metro quadrado.

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− Junta de dilatação de gesso: levantar os perímetros dos sanitários para obtenção da quantidade de juntas de dilatação. A unidade de medida utilizada é o metro.

9. Pisos: − Aterro apiloado manualmente: levantar as áreas de piso do pavimento térreo, multiplicado por 0,20 m, obtendo-se desta forma o volume de aterro necessário para a base dos pisos. A unidade de medida adotada é o metro cúbico.

− Lastro de brita apiloado manualmente: levantar as áreas de piso do pavimento térreo, multiplicado por 0,03 m, obtendo-se desta forma o volume de lastro de brita, necessário para a base dos pisos. A unidade de medida adotada é o metro cúbico.

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