Tres Metros Acima do Ceu-Federico Moccia

Tres Metros Acima do Ceu-Federico Moccia

(Parte 1 de 12)

Tradução de MARIO FONDELI

Título original TRE METRI SOPRA IL CIELO

Copyright © 2004 by Giangiacomo Feltrinelli Editore Milano

Os personagens deste romance são produtos da imaginação do autor. Qualquer semelhança com pessoas ou acontecimentos reais é mera coincidência.

Direitos para a língua portuguesa reservados com exclusividade para o Brasil à EDITORA ROCCO LTDA.

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M686t Moccia, Federico

Três metros acima do céu / Federico Moccia; tradução de Mario Fondelli. - Rio de Janeiro: Rocco, 2005.

Tradução de: Tre metri sopra il cielo ISBN 85-325-1931-8

1. Ficção italiana. I. Fondelli, Mario. I. Título.

Ao meu pai, um grande amigo com quem muito aprendi.

À minha mãe, maravilhosa, que me ensinou a rir.

“Cathia tem a mais bela bunda da Europa.” A pichação em vermelho aparece com todo o seu ostensivo descaramento numa pilastra do viaduto de Corso Francia.

Ali perto, uma águia real, esculpida há muito tempo, certamente viu o culpado, mas nunca irá contar. Logo abaixo, sentado como se fosse uma pequena cria protegida pelas vorazes garras de mármore, está ele.

Cabelo curto, quase raspado, parecido ao de um fuzileiro naval, vestindo uma jaqueta Levi’s escura.

Colarinho levantado, um Marlboro na boca, óculos Ray-Ban a ocultar os olhos.

Parece ser um cara mau, embora não precise dessas coisas. Tem um sorriso lindo, mas são raras as pessoas que tiveram a chance de apreciá-lo.

No fim do viaduto, alguns carros detiveram-se ameaçadores diante do sinal. Lá estão eles, enfileirados como se estivessem numa corrida apesar da diversidade de modelos. Um pequeno Uno, um New Beatle, um Micra, um carrão americano não muito bem identificado, um velho Punto.

Num Mercedes 200, um dedo fino com unhas mordiscadas empurra de leve um CD.

A voz do vocalista de uma banda de rock toma vida inesperadamente nas caixas laterais do som Pioneer.

O carro volta a avançar acompanhando o fluxo. Ela gostaria de saber “Where is the love...”. Mas será que isso existe de verdade? De uma coisa, no entanto, ela tem absoluta certeza, poderia passar muito bem sem a irmã que do assento de trás continua repetindo sem parar: “Bota Eros, muda esse troço, quero ouvir o Eros.”

O Mercedes passa justamente quando o cigarro, já no fim, cai no chão empurrado por um estalar dos dedos e com a ajuda da brisa. Ele desce dos degraus de mármore, ajeita os seus jeans 501 e monta na Honda azul VF 750 Custom. Como que num passe de mágica está entre os carros. O seu Adidas direito muda as marchas, refreia ou deixa à solta o motor que, poderoso, empurra-o como uma onda pelo tráfego.

O sol continua a subir no céu, é uma linda manhã. Ela está indo para o colégio, ele ainda não foi dormir depois da noitada de ontem. Um dia normal, como qualquer outro. Mas o sinal faz com que fiquem emparelhados. E aí o dia deixa de ser como os demais.

Vermelho. Olha para ela. O vidro está aberto. Uma madeixa loira-acinzentada vez por outra esvoaça sobre o pescoço macio dela. Um perfil marcante e ao mesmo tempo delicado, olhos azuis, suaves e serenos, ouvem a música com ar sonhador. Toda aquela calma desperta a curiosidade dele.

“Olá!” Ela se vira e olha para ele. A janela está aberta. O rapaz sorri, parado ao lado, sentado na moto, de ombros largos, as mãos já bronzeadas demais para aquele começo de abril. ― Que tal dar uma volta comigo?

― Não dá. Estou indo para o colégio.

― Então não vá. Apenas finja. Pego você logo ali na frente.

― Não sabe o que está perdendo

― Desculpe. ― O sorriso dela é fingido, forçado. ― Acho que não me expliquei direito, não estou a fim de sair com você. ― Duvido.

― Sou a solução para os seus problemas.

― Não tenho problemas.

― Quem duvida, agora, sou eu. Verde. O Mercedes 200 dá um pulo para a frente apagando de vez o sorriso confiante dele.

O pai vira-se para ela. ― Quem era o sujeito? Um amigo seu?

― Nada disso, pai, apenas um idiota

Depois de alguns segundos, a moto encosta de novo. Ele segura com a mão esquerda a janela e acelera de leve com a direita, só para não ter de fazer muita força para deixar-se puxar, embora aquele braço de estivador possa, sem dúvida alguma, aguentar o tranco sem maiores problemas.

O único que parece ter problemas, no entanto, é o pai. ― Que diabos esse infeliz quer fazer? Por que está chegando tão perto?

― Deixa comigo, papai. Vou cuidar dele... Ela se vira para o desconhecido decidida. ―- Olha aqui, você não tem nada melhor para fazer?

― Não.

― Então arranje.

― Já arranjei uma coisa legal.

― E o que é?

― Dar uma voltinha com você. Vamos lá, podemos dar uma esticada até a

Olímpica, acelerar firme com a moto e aí pago o seu almoço antes de levar você de volta para a escola na hora da saída. Eu juro. ― Não acho que os seus juramentos valham lá muita coisa.

― É isso aí ― ele diz sorrindo. ― Está vendo quantas coisas você já sabe a meu respeito? Diz a verdade, já está gostando de mim, não é?

Ela dá uma gargalhada sacudindo a cabeça. ― Muito bem, já chega. ― E abre um livro que tira da bolsa de couro Nike. ― É melhor eu pensar no meu único problema atual. ― Que seria?

― A prova oral de latim.

― Achei que tivesse a ver com sexo. Ela vira o rosto irritada. Dessa vez, não sorri, nem mesmo de brincadeira. ― Tire a mão da janela.

― E aonde você quer que eu bote? Ela aperta um botão. ― Não posso dizer, o meu pai está aqui. O vidro começa a subir. Ele espera até o último momento para tirar a mão e se soltar.

― A gente se vê. Nem tem tempo de ouvir o seco “não” dela. Inclina-se de leve para a direita. Troca rapidamente a marcha para enfrentar a curva e desaparece entre os carros com uma aceleração espasmódica. O Mercedes segue em frente em sua viagem, agora mais tranquila, rumo à escola.

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