comunicação alternativa

comunicação alternativa

(Parte 2 de 8)

Pensando, então, na interação entre professor e aluno com necessidades especiais na área da comunicação, os sistemas alternativos de comunicação são um meio eficaz para garantir a inclusão desses alunos. Assim, a criança ou o jovem que esteja impedido de falar poderá comunicar-se com outras pessoas e expor suas idéias, pensamentos e sentimentos se puder utilizar recursos especialmente desenvolvidos e adaptados para o meio no qual está inserido.

Vários podem ser os sistemas alternativos para comunicação.

A criança ou jovem pode usar um tabuleiro de comunicação que contenha símbolos gráficos como fotos, figuras, desenhos, letras, palavras e sentenças, e construir sentenças ao apontar para fotos, desenhos ou figuras estampadas, de modo a se fazer entender no ambiente escolar e social. Há ainda sistemas que utilizam tecnologia avançada, como os sistemas computadorizados e softwares específicos.

Neste texto, trataremos dos recursos compreendidos como “baixa tecnologia”1 que poderão ser utilizados pelos professores de classes comuns ou especiais.

1 É compreendida como recursos que podem ser confeccionados a partir de materiais que fazem parte do cotidiano escolar.

5Recursos para comunicação alternativa

Ampliando a definição de comunicação alternativa

Alguns autores discutem a adequação do termo “comunicação alternativa”, pois ele traz a idéia de que a fala vai ser substituída. Segundo esses autores, seria melhor adotar o termo “comunicação suplementar”, ou ainda “comunicação ampliada”. Esse termo designaria uma comunicação de suporte, ou seja, um apoio suplementar à fala. Nesse sentido, é sempre bom lembrar que, ao utilizarmos uma outra forma para comunicação, não queremos substituir a fala, mas contribuir para que a comunicação ocorra.

A comunicação suplementar ou ampliada enfatiza formas alternativas de comunicação visando dois objetivos: promover e suplementar a fala, e garantir uma forma alternativa de comunicação para um indivíduo que não começou a falar.

Ampliando um pouco a definição de comunicação alternativa, podemos encontrar duas subdivisões: comunicação apoiada e comunicação não apoiada.

A comunicação apoiada englobaria todas as formas de comunicação que possuem expressão lingüística na forma física e fora do corpo do usuário, como objetos reais, miniaturas de objetos, pranchas de comunicação com fotografias, fotos e outros símbolos gráficos e, ainda, os sistemas computadorizados. Esses são os recursos adaptados.

Em decorrência das dificuldades motoras, certos usuários de recursos de comunicação apoiada vão, também, depender de alguém para selecionar e indicar os estímulos necessários para que seja interpretado. É o caso dos alunos que necessitam de uma outra pessoa para realizar o manuseio do material confeccionado, apontando as figuras ou as fotos necessárias para estabelecer uma comunicação. A pessoa que auxilia vai indicando uma figura após a outra até que a escolha seja feita (sistema de varredura na linha e/ou na coluna). Após a seleção da figura pelo usuário, há necessidade de retomar novas seleções. Há alunos que conseguem selecionar os estímulos pelo olhar ou pelo apontar com a língua, mas não conseguem virar uma página ou pegar uma prancha temática. Nessas situações, também, esses alunos necessitam de auxílio do professor.

A comunicação não apoiada englobaria as expressões próprias daquela pessoa, tais como os sinais manuais, expressoões faciais, língua

6Recursos para comunicação alternativa de sinais, movimentos corporais, gestos, piscar de olhos para indicar “sim” ou “não”. Esses são os recursos da própria pessoa. As expressões são totalmente produzidas pelos seus usuários, ou seja, ela é realizada por meio das ações que o próprio aluno pode produzir, sem o auxílio de outra pessoa ou de equipamentos.

Cabe salientar que o uso da escrita, assim como o da língua de sinais, é um recurso importante quando o aluno não tem a possibilidade de falar, pois estabelece uma comunicação face a face (VON TETZCHNER, 1997). Embora sejam possibilidades comunicativas importantes, tanto a escrita como a língua de sinais requerem habilidades motoras e, nesse sentido, nem todos os alunos com deficiência física têm possibilidade de utilizá-las.

Definindo um sistema de comunicação alternativo

Pensando então em utilizar, desenvolver ou criar meios alternativos para comunicação, devemos optar por aquele que ofereça as condições desejáveis para o aluno. Para esse delineamento, devemos estabelecer quais os tipos de estímulos que esse sistema deverá conter:

•o sistema utilizará objetos concretos?

•ele será composto por fotografias, figuras ou desenhos?

•terá como base um sistema de símbolos gráficos (pictográficos, ideográficos ou aleatórios)?

•o sistema será combinado?

•far-se-á uso da ortografia?

•o sistema será composto por sistemas gestuais?

Para fazer esse delineamento, será necessária uma avaliação do aluno (DELIBERATO & MANZINI, 1997), e também da participação do professor, da família, do fonoaudiólogo e, se possível, de uma equipe para avaliar as possibilidades do aluno e da situação.

Em linhas gerais, para avaliar o aluno e a situação na qual o sistema será utilizado, deveremos verificar:

7Recursos para comunicação alternativa

1)as habilidades físicas do usuário: acuidade visual e auditiva; habilidades perceptivas; fatores de fadiga; habilidades motoras tais como preensão manual, flexão e extensão de membros superiores, habilidade para virar páginas;

2)as habilidades cognitivas: compreensão, expressão, nível de escolaridade, fase de alfabetização;

4)com quem o sistema será utilizado: pais, professores, amigos, comunidade em geral;

5)com qual objetivo o sistema será utilizado: ensino em sala de aula, comunicação entre amigos.

Dessa forma, é importantíssimo fazer um levantamento das habilidades já existentes e do potencial do aluno, uma vez que o recurso alternativo de comunicação dará possibilidade ao professor de trabalhar aspectos da compreensão e expressão da linguagem do aluno.

Tendo em mãos os dados dessa avaliação, é possível preparar o recurso a ser utilizado, ou seja, qual será a forma desse recurso, por exemplo, se ele deverá conter um vocabulário específico para a sala de aula ou para outra situação, se haverá um vocabulário básico com figuras acoplado com letras, ou mesmo com objetos.

8Recursos para comunicação alternativa

O processo apresentado a seguir configura-se como orientação para os profissionais da educação no sentido de encontrarem soluções por meio da utilização de objetos que auxiliem o aprendizado de pessoas com necessidades educacionais especiais.

Cada necessidade é única e, portanto, cada caso deve ser estudado com muita atenção. A experimentação deve ser realizada muitas vezes, pois permite observar como a ajuda técnica desenvolvida está contemplando as necessidades percebidas.

Figura 1. Fluxograma para o desenvolvimento de ajudas técnicas.

1. Entender a situação

6. Avaliar o uso

7. Acompanharo uso2. Gerar idéias

4. Representar a idéia

3. Escolher alternativa

5. Construir o objeto

9Recursos para comunicação alternativa

1. Entender a situação que envolve o estudante 9Escutar seus desejos. 9 Identificar características físicas/psicomotoras. 9Observar a dinâmica do estudante no ambiente escolar. 9Reconhecer o contexto social.

9Considerar as necessidades a serem atendidas (questões do educador/aluno).

9Considerar a disponibilidade de recursos materiais para a construção do objeto – materiais, processo para confecção, custos.

4. Representar a idéia (por meio de desenhos, modelos, ilustrações) 9Definir materiais.

9Definir as dimensões do objeto – formas, medidas, peso, textura cor, etc.

9Verificar se as condições mudam com o passar do tempo e se há necessidade de fazer alguma adaptação no objeto.

10Recursos para comunicação alternativa

(Parte 2 de 8)

Comentários