Caderno de Atenção Básica nº 25

Caderno de Atenção Básica nº 25

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Brasília – DF 2010

Secretaria de Atenção à Saúde Departamento de Atenção Básica

Brasília – DF 2010

Série A. Normas e Manuais Técnicos Cadernos de Atenção Básica, n. 25

Este material é destinado prioritariamente para as Equipes de Saúde da Família.

Deve ser conservado em seu local de trabalho.

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Série A. Normas e Manuais Técnicos Cadernos de Atenção Básica, n. 25

Tiragem: 1ª edição – 2010 – 35.0 exemplares Elaboração, distribuição e informações:

Ficha Catalográfica

Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica.

Doenças respiratórias crônicas / Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento de Atenção Básica. – Brasília :

Ministério da Saúde, 2010. 160 p. : il. – (Série A. Normas e Manuais Técnicos) (Cadernos de Atenção Básica, n. 25)

Títulos para indexação: Em inglês: Chronic respiratory diseases Em espanhol: Enfermedades respiratorias crónicas

MINISTÉRIO DA SAÚDE Secretaria de Atenção à Saúde Departamento de Atenção Básica Esplanada dos Ministérios, Bloco G, 6º andar, sala 655 CEP: 70058-900 – Brasília – DF Fone: (61)3315-2497 E-mail: dab@saude.gov.br Home page: w.saude.gov.br/dab

Supervisão geral: Claunara Schilling Mendonça

Elaboração de texto: Alcindo Cerci Neto Alvimar Botega – DAF/SCITE Carolina de Souza-Machado Celina Márcia Passos de Cerqueira e Silva José Carlos Prado Junior Josélia Cintya Quintão Pena Frade José Miguel do Nascimento Junior – DAF/S José R. Jardim Micheline Marie Milward de A. Meiners Paulo A. M. Camargos Samantha Pereira França Senen Diba Hauff

Coordenação Editorial: Antônio Sergio de Freitas Ferreira Inaiara Bragante Renata Ribeiro Sampaio

Colaboração: Ana Maria Emrich Ednilton Dultra Veras Isabella Funfas Bandeira Lucia de Araújo Costa B Luci Kuromoto de Cast Maria Amélia Barboza T Pablo de Moura Santos Vinicius Emigdyo Faria

Revisão: Álvaro A. Cruz Maria Lucia Medeiros L Nelson Rosário Filho

Arte-final e diagramação: Artmix - Studio de Criação

Ilustração: Rodrigo Barreto de Andrade

Normalização: Aline Santos Jacob

Impresso no Brasil / Printed in Brazil

APRESENTAÇÃO7
1 EPIDEMIOLOGIA DAS DOENÇAS RESPIRATÓRIAS CRÔNICAS8
1.1 Prevalência e impacto8
1.2 Fatores de risco9
1.3 Níveis de evidência9
1.4 Segurança de medicação na gravidez10
2 SINAIS E SINTOMAS RESPIRATÓRIOS1
2.1 Sintomas1
2.2 Sinais14
3 RINITE ALÉRGICA17
3.1 Definição17
3.2 Diagnóstico18
3.3 Diagnóstico diferencial18
3.4 Classificação da gravidade19
3.5 Abordagem terapéutica19
4 ASMA24
4.1 Definição24
4.2 Fatores de risco24
4.3 Diagnóstico24
4.4 Classificação da gravidade26
4.5 Abordagem terapêutica28
4.6 Programas de asma45
5 DOENÇA PULMONAR OBSTRUTIVA CRÔNICA (DPOC)47
5.1 Definição47
5.2 Fatores de risco47
5.3 Diagnóstico47
5.4 Classificação da gravidade50
5.5 Abordagem terapéutica51
6 PREVENÇÃO E PROMOÇÃO EM SAÚDE6
6.1 Tabagismo6
6.2 Tabagismo como dependência: tratamento67
6.3 Outros tipos de ajuda para parar de fumar70
6.4 Testes e dicas71
6.5 Benefícios após a cessação do tabagismo72
6.6 Medicações adjuvantes no tratamento do fumante73
6.7 Atividade física74
7 CUIDADO INTEGRAL AO PACIENTE E À FAMÍLIA78
7.1 Acolhimento78
7.2 Visita domiciliar: etapa primordial da atenção integral79
8 ATRIBUIÇÕES E COMPETÊNCIAS DOS PROFISSIONAIS DA ESF E GESTORES80
8.1 Atribuições comuns a todos os profissionais da equipe80

SUMÁRIO 8.2 Atribuições do médico .........................................................................................................80

8.4 Atribuições do auxiliar de enfermagem81
8.5 Atribuições do agente comunitário de saúde82
8.6 Atribuições do fisioterapeuta e educador físico82
8.7 Atribuições do farmacéutico82
8.8 Atribuições dos gestores municipais83
8.9 Outros profissionais83
9 ASSISTÊNCIA FARMACÊUTICA: CUSTEIO DE MEDICAMENTOS PARA ASMA E RINITE84
9.1 Medicamentos de atenção básica84
9.2 Medicamentos de dispensação excepcional86
REFERÊNCIAS90
ANEXOS102
ANEXO A – Confecções de espaçadores102
ANEXO B – Técnicas de uso dos dispositivos inalatórios105
ANEXO C – Bulário117

8.3 Atribuições do enfermeiro ...................................................................................................81 ANEXO D – Fluxogramas .........................................................................................................135

7 APRESENTAÇÃO

A Atenção Primária é o primeiro contato dos usuários com o sistema de saúde, portanto, deve estar apta a manejar os problemas de maior frequência e relevância presentes na comunidade.

As atividades dos profissionais das equipes da Atenção Primária/Saúde da Família devem ser desenvolvidas tendo como princípios o acesso universal e a integralidade do cuidado, conforme as necessidades de saúde da população atendida.

No que se refere às doenças respiratórias crônicas, os serviços de saúde, frequentemente, realizam abordagens restritas ao tratamento sintomático das exarcebações. Como consequência temos elevado número de internações desnecessárias, alta morbidade, visitas frequentes a serviços de urgência, além de recorrentes faltas ao trabalho e à escola, resultando em um enorme custo econômico e social. Associa-se a isso o subdiagnóstico e a falta de controle dos sintomas.

O manejo dos casos leves e moderados de rinite, asma e DPOC deve ser realizado pelas equipes da Atenção Primária, que, por atuarem de forma próxima das famílias, conseguem melhor adesão ao tratamento, permitindo maior controle dos sintomas, com consequente diminuição do número de internações hospitalares e aumento na qualidade de vida. É necessário, portanto, que os profissionais das equipes da Saúde da Família estejam preparados para lidar com esses agravos, para que possam ofertar o melhor tratamento às pessoas que têm doença respiratória crônica.

Nesse sentido, este departamento publica o Caderno de Atenção Básica Doenças

Respiratórias Crônicas. Esta publicação tem como finalidade oferecer conhecimento prático para o manejo dos agravos em questão. O documento traz protocolos clínicos para o manejo da rinite, asma e DPOC, além de um capítulo introdutório que discute de maneira objetiva os sintomas respiratórios.

Esta publicação representa o reconhecimento dos resultados positivos alcançados pelos profissionais da Atenção Primária frente às doenças respiratórias crônicas. Consiste em uma das ações do Departamento de Atenção Básica no sentido de qualificar o trabalho das equipes para a atuação na Saúde da Família. O Caderno de Atenção Básica Doenças Respiratórias Crônicas foi elaborado por equipe multiprofissional, formada por generalistas e especialistas em doenças respiratórias, com o objetivo de produzir um documento adequado à realidade da Atenção Primária no País.

Ministério da Saúde

1 EPIDEMIOLOGIA DAS DOENÇAS

Doenças respiratórias crônicas (DRC) são doenças crônicas tanto das vias aéreas superiores como das inferiores. A asma, a rinite alérgica e a doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) são as DRC mais comuns. Representam um dos maiores problemas de saúde mundialmente. Centenas de milhões de pessoas de todas as idades sofrem dessas doenças e de alergias respiratórias em todos os países do mundo e mais de 500 milhões delas vivem em países em desenvolvimento. As DRC estão aumentando em prevalência particularmente entre as crianças e os idosos. Afetam a qualidade de vida e podem provocar incapacidade nos indivíduos afetados, causando grande impacto econômico e social. As limitações físicas, emocionais e intelectuais que surgem com a doença, com consequências na vida do paciente e de sua família, geram sofrimento humano.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) e o Banco Mundial estimam que quatro milhões de pessoas com DRC podem ter morrido prematuramente em 2005 e as projeções são de aumento considerável do número de mortes no futuro. Como estratégia para enfrentar esse problema de saúde no plano mundial, a OMS criou a Global Alliance against Chronic Respiratory Diseases (GARD).

1.1 PREVALÊNCIA E IMPACTO

A rinite pode ser considerada a doença de maior prevalência entre as doenças respiratórias crônicas e problema global de saúde pública, acometendo cerca de 20 a 25% da população em geral. Embora com sintomas de menor gravidade, está entre as dez razões mais frequentes de atendimento em Atenção Primária em Saúde. Ela afeta a qualidade de vida das pessoas, interferindo no período produtivo de suas vidas, podendo causar prejuízos pelo absenteísmo ao trabalho e à escola. Por ser uma doença subdiagnosticada pelos profissionais de saúde, e pelo fato de que nem todos os portadores de rinite procurem atendimento, há falta de controle dos sintomas.

De acordo com o estudo International Study of Asthma and Allergies in Childhood

(ISAAC), realizado no Brasil [J Pediatr 2006;82(5):341-6], a prevalência média de sintomas relacionados à rinite é de 29,6% entre adolescentes e 25,7% entre escolares, estando o País no grupo de países com as maiores taxas mundiais de prevalência, tanto em asma como em rinite. A asma acomete cerca de 300 milhões de indivíduos em todo o mundo e frequentemente está associada à rinite. A elevada frequência de asma em crianças sugere aumento da prevalência geral da asma nos próximos anos.

O Brasil ocupa a oitava posição mundial em prevalência de asma, com estimativas para crianças e adolescentes escolares variando de menos que 10 a mais do que 20% em diversas cidades estudadas, dependendo da região e da faixa etária consideradas. Em 2007, foi responsável por cerca de 273 mil internações, gerando custo aproximado de R$ 98,6 milhões para o Sistema Único de Saúde (SUS). Houve 2.500 óbitos, de acordo com o DataSUS, dos quais aproximadamente um terço ocorreu em unidades de saúde, domicílios ou vias públicas.

Estimativas sobre a prevalência de doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) têm sido baseadas primariamente nas estatísticas de mortalidade, o que configura um subdiagnóstico. Ainda assim, essas estimativas mostram que a morbimortalidade por DPOC está se elevando em muitas regiões. A DPOC afeta 210 milhões de pessoas, é a quarta causa de mortalidade e representa 4,8% dos óbitos em todo o mundo.

Um estudo de base populacional em São Paulo (Estudo Platino), em que foram realizadas espirometrias na residência em 1.0 pessoas, mostrou que a prevalência de DPOC era de 15,6% em pessoas acima de 40 anos, correspondendo a 18% dos homens e 14% das mulheres e que a prevalência aumenta com a idade. Vinte e cinco por cento dos fumantes eram portadores de DPOC. Desse modo, estima-se que existam 7,5 milhões de pessoas com DPOC no Brasil.

A DPOC foi responsável por 170 mil admissões no SUS em 2008, com permanência média de seis dias. A Região Sul do Brasil apresenta a maior taxa de internações, provavelmente por conta das temperaturas mais baixas. O número de óbitos por DPOC variou em torno de 3.0 mortes anuais de 20 a 2005. A DPOC encontra-se entre a quinta e sexta das principais causas de morte no Brasil. O custo estimado por paciente por ano com DPOC é de US$ 1.522,0, quase três vezes o custo per capita da asma.

1.2 FATORES DE RISCO

Muitos dos fatores de risco para DRC preveníveis já foram identificados e medidas eficazes de prevenção foram estabelecidas. Tabagismo, poluição ambiental, alérgenos, agentes ocupacionais e algumas doenças como esquistossomose e doença falciforme podem ser citados como fatores de risco preveníveis para DRC. Além disso, pneumonia, bronquiolite e tuberculose, por causarem cicatrizes nas vias aéreas, também podem ser consideradas fatores de risco com impacto significativo sobre essas doenças. O aumento na expectativa de vida representa fator de risco independente para esse grupo de doenças.

O estabelecimento de uma linha de cuidado para as DRC pode ser efetivo para a redução da morbimortalidade dessas doenças. Entretanto, no Brasil, habitualmente, o sistema de saúde desenvolve ações de forma fragmentada. Faz-se necessária a organização de uma rede de atenção que atenda as pessoas com DRC com maior ênfase na atenção primária, incluindo ações de promoção da saúde e prevenção primária e secundária.

1.3 NÍVEIS DE EVIDÊNCIA

Em todo o material produzido, utilizaremos a tabela a seguir para representar os níveis de evidência científica.

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