Manual de Interação Medicamentosa na UTI materna

Manual de Interação Medicamentosa na UTI materna

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Interação Medicamentosa na UTI Materna CEFACE- GPUIM-UFC

Manual de Interação Medicamentosa na UTI materna

Universidade Federal do Ceará

Centro de Farmacovigilância do Ceará Grupo de Prevenção ao Uso Indevido de Medicamentos

Interação Medicamentosa na UTI Materna CEFACE- GPUIM-UFC

Elaboração e Informações:

GRUPO DE PREVENÇÃO AO USO INDEVIDO DE MEDICAMENTOS – GPUIM Universidade Federal do Ceará Faculdade de Farmácia, Enfermagem e Odontologia Departamento de Farmácia Rua Capitão Francisco Pedro, nº 1210, 2º andar, sala do GPUIM, Rodolfo Teófilo CEP: 60431-32, Fortaleza-CE Tel: (85) 36-8276 (fone/fax); 36-8293 e-mail: ceface@ufc.br

Interação Medicamentosa na UTI Materna CEFACE- GPUIM-UFC

Apresentação

A elaboração do Manual de Interação Medicamentosa na UTI materna surgiu a partir da necessidade de conhecimento da equipe de profissionais de saúde atuante na Unidade de Terapia Intensiva da Maternidade Escola Assis Chateubriand e teve como ponto de partida para sua pesquisa, a padronização dos medicamentos utilizados nessa unidade. Esse manual compõe as atividades de extensão e pesquisa que o Centro de Farmacovigilância do Ceará (CEFACE), subunidade pertencente ao Grupo de Prevenção ao Uso Indevido de Medicamentos (GPUIM) da Universidade Federal do Ceará (UFC), vem desenvolvendo no âmbito do Uso Racional de Medicamentos (URM) e da Saúde Pública.

Através dele, a equipe poderá verificar a possibilidade de ocorrência de uma interação medicamento-medicamento, antes do processo de elaboração de uma prescrição médica. A monitorização do fármaco durante sua administração também poderá ser facilitada através do manual. Desse modo, esperamos que o manual seja útil em todo o processo de conduta dirigida a paciente internada, visando o bem-estar da mesma.

Por fim, agradecemos aos colaboradores pela sua cooperação, principalmente às estagiárias do CEFACE, Stephanie Carneiro de Vasconcelos e Talyta Ellen de Jesus dos Santos, e à farmacêutica Ana Cláudia de Brito Passos pelo desempenho das atividades voltadas para a sua finalização.

Eudiana Vale Francelino Farmacêutica responsável pelo Centro de Farmacovigilância do Ceará

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Introdução

As Interações Medicamentosas (IM) ocorrem quando as ações de um medicamento são alteradas pela presença de outro medicamento. A alteração pode acarretar perda de eficácia ou aumento de efeitos farmacodinâmicos que produzem eventos medicamentosos adversos. Algumas interações são de fácil compreensão e mesmo preveníveis, por conta de suas causas subjacentes simples. A magnitude do problema das IM aumenta significativamente em determinadas populações de pacientes como idosos, pacientes em ambiente de cuidado intensivo e pacientes submetidos a procedimentos cirúrgicos complexos.

A interação medicamento-medicamento tem sido considerada um fator importante para o surgimento de Reação Adversa a Medicamento (RAM), conceituada como sendo “uma reação nociva e não-intencional a um medicamento, que normalmente ocorre em doses usadas no homem”. A vigilância pós-comercialização ou farmacovigilância tem sido o processo responsável pela coleta, acompanhamento e análise dos casos clínicos suspeitos de RAM e paralelamente por seus inúmeros fatores de risco (polimedicação, fatores inerentes ao paciente e ao fármaco, automedicação, interação medicamentosa, uso incorreto do medicamento, etc). Segundo alguns autores, as IM clinicamente relevantes são aquelas que: 1) início da ação resultante é rápido, em até 24 horas; 2) risco à vida do paciente, causando dano permanente ou deterioração do quadro clínico; 3) possuem documentações bem estabelecidas, baseadas em literatura científica e 4) alta probabilidade de ocorrerem na prática clínica.

Portanto há uma necessidade de estudos mais aprofundados que enfoquem a natureza das mesmas como causa da manifestação de eventos adversos, com observação de seus riscos para o paciente e conseqüente aumento dos gastos associados à assistência à saúde.

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1. Aciclovir Interações: Zidovudina Efeito resultante: Aumento da letargia e sonolência Discussão: A interação não tem mecanismo conhecido.

2. Ácido fólico Na literatura pesquisada não foi encontrada interação com os medicamentos presentes no manual.

3. Ampicilina Interações: Gentamicina Efeito resultante: Perda da eficácia do aminoglicosídeo. Discussão: Ocorre uma inativação química dos aminoglicosídeos.

4. Bromoprida Na literatura pesquisada não foi encontrada interação com os medicamentos presentes no manual.

5. Cabergolina: Interações: Metoclopramida Efeito resultante: Redução dos efeitos terapêuticos de ambos os fármacos. Discussão: Ocorre um antagonismo farmacológico.

Interações: Haloperidol Efeito resultante Diminuição dos efeitos terapêuticos de ambos os fármacos. Discussão: Ocorre um efeito farmacológico antagônico.

Interações: Prometazina. Efeito Resultante: Redução dos efeitos terapêuticos de ambas os fármacos. Discussão: Cabergolina é um agonista dos receptores dopaminérgicos de longa ação com alta afinidade por receptores D2. Não deve ser administrada concomitantemente com antagonistas dos receptores D2, como algumas fenotiazinas, butirofenonas, tioxantinas e metoclopramida.

6. Captopril Interações: Furosemida. Efeito resultante: Hipotensão postural (primeira dose), principalmente em pacientes que apresentem sinais ou sintomas de hiponatremia e de hipovolemia. Discussão: Ocorre uma vasodilatação e relativa depleção de volume intravascular. Caso o volume intravascular e a concentração de sódio estejam bem controlados, a terapia com ambos os fármacos pode ser empregada com segurança.

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Interações: Cetoprofeno e Diclofenaco (VER CITAÇÃO EM CETOPROFENO E DICLOFENACO,RESPECTIVAMENTE.)

Interações: Hidroclorotiazida Efeito resultante: Primeira dose: hipotensão postural. Discussão: Vasodilatação e relativa depleção do volume intravascular. Esse efeito parece ser maior se o paciente tiver desenvolvido um grau relativo de hipovolemia e/ou hiponatremia devido ao diurético. Diuréticos tiazídicos podem aumentar o efeito nefrotóxico dos inibidores da enzima conversora de angiotensina (ECA).

Interações: Sulfato de Magnésio (VER CITAÇÃO EM SULFATO DE MAGNÉSIO).

7. Carvedilol Interações: Cefalosporinas Efeito resultante: Aumenta o risco de toxicidade das cefalosporinas. Discussão: Inibe metabolismo das cefalosporinas. O carvedilol é um inibidor da Glicoproteína P reduzindo a velocidade de eliminação do substrato podendo acarretar toxicidade do substrato.

Interações: Cetoprofeno Efeito resultante: Diminui o efeito anti-hipertensivo Discussão: Diminui a produção de vasodilatador e prostaglandina renal.

Interações: Diclofenaco Efeito resultante: Diminuição do efeito anti-hipertensivo Discussão: Diminuição da produção de prostaglandina renal vasodilatadora.

Interações: Dipirona Efeito resultante: Diminuição do efeito anti-hipertensivo Discussão: Diminuição da produção de prostaglandina renal vasodilatadora.

Interações: Insulina. Efeito resultante: Hipoglicemia, hiperglicemia ou hipertensão. Discussão: Altera metabolismo da glicose e dos betas bloqueadores.

Interações: Metformina. Efeito resultante: Hipoglicemia, hiperglicemia ou hipertensão. Discussão: Altera metabolismo da glicose e dos betas bloqueadores.

Interações: Metildopa Efeito resultante: Resposta hipertensiva exagerada, taquicardia, arritmia durante estresse psicológico ou exposição às catecolaminas exógenas. Discussão: Estimulação alfa adrenérgica e aumento da resposta pressórica.

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8. Cefalexina Interações: Metformina Efeito resultante: Um aumento nos níveis plasmáticos de metformina, podendo aumentar o risco dos efeitos colaterais da metformina (náusea, vômito, diarréia, dor de cabeça) Discussão: Inibição da secreção tubular de metformina por meio do sistema de transporte orgânico catiônico.

9. Cefalotina Interação: Gentamicina Efeito resultante: Nefrotoxicidade. Discussão: O uso de fármacos nefrotóxicos como os aminoglicosídeos (amicacina, gentamicina) pode aumentar o risco de dano renal com cefalosporinas.

10. Cefepime Ver itens relacionados com cefalosporinas.

1. Ceftriaxona: Interações: Ringer lactato; Gluconato de cálcio Efeito resultante: Formação de um precipitado ceftriaxona-cálcio e contra-indicado para recém-nascidos. Discussão: Incompatibilidade física

12. Cetoconazol Interações: Fentanil Efeito resultante: Aumenta ou prolonga os efeitos opióides (depressão do sistema nervoso central, depressão respiratória). Discussão: Inibição da enzima Citocromo P450 3A4 – reduzindo assim o metabolismo do fentanil. Há um aumento significativo da concentração sérica do fentanil (por exemplo, maior que 2 vezes),podendo acarretar efeitos farmacodinâmicos clinicamente relevantes.

Interações: Cefalosporinas Efeito resultante: Um aumento no risco de toxicidade das cefalosporinas. Discussão: Altera absorção e metabolismo da cefalosporina; inibição da cefalosporina hidroxilase em humanos. Foi relatada que a concentração sérica de cefalosporina aumentou até 10 vezes em pacientes transplantados após o início do cetoconazol oral.

Interações: Midazolam Efeito resultante: Aumento nas concentrações de midazolam e aumento potencial da toxicidade do midazolam. Discussão: Inibição do sistema enzimático Citocromo P4503A4: redução do metabolismo do midazolam mediado pelo cetoconazol.

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Interações: Nifedipino Efeito resultante: Aumento da concentração sérica de nifedipino Discussão: Inibição da isoenzima hepática CYP3A4 resultando numa diminuição do metabolismo da dihidropiridina antagonista do canal de cálcio.

Interações: Omeprazol Efeito resultante: Perda do efeito do cetoconazol Discussão: Diminuição da absorção gatrointestinal.

Interações: Prednisona Efeito resultante: Aumento do risco dos efeitos colaterais do corticóide. Discussão: Diminuição do metabolismo da prednisona. Provavelmente a prednisona e a prednisolona sejam afetadas em um menor grau.

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