Aula Assistência de Enfermagem ao Paciente Hipertenso

Aula Assistência de Enfermagem ao Paciente Hipertenso

A partir da década de 60, as doenças cardiovasculares superaram as infecto-contagiosas como primeira causa de morte no país.

  • A partir da década de 60, as doenças cardiovasculares superaram as infecto-contagiosas como primeira causa de morte no país.

  • Assim a hipertensão arterial continua sendo uma das principais causas das complicações cardiovasculares como:

  • Doença cerebrovascular

  • Insuficiência cardíaca

  • Insuficiência renal crônica

  • Doença vascular de extremidades.

No Brasil são cerca de 30 milhões de portadores de hipertensão arterial, 35% da população de 40 anos e mais.

  • No Brasil são cerca de 30 milhões de portadores de hipertensão arterial, 35% da população de 40 anos e mais.

  • E esse número é crescente; seu aparecimento está cada vez mais precoce e estima-se que cerca de 4% das crianças e adolescentes também sejam portadoras.

  • A carga de doenças representada pela morbimortalidade devida à doença é muito alta e por tudo isso a Hipertensão Arterial é um problema grave de saúde pública no Brasil e no mundo.

Por ser na maior parte do seu curso assintomática, seu diagnóstico e tratamento é freqüentemente negligenciado, somando-se a isso a baixa adesão, por parte do paciente, ao tratamento prescrito. Estes são os principais fatores que determinam um controle muito baixo da HAS aos níveis considerados normais em todo o mundo, a despeito dos diversos protocolos e recomendações existentes e maior acesso a medicamentos

  • Por ser na maior parte do seu curso assintomática, seu diagnóstico e tratamento é freqüentemente negligenciado, somando-se a isso a baixa adesão, por parte do paciente, ao tratamento prescrito. Estes são os principais fatores que determinam um controle muito baixo da HAS aos níveis considerados normais em todo o mundo, a despeito dos diversos protocolos e recomendações existentes e maior acesso a medicamentos

Modificações de estilo de vida são de fundamental importância no processo terapêutico e na prevenção da hipertensão. Alimentação adequada, sobretudo quanto ao consumo de sal, controle do peso, prática de atividade física, tabagismo e uso excessivo de álcool são fatores de risco que devem ser adequadamente abordados e controlados, sem o que, mesmo doses progressivas de medicamentos não resultarão alcançar os níveis recomendados de pressão arterial.

  • Modificações de estilo de vida são de fundamental importância no processo terapêutico e na prevenção da hipertensão. Alimentação adequada, sobretudo quanto ao consumo de sal, controle do peso, prática de atividade física, tabagismo e uso excessivo de álcool são fatores de risco que devem ser adequadamente abordados e controlados, sem o que, mesmo doses progressivas de medicamentos não resultarão alcançar os níveis recomendados de pressão arterial.

Torna-se necessário portanto medidas preventivas e ações por parte do governo e dos profissionais de saúde.

  • Torna-se necessário portanto medidas preventivas e ações por parte do governo e dos profissionais de saúde.

  • Para melhor prevenir estes agravos é necessário trabalhar combatendo a causa básica que é a doença hipertensiva.

  • Assim, é fundamental a ação da equipe de enfermagem para se conseguir um melhor resultado na assistência ao paciente hipertenso.

  • O atendimento de enfermagem ao paciente hipertenso deve acontecer de forma planejada e de preferência que haja alternância entre a consulta de enfermagem (atendimento individual) e grupos operativos.

  • Na primeira consulta de enfermagem ao paciente hipertenso avalia-se:

  • O estado de saúde do paciente realizando o exame físico completo.

  • Os fatores de risco para hipertensão e outros agravos,

  • Os hábitos de vida do paciente, suas dificuldades e limitações.

  • As dificuldades e limitações são de ordem financeira, psicoemocional, nível de instrução e privações como deixar de comer ou restringir certos alimentos como o sal na alimentação diária.

Orientação sobre o uso de medicamentos e seus efeitos colaterais,

  • Orientação sobre o uso de medicamentos e seus efeitos colaterais,

  • Avaliação de sintomas,

  • Reforça-se as orientações sobre hábitos de vida pessoais e familiares; 

Principios básicos tais como:

  • Principios básicos tais como:

  • As técnicas do exame físico, para avaliar os segmentos corporais,

  • Os aspectos relacionados ao examinador e examinado (posição, conforto, interação profissional-paciente, ambiente).

  • Os instrumentos necessários para avaliação

  • E o conhecimento da anatomia topográfica e fisiologia.

Identificação: sexo, idade, raça e condição socioeconômica. 

  • Identificação: sexo, idade, raça e condição socioeconômica. 

  • História atual: duração conhecida da hipertensão arterial e níveis de pressão arterial; adesão e reações adversas a tratamentos prévios; sintomas de doença arterial coronariana, insuficiência cardíaca, doença cerebrovascular, insuficiência vascular arterial periférica, doença renal e diabetes melitus; indícios de hipertensão secundária. 

Investigação sobre diversos aparelhos e fatores de risco: dislipidemia, tabagismo, diabete melito, obesidade e sedentarismo; alteração de peso; características do sono; função sexual; e outras afecções concomitantes, como doença pulmonar obstrutiva crônica e gota. 

  • Investigação sobre diversos aparelhos e fatores de risco: dislipidemia, tabagismo, diabete melito, obesidade e sedentarismo; alteração de peso; características do sono; função sexual; e outras afecções concomitantes, como doença pulmonar obstrutiva crônica e gota. 

  • História pregressa de doença arterial coronariana, insuficiência cardíaca, doença cerebrovascular, insuficiência vascular arterial periférica, doença renal e diabete melito. 

História familiar de acidente vascular encefálico, doença arterial coronariana prematura (homens < 55 anos; mulheres < 65 anos), doença renal, diabete melito, dislipidemia, morte prematura e súbita. 

  • História familiar de acidente vascular encefálico, doença arterial coronariana prematura (homens < 55 anos; mulheres < 65 anos), doença renal, diabete melito, dislipidemia, morte prematura e súbita. 

  • Perfil psicossocial: fatores ambientais e psicossociais, sintomas de depressão, situação familiar, condições de trabalho e grau de escolaridade. 

  • Avaliação dietética, incluindo consumo de sal, bebidas alcoólicas, gordura saturada e cafeína. 

  • Consumo de medicamentos ou drogas que possam elevar a pressão arterial ou interferir em seu tratamento. 

  • Medida de peso e altura, para cálculo do índice de massa corporal, circunferência abdominal.

Sinais vitais: duas medidas da pressão arterial, separadas por intervalo de pelo menos 2 minutos, com o paciente em posição deitada ou sentada.

  • Sinais vitais: duas medidas da pressão arterial, separadas por intervalo de pelo menos 2 minutos, com o paciente em posição deitada ou sentada.

  • Deve ser medida também a pressão após 2 minutos na posição em pé, nas situações especificadas anteriormente.

  • Verificar a pressão do braço contralateral; caso as pressões sejam diferentes, considerar a mais elevada.

  • A freqüência cardíaca também deve ser medida. 

  • Os exames de rotina como glicemia, colesterol total e fracionado, triglicerides, creatina, uréia, ECG de repouso caso ou paciente não tenha realizado recentemente, devem ser solicitados na primeira consulta ou de acordo com a rotina da unidade de saúde.

Confirmar a elevação da pressão arterial;

  • Confirmar a elevação da pressão arterial;

  • Avaliar lesões de órgãos-alvo;

  • Identificar fatores de risco para doenças cardiovasculares;

  • Diagnosticar a etiologia da hipertensão arterial.

  • OBS: A confirmação do nível de pressão arterial será efetivado nas consultas subsequentes ( 3 aferições em dias alternados ou 3 semanas seguidas).

Hipertensão Arterial é definida como pressão arterial sistólica maior ou igual a 140 mmHg e uma pressão arterial diastólica maior ou igual a 90 mmHg, em indivíduos que não estão fazendo uso de medicação anti-hipertensiva.

  • Hipertensão Arterial é definida como pressão arterial sistólica maior ou igual a 140 mmHg e uma pressão arterial diastólica maior ou igual a 90 mmHg, em indivíduos que não estão fazendo uso de medicação anti-hipertensiva.

  • É preciso ter cautela antes de rotular alguém como hipertenso, tanto pelo risco de um diagnóstico falso-positivo, como pela repercussão na própria saúde do indivíduo e o custo social resultante.

Investigação

  • Investigação

  • Diagnóstico de enfermagem

  • Planejamento

  • Implementação da assistência de enfermagem

  • Avaliação

Nas consultas de acompanhamento ou retornos do paciente hipertenso procedemos o exame físico por problema.

  • Nas consultas de acompanhamento ou retornos do paciente hipertenso procedemos o exame físico por problema.

  • Este tipo de exame físico direciona o atendimento para o problema específico que o paciente está apresentando naquele momento.

  • Em toda consulta de enfermagem deve-se aferir a pressão arterial e medidas antropométricas.

A consulta de enfermagem deve ser alternada com um grupo operativo.

  • A consulta de enfermagem deve ser alternada com um grupo operativo.

  • O ideal é que haja uma revezamento de pequenos grupos de hipertensos.

  • É muito importante a participação da equipe profissional nos grupos operativos.

O grupo operativo possibilita:

  • O grupo operativo possibilita:

  • A participação de vários pacientes,

  • A interação de um paciente com o outro e também a interação com a equipe multiprofissional.

  • Durante a realização dos grupos é importante falar a linguagem dos pacientes.

Conversar com o paciente de forma que os termos técnicos normalmente empregados pelos profissionais sejam abolidos.

  • Conversar com o paciente de forma que os termos técnicos normalmente empregados pelos profissionais sejam abolidos.

  • É importante lembrar que a maioria dos pacientes são analfabetos ou tem um grau de escolaridade muito baixo.

  • A não compreensão das orientações para o controle da pressão arterial afeta consideravelmente o tratamento do paciente hipertenso.

A participação dos familiares ou dos cuidadores é muito importante principalmente no caso de pacientes idosos ou com baixo grau de escolaridade.

  • A participação dos familiares ou dos cuidadores é muito importante principalmente no caso de pacientes idosos ou com baixo grau de escolaridade.

  • O grupo operativo permite ao paciente além da troca de experiências o aprendizado de diferentes formas de se tratar a hipertensão.

  • A equipe de saúde ao trabalhar com o paciente deve ser ficar atento para o controle medicamentoso (os efeitos colaterais dos medicamentos, a importância da tomada regular e da dosagem correta).

Durante os grupos operativos reforçamos o que já tinha sido discutido na consulta individual dando ênfase no tratamento não medicamentoso.

  • Durante os grupos operativos reforçamos o que já tinha sido discutido na consulta individual dando ênfase no tratamento não medicamentoso.

  • O tratamento não medicamentoso envolve um conjunto de medidas que são fundamentais para o controle do paciente hipertenso.

As medidas do tratamento não medicamentoso inclui:

  • As medidas do tratamento não medicamentoso inclui:

  • A redução ou restrição completa de sal (no caso de pacientes com hipertensão severa e resistente ao tratamento).

  • Atividade física regular (inicialmente 3 vezes por semana durante 15 a 20 minutos) e gradativamente aumenta-se o tempo e a freqüência.

  • Os exercícios aeróbios como caminhada, bicicleta, natação, hidroginástica de baixo impacto são os mais recomendados.

Alguns aspectos relacionados a alimentação são importantes:

  • Alguns aspectos relacionados a alimentação são importantes:

  • Ao se conhecer os hábitos de vida do paciente, questões familiares e econômicas (na primeira consulta) consegue-se adequar melhor a dieta para o paciente hipertenso.

  • Alguns alimentos devem ser abolidos como o sal e gordura. Na orientação dietética é importante incorporar o uso de temperos alternativos como: alho, cebola, manjericão, orégano, salsinha, cebolinha, entre outros.

Evitar o consumo de embutidos: salsicha, salames, presuntos, queijo amarelo (mussarela, prato, cheddar).

  • Evitar o consumo de embutidos: salsicha, salames, presuntos, queijo amarelo (mussarela, prato, cheddar).

Deve-se evitar também o uso do saleiro na mesa durante as refeições e também o uso de temperos como sazon, caldo Knor e o tempero presente no miojo.

  • Deve-se evitar também o uso do saleiro na mesa durante as refeições e também o uso de temperos como sazon, caldo Knor e o tempero presente no miojo.

  • Outra restrição importante são os enlatados como sardinha, salsicha, milho verde, azeitona (esta última além de alto teor de sódio é muito calórica).

Os carboidratos devem ser consumidos moderadamente pelos indivíduos com peso normal e bastante restrito para os indivíduos com sobrepeso e obesidade.

  • Os carboidratos devem ser consumidos moderadamente pelos indivíduos com peso normal e bastante restrito para os indivíduos com sobrepeso e obesidade.

  • O fracionamento das refeições ( 5 a 6 vezes/dia) em menores porções tem ajudado na redução do peso corporal.

  • É bom reforçar também a ingestão de água nos intervalos das refeições.

É bom ressaltar que as mudanças dos hábitos de vida devem ser gradativamente incorporadas na vida do paciente hipertenso.

  • É bom ressaltar que as mudanças dos hábitos de vida devem ser gradativamente incorporadas na vida do paciente hipertenso.

  • Tratamentos muito radicais como restrição completa de sal e gordura no inicio do tratamento devem ser evitadas. As mudanças devem ser gradativas.

  • Nas consultas individuais e em grupos reforça-se que todas estas mudanças contribuíram para o controle da pressão arterial bem como para uma melhor qualidade de vida para o individuo hipertenso.

Reduzir complicações, internações e mortes relacionadas à hipertensão;

  • Reduzir complicações, internações e mortes relacionadas à hipertensão;

  • Reduzir a prevalência da doença hipertensiva;

  • Aumentar o grau de conhecimento da população sobre a importância do controle da hipertensão arterial;

  • Garantir acesso dos hipertensos a serviços básicos de saúde com resolubilidade;

  • Incentivar políticas e programas comunitários.

IV Diretrizes da Hipertensão Arterial, acesso dia 17/08/2010, disponível em http://www.sbn.org.br/Diretrizes/ha4.htm

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