Projeto Recuperação de uma Nascente Degradada

Projeto Recuperação de uma Nascente Degradada

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SUMÁRIO

  1. Introdução..................................................................................04

  2. Diagnóstico................................................................................04

  3. Caracterização local..................................................................10

  4. Análise do problema..................................................................14

  5. Justificativava............................................................................17

  6. Objetivos....................................................................................18

  7. Metodologia................................................................................19

  8. Cronogramas..............................................................................30

  9. Avaliação dos Resultados...........................................................31

  10. Conclusão...................................................................................33

  11. Anexos........................................................................................34

  12. Referências bibliográficas...........................................................37

RECUPERAÇÃO DE UMA NASCENTE DEGRADADA POR MEIO DA IMPLANTAÇÃO DA ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE

  1. INTRODUÇÃO

O Brasil é o país com o maior potencial de água doce do mundo, mas com o crescente número de brasileiros, este recurso tão valioso acaba sendo tão devastado, pois são várias as atitudes incorretas do homem sobre o meio ambiente, como por exemplo, o lixo, as queimadas, desmatamentos, emissões de poluentes na atmosfera; sendo que tudo isso afeta diretamente ou indiretamente os recursos hídricos, tendo em vista da importância das nascentes dentro deste cenário, pois elas são o berço da água do nosso planeta.

As nascentes são fontes de água que surgem em determinados locais da superfície do solo e são facilmente encontradas no meio rural, sendo também conhecidas por olho d’água, mina, cabeceira e fio d’água. As águas que emanam das nascentes formarão pequenos cursos d’água que irá aumentar o volume das águas nos cursos adiante, até a chegada ao mar. Uma grande parte das nascentes estão localizadas nas partes altas montanhosas, ou seja, nas bacias de cabeceiras.

A nascente ideal é aquela que fornece água de boa qualidade, abundante e contínua, localizada próxima ao local de uso e de cota topográfica elevada, possibilitando sua distribuição por gravidade, sem gasto de energia.

Tendo em vista da problemática ambiental da água, o presente trabalho busca analisar uma nascente e as suas possíveis soluções para o seu uso adequado. Foram retiradas fotos do local e estudados os seus problemas, assim como também as características da nascente e o que seria correto realizar no local para com as conformidades com a lei e com o meio ambiente.

  1. DIAGNÓSTICO

A cidade na qual a nascente está localizada compreende-se no município de Mucurici- ES, tendo suas características:

2.1 Caracterização Regional

2.1.1 Localização e geografia

Mucurici é um dos municípios que integram a macrorregião Norte e a microrregião do Extremo Norte. Limita-se com o Estado de Minas Gerais (Norte), Ponto Belo (Sul), Montanha (Leste) e Ecoporanga e Minas Gerais (Oeste).

Localizado no extremo norte do estado, encontra-se a 353 km de distância de Vitória, e é cortado por três rodovias estaduais (ES-130, ES-137 e a ES-209) que influenciam no processo de desenvolvimento municipal e deslocamento entre os municípios vizinhos.

Apresenta altitude de 226 metros, latitude 18° 05' 35"S e longitude 40° 31'04"W.Gr.

2.2 Caracterização , População e Demografia

O município tem uma área de 538 km², e está dividido administrativamente em 02 distritos: Sede e Itabaiana. Mucurici possui população estimada de 5.755 habitantes. A taxa de urbanização é de 53,7 %. (dados do IBGE - Censo 2000).

Os dados são distribuídas conforme a tabela a seguir:

2.3 Caracterização do Meio Físico

2.3.1 Relevo

O município de Mucurici - ES possui uma área total de 538 , sendo caracterizado por um relevo suave-ondulado, escalonado, com as maiores altitudes localizadas a oeste, em média de 320m, e a maior delas situada na localidade de Senhor da Luz, divisa com o estado de Minas Gerais. As menores altitudes estão situam-se a leste com média de 220m.

2.4 ECONOMIA

A receita total do município é de (R$ mil): 4.004,9 e a percentagem de participação do PIB municipal em relação ao estadual é de 0,14.

As principais atividades econômicas do município de Mucurici são: pecuária leiteira e de corte, produção de cana-de-açúcar e mandioca. Na área rural a produção de mandioca e de farinha é mais forte, principalmente no distrito de Itabaiana. Na Sede do município não há indústrias e o comércio é de pequeno porte, compatível com a dimensão da população e da economia local. Está presente a monocultura, especialmente com a cana-de-açúcar e com o fomento ao plantio de eucalipto,segundo os Agentes de Desenvolvimento Local.

A lavoura permanente é representada pelo mamão, pela goiaba e pelo café, este último com baixa participação. A presença da goiaba e do mamão mostra a potencialidade de Mucurici para a fruticultura como alternativa econômica. Além da cana-de-açúcar, o grande destaque é a produção de mandioca, que apresenta grau de beneficiamento superior ao que predomina no Espírito Santo. Segundo os Agentes de Desenvolvimento Local, em Mucurici há um Pólo Industrial, com área de 126.000 m², já sendo ocupada por Empresa que produz fécula de mandioca e há intenção da produção de “chia”, produto parecido com o trigo.

Embora não esteja entre os maiores produtores do Estado, Mucurici encontra-se posicionado de forma privilegiada junto aos grandes produtores de cana-de-açúcar, como Boa Esperança e Montanha Como resultado, os produtores e toda a cadeia produtiva podem se beneficiar desta proximidade com ganhos de escala, tecnologia e aumento da competitividade.

O rebanho bovino de Mucurici está entre os maiores do Espírito Santo, sendo que o seu entorno geo-econômico concentra os maiores criadores de gado do Estado.Assim, há que se pensar nas possibilidades de trabalho conjunto em termos de beneficiamento da produção, buscando a agregação de valor. Também a economia de escala pode ser atingida se houver iniciativa de trabalho conjunto entre os produtores.

O Município de Mucurici desponta no investimento em piscicultura para a produção de tilápia, com recursos do Ministério da Integração e projeto que contempla famílias de baixa renda. Com isto, apresenta-se como alternativa de diversificação da atividade produtiva e de inclusão econômica e social, sendo que o propósito é trabalhar de forma associativa. O prédio que abriga a sede do projeto, conta com salas para reunião, depósito, sala para processamento do peixe, depósito para barcos e escritório.

O turismo de eventos, também, pode ser uma alternativa econômica, pois o Município tem a intenção de criar a Rota Turística das Represas e potencializar a Rota do Forró, que envolveria os municípios vizinhos de Pinheiros, Montanha e Pedro Canário. Em 2007 foi realizada Caminhada Ecológica com grande participação popular. Neste sentido, Mucurici conta com o Balneário construído no Rio Itaúnas, que tem atraído grande número de pessoas do Município e do entorno para atividades de lazer e para eventos.

2.5 SETOR AGROPECUÁRIO

O município possui topografia plana a ondulada, permitindo a mecanização agrícola e instalação de agroindústrias a um custo mais barato. Os recursos hídricos são bem distribuídos, sendo banhado por vários córregos e nascentes, permitindo a irrigação, assim como a construção de pequenas barragens de terra, que atualmente totalizam 200.A fertilidade dos solos é boa, as estradas vicinais são patroladas periodicamente e o município está interligado por via asfáltica, favorecendo o escoamento dos produtos. O clima permite o plantio de café, mandioca e frutas tropicais.De acordo com a Incaper local, os pequenos estabelecimentos (0 - 50 ha) são maioria e representam 68% do total; os de área no estrato 50 - 100 ha com 12% e aqueles com mais de 100 ha, 19% do total.Pontos de estrangulamento mais importantes: ausência de técnicos agrícolas para a assistência gratuita aos pequenos produtores rurais; crédito rural limitado; êxodo rural; assoreamento dos rios e córregos; nível educacional muito baixo; uso indiscriminado de fogo nas pastagens; deficiência de madeira na região; baixa produtividade das culturas e criações; comercialização através de intermediários; resistência dos produtores à adoção de tecnologia; empobrecimento do solo. O município sofre também com o fenômeno da seca, principalmente nos últimos três anos (2003 - 2004 - 2005).A principal fonte de financiamento é o Pronaf, abrangendo a cultura do café, pecuária de leite e financiamento de conjuntos de irrigação. Seus objetivos são: viabilizar empréstimo para pequenos e médios proprietários rurais a juros subsidiados; gerar empregos; aumentar o nível de produção do município e a renda familiar; aumentar o capital de giro dos estabelecimentos rurais.

2.6SETOR INDUSTRIAL

Com 09 unidades instaladas ocupando formalmente apenas 04 pessoas (Ministério do Trabalho 2001), este setor é embrionário no município.

2.7 SOLOS DO MUNICÍPIO

As manchas de solos presentes no município em estudo foram classificadas de acordo com a proposta da Embrapa (1999), dados do RadamBrasil (1983) e campanhas de campo, havendo o destaque, em maior área de ocorrência, para:

Argissolo Vermelho-Amarelo: horizonte A moderado, textura argilosa a médio-argilosa, (argila de atividade baixa), ocorrendo em relevo suave-ondulado, abrangendo mais de 85% do território.

Latossolo Amarelo: com horizonte A moderado e proeminente, variação Una Húmico Álico e textura argilosa distribuído em relevo suave ondulado a forte-ondulado, abrangendo os limites extremos leste e sudeste.

Neossolo Litólico distrófico: A moderado textura argilosa/média, com ocorrência em relevo montanhoso ocupando áreas restritas da porção oeste município.

Os usos predominantes dos solos são: Pastagem (mais de 70%) em relevo predominantemente suave-ondulado e a Agricultura, a exemplo da mandioca, a sul do território, nas localidades de Maria Bonita, Água Formosa e sudoeste da Sede em relevo suave-ondulado.

As terras em geral apresentam limitações moderadas e fracas em suas propriedades físico-químicas e morfológicas.

2.8 CLIMA

O predomínio do clima no estado do Espírito Santo é o tropical quente e úmido

sendo influenciado por sua posição geográfica (latitude/continentalidade) marcado, sobretudo, pelas Massas de Ar, principal elemento determinante do clima, pelo fato de mudarem bruscamente o tempo nas áreas onde atuam. A primeira delas é a Massa Tropical Atlântica (mTa) proveniente do anticiclone semifixo do Atlântico Sul, formadora dos ventos alísios que são praticamente constantes no decorrer do ano, favorecendo sua penetração mais para o interior do estado através das correntes de NE e L.

Durante o, inverno, a mTa sofre influência constante da Massa Polar Atlântica (mPa), provocando chuvas frontais no litoral e também na porção sul das áreas elevadas (chuvas orográficas). De ar frio e úmido, é originada do Oceano Atlântico, ao sul da Argentina, entre as latitudes 30º a 60º, avançando pelo litoral brasileiro de Sul em direção ao Nordeste com a presença de ventos S e SE e temperaturas mais baixas.

A Massa Tropical Continental (mTc) possui, entre os sistemas/massas mencionados uma menor atuação no estado, normalmente, nos meses de maio e junho. Entretanto, quando atinge a porção oeste, provoca o bloqueio atmosférico, impedindo a chegada das massas de ar frio, provocando temperaturas extremamente elevadas na região.

As precipitações anuais do município de Mucurici são entre 1.000 e 1.200 mm/a com as maiores ocorrendo na porção sudeste (1.200 mm/a).

Já a deficiência hídrica anual é variada de leste para oeste, com os maiores valores entre 310 e 350 mm/a na porção extremo norte, enquanto na porção sul, os valores são entre 230 e 270 mm/a .

Os regimes fluviais dos rios que vertem no interior do território, de modo geral, acompanham a pluviosidade sendo marcados por dois períodos: um de cheia, com os níveis máximos ocorrendo nos meses de outubro a janeiro e um de vazante, a partir de julho, atingindo mínimas extremas nos meses de agosto e setembro (INCAPER, 2008).

A temperatura média anual é em torno de 26º C com os meses mais quentes entre julho a setembro e fevereiro com temperaturas máximas de até 34º C, enquanto as mínimas em torno de 18º C (INCAPER, 2008).

Assim o município é caracterizado por um clima quente de verão chuvoso e inverno seco com estação chuvosa bem definida entre novembro a janeiro. Os meses parcialmente secos ocorrem entre fevereiro a julho e setembro e o seco em agosto.

2.9 VEGETAÇÃO

A vegetação em grande parte do município (Floresta Ombrófila Densa) foi substituída primeiramente pelo café e, posteriormente, pelas pastagens (pecuária extensiva) conforme os ciclos econômicos, sendo caracterizadas hoje pelo plantio de gramíneas.

As matas ciliares, às margens dos cursos d`água, são praticamente inexistentes no território dando lugar a agricultura e pastagens. Assim, os poucos fragmentos existentes estão situados na porção centro-norte e centro-nordeste nas localidades de Córrego do Meio, Itabaiana e Horizonte. Por haver o predomínio da atividade de pastagem extensiva é comum identificar a degradação do solo e processos de lixiviação e erosão nos seus diversos estágios (ravinas) em função do pisoteio do gado em vários pontos do território.

3CARACTERIZAÇÃO LOCAL

3.1 DESCRIÇÃO DA NATUREZA DO PROBLEMA

A nascente em análise está localizada na zona rural, pertencente ao distrito de Mucurici- ES, sendo 19 Km de distância do mesmo.

A nascente tem o seu perímetro de aproximadamente 148m, medido desde o brotamento d’água até a ao acúmulo da mesma.

O perímetro da água acumulada na nascente é de aproximadamente 78m e a sua área 277, 9972 .

Esta nascente é do tipo com acúmulo inicial, comum quando a camada impermeável fica paralela a parte mais baixa do terreno e, estando próxima a superfície, acaba por formar um lago.

O relevo da nascente é Suave Ondulado, que é uma superfície de topografia ligeiramente movimentada, constituída por conjunto de pequenas colinas ou outeiros, ou sucessão de pequenos vales pouco encaixados (rasos), configurando pendentes ou encostas com declives entre 3 até 8%. Como verificado nas fotos.

Com esta declividade este relevo está nas classes III e IV, que são:

  • Classe III: terras cultiváveis, com problemas complexos de conservação e melhoramento;

A classe III abrange terras passíveis de utilização com culturas anuais, perenes, pastagens, ou reflorestamento, com problemas complexos de conservação do solo. Quando cultivadas sem cuidados especiais, estão sujeitos a severos riscos de depauperamento, principalmente no caso de culturas anuais. Requerem medidas intensas e complexas de conservação do solo, a fim de poderem ser cultivadas segura e permanentemente, com produção média a elevada de culturas adaptadas.

  • Classe IV: terras cultiváveis apenas ocasionalmente, ou em extensão limitada, com sérios problemas de conservação;

São terras que têm riscos ou limitações permanentes muito severas quando usadas para culturas anuais. Preferencialmente, devem ser mantidas como pastagens, mas podem ser suficientemente boas para certos cultivos ocasionais (na proporção de um ano de cultivo para cada quatro a seis de pastagens) ou para certas culturas anuais ou perenes, porém com cuidados muito especiais. Caracterizam-se pelos seguintes aspectos: declive acentuado (> 12%), erosão severa, suscetibilidade à erosão devido ao impedimento da drenagem no horizonte B mais argiloso.

Mostradas de acordo com a tabela a seguir:

Fonte: file:///C:/ 9classific_das_terras.htm

A nascente sempre foi com essas características, mantendo sempre o gado na fonte, sem vegetação ao redor, e não cercada. A única árvore que tinha era uma mangueira que foi morta possivelmente por cupins, como apresentado na foto.

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