Projeto Recuperação de uma Nascente Degradada

Projeto Recuperação de uma Nascente Degradada

(Parte 2 de 3)

3.2 SOLO

O solo da análise do problema é o argissolo, que são solos minerais, não-hidromórficos,com horizonte A ou E(horizonte de perda de argila, ferro ou matéria orgânica, de coloração clara) seguido de horizonte B textural, com nítida diferença entre os horizontes. Se apresentar horizonte plíntico, o mesmo não está acima e nem é coincidente com a parte superior do horizonte B textural. Apresentam horizonte B de cor avermelhada até amarelada e teores de óxidos de ferro inferiores a 15%. Podem ser eutróficos, distróficos ou álicos. Têm profundidade variadas e ampla variabilidade de classes texturais, com presença de horizontes ou propriedades que restringem o desenvolvimento das raízes e afetam o movimento da água.

Subordem: Vermelho-Amarelo

Horizonte Superficial: Horizonte A moderado

São de constituição mineral e desenvolvimento pouco expressivo. O horizonte A moderado apresenta cor muito clara e/ou pouco carbono orgânico ou, sendo rico em matéria orgânica é pouco espesso. Em geral o horizonte A moderado difere dos horizontes A chernozêmico, proeminente e húmico pela espessura e/ou cor e do horizonte A fraco pelo teor de carbono orgânico e estrutura, não apresentando ainda os requisitos para caracterizar o horizonte hístico ou A antrópico.

Horizonte Subsuperficial: Horizonte B textural

É um horizonte mineral subsuperficial com textura franco-arenosa ou mais fina (mais de 150 g.kg-1 de argila), onde houve incremento de argila, orientada ou não, desde que não exclusivamente por descontinuidade, resultante de acumulação ou concentração absoluta ou relativa decorrente de processos de iluviação e/ou formação in situ e/ou herdada do material de origem e/ou infiltração de argila ou argila mais silte, com ou sem matéria orgânica e/ou destruição de argila no horizonte A e/ou perda de argila no horizonte A por erosão diferencial. O conteúdo de argila do horizonte B textural é maior que o do horizonte A e pode ou não ser maior que o do horizonte C. Este horizonte pode ser encontrado à superfície se o solo foi parcialmente truncado por erosão.A natureza coloidal da argila a torna suscetível de mobilidade com a água no solo se a percolação é relevante. Na deposição em meio aquoso, as partículas de argilominerais usualmente lamelares, tendem a repousar aplanadas no local de apoio.

O histórico da nascente é que há algum tempo atrás morava uma família adjacente à mesma, que mesmo apresentando a nascente próxima não a utilizavam, mas sim o córrego mais próximo, que está localizado muito perto da nascente. Como eles queriam que o gado bebesse da água da nascente, retiraram a terra através de um barranco (com demonstrado nas fotos) para fazer a barragem na nascente para que a água acumulasse para o gado e é assim até a presente data.

A vegetação sempre foi capim com a pecuária extensiva na área. Há aproximadamente vinte anos atrás foi construída uma plantação de mandioca com outros produtos, mas no alto da encosta adjacente a nascente. Hoje não existe mais esta plantação e o pasto é utilizado apenas para o gado.

  1. ANÁLISE DO PROBLEMA

Esta nascente é um problema ambiental ocasionada pelo uso inadequado do solo, da vegetação nativa e da água,sofrendo erosões causadas pelo vento e pela chuva e apresenta também a presença de animais dentro do curso d’água. Por não ser cercada e nem apresentar mata ciliar, a nascente apresenta uma coloração muito escura, ocasionada principalmente pelos dejetos dos animais e pelos sedimentos trazidos pela chuva. Além da nascente, o solo também se compacta pelo pisoteio do gado, levando assim a diminuir a sua permeabilidade e uma futura diminuição da água da nascente.

A água escura e turva da nascente pode ser verificada na foto a seguir:

O grau de compactação do solo é um tanto elevado, pois foi feito na prática um teste com um objeto pontiagudo que poderia ser permeável no solo, utilizado em duas áreas, numa com a terra bem permeável e em outra no local de análise.

O resultado foi que no solo bem permeável, que foi até um solo de várzea, foi aprofundado 57 cm, já na área bem próxima à nascente foi 40 cm e em uma área mais distante um pouco foi 11 cm. Vale ressaltar também que estas medidas foram tomadas após dias chuvosos, podendo assim não serem as reais medições da compactação do solo.

Observa-se a nascente na planície da encosta, tendo uma ligação com o córrego mais próximo que também não apresenta mata ciliar, a união da mesma com o córrego não é visível. A área da vegetação protetora da nascente é inexistente e a área que seria de APP não tem cerca de isolamento, permitindo o livre acesso de pessoas e do gado à água, observado pelo pisoteio de parte de sua borda e excrementos espalhados em volta da nascente, testemunhados pela foto.

Como o solo é argissolo e tem uma diferença de textura entre os horizontes A e B, sendo o horizonte A mais arenoso e o B um pouco argiloso, esses solos são bastante suscetíveis à erosão, verificando assim que os sedimentos da erosão dos solo se depositam nas áreas mais planas, que no caso é a nascente ou próxima à ela.É importante lembrar que próxima à nascente existe uma voçoroca desprovida de vegetação, o que evidencia que os seus sedimentos são transportados pela ação da chuva e/ou do vento diretamente para a nascente.

O solo da área é utilizado somente para a pastagem, não apresentando nehuma cultura e nem uma área de reflorestamento.

Estudos sobre o uso e ocupação do solo em áreas de recarga de nascentes são escassos. No entanto, são cada vez mais necessários. O uso do solo pode alterar a qualidade e quantidade de água, além de influenciar o armazenamento de água subterrânea e o regime da nascente e dos cursos d´água (PINTO et al., 2004). Nesse contexto se insere o levantamento pedológico, que fornece bases para agrupar solos que têm funcionalidade semelhante.

O solo funciona como um reservatório dinâmico de água, onde suas características podem influenciar esse sistema de partição de água, especialmente infiltração, afetando de forma direta o processo de recarga de aqüíferos, uma vez que este está diretamente associado a atributos do solo que governam sua capacidade de infiltração, seu uso e a sua posição na paisagem. Deve-se, portanto, analisar o efeito que as características dos solos como corpos tridimensionais que possuem profundidade e relevo, exercem nesses aspectos (RESENDE et al., 1998).

Deve-se ressaltar que nesses processos a bacia hidrográfica deve absorver a maior parte dessa água, armazená-la em seu lençol subterrâneo e, paulatinamente, cedê-la aos cursos d’água, mantendo adequada vazão durante os períodos de seca (VALENTE e CASTRO, 1983) ou mesmo em períodos com elevados índices de pluviosidade. Quando se trata de nascentes, além da quantidade, é desejável uma boa distribuição no tempo, ou seja, que a variação da vazão situe-se dentro de um mínimo adequado ao longo do ano.

Ainda com relação aos aspectos relacionados ao solo, deve-se considerar o papel da vegetação na influência de atributos físico-hídricos, com conseqüente reflexo na dinâmica da água. Schuler (2003), em estudos em microbacias no estado do Pará, com diferentes tipos de vegetação, observou redução na condutividade hidráulica e na porosidade do solo sob pastagem em relação à floresta, o que proporcionou o aumento do escoamento superficial.

Como é um argissolo e apresenta uma mudança textural abrupta, ele oferece uma boa disponibilidade de água, sendo um fator positivo na recarga da água da nascente.

  1. JUSTIFICATIVA

A devastação das matas ciliares tem contribuído para o assoreamento, o aumento da turbidez das águas, o desequilíbrio do regime das cheias, a erosão das margens de grande número de cursos d’água, além do comprometimento da fauna silvestre. Salienta-se que, nas microbacias de uso agrícola, quando comparadas às de uso florestal, o transporte de sedimentos e a perda de nutrientes são maiores. Os sistemas aquáticos são receptores das descargas resultantes das várias atividades humanas nas bacias hidrográficas.

Em vista disso, esta a importância da preservação e recuperação dos recursos hidrícos, tendo a nascente em estudo pertencente a um pequeno proprietário rural, localizada próxima a cidade de Mucurici-ES. A fonte é pequena, apresentando forte influência do gado e sofrendo assoreamento devido às erosões,expressando uma coloração escura. Não apresenta mata ciliar, nem cerca de isolamento.

Devido a tais problemas, este projeto justifica-se pelo interesse na realização de obras em prol do meio ambiente, tendo como ponto de partida a água que é um recurso tão utilizado e tão devastado e precisa deste modo ser conservada para cada um de nós e para as futuras gerações.

Na relevância desses fatores, a nascente é estudada também pelo fato de nunca terem feito algo para ela ser preservada, sendo passada “pela mão” de diversos proprietários, nenhum se dedicou ao seu correto manejo, portanto sendo conhecida do atual proprietário, foi buscado um local dentro da sua propriedade e de fácil acesso,sendo a nascente a mais encantadora. Resolveu-se fazer este projeto no papel e espera-se um dia o realizar também na prática, pois o proprietário sabe da importância deste trabalho, mas não se dispõe pelo fato dos altos custos, não tendo nehuma ajuda do governo e também por acabar dimuindo a sua área de pastagem para os animais que ali residem.

A primeira coisa a ser realizada para a recuperação desta nascente será a implantação da área de APP, que após 50m da cheia da nascente será implantada uma cerca de isolamento contra o gado e depois uma faixa de interface da vegetação natural.

Após a recuperação da nascente e durante a sua realização, a mesma poderá ser como um exemplo de consciência ambiental para os proprietários vizinhos, pois próxima a localidade da mesma, existem outras que também necessitam da conservação e recuperação.

A nascente também após a sua recuperação, será um lugar muito atraente para se visitar, com árvores podendo ser até frutíferas e uma água de boa qualidade.

Além da importância que deve ser tomada ao meio ambiente, a lei obriga aos proprietários a sua adequação as normas ambientais, com implantações de APP’s e reserva legal dentro das propriedades, sendo multados aqueles que não comparecerem às leis.

  1. OBJETIVOS

Geral:

  • Recuperar uma nascente degrada para a construção de futuro mais sustentável, em vista da importância d’água potável no nosso planeta, preservando assim a fauna e a flora nativas da região e deste modo sendo coerente com a legislação ambiental vigente no nosso país.

Específicos:

  • Analisar e avaliar a área degradada por métodos utilizados em classe;

  • Diagnosticar os problemas que originaram esta questão ambiental;

  • Conscientizar o proprietário do local para a realização deste projeto, mostrando-lhe da sua importância e dos seus benefícios;

  • Implantar na área espécies adaptadas ao solo e ao clima da região;

  • Implantar árvores nos topos das encostas da nascente para assim haver uma maior cobertura do solo.

  • Implantar ações para o uso adequado da microbacia e adequar a legislação ambiental;

  • Propor soluções para o correto fluxo de água dentro da nascente;

  • Monitorar a quantidade e a qualidade da água ao longo da recuperação com freqüentes análises de água.

  • Monitorar a fauna local ao longo da recuperação, através de contagem no número das espécies e das suas quantidades.

  1. METODOLOGIA

A primeira coisa a ser realizada na metodologia do projeto será a conscientização do proprietário local para a realização da recuperação da nascente.

O proprietário sabe da importância da realização deste projeto, mas preocupa-se pelo fato dos gastos para a efetuação do mesmo e também por diminuir uma parcela da sua propriedade para a APP.

Sendo assim, será lhe apresentado as vantagens da regeneração da nascente, como por exemplo: uma água de qualidade e em maior quantidade durante todo o ano, inclusive nos períodos de seca, vegetação nativa na região, com árvores frutíferas, pássaros e outros animais na APP, sendo possível futuramente vender a madeira de algumas árvores como também usufruir dos seus frutos e produtos, como a pupunheira, de onde pode ser extraído o palmito e a pupunha, conhecida pelo seu valor nutritivo e energético, rico em caroteno (pró vitamina A) e carboidratos, com variadas opções de uso na alimentação animal e humana. Outra planta com finalidades econômicas é a seringueira, do seu tronco extrai-se o látex que, por coagulação espontânea ou por processos químico-industriais, se transforma no produto comercial denominado de borracha. A matéria-prima borracha é largamente utilizada na produção de bens industrializados, sendo a indústria de pneumáticos a sua maior consumidora. O açaizeiro produz o açaí, que pode ser consumido de diversas formas: sucos, doces, sorvetes e geléias. Atualmente é muito consumido o açaí na tigela, onde a polpa é acompanhada de frutas e até mesmo de outros alimentos. Na região amazônica, a polpa do açaí é muito consumida com farinha de mandioca ou tapioca. A polpa do açaí é um ótimo energético, sendo que cada 100 gramas possui 250 calorias. O açaí é uma fruta rica em proteínas, fibras e lipídios. Encontramos nesta fruta as seguintes vitaminas: vitaminas C, B1 e B2. Possui uma boa quantidade de fósforo, ferro e cálcio. A indústria de cosméticos nacional e internacional está utilizando o açaí para produzir cremes, xampus e outros produtos de beleza. As folhas do açaízeiro são usadas para a produção de produtos trançados (bolsas, redes, sacolas, etc) e, devido sua resistência, serve como cobertura de casas (produção de telhados).

Dentre as plantas da nascente, as maiorias apresentam finalidades econômicas, tanto para a madeira e/ou para a produção de frutos, sendo assim se têm também o cajueiro, goiabeira, cacau, dentre outras.

O proprietário também se beneficiará através da sua adequação com a legislação ambiental, evitando serem pagas eventuais multas por descumprimento da lei. Ele também poderá participar com outros proprietários de pagamentos de serviços ambientais, onde eles recebem para reflorestar, sendo uma grande iniciativa do governo, pois os gastos são muito altos para a recuperação de áreas degradadas e a maioria dos proprietários não tem condições de pagar preços tão altos. Neste programa é possível remunerar proprietários de terras pela conservação ambiental.

O agroturismo também seria uma boa idéia para a nascente, pois é uma das diferentes modalidades de turismo no meio rural, praticada por famílias de agricultores dispostos a compartilhar seu modo de vida com os habitantes do meio urbano. O agroturismo ajuda a estabilizar a economia local, criando empregos nas atividades indiretamente ligadas à atividade agrícola e ao próprio turismo, como comércio de mercadorias, serviços auxiliares, construção civil, entre outras, além de abrir oportunidades de negócios diretos, como hospedagem, lazer e recreação. Com relação aos benefícios ambientais, pode-se mencionar o estímulo à conservação ambiental e à multiplicação de espécies de plantas e animais, entre outros, pelo aumento da demanda turística.

A primeira coisa a ser realizada na nascente será o seu cercamento, com estacas de madeira, a 50m do olho d’água e em todas as direções e ao redor da nascente será implantada a APP.

As Áreas de Preservação Permanente (APP’s) foram criadas pelo código Florestal Brasileiro, Lei nº 4.771/65, alterada pela Lei nº 7.803, em que os direitos de propriedade são exercidos, porém com limitações. As APP’s têm papel vital dentro de uma microbacia, pois são responsáveis pela manutenção, preservação e conservação dos ecossistemas ali existentes, notadamente dos aquáticos .A utlização de práticas inadequadas e degradantes, em áreas que deveriam permanecer inalteradas, como as APP’s, acarreta sérios danos ao meio ambiente e, principalmente aos cursos d’água. Estes ficam vulneráveis pelos efeitos maléficos da erosão, causando assoreamento, eutrofização e diminuição na lâmina d’água.

A Lei n°4.771/65 estabelece no seu artigo 2º (alterado pela Lei nº7.803/89) as disposições mínimas de faixa marginal a serem preservadas para os rios, nascentes, lagos, lagoas e reservatórios, exercendo-se os direitos parciais de propriedades, em que:

Art. 2° Consideram-se de preservação permanente, pelo só efeito desta Lei, as florestas e demais formas de vegetação natural situadas:

Nas nascentes, ainda que intermitentes e nos chamados "olhos d'água", qualquer que seja a sua situação topográfica, num raio mínimo de 50 (cinqüenta) metros de largura.

7.1 Etapas Para a Realização do Reflorestamento:

  • Preparo do terreno: o terreno será cercado com quatro fios de arame farpado e mourões de eucalipto a cada dois metros e vinte centímetros.

  • Abertura e marcação das covas: as covas de plantio serão marcadas e abertas, com enxadão, seguindo o espaçamento de 3 m entre linhas e 5m entre covas.

  • Distribuição das espécies na área: a distribuição das mudas das diferentes espécies na área será feita de maneira a procurar imitar o modo como as árvores crescem na natureza - primeiramente nascem às espécies que precisam de luz para germinar e que crescem rápido, chamadas pioneiras, depois aparecem as espécies que precisam da sombra das pioneiras para crescer, chamadas secundárias. Neste modelo as mudas do grupo das pioneiras (espécies de preenchimento) e não pioneiras (espécies de diversidade) são alternadas na linha de plantio. Na linha seguinte, altera-se a ordem em relação à linha anterior . A grande vantagem desse modelo é a distribuição mais uniforme dos dois grupos na área, promovendo um sombreamento mais regular.

  • Plantio: as mudas serão retiradas das sacolas plásticas com cuidado para não destruir o torrão e colocadas na cova. Em seguida o torrão será coberto, compactando a terra ao redor da muda.

  • Replantio e Manutenção do Plantio: O replantio das mudas que morreram será realizado após 90 dias do plantio, nem sempre com a mesma espécie. A manutenção do plantio se fará executando o coroamento das mudas, num raio de 50cm, para evitar que as mudas fossem sufocadas pelas espécies invasoras.

  • Adubação

  • Controle de formigas: o monitoramento das formigas iniciará 30 dias antes do preparo do solo e 30 dias antes do plantio será realizado o repasse. O controle das formigas é necessário devido aos danos que as formigas cortadeiras provocam nas florestas, uma vez que 1 sauveiro chega a ter 10 milhões de formigas, capazes de cortar uma tonelada de folhas verdes por ano; em média estima-se que 4 formigueiros em 1 ha provocam uma perda de aproximadamente 14% da área florestal. Em geral, uma floresta plantada pode apresentar de 12 a 15 formigueiros enquanto que a floresta nativa apresenta em torno de 0,03 a 0,3 formigueiros/ha.

  • Poda das árvores.

Como o entorno da nascente é ocupado com pasto, com poucos arbustos, além de cercar a nascente é preciso plantar algumas árvores, escolhendo bem as espécies, a quantidade e a distribuição. O plantio de muitas árvores próximo a nascente pode secá-la por algum tempo. Dentro da área cercada recomenda-se plantar aproximadamente 30 árvores. Nesta quantidade, essas árvores irão atrair pássaros e outros animais que trarão novas sementes que irão reflorestar a área aos poucos, além de aumentar a infiltração da água da chuva no solo e segurar a terra arrastada pela enxurrada, impedindo o soterramento da nascente.

As árvores devem ser bem distribuídas na área, tomando-se o cuidado para alternar plantas pioneiras que crescem mais rápido com plantas clímax que crescem mais devagar, porém, que vivem por mais tempo. A escolha das espécies para a recuperação e conservação das nascentes deve ser em função da umidade do solo, que é muito variável no entorno das nascentes.

As mudas serão plantadas em covas de 30x30x40 cm, que após da abertura da cova será separada a matéria orgânica do solo, com o solo mais profundo e deste modo será realizada a adubação para o plantio da muda.

Esta adubação será realizada da seguinte maneira: será utilizado de 5 a 10 litros de esterco de curral curtido por cova, calcário dolomítico, entre 300g a 500g, que apresenta como vantagens: Proporciona os nutrientes cálcio e magnésio para as plantas; Neutraliza a acidez do solo, reduzindo também a solubilidade do manganês, ferro e do alumínio, que são  tóxicos às plantas quando em grandes quantidades; Aumenta a atividade e o número de bactérias benéficas ao solo,   acelerando a decomposição dos resíduos das plantas, liberando Nitrogênio   e Fósforo, benéficos ao crescimento dos vegetais; Com a aplicação de calcário nos solos, ficam disponíveis outros elementos   mais raros às plantas;Melhora as condições de drenagem e arejamento do solo;O cálcio afeta diretamente a ocorrência e evolução das doenças,   aumentando a resistência das plantas ao agente causador (fungo,   bactéria ou vírus), e, indiretamente, através da reação do solo.A prática de calagem também controla parcialmente a ocorrência e a   severidade das doenças modificando o solo de tal forma que proporciona   um maior ou menor desenvolvimento de microrganismos prejudiciais à   planta.

Também se terá a adição do fosfato natural reativo, entre 200g a 300g por cova e que apresenta como vantagens: é um sedimento orgânico consolidado (Rocha fosfata de natureza sedimentar orgânica); Alta porosidade; Alta reatividade; Efeito residual - O fósforo e demais nutrientes são totalmente liberados de maneira gradual, contínua e progressiva durante todo o ciclo das culturas. Este fósforo é aproveitado pela cultura atual e pelas posteriores graças ao seu efeito residual; Eficiência agronômica comprovada em órgãos de pesquisa do Brasil e do exterior; Indicado para adubação corretiva e de manutenção natural - Por não sofrer qualquer tipo de tratamento químico ou térmico, pode ser utilizado em sistemas de plantio orgânicos.

Estes vários adubos serão misturados juntamente com a matéria orgânica do solo que foi retirada para a abertura das covas e assim serão devolvidos para o solo, sendo cobertos com folhas, para evitar a lixiviação.

Dentro de 15 a 30 dias de preparação do solo e da adubação , as mudas serão colocadas na cova.

O coroamento também será realizado, pois mantêm limpo ao redor da planta. O raio do coroamento varia com a idade da planta, sendo de 1,0 m nas plantas de até 3 anos; 1,5 m nas plantas de 3 a 10 anos ; e 2,0 m nas plantas com mais de 10 anos de idade. O coroamento pode ser manual ou com o uso de herbicidas.

Se não estiver chovendo, as mudas serão molhadas logo após o plantio e repetirá esta operação de 3 em 3 dias.

Deve-se optar em fazer o plantio de preferência no início do período das chuvas e realizar o combate às formigas, que será feito de maneira prática, usando, por exemplo, plantas de gergelim. O uso de sementes de gergelim como iscas, para ninhos pequenos, na base de 30 a 50 gramas, ao redor do olheiro, será útil no combate a formigas, que irão carregá-las para dentro e oferecê-las como alimentos para os fungos, que morrerão e assim a formiga morrerá da falta do seu alimento.

Estas sementes serão plantadas durante o plantio das mudas e entre as mesmas e ao redor dos formigueiros.

Os métodos utilizados para o reflorestamento serão o plantio de mudas, juntamente com a regeneração natural, para assim haver um equilíbrio no gastos para a realização do projeto, além de serem métodos amplamente eficientes.

7.2 Plantio de Mudas

O método de recuperação por plantio de mudas é o mais usado no Brasil e apresenta como principais vantagens a garantia da densidade do plantio pela alta sobrevivência e ainda, espaçamento regular.

A grande dificuldade do reflorestamento com espécies nativas é a diversidade de espécies e a obtenção de mudas na quantidade e qualidade desejada.

É necessário avaliar os fragmentos de mata nas proximidades da área a ser recuperada a fim de conhecer a vegetação local, para auxiliar na escolha das mudas e ter conhecimento das condições do solo e do clima da região.

7.3 Espécies Nativas a Serem Plantadas na Área:

Madeira

Lenha/carvão

Ornamental

*RAD

Melífera

Fauna

Alimento

Açaizeiro- Euterpe oleracea

x

x

Angelim- Hymenolobium petraeum duke leguminosae

X

X

X

Angico vermelho- Anadenanthera colubrina (Vell.) Brenan.

X

X

X

X

X

Araçá- Psidium cattleianum

X

X

X

X

X

Braúna- Melanoxylon braúna

X

X

X

Candiúba- Trema micrantha (L.) Blum

X

X

X

X

Canela- Cinnamomum zeylanicum

X

X

X

X

Cajueiro- Anacardium occidentale

X

X

Cacaueiro- Theobroma cação

X

X

Cupuaçueiro-Theobroma grandiflorum

X

X

Goiabeira- Psidium guajava

X

X

X

X

X

Ingá- Inga spp

X

X

X

Jabuticabeira- Myciaria cauliflora

X

X

X

X

X

Jacarandá- Jacaranda cuspidifolia

X

X

X

Jacaré- Chloroleucon tortum

X

X

X

X

Jatobá- Hymenaea courbaril L.

X

X

X

X

Jequitibá-branco- Cariniana estrellensis

X

X

X

X

Papagaio- Euphorbia pulcherrima

X

X

X

X

Pitangueira-Eugenia uniflora

X

X

X

X

X

Pupunheira- Bactris gasipaes

X

X

Seringueira- Hevea brasiliensis

X

X

X

*RAD=Recuperação de áreas degradadas.

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