Universidade de Brasília (UNB) - Teoria Geral da Administração - TGA (2006)

Universidade de Brasília (UNB) - Teoria Geral da Administração - TGA (2006)

(Parte 1 de 7)

Teoria Geral da Administração Brasília, 2006

Diretor-Presidente Alberto Borges Matias

Instituidores Responsáveis Carlos Alberto Campello David Forli Inocente

Gestor de Operações João Deléo

Professor Autor Teoria Geral da Administração Prof.ª Dutoranda Maria Isabel Franco Barretto e Prof.ª Dutoranda Perla Calil Pongeluppe

Reitor Lauro Morhy

Vice-Reitor Timothy Martin Mulholland

Diretor Bernardo Kipnis

Coordenadora Pedagógica Maria de Fátima Guerra de Sousa

Designer Educacional Bruno Silveira Duarte

Ilustradores do Projeto Carlos Miguel Rodrigues; André Tunes; Tatiana Tibúrcio; Ribamar Araújo e Paulo Rodrigues

Capa Rodrigo Mafra e Eduardo Miranda

Editoração Alissom Lázaro; Evaldo Abreu; Gibran Lima e Télyo Nunes

Universidade de Brasília – UnB Centro de Educação a Distância – CEAD Campus Universitário Darcy Ribeiro, Multiuso 1 Bl. B Ent. B1/14 – CEP: 70919-790 Brasília-DF Tel (61) 3349-0996 Fax (61) 3307-3048 w.cead.unb.br cead@unb.br

INEPAD – Instituto de Ensino e Pesquisa em Administração Rua Marechal Rondon, 571 – Jardim América CEP: 14020-220 Ribeirão Preto-SP Tel (16) 3911-2212 w.inepad.org.br secretaria@inepad.org.br

APRESENAÇÃO7
TEMA 1 - ABORDAGENS DA ADMINISTRAÇÃO CLÁSSICA E NEOCLÁSSICA10
TEMA 2 - ABORDAGENS DA ADMINISTRAÇÃO MODERNA26
TEMA 3 - FUNÇÕES DA ADMINISTRAÇÃO32
TEMA 4 - ESTRUTURA ORGANIZACIONAL50
TEMA 5 - CONCEPÇÃO E IMPLANTAÇÃO DE NOVAS ESTRUTURAS58
TEMA 6 - ELABORAÇÃO DE PROJETOS72
TEMA 7 - ESTRATÉGIAS78
TEMA 8 - POLÍTICA DE NEGÓCIOS84
TEMA 9 - GESTÃO EMPRESARIAL E POLÍTICAS DE NEGÓCIO: CONSTATAÇÕES E DESAFIOS92
AUTO-ORGANIZANTE100

TEMA 10 - GESTÃO CONTEMPORÂNEA – VISÃO GERAL: A ORGANIZAÇÃO CAÓTICA E A EMPRESA

EVOLUI POR SALTOS106
TEMA 12 - MEGATENDÊNCIAS E NOVOS PARADIGMAS110

TEMA 1 - GESTÃO CONTEMPORÂNEA: A ORGANIZAÇÃO AUTOPOIÉTICA E A EMPRESA QUE REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ........................................................ 117

Agora você iniciará os seus estudos sobre Teoria Geral da Administração.

Neste material serão abordados conceitos e aspectos importantes para que você possa compreender as principais teorias que formam o pensamento administrativo, a conexão existente entre elas e como podem ser aplicadas para a resolução de problemas e para o desenvolvimento organizacional.

Para que você atinja esse objetivo serão abordados 12 temas. São eles:

Tema 1 - Abordagens da Administração Clássica e Neoclássica Tema 2 - Abordagens da Administração Moderna Tema 3 - Funções da Administração Tema 4 - Estrutura Organizacional Tema 5 - Concepção e Implantação de Novas Estruturas Tema 6 - Elaboração de Projetos Tema 7 - Estratégias Tema 8 - Política de Negócios Tema 9 - Gestão empresarial e políticas de negócio: constatações e desafios

Tema 10 - Gestão Contemporânea – Visão Geral: A Organização Caótica e a Empresa Auto-Organizante

Tema 1 - Gestão Contemporânea: A Organização Autopoiética e a Empresa que Evolui por Saltos

Tema 12 - Megatendências e Novos Paradigmas

Então, pronto para começar?

TEMA 1TEMA 1

TEMA 1 ABORDAGENS DA ADMINISTRAÃO CLÁSSICA E NEOCLÁSSICA

TEMA 1 - ABORDAGENS DA ADMINISTRAÇÃO CLÁSSICA E NEOCLÁSSICA

Este tema apresenta as idéias mais importantes das principais abordagens da

Administração. Contaremos um pouco da História da Administração, discutindo as principais idéias e contribuições de cada Escola da Administração. Vamos conhecer também alguns nomes dos teóricos que se destacaram em cada abordagem.

Ao final deste estudo, você deverá ser capaz de: • Compreender as principais abordagens da Administração.

• Identificar os principais teóricos responsáveis pelo desenvolvimento de cada uma das Escolas da Administração.

• Identificar as principais contribuições de cada abordagem para a evolução do pensamento administrativo.

• Conhecer algumas críticas recebidas pelas abordagens.

1.1 Abordagem Clássica

Os primeiros trabalhos no campo da Administração surgiram no início do século X. Nesse início, podemos destacar dois grandes nomes: o norte-americano Frederick Winslow Taylor (1856 –1915) e o europeu Henri Fayol (1841 – 1925). No decorrer deste tema, você perceberá que Taylor e Fayol partem de pontos de vista diferentes, mas seus trabalhos formam a base do que hoje chamamos de Escola Clássica.

Podemos atribuir a Taylor a chamada Escola de Administração Científica, cuja preocupação básica é o aumento da produtividade da empresa, por meio da eficiência máxima dos operários. Taylor enfatizava a divisão do trabalho e a análise das tarefas de cada cargo. Ficou especialmente famoso pelo “estudo dos tempos e movimentos”, na sua obsessiva procura pela “única melhor maneira” de se fazer determinado trabalho, de que falaremos adiante.

Fayol, por sua vez, foi o responsável pela Teoria Clássica, cuja preocupação era aumentar a eficiência da empresa por meio da organização dos seus departamentos e funções. Na comparação com Taylor, observa-se que Fayol deu ênfase à estrutura organizacional, enquanto Taylor se preocupou com o nível operacional.

Para melhor compreensão, será necessário, além de detalhar as características da Administração Científica e da Teoria Clássica, ressaltar o contexto vivenciado por ambas.

Devemos lembrar que a Abordagem Clássica sofre as conseqüências da Revolução Industrial, que podemos resumir em alguns pontos bem gerais:

• o crescimento acelerado e desorganizado das empresas gerou complexidade na administração e exigia técnicas científicas e eficazes;

• o panorama industrial retratava uma variedade acentuada entre as empresas, baixo rendimento do maquinário, desperdício, insatisfação entre os operários, concorrência intensa, tendências pouco definidas, entre outras mazelas.

• o surgimento da competição entre as empresas demandou eficiência e competência das organizações.

TEMA 1 ABORDAGENS DA ADMINISTRAÃO CLÁSSICA E NEOCLÁSSICA

A partir do cenário apresentado, seguiremos com os detalhes da Administração Científica e, posteriormente, discutiremos a Teoria Clássica.

1.1.1 Administração Científica

O nome “Administração Científica” se deve ao esforço de se aplicarem métodos científicos aos problemas da Administração. Taylor ficou conhecido por ter sido o primeiro a fazer isso de forma sistemática. Não é à toa, portanto, que é chamado de “o pai da Administração Científica”.

Taylor era um engenheiro mecânico americano que iniciou seus trabalhos no chão de fábrica. Nessa época, era comum o pagamento por peça ou tarefa. Nesse esquema, os patrões tentavam ganhar o máximo no preço das tarefas e os operários, por seu turno, tentavam reduzir o ritmo de produção para evitar sobrecarga de trabalho.

Após os primeiros estudos, Taylor publicou, em 1903 o livro Shop Management (“Administração de Oficinas”) em que expunha as seguintes idéias:

• Uma boa administração deve pagar salários altos e ter baixos custos de produção.

• A administração deve aplicar métodos científicos de pesquisa para formular princípios e estabelecer processos padronizados que permitam o controle.

• Os empregados devem ser colocados, cientificamente, em postos dotados de materiais e condições adequados para o cumprimento de normas.

• Os empregados têm de ser, cientificamente, treinados para aperfeiçoar aptidões e executar tarefas que lhes permitam os mais elevados níveis de produção.

• A atmosfera de cooperação entre a administração e os trabalhadores é vital para os princípios mencionados.

Como já dissemos, a primeira preocupação de Taylor era o nível operacional, por isso começou seus estudos pelo trabalho do operário, seguindo um caminho de baixo para cima e das partes para o todo. Iniciou suas pesquisas junto aos operários no nível de execução, analisando as tarefas de cada um e decompondo seus movimentos e processos de trabalho.

Aos poucos, ele aperfeiçoava esses movimentos, com as técnicas de racionalização do trabalho do operário. Taylor e tudo o que ficou conhecido como “Administração Científica” procurava a todo custo eliminar o desperdício e aumentar a produtividade das empresas por meio da maximização da eficiência dos operários. Para atingir essa maximização, Taylor desenvolveu uma minuciosa análise do trabalho realizado pelos operários, que ficou conhecida, como já mencionamos, como “estudo dos tempos e movimentos”, que permitiu a racionalização dos métodos de trabalho do operário e a fixação de tempos padrões para a execução de cada tarefa. Em sua primeira obra, Shop Management, Taylor estabelece também que toda a operação fabril pode e deve ser um processo padronizado e planejado de modo a eliminar todo e qualquer desperdício de esforço humano e de tempo.

Pouco tempo depois, em 1911, Taylor lançou seu livro Princípios da Administração Científica. Ele concluiu que a racionalização do trabalho do operário tinha de ser seguida de uma estruturação geral da empresa, que permitisse a aplicação dos seus princípios.

TEMA 1 ABORDAGENS DA ADMINISTRAÃO CLÁSSICA E NEOCLÁSSICA

Afirmou que as indústrias de sua época apresentavam três problemas básicos: • vadiagem por parte dos operários;

• desconhecimento, por parte da gerência, d as rotinas dos trabalhos e do tempo necessário para sua realização;

• falta de uniformidade das técnicas ou dos métodos de trabalho.

Como solução, ele apresentou um sistema de administração, denominado Scientific Management, que foi difundido como Organização Racional do Trabalho (ORT).

Para Taylor, esse sistema era uma evolução da teoria, incluindo 75% de análise e 25% de bom senso. Segundo ele, a sua implementação tinha de ser gradual, obedecendo a um certo período de tempo e evitando alterações bruscas que causassem insatisfação e prejuízos.

A concepção básica de Taylor era, como esperamos tenha ficado claro até aqui, era de que a organização e a administração deviam ser tratadas cientificamente. Deve-se colocar o planejamento em prática e esquecer o improviso. Para ele, era inevitável: estava próximo o dia em que a ciência assumiria o lugar do empirismo, da mera tentativa-e-erro

Taylor destacou as bases da Administração Científica, como no quadro abaixo: 1) Estudo de tempo e padrões de produção. 2) Supervisão funcional. 3) Padronização de ferramentas e instrumentos. 4) Planejamento das tarefas e cargos. 5) Princípio da execução. 6) Utilização da régua de cálculo e de instrumentos para economizar tempo. 7) Fichas de instrução. 8) Prêmios de produção pela execução eficiente das tarefas. 9) Definição da rotina de trabalho.

A partir desses princípios, Taylor notou que as tarefas podem ser feitas de diversas maneiras e que existem sempre métodos mais eficientes. Fez a mesma observação em relação aos instrumentos e ferramentas.

Para ele, portanto, a análise científica e o estudo de tempos e movimentos deviam ser utilizados para identificar os melhores métodos e instrumentos. Era a isso, pois que Taylor denominava Organização Racional do Trabalho (ORT), como já mencionamos.

A Administração Científica reparte as responsabilidades:

• a gerência fica com o planejamento, ou seja, o estudo do trabalho do operário e o estabelecimento de métodos;

• a supervisão se encarrega da assistência ao trabalhador durante a produção;

• o trabalhador se preocupa somente executar o trabalho da “única melhor maneira”.

Como decorrência dessa concepção, ficaram assim estabelecidos os principais aspectos da Organização Racional do Trabalho (ORT):

1) Análise do trabalho e estudo dos tempos e movimentos. 2) Estudo da fadiga humana. 3) Divisão do trabalho e especialização do operário. 4) Desenho de cargos e tarefas. 5) Incentivos salariais e prêmios de produção. 6) Conceito de “homo economicus” (homem econômico). A pessoa é concebi-

TEMA 1 ABORDAGENS DA ADMINISTRAÃO CLÁSSICA E NEOCLÁSSICA da como influenciada apenas por recompensas econômicas ou materiais. 7) Condições ambientais de trabalho como, por exemplo, iluminação. 8) Padronização de métodos e de máquinas. 9) Supervisão funcional (relativa e parcial).

Diante da exposição dos aspectos da ORT e das bases da implantação da

Administração Científica, certamente você notou que a ênfase dos estudos de Taylor era nas tarefas. Pode-se deduzir também do que foi visto que a Administração Científica se caracterizou pela separação do planejamento e execução do trabalho

Considerando-se as precárias condições de trabalho da época, as idéias de

Taylor certamente representaram um avanço. Isso, no entanto, não o poupou da rejeição por parte dos sindicalistas, que viam em seus métodos e exigências, uma nova e mais sutil forma de exploração do trabalho humano. Tampouco o isentou de críticas vindas de vários pontos da sociedade.

As principais críticas à Administração Científica são:

1) Visão mecanicista (a empresa como máquina, pouca atenção à complexidade do elemento humano e suas inter-relações).

2) Superespecialização do operário (tarefa única). 3) Visão microscópica do homem (somente executa, não pensa). 4) Ausência de comprovação científica.

5) Abordagem incompleta da organização (e a organização informal? os aspectos humanos?).

6) Limitação do campo de aplicação (limitou-se ao chão de fábrica).

7) Abordagem prescritiva e normativa (praticamente apenas o como deve ser, sem espaço para se questionar por que deveria ser de um jeito ou outro).

8) Abordagem do sistema fechado (e o ambiente externo?).

9) Visão simplista (quase inevitável, diga-se em defesa), exatamente pelo pioneirismo na Administração.

1.1.2 Ford e a linha de montagem

Após a exposição dos trabalhos desenvolvidos por Taylor, será fundamental que você conheça as contribuições de Henry Ford (1863-1947) à Administração. Ford foi um dos principais seguidores de Taylor, embora tenha elaborado suas próprias idéias a esse respeito.

Henry Ford, americano, iniciou seus trabalhos como simples mecânico, chegando a engenheiro de uma fábrica. Mais adiante, fundou a Ford Motor Company (1903). Foi ele que instalou a primeira linha de montagem de automóveis, numa época em que os carros eram fabricados de maneira artesanal e por encomenda. Ele tinha como objetivo fabricar carros em série, padronizados e idênticos, em grandes quantidades, usando peças intercambiáveis e preços populares.

Para isso, criou a linha de montagem móvel e os princípios da produção em massa. Desse modo, conseguiu popularizar o automóvel, que era um artigo de alto luxo na sua época.

Agora, vamos detalhar os aspectos e princípios que fundamentam o sistema por ele idealizado, denominado Fordismo. Inicialmente, você deve observar que o sistema de peças intercambiáveis (peças com funcionalidades diversas, atendendo a produtos diferentes) e a real capacidade de consumo em massa foram as condições que precederam o sucesso do Fordismo.

TEMA 1 ABORDAGENS DA ADMINISTRAÃO CLÁSSICA E NEOCLÁSSICA

Na produção em série, padronizam-se o material, os métodos e processos de fabricação.. A mão-de-obra e a engenharia também seguem um padrão. A idéia é: “tudo ao menor custo possível”. Ford implementou essas idéias e, em 1913, fabricava 800 carros por dia, substituindo a mão-de-obra física pela tecnologia e reduzindo as tarefas por operações simples sem esforço.

No quadro abaixo, estão enumerados os aspectos que fundamentam o Fordismo: 1) A condição básica para a produção em massa é a simplicidade. 2) O processo produtivo é planejado, ordenado, contínuo e ritmado. 3) O trabalho é entregue ao trabalhador. O carro era levado ao operário. 4) O operário tem posto fixo e o produto percorre a linha de montagem. 5) As operações são analisadas e divididas em elementos ou tarefas mínimas.

6) Princípio de Intensificação: redução do tempo de produção, usando equipamentos e matéria-prima. O produto vai para o mercado imediatamente.

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