Fisiologia renal

Fisiologia renal

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Faculdade de Medicina da Universidade do Porto

Serviço de Fisiologia

Aula Teórico-Prática FISIOLOGIA RENAL

Texto de Apoio

Dr. Tiago Henriques Coelho Prof. Doutor Adelino Leite Moreira

Fisiologia Renal 2

Funções renais3
Anatomofisiologia renal4
Princípios de formação de urina6
Mecanismos de transporte7
Ultrafiltração glomerular9
Reabsorção de sódio e água14
Regulação da osmolalidade dos fluidos corporais17
Regulação do volume extracelular e da excreção de NaCl2
Regulação do equilíbrio ácido-base26
Desequilíbrios ácido-base30
Regulação do equilíbrio do potássio3
Função dos ureteres e da bexiga36

!"ÍNDICE Doenças renais .........................................................................................................................38

Fisiologia Renal 3

Uma função renal adequada é vital porque os rins contribuem para a manutenção do meio interno e são local da síntese e degradação de moléculas essenciais para o organismo.

1. Funções homeostáticas 1.1 Regulação do volume plasmático e do equilíbrio hidrolítico (importante determinante da pressão sanguínea); 1.2 Regulação da osmolalidade sanguínea;

1.5 Excreção de metabolitos (ex: ureia, ácido úrico, creatinina).

2Funções bioquímicas

2.1 Produção de hormonas: - Eritropoietina (estimula a produção de eritrócitos pela medula óssea);

- Renina (enzima que catalisa a produção de Angiotensina);

- Calcitriol (forma biologicamente activa da vitamina D); 2.2 - Produção de substâncias bioactivas (ex. prostaglandinas, adenosina, endotelina, NO, bradicinina, factor de crescimento epidérmico, factor de crescimento tipo insulina); 2.3 - Síntese de glicose (gluconeogénese), angiotensinogénio e amónia; 2.4 - Metabolismo de algumas substâncias (ex. insulina).

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Os rins são órgãos pares localizados retroperitonealmente, ligados funcionalmente ao organismo pelo hilo, local por onde passam os vasos sanguíneos e linfáticos, os nervos e o ureter (que conduz a urina do rim para a bexiga).

Em corte coronal podemos distinguir duas regiões principais: o córtex (região externa) e a medula (região interna). A medula divide-se em regiões cónicas (pirâmides renais) que terminam na papila (extremidade do cone) que se projecta para a pelve renal.

Os rins recebem, em condições normais, 21% do débito cardíaco, as artérias renais ramificam-se em artérias interlobares, artérias arqueadas, artérias interlobulares, as quais dão origem às arteríolas aferentes. As arteríolas aferentes ramificam-se em capilares que constituem o glomérulo renal; o sangue continua pelas arteríolas eferentes que dão origem aos capilares peritubulares, os quais drenam para veias de calibre crescente. Como os glomérulos só existem no córtex, os vasos que irrigam a medula originam-se das arteríolas eferentes justaglomerulares e designam-se por vasa recta (descendentes e ascendentes). Os linfáticos também se distribuem apenas ao córtex.

A inervação do rim consiste quase exclusivamente de fibras simpáticas eferentes que inervam os vasos e os túbulos renais.

A B

Figura 1 - A: Anatomia renal; B: Estrutura e tipos de nefrónios.

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O nefrónio é a unidade funcional do rim. Cada nefrónio é constituído por um glomérulo e por um túbulo associado, diferenciado em várias porções:

• Cápsula de Bowman - parte mais proximal do túbulo; faz o contacto com os capilares do glomérulo; tem duas lâminas de células epiteliais: lâmina visceral (podócitos) e a lâmina parietal (entre as duas fica o espaço urinário que se continua com o lúmen do túbulo proximal);

• Túbulo proximal - que consiste de uma parte contornada e uma recta;

• Ansa de Henle - com os seus ramos descendente e ascendente (este com um segmento fino e outro grosso); a parte terminal do segmento grosso do ramo ascendente contacta com o pólo vascular glomerular e formam a mácula densa;

• Túbulo contornado distal;

• Ducto colector (resulta da junção de dez túbulos contornados distais).

Existem dois tipos principais de nefrónios:

• Nefrónios corticais - aqueles cujo glomérulo se situa no córtex externo e as ansas de Henle são pequenas (apenas uma pequena parte se situa na medula);

• Nefrónios justaglomerulares - são cerca de 30 a 40% e os seus glomérulos localizam-se no córtex perto da medula; têm ansas de Henle longas que penetram na medula.

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• Ultrafiltração glomerular

A maioria das substâncias do plasma (excepto proteínas e elementos celulares) são filtradas livremente para o espaço de Bowman. A energia necessária para este processo é fornecida pelo trabalho cardíaco.

A filtração é então, um movimento relativamente não selectivo.

A taxa de filtração de uma substância pode ser obtida pela seguinte fórmula:

Filtração = Taxa filtração glomerular x

Concentração plasmática

Figura 2 – Processos de filtração glomerular, reabsorção e secreção tubulares.

• Reabsorção tubular Define-se como o movimento de água e solutos do lúmen tubular para o sangue

(independentemente do mecanismo). Pode-se ser transcelular (através das células a substância absorvida tem de atravessar a membrana apical e a membrana basolateral) ou paracelular (através dos espaços juncionais entre as células). É um processo altamente selectivo e fundamental para algumas substâncias como o Na+,

Cl-, HCO3-, PO42-, Ca2+, Mg2+, glicose, a.a., água, entre outras.

• Secreção Pode ser definida como a movimentação de solutos do sangue para o lúmen tubular ou, de substâncias produzidas nas células tubulares, do interior destas para o lúmen tubular.

É um processo importante para algumas substâncias entre as quais o H+, K+, NH4+.

• Excreção

A excreção de uma determinada substância depende destes 3 processos que se relacionam matematicamente pela seguinte equação:

Taxa excreção urinária = Taxa filtração – Taxa reabsorção + Taxa secreção

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Os mecanismos envolvidos na reabsorção e excreção renais são os mecanismos gerais de transporte de solutos através de membranas celulares e incluem os seguintes:

1. Difusão simples (ureia, CO2, K+, Ca2+) É o resultado do movimento aleatório de partículas dissolvidas que, na presença de uma diferença de concentração química ou de um potencial eléctrico, pode resultar num movimento orientado. É, por definição, passiva do ponto de vista energético. A difusão de iões no epitélio tubular usa a via paracelular.

2. Difusão facilitada (glicose e ureia)

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