1° geração

1° geração

1a. Geração: Indianismo

Essa geração está intimamente relacionada à tentativa de construção de uma nova imagem do homem brasileiro, depois da Independência de 1822. O índio foi promovido representação da nacionalidade, tendo destacadas suas virtudes, num plano mítico e idealizado. O maior representante dessa geração foi Gonçalves Dias. 

CONTEXTO HISTÓRICO

Como construir a identidade literária de um pais?

Essa foi à pergunta feita pelos primeiros românticos brasileiros, inspirados pela proclamação da independência, jovens idealistas começavam a buscar símbolos verdadeiramente brasileiros que pudessem ser contados em versos e poemas. Essa busca começou na chegada da família real ao Brasil.

O Brasil do início do século XIX foi palco de várias transformações que contribuíram de forma decisiva para a formação de uma verdadeira identidade nacional e, conseqüentemente, uma literatura com características mais brasileiras. A chegada da família real portuguesa em 1808 já era um indício de que aquele seria um século de profundas mudanças na estrutura política, econômica e cultural do país. D. João VI, através de medidas importantes visando o desenvolvimento nacional, abriu os portos para comércio com o mundo, o que significava a fácil entrada de novas tendências culturais, principalmente européias. Além disso, criou novas escolas, bibliotecas e museus, e deu incentivo à tipografia, que implicou a impressão de livros, até então feitos em Portugal, e a edição de jornais. O eixo político-econômico-cultural do Brasil sai então de Minas Gerais para ganhar as portas da realeza no Rio de Janeiro, onde nasce um público consistente de leitores principalmente formado de mulheres e jovens estudantes, provenientes da classe burguesa em ascensão.

Enquanto isso, o restante da nação, ainda movido pela estrutura agrária e mão-de-obra escrava, assiste à transição do colonialismo ao império. Era a tão sonhada independência política das correntes de Portugal, numa busca pela liberdade e pelo patriotismo, que iria acolher de braços abertos os ideais românticos.

CARACTERÍSTICAS

No Brasil, o Romantismo desenvolveu-se principalmente nos gêneros romance e poesia. O romance estava em ascensão na Europa e não tardou a fazer sucesso também por aqui. Inúmeros jornais e folhetins traziam em suas páginas as belas traduções de romances europeus de cavalaria ou de amores impossíveis. Logo, toda uma gama de jovens escritores brasileiros interessaram-se pelo gênero e especializaram-se nesse tipo de literatura.

Em termos da temática, o romance brasileiro pode ser dividido em quatro tendências distintas.

O romance urbano, que retrata, muitas vezes de forma crítica, a vida e os costumes da sociedade no Rio de Janeiro. Os enredos, na maioria das vezes, são recheados de amores platônicos e puros, fruto de uma classe social sem problemas financeiros e na maioria dos casos estereotipada. Destacam-se as obras de Joaquim Manuel de Macedo, Manuel Antônio de Almeida e principalmente José de Alencar.

O romance indianista, que focaliza a figura do índio. Enquanto o escritor europeu tinha seus cavaleiros medievais, o brasileiro sentiu a necessidade de resgatar em nosso passado um herói que melhor nos retratasse. Mesmo sendo algumas vezes retratado como se fosse um cavaleiro europeu da idade média, a figura do índio surge de forma imponente, com seus costumes e sua vida selvagem, mas cheia de virtudes. Destacam-se aqui as obras de José de Alencar, principalmente os clássicos Iracema e O Guarani.

O romance regionalista, que concentra-se em outra figura brasileira: o sertanejo. Na insistência nacionalista de buscar as raízes de nossa cultura, a figura do sertanejo, com suas crenças e tradições, fez-se tão exótica quanto à do índio. Dentre os regionalistas, destacam-se, além de José de Alencar, Bernardo Guimarães, Visconde de Taunay e Franklin Távora.

O romance histórico, através do qual os romancistas brasileiros buscaram em nossa história temas que alimentassem os anseios românticos, de modo a acentuar ainda mais o nacionalismo exaltado que respirava a pátria desde a independência. Evidenciam-se Bernardo Guimarães e, mais uma vez, José de Alencar.

A poesia brasileira se desenvolveu no Brasil de uma forma muito criativa e rica em temas e imagens, apesar de muitas vezes não passar de mera influência ou cópia de poetas europeus.

Primeira geração romântica

O índio, verdadeiro ícone da cultura tradicional brasileira, concorre nessa primeira geração de igual para igual com os sentimentos e as emoções dos poetas brasileiros. O nacionalismo exaltado vai também apreciar a beleza e a riqueza de nossas matas. Destacam-se os poetas Gonçalves de Magalhães e principalmente Gonçalves Dias, o nosso melhor poeta indianista

GONÇALVES DIAS 

Antônio Gonçalves Dias nasceu no Maranhão em 1823 e morreu em um naufrágio em 1864. Pode-se dizer que com ele começa a nossa verdadeira poesia romântica e  sua influência se fez sentir fortemente nas segunda e terceira gerações de poetas do Romantismo. Embora seja um dos melhores líricos de nossa literatura, Gonçalves Dias é freqüentemente lembrado como poeta indianista, pois foi o único que conseguiu dar realmente uma dimensão poética ao tema do índio .

Exaltou principalmente o sentimento de honra e a valentia do índio ( em " I-Juca-Pirama" e '' Canção do Tamoio " , por exemplo); cantou seu sentimento amoroso ( " Leito de folhas verdes " ) e escreveu poesias expressivas sobre a destruição provocada pelos colonizadores brancos ( por exemplo, " Canto do Piaga " ; "Deprecação" ).

Como poeta lírico-amoroso, cantou os temas consagrados pelo Romantismo (amor, saudade, tristeza, melancolia  etc.), mas nunca foi levado pelos excessos de sentimentalismo. Nessa linha temática destacamos, entre outros, os poemas: "Se se morre de amor"; "Como? És tu?" ; " Ainda uma vez - adeus !" ; Seus olhos " . Além desses temas , expressou com rara perícia o sentimento da solidão e do exílio ( ver " canção do exílio" )e compôs belíssimas poesias impregnadas de religiosidade sobre a majestade da natureza ( ver " O mar" ; " A noite" ; " A tarde" ) .

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