Fossas Sépticas, Valas de Infiltração e Sumidouros

Resumo: As fossas sépticas têm a função de separar e transformar a matéria sólida contida nas águas de esgoto, descarregando-a no terreno, onde o se completará o tratamento. As valas de infiltração consistem em um sistema de disposição do efluente do tanque séptico, que orienta a sua infiltração no solo e consiste em um conjunto ordenado de caixa de distribuição caixas de inspeção e tubulação perfurada assente sobre camada suporte de pedra britada, e os sumidouros tem a função de poços absorventes, recebendo os efluentes diretamente das fossas sépticas e permitindo sua infiltração no solo.

Palavras-chave: Esgoto, Efluente, Poços.

Fossas Sépticas

Introdução

Quando não há disponibilidade de uma rede de esgoto pública torna-se obrigatório o uso de instalações necessárias para a depuração biológica e bacteriana das águas residuárias. Os despejos lançados sem tratamento propiciam a proliferação de inúmeras doenças. Cerca de 50 tipos de infecções podem ser transmitidas diretamente via excreção humana.

As fossas sépticas são instalações que atenuam a agressividade das águas servidas. Existem vários tipos de fossas, alguns já patenteados. Fisicamente consistem basicamente em uma caixa impermeável onde os esgotos domésticos se depositam As fossas sépticas têm a função de separar e transformar a matéria sólida contida nas águas de esgoto, descarregando-a no terreno, onde o se completará o tratamento. A altura mínima do líquido no interior da fossa para garantir a ação neutralizante das bactérias é de cerca de 1,20 m.

Fossa Séptica: Funcionamento

Nas fossas, as águas servidas sofrem a ação de bactérias anaeróbicas, ou seja, microorganismos que só atuam sem a presença de oxigênio. Durante a ação desses microorganismos (em grande parte presentes nos próprios resíduos lançados), parte da matéria orgânica sólida é convertida em gases ou em substâncias solúveis, que dissolvidas no líquido contido na fossa, são esgotadas e lançadas no terreno.

Ao longo do processo, depositam-se no fundo da fossa, as partículas minerais sólidas (lodo) e forma-se na superfície do líquido uma camada de espuma ou crosta constituída de substâncias insolúveis e mais leves que contribui para evitar a circulação do ar, facilitando a ação das bactérias. Como resultado há a destruição total ou parcial de organismos patogênicos.

Modelo Fossa Séptica-Em corte

Modelo Fossa Séptica-Em planta

Localização e Distancia Mínimas

As fossas sépticas devem ser localizadas o mais próximo possível do banheiro, com tubulação a mais reta possível, e distanciada no mínimo a 15m abaixo de qualquer manancial de água (poço, cisterna, etc.) As fossas sépticas devem observar as seguintes distâncias horizontais mínimas:

a)1,50m de construções, limites de terreno, sumidouro, valas de infiltração e ramal predial de água;

b) 3,0m de árvores e de qualquer ponto de rede pública de abastecimento de água;

c) 15,0m de poços freáticos e de corpos de água de qualquer natureza.

O sistema de fossas sépticas deve preservar a qualidade das águas superficiais e subterrâneas, mediante estrita observância das prescrições da NBR 7229/1993: Projeto, construção e operação de sistemas de tanques sépticos.

Modelo de forma interna de uma fossa séptica

Esquema de fossa com especificação das espessuras das paredes e ferragem da laje de cobertura

Dimensões ideais

Para estipular as dimensões da fossa, é necessário o cálculo do volume útil total ( que será apresentando nos itens seguintes).

Entretanto, para um pré-dimensionamento, pode-se utilizar uma tabela de dimensionamento prático. Entrando com o número de pessoas, têm-se as dimensões e a capacidade da fossa, em litros, equivalente ao volume útil.

Considerações de Uso das Fossas Sépticas

São encaminhados às fossas todos os despejos domésticos oriundos de cozinhas, lavanderias domiciliares, chuveiros, lavatórios, bacias sanitárias, bidês, banheiras, mictórios e ralos de piso. Os despejos da cozinha devem passar por caixas de gordura antes de serem lançados às fossas sépticas. Águas pluviais não devem ser lançadas.

Aberturas de inspeção

As aberturas de inspeção dos tanques sépticos devem ter número e disposição tais que permitam a remoção do lodo e da escuma acumulados, assim como a desobstrução dos dispositivos internos. As seguintes relações de distribuição e medidas devem ser observadas:

a) todo tanque deve ter pelo menos uma abertura com a menor dimensão igual ou superior a 0,60m, que permita acesso direto ao dispositivo de entrada do tanque.

b) o máximo raio de abrangência horizontal, admissível para efeito de limpeza, é de 1,50m, a partir do qual nova abertura deve ser necessária.

c) a menor dimensão das demais aberturas, que não a primeira, deve ser igual ou superir a 0,20m.

d) os tanques executados com lajes removíveis em segmentos não necessitam de aberturas de inspeção, desde que as peças que as substituam tenham área igual ou inferior a 0,50 m².

e) os tanques prismáticos retangulares de câmaras múltiplas devem ter pelo menos uma abertura por câmara.

Após passar pela fossa, o efluente líquido, isento de materiais sedimentáveis e flutuantes (retidos na fossa) deve ser disposto de alguma forma no meio ambiente Entre os processos eficientes e econômicos de disposição do efluente líquido das fossas estão:

- diluição (corpo d’água receptor)

- sumidouro

- vala de infiltração

- vala de infiltração e filtro de areia

Para escolha do processo mais adequado devem ser considerados:

*Natureza e utilização do solo;

*Profundidade do lençol freático;

*Grau de permeabilidade do solo Utilização e localização da fonte de água de subsolo, utilizada para consumo humano;

*Volume e taxa de renovação das águas de superfície;

Valas de infiltração: Conceito e aplicação

As valas de infiltração consistem em um sistema de disposição composto por um conjunto de canalizações assentado a uma profundidade racionalmente fixada, em um solo cujas características permitam a absorção do esgoto efluente da fossa séptica conectada ao sistema.

A percolação do líquido através do solo permitirá a mineralização dos esgotos, antes que o mesmo se transforme em fonte de contaminação das águas subterrâneas e de superfície que se deseja proteger.

As tubulações podem ser de manilhas de grés cerâmicas, com juntas abertas, tubos porosos ou tubulações de PVC para drenagem. A região onde estão assentadas as canalizações de infiltração é denominada campo de nitrificação.

Esquema valas de infiltração

Aspectos Construtivos

A área de absorção necessária (comprimento das valas e largura do fundo das valas) depende das características do solo, que são obtidas em função dos testes de infiltração realizados de maneira análoga ao apresentado para sumidouro. Recomendações:

• todas as linhas devem, preferivelmente, ter o mesmo comprimento.

• para permitir uma boa ventilação, as linhas podem terminar em pequenos poços rasos (90 cm de diâmetro), preferivelmente cheios de carvão ou cascalho.

•Com o fim de evitar intromissão de raízes nas canalizações e dados disso decorrentes deve-se evitar a proximidade de árvores

•O crescimento de gramas no campo de nitrificação auxilia a absorção do líquido efluente, pela transpiração;

Sumidouros

Os sumidouros consistem em escavações, cilíndricas ou prismáticas, tendo as paredes revestidas por tijolos, pedras ou outros materiais. A disposição desses materiais deve ser tal que permita fácil infiltração do líquido no terreno. Tem a função de poços absorventes, recebendo os efluentes diretamente das fossas sépticas e permitindo sua infiltração no solo, possuem vida útil longa, devido à facilidade de infiltração do líquido praticamente isento dos sólidos causadores da colmatação.

Os sumidouros devem preservar a qualidade das águas superficiais e subterrâneas, mediante estrita observância das prescrições da NBR 7229/1993: Projeto, construção e operação de sistemas de tanques sépticos.

A norma NBR 7229/1993 prevê três tipos básicos de sumidouros:

*Cilíndricos sem enchimento

*Cilíndricos com enchimento

*Prismáticos

Esquema para sumidouros cilíndricos: com/sem enchimento

As dimensões dos sumidouros são determinadas em função da capacidade de absorção do terreno, calculada segundo prescritos no item: B-9-Determinação da capacidade de absorção do solo da norma NBR-7229/1993.

Recomenda-se como volume útil mínimo do sumidouro, o volume útil da fossa séptica contribuinte. Apesar de a norma considerar o fundo e as paredes como área de infiltração (A), como segurança, o projetista poderá contabilizar apenas a área lateral, desprezando a infiltração pelo fundo do sumidouro devido à colmatação.

A escolha entre a utilização de valas de infiltração ou sumidouros deve levar em conta o nível do lençol freático. É prudente que o fundo da vala ou do sumidouro esteja no mínimo a 1,50 m acima do nível máximo do lençol freático

Esquema do sistema integrado, fossa séptica + sumidouro

Referencias Bibliográficas

CREDER, Hélio. Instalações Hidráulicas e Sanitárias. LTC . 6ª Edição.Rio de Janeiro.2006.

JORDÃO, Eduardo Pacheco & PESSÔA, Constantino Arruda. Tratamento de Esgotos Domésticos. ABES. 3ª Edição. Rio de Janeiro

1995.

NBR 7229/1993- Projeto, construção e operação de sistemas de Tanques sépticos.

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