como fazer um relatorio

como fazer um relatorio

(Parte 1 de 3)

Apendice A Como elaborar um relatorio

Depois de ter feito uma experiencia ou pesquisa, voce vai querer convencer outras pessoas das suas conclusoes. O seu exito vai depender de seu talento de comunicar-se e escrever. Uma voz propria e imprescindıvel para nao entediar o leitor. Por outro lado, e necessario seguir certos formatos padronizados para facilitar a compreensao do leitor.

Um bom relatorio depende de uma boa tomada de dados. Procure organizar-se de maneira a anotar durante a pratica todas as informacoes relevantes de uma forma inteligıvel posteriormente. Use um caderno apropriado para essas anotacoes, ao inves de usar folhas avulsas.

No relatorio descreva nas suas palavras a experiencia efetuada, justifique o procedimento escolhido, apresente e discuta os dados medidos, e, finalmente, tire conclusoes. O relatorio relata o que voce fez, o que aconteceu naquela tarde ou naquela noite. No seu caderno de laboratorio anote os dados ”brutos”, que servem de fonte primaria para as analises posteriores. Nao e necessario incluir todas as analises ou transformacoes dos seus dados explicitamente no relatorio, que deve ser uma apresentacao polida e lucida, em apoio as suas conclusoes. Mas, o seu publico tem que ter a confianca de que voce tratou os dados originais de forma honesta e correta.

Neste curso, nem sempre vamos fazer relatorios completos. Apos os experimentos, pediremos uma copia dos seus dados brutos, eventuais analises e contas que fez, e o relatorio (parcial) propriamente dito. Mencionaremos qual parte do relatorio sera cobrada. Na maioria das experiencias, vamos dar enfase apenas a apresentacao e analise dos dados, e a conclusao.

Para organizar um relatorio completo, este e dividido em varias partes. Uma divisao usual seria:

Introducao Resumo teorico para situar a experiencia. Exposicao dos conceitos teoricos que vai usar. Referencias a literatura pertinente (Livros texto, livros de referencia, internet, etc.)

Objetivos Descricao sucinta do que se pretende obter da experiencia. Equipamento Descricao do equipamento e/ou diagrama do arranjo experimental.

Procedimento Experimental Descricao do procedimento seguido em aula. Isto e, descrever o que voce fez, nao necessariamente o procedimento proposto, justificando e discutindo a escolha. Avaliacao ou estimativa dos erros nos dados devido aos aparelhos e procedimentos usados.

Dados Experimentais e Analise Apresentacao dos dados coletados, atraves de tabelas, graficos etc. Tratamento dos dados brutos (usando algum modelo teorico), chegando a valores finais, junto com a avaliacao final do erro. Nao e necessario e nem deve ser indicada cada conta efetuada. Mas, deve ficar claro como chegou ao resultado.

Conclusoes Discussao dos resultados obtidos. Sempre que possıvel, comparar os resultados com os conhecidos ou esperados teoricamente. Se usou varios metodos, comparar os metodos.

Para experiencias simples, os itens Introducao e Objetivos podem muito bem ser tratados em uma unica secao. Da mesma maneira, poderia juntar a descricao do equipamento

2 Como elaborar um relatorio com o procedimento experimental. Em todos os itens, pode e deve se referir aos livros texto, a sites na internet e a esta apostila. Por um lado e bom que o relatorio seja completo, e que pode ser lido sem consultar outros textos, mas, por outro lado, nao queremos repetir simplesmente o que ja esta escrito na apostila. Repetindo o que falamos acima, neste curso somente vamos fazer parte de um relatorio completo. Mais alguns detalhes para se lembrar durante a confeccao do relatorio:

• Usar unidades para cada numero que apresenta.

• Avaliacao das incertezas nas suas medidas (e, se for o caso, propagar os erros nos resultados finais).

• Apresentar os seus resultados com um numero de algarismos compatıvel com a incerteza avaliada. Nos graficos, apresentar os seus numeros com barras de erro.

• Usar legendas das figuras com uma descricao sucinta o que esta sendo apresentado e/ou o que estes resultados significam.

• Numerar as figuras e graficos e se referir neles no texto.

• Mencionar a data da realizacao da experiencia.

• Atribuicao: se usar textos ou figuras de outras fontes (a guia das experiencias, internet, livros, artigos, relatorios de colegas...), deixe isto claro (“aspas”), e de a referencia! Usar palavras ou imagens que nao sao suas sem atribuicao e inaceitavel.

Para um texto bastante sensato sobre a confeccao de relatorios, recomendamos http: //members.tripod.com/∼collatio/regeq/relat.htm.

Apendice B Plagio

A experiencia mostra que existe a possibilidade de um descompasso entre a percepcao dos professores a respeito de plagio e atribuicao, e a dos nossos alunos. Nao custa explicitar as nossas normas de conduta academica. Em resumo: ninguem deve assumir a autoria de trabalho que nao seja seu.

Para comecar, e bom ressaltar a importancia de atribuicao de creditos ao autor, sobretudo no mundo academico. No mundo real, reputacao e reconhecimento sao conferidos por meio de dinheiro e salarios. No mundo academico a remuneracao financeira e mais igualitaria, de uma maneira geral, e outras formas de reconhecimento, conferidas por meio de referencia e citacoes, se tornam muito mais importantes. Isto explica porque cientistas sao extremamente sensıveis no que diz respeito a questoes de prioridade. Plagio, neste universo, e um crime gravıssimo.

Ora, nao existem normas absolutas que determinem com rigor o que e e o que nao e plagio. E uma escala ou espectro contınuo. Cultura, de uma maneira geral, sempre e baseada no trabalho dos predecessores. O proprio Newton, que nao era nada modesto, e estava envolvido em varias disputas de prioridade, criou a frase famosa sobre ombros e gigantes. O crıtico literario Harold Bloom escreveu que “Strong poets misread one another in order to clear imaginative space for themselves and their work” (1973, The Anxiety of Influence).

Todo mundo esta imerso num ambiente cultural, e o fato e que a maioria das pessoas nao ve qualquer problema em permitir que seu trabalho seja utilizado, desde que lhe seja atribuıdo o credito. Admitindo entao que ha tons de cinza no contınuo entre o Bem o e o Mal, continua sendo verdade que copiar figuras ou texto, e dizer que sao seus, e um comportamento que esta no lado errado.

As vezes, diz-se que nestes tempos modernos de internet as normas mudaram. Viverıamos numa era de “rip, mix, burn”. Pode ser verdade, mas nao e relevante. E claro que o acesso a informacao e a maneira de usa-la mudou (para algumas pessoas), e o fato de que podemos compartilhar as nossas ideias facilmente e motivo de comemoracao. Mas isto nao altera os criterios basicos sobre o que e honestidade. Fazer de conta que escreveu uma frase que na realidade nao escreveu e mentir. E muito simples.

A relacao entre o aluno e o professor deve ser baseada em confianca. O professor nao pode ser visto como um obstaculo no caminho da formatura. Se a situacao for esta, seria melhor fechar as portas e brincar de outra coisa. Felizmente, tenho certeza que a grande maioria dos nossos alunos tem intencoes boas e que qualquer deslize resulta da mera falta de informacao, uma coisa que este texto procura remediar. (com contribuicoes de Daisy de Brito Rezend e Carla da Costa Guimaraes).

Apendice C Graficos

Neste apendice, veremos regras para produzir graficos que representem bem os dados e que se conformem a convencoes profissionais.

C.1 Introducao

Nas atividades experimentais, muitas vezes, precisamos estudar como uma propriedade ou quantidade depende ou varia com relacao a outra propriedade ou quantidade. Por exemplo, para medir do que um determinado carro e capaz, medimos a velocidade em funcao do tempo. Suponhamos que os resultados sao

O grafico desses dados (Figura C.1) permite visualizar imediatamente o comportamento da velocidade em relacao ao tempo. Uma imagem vale mil palavras, e um grafico e uma maneira muito eficiente de resumir e apresentar os seus dados. E importante que o grafico se conforme a certas convencoes ou regras que todo mundo conhece. Assim outras pessoas podem interpretar os seus resultados imediatamente. Em seguida vamos apresentar as regras para produzir graficos em um formato profissional.

C.2 Regras praticas para construcao de graficos

Conforme o exemplo da Figura C.1, um grafico contem os seguintes elementos: 1. Eixos com nome da variavel representada, escala e unidade.

2. Os dados e, se apropriado, as barras de erro. 3. Legenda e tıtulo.

Os eixos

Cada um dos eixos deve conter o nome (ou sımbolo) da variavel representada, a escala de leitura e a unidade correspondente. Escolha uma escala conveniente para a qual o grafico represente bem o intervalo medido para cada variavel. A regra pratica para esta definicao e dividir a faixa de variacao de cada variavel pelo numero de divisoes principais disponıveis. Toma-se entao um arredondamento a valor superior e de facil leitura. Estes valores de facil leitura sao: 1, 2 ou 5 unidades ou qualquer multiplo ou submultiplo de 10 delas. Por exemplo, no papel milimetrado, se a faixa de variacao dos dados for de 35 unidades e o numero de cm disponıveis for de 10 cm, chegamos ao valor ideal de 5 unidades para cada divisao do grafico. No caso da Figura C.1, a variavel tempo varia 35 s e temos mais ou menos 10 divisoes principais, o que daria 3,5 s por divisao, o que nao e conveniente. Portanto escolhemos 5 s por divisao. Da mesma maneira foi escolhido 20 km/h por divisao no eixo y. As escalas dos eixos nao precisam comecar na origem (zero, zero). Elas devem

C.2. Regras praticas para construcao de graficos 5

Figura C.1: Velocidade de um automovel acelerando.

abranger a faixa de variacao que voce quer representar. E conveniente que os limites da escala correspondam a um numero inteiro de divisoes principais. Indique os valores correspondentes as divisoes principais abaixo do eixo-x e a esquerda do eixo-y usando numeros grandes. As unidades devem ser escolhidas de maneira a minimizar o numero de dıgitos nos valores que indicam o valor da divisao principal. Uma regra pratica e tentar usar no maximo tres dıgitos nestes valores, fazendo uso de potencias de 10 na expressao das unidades para completar a informacao. Ao tracar os eixos no papel milimetrado, nao use a escala marcada no papel pelo fabricante. E voce que define a sua escala, baseando-se nos seus dados. Tambem nao use os eixos nas margens do papel. Desenhe os seus proprios, porque voce precisara de espaco para a identificacao das variaveis e para a legenda (item 3). Por fim, abaixo ou a esquerda dos numeros da escala, conforme o caso, escreva o nome (ou sımbolo) da variavel correspondente e a unidade para leitura entre parenteses (km, 105N/cm2, etc.).

Os dados

Assinale no grafico a posicao dos pontos experimentais: use marcas bem visıveis (em geral cırculos pequenos). Nunca indique as coordenadas dos pontos graficados no eixo. Coloque barras de erros nos pontos se for o caso. Se os erros sao menores que o tamanho dos pontos, indique isso na legenda. As vezes ajuda a visualizacao tracar a melhor curva media dos pontos, ignorando alguns pontos que fogem demasiadamente do comportamento medio. Em outras palavras, pode-se dizer que a curva media deve ser tracada de maneira a minimizar os deslocamentos da curva em relacao aos pontos experimentais ao longo do tracado. Use o seu juızo. Nao e correto simplesmente ligar os pontos experimentais.

A legenda e o tıtulo

Todo grafico deve ter um tıtulo, pelo qual e referido no texto (Figura C.1, no nosso exemplo). Geralmente, o tıtulo do grafico e colocado na legenda, abaixo do grafico. A legenda deve conter tambem uma descricao sucinta do que e apresentado no grafico. Note que uma

6 Graficos legenda tipo ”velocidade vs tempo”e redundante, pois esta informacao ja esta contida nos rotulos dos eixos.

Na Figura C.2, ilustramos os erros mais comuns, que devem ser evitados na construcao de graficos.

Figura C.2: Ilustracao dos erros mais comuns que devem ser evitados na construcao de graficos.

Apendice D Derivadas e Linearizacao

D.1 Introducao

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