Hpv e o câncer de colo uterino: conhecimento da população feminina

Hpv e o câncer de colo uterino: conhecimento da população feminina

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HPV E O CÂNCER DE COLO UTERINO: CONHECIMENTO DA POPULAÇÃO FEMININA1

CONCEIÇÃO, Lucineide Moreira Silva da2

MACIEL, Karine Vieira3 LOPES, Vera Lúcia Ferreira4

O câncer do colo do útero é uma infecção progressiva iniciada com transformações intraepiteliais que podem evoluir para um processo invasor num período que varia de 10 a 20 anos. Nesse processo, vários estudos demonstram que alguns tipos de HPV estão diretamente relacionados à carcinogênese cervical. O objetivo da pesquisa foi identificar o nível de conhecimento das mulheres a respeito do HPV e sua principal complicação, câncer de colo de útero. Trata-se de uma de pesquisa de campo realizado em uma unidade básica de saúde do Distrito Federal. Foram estudadas 129 mulheres na faixa etária de 18 a 45 anos, em pesquisa realizada por meio da aplicação de questionário, em outubro de 2010, após aprovação pelo comitê de ética da FEPCS/DF. Inferiu-se que os dados sóciodemográficos indicaram baixo nível sócioeconômico. Da amostra, 94 das mulheres conheciam ou já tinham ouvido falar em HPV, no entanto 65,49% não sabiam o que realmente o HPV causa. As mulheres pesquisadas demonstraram baixa adesão ao preservativo, sendo que 73,64% nunca ou somente às vezes utilizam o preservativo em suas relações sexuais, e dessas, 64,34% são casadas ou solteiras com companheiro. Quanto à realização do Papanicolau, a pesquisa revelou que quanto maior a escolaridade maior é a adesão, sendo que 34% não sabiam da finalidade do exame preventivo. Em ralação às praticas educativas, 46% das mulheres pesquisadas mencionaram não terem participado de atividades educativas sobre DST ou Câncer Cervical. Conclui-se que a populaçào investigada apresenta pouco conhecimento a respeito do HPV e sua relação com o Cancer Cervical, portanto identifica-se a necessidade de uma análise mais profunda sobre o tema.

Palavras-chave: HPV. Câncer de Colo Uterino. Conhecimento das Mulheres.

1 Trabalho de Conclusão de Curso apresentado para obtenção do Título de Bacharel em Enfermagem do Centro

Universitário Euroamericano.

2 Acadêmica do curso de graduação em Enfermagem do Centro Universitário Euroamericano. Campus Águas

Claras, DF. E-mail: lumsneide@gmail.com

3 Acadêmica do curso de graduação em Enfermagem do Centro Universitário Euroamericano. Campus Águas

Claras, DF. E-mail: kvmaciel@bol.com.br

4 Enfermeira. Especialista em Saúde Pública pela UnB. Docente do curso de graduação em Enfermagem do

Centro Universitário Euroamericano. Campus Taguatinga, DF. E-mail: ferreiralopes.veralucia@gmail.com

El cáncer de cuello uterino es una enfermedad progresiva que se inició con cambios intraepiteliales y puede convertirse en un procedimiento invasivo en un período de 10 a 20 años. En este proceso, varios estudios muestran que algunos tipos de VPH están directamente relacionados con la carcinogénesis cervical. El objetivo de la investigación fue identificar el nivel de conocimientos de las mujeres sobre el VPH y su principal complicación, el cáncer del cuello uterino. Se trata de una investigación de campo realizada en una unidad básica de salud del Distrito Federal. Se estudió a 129 mujeres de 18-45 años, una encuesta realizada a través de un cuestionario en octubre de 2010, después de la aprobación por el comité de ética de la FEPCS/DF. Infiere que los datos socio-demográficos indican un nivel socioeconómico bajo. De la muestra, 94 mujeres conocían o habían oído hablar del VPH, pero 65.49% no sabía lo que realmente causa el VPH. Las mujeres estudiadas presentaban un bajo nivel de preservativos, y 73.64% nunca o sólo a veces utilizan preservativos en sus relaciones sexuales, de los cuales 64,34% están casados o en pareja. Con respecto al rendimiento de los frotis de Papanicolaou, la encuesta reveló que la educación sea más cuanto mayor sea el número de miembros, y el 34% no tenían conocimiento del propósito de la revisión. Rejas en la educación práctica, el 46% de las mujeres encuestadas dicen que no participaron en actividades educativas sobre enfermedades de transmisión sexual o el cáncer de cuello del útero. Se concluye que la población investigada tiene poco conocimiento sobre el VPH y su relación con el cáncer de cuello uterino, por lo tanto identifica la necesidad de un análisis más profundo sobre el tema.

Palabras clave: VPH. El cáncer de cuello del útero. El conocimiento de la Mujer.

Cancer of the cervix is a progressive infection that started with intraepithelial changes may develop into an invasive procedure over a period ranging from 10 to 20 years. In this process, several studies show that some types of HPV are directly related to cervical carcinogenesis. The research objective was to identify the level of women's knowledge about HPV and its main complication, cancer of the cervix. This is a field research conducted in a basic health unit of the Distrito Federal. We studied 129 women aged 18-45 years, a survey conducted through a questionnaire in October 2010 after approval by the ethics committee of FEPCS/DF. Inferred that the sociodemographic data indicated a low socioeconomic level. Of the sample, 94 women knew or had heard of HPV, but 65.49% did not know what HPV really cause. The women studied showed a low level of condom, and 73.64% never or only sometimes use condoms in their sexual relations, out of which 64.34% are married or with a partner. Regarding performance of Pap smears, the survey revealed that the more education the higher the membership, and 34% were unaware of the purpose of screening. Grating in the practice education, 46% of women surveyed say they did not participate in educational activities on STD or Cervical Cancer. We conclude that the investigated population has little knowledge about HPV and its relationship to cervical cancer, therefore identifies the need for a deeper analysis on the topic.

Keywords: HPV. Cervical Cancer. Knowledge of Women. 1 INTRODUÇÃO

A incidência do câncer cresce no Brasil, como em todo o mundo, num ritmo que acompanha o envelhecimento populacional decorrente do aumento da expectativa de vida. É o resultado direto das grandes transformações globais das últimas décadas, que alteraram a situação de saúde dos povos pela urbanização acelerada, dos novos modos de vida e novos padrões de consumo (INCA, 2004).

Analisando as categorias do estudo, ressalta-se a anatomia do aparelho reprodutor feminino, através de breve revisão. Esse aparelho é composto por estruturas externas e internas. A estrutura da genitália externa inclui os grandes lábios, pequenos lábios, clitóris, meato urinário, orifício vaginal, glândula de Bartholin, hímen, períneo e ânus. As estruturas internas incluem a vagina, o cérvice, o útero e as tubas uterinas. As células dessas estruturas podem sofrer diferenciação causando anomalias.

O câncer origina-se em uma única célula, evento que ocorre devido à ocorrência de mutações em seu DNA.5 A partir do momento em que essas mutações envolvem genes fundamentais, como os envolvidos no controle do ciclo celular, apoptose, reparo do DNA, pode-se desenvolver crescimento celular descontrolado, posteriormente gerando metástase (SPENCE, JOHNSTON, 2001).

Smeltzer e Bare (2005) explicam que o processo de metástase inicia-se com a infiltração das células cancerígenas nos tecidos circunvizinhos e ganham os vasos linfáticos e sanguíneos, onde são transportadas até outras áreas do corpo.

Segundo o INCA (2004), o processo de carcinogênese, ou seja, de formação de câncer, em geral se dá lentamente, podendo levar vários anos para que uma célula cancerosa prolifere e dê origem a um tumor visível.

“O câncer do colo do útero é uma infecção progressiva iniciada com transformações intraepiteliais que podem evoluir para um processo invasor num período que varia de 10 a 20 anos” (BRASIL, 2006). Nesse processo, vários estudos

5 Acido Desoxirribonucleico: material genético primário nos seres humanos, que consiste em bases nitrogenadas, um grupo de açúcar e fosfato combinados em uma dupla hélice (SMELTZER e BARE, 2005).

demonstram que alguns tipos de HPV estão diretamente relacionados à carcinogênese cervical.

É preciso enfocar que o câncer de colo do útero é um problema sério de saúde pública, sendo que no Brasil as estimativas para 2010 são de 18 mil novos casos. Dados estatísticos referem que o Centro Oeste ocupa a segunda posição entre as regiões (20/100.0), perdendo apenas para a região Norte (23/100.0). Somente no Distrito Federal estima-se para o ano de 2010 a incidência de 230 casos de neoplasia cervical. A maioria dos casos de câncer do colo uterino são causados por um dos 13 tipos de HPV atualmente reconhecidos como oncogênicos pela IARC (Agência Internacional para Pesquisa em Câncer) (BRASIL, 2009).

Segundo Pollock et. al. (2006), as porcentagens de casos de câncer do colo uterino atribuídos à infecção por HPV foram estimados em 82% nos países desenvolvidos e em 91 % nos países em desenvolvimento.

Os Papilomavírus humano-HPV estão classificados na família

Papillomaviridae de gênero papilomavírus, logo, é um DNA-vírus, com tropismo por células de mucosas e cutâneas (SOUTO, FALHARI, CRUZ, 2005; BRASIL, 2006;).

A morfologia do vírus HPV se caracteriza por formato icosaédrico, ou seja, possui 20 facetas. No seu interior possui um formato característico de um cromossomo (NOVAES, 2005). Atualmente há mais de 100 tipos de HPV, dentre os quais 20 tem o poder de infectar o trato genital e estão distribuídos de acordo com seu poder oncogênico em alto ou baixo risco (BRASIL, 2006).

Todavia, para Spence e Johnston (2003) e Goldman e Ausiello (2005), os tipos 16 e 18 são os mais relevantes nas lesões de alto grau, enquanto os tipos 6 e 1, são frequentemente isolados nas lesões cervicais benignas.

O poder oncogênico do HPV ocorre por meio de duas proteínas virais, E6 e

E7. Elas são capazes de interagir com proteínas supressoras de tumor que regulam o ciclo celular, como a p53 e pRb, resultando na transformação e morte celular, ocasionando posteriormente a formação da neoplasia. O DNA viral nas lesões pré- malignas e malignas encontram-se integrados ao genoma da célula hospedeira, o que permite a imortalização celular e a oncogênese (GIRALDO et. al., 2008).

O vírus HPV é transmitido pelo contato físico, geralmente sexual. Ao ser transmitido de uma pessoa infectada para a pessoa não infectada, ocorre a inoculação do HPV e este atinge o núcleo celular da camada basal do epitélio pavimentoso estratificado do colo cervical ou até mesmo outro epitélio da genitália, por meio de micro lesões (NOVAES, 2005).

A infecção pelo HPV prevalece principalmente em mulheres mais jovens com vida sexual ativa, diminuindo com a maturidade. No entanto, as mais atingidas com a presença da neoplasia maligna são as mulheres acima de 40 anos (GIRALDO, 2008).

O pico de incidência do Câncer de colo uterino situa-se entre 45 e 5 anos, geralmente, acometendo as pacientes não tratadas por HPV que o adquiriram na adolescência, nas primeiras relações sexuais (PRIMO et. al., 2006).

Linard, Fernandes e Rocha (1999) citam que fatores como a liberação sexual e o uso de métodos contraceptivos contribuem para que as mulheres assumam a sexualidade cada vez mais precoce e de forma livre e desprotegida, gerando o primeiro contato com o vírus. Novaes (2005) afirma que o HPV atinge cerca de 25% das mulheres nos primeiros 10 anos de atividade sexual, sendo que o risco de aquisição em toda a vida é de 80%.

Pollock et. al. (2006) ressaltam que o risco de neoplasia é maior entre mulheres com múltiplos parceiros, na ocorrência de promiscuidade de parceiros e início da atividade sexual precoce. Além desses, outros fatores também elevam o risco de neoplasia como: baixa condição socioeconômica, história reprodutiva, exposição ao tabaco, uso de contraceptivo oral prolongado ou método de barreira, dieta pobre em nutrientes, imunossupressão.

A alta relação do HPV com o câncer de colo uterino e a gravidade desse mal na saúde da mulher não deixa dúvida da importância do rastreamento para câncer cervical, já que esta é a principal estratégia para detecção precoce do tumor cervical, por meio da coleta de material para exame citopatológico. Sabe-se que a detecção precoce concomitante ao tratamento em seus estádios iniciais diminui a incidência de câncer invasor que pode chegar a 90% (BRASIL, 2006).

As primeiras tentativas de implantar ações preventivas contra o câncer de colo uterino começaram no final da década de 1960, foram pequenos os avanços na década de 1970. Na década de 1980 foi implementado pelo Ministério da Saúde o Programa de Atenção Integral à Saúde da Mulher – PAISM, sendo um dos seus objetivos, aumentar a cobertura e a resolutividade dos serviços de saúde na execução das ações preventivas do câncer de colo uterino (BRENNA et. al., 2001).

Em 1997 foi implementado pelo Ministério da Saúde o Programa Nacional de

Controle do Câncer do Colo do Útero e de Câncer de Mama - Viva Mulher - que visa o desenvolvimento de ações dirigidas às mulheres na faixa etária de 25 a 59 anos,com ações prioritárias do diagnóstico precoce, do exame Papanicolau e o tratamento de acordo com cada caso (INCA, 2004). Vale ressaltar que, apesar das ações governamentais de prevenção, as taxas de incidência e mortalidade praticamente não se alteraram (BRASIL, 2006).

O Distrito Federal, por meio da sua rede regionalizada composta por 6

Centros de Saúde, oferece ações de prevenção primária, visando a redução da exposição a fatores de risco, com orientações e fornecimento de preservativos à população, por exemplo, com objetivo de adotar como medida eficaz para evitar a infecção pelo vírus do HPV. Os hospitais especializados e credenciados em câncer - Hospital de Base e Hospital de Apoio compõem essa rede de serviços, ofertando à população serviços de média e alta complexidade, com ações de Radioterapia e Quimioterapia (DISTRITO FEDERAL, 2001).

Em maio de 2010, a secretaria de saúde do Distrito Federal realizou uma campanha de prevenção de câncer do colo do útero, oferecendo 5 mil exames preventivos, o Papanicolau,6 para mulheres na faixa etária de 35 a 49 anos. Além da realização do exame, a campanha teve caráter educativo por meio da sensibilização do público alvo, através de abordagens de grupo antes do exame e divulgação na mídia sobre a importância e o cronograma das atividades no Distrito Federal. Houve ainda a distribuição de preservativos, orientação sobre o sexo seguro e controle do vírus HPV como forma de promover a prevenção primária.

Ressalta-se que essas atividades ainda não foram eficazes no alcance das metas estabelecidas pelo Ministério da Saúde, ou seja, redução em 50% na incidência de carcinoma invasivo até 2011 e de 50% na mortalidade até 2013. Essa dificuldade pode estar relacionada à falta de informação da população feminina acerca da gravidade do HPV.

6Exame realizado para coletar amostras de células do colo uterino afim de detectar alterações citopatológicas (BRASIL, 2006).

Segundo Diógenes, Varela e Barroso (2006), o HPV é ainda desconhecido por grande parte da população em geral. Essa afirmação faz parte de um estudo realizado cuja amostra era de 25 mulheres, que evidenciou o desconhecimento de aspectos importantes da doença e até confundiam com a Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (AIDS).

O interesse em pesquisar este tema advém da experiência das autoras enquanto acadêmicas de enfermagem na realização de consultas no Programa de Controle das Doenças Sexualmente Transmissíveis, vivenciadas em estágio curricular, oportunidade essa que propiciou a assistência às diversas mulheres acometidas pelo HPV. Observou-se que as mesmas apresentaram déficit de conhecimento a respeito do HPV e sua relação com o câncer de colo cervical.

O objetivo geral desse estudo foi identificar o nível de conhecimento das mulheres a respeito do HPV e sua principal complicação, o câncer de colo de útero. Ao longo dessa temática, não se poderia deixar de investigar os objetivos secundários, como apresentar o grau de entendimento das mulheres ao exame preventivo e verificar a frequência do uso do preservativo entre as pesquisadas, visto que essas categorias possuem uma relação direta com o principal descritor do estudo.

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