Fundamentos do Judo

Fundamentos do Judo

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O JUDÔ COMPETITIVO: Uma abordagem questionável. “O princípio fisiológico da competição”, “As peculiaridades técnicas”, “As fases de ensino do Judô atual”.

A popularidade do Judô tornou-se grande em várias partes do mundo, sua participação em competições internacionais e logo depois em eventos como os jogos Asiáticos, Pan-Americanos e Olímpicos, foi tão difundida que passou a ser visto por muitos como igual a todos os outros no ponto de vista de preparação, treinamentos e objetivos pretendidos.

Se na época do Jiu-Jitsu os “Samurais” gozavam os prestígios junto à população local e seus senhores feudais, os “Judocas” que se destacam em competições atualmente têm chances de viajar a várias partes do mundo, como também conseguem bons patrocínios. Conseqüentemente elevam sua posição no contexto social e em alguns casos também financeiramente.

O desenvolvimento do Judô nos meios esportivos de uma forma universal fez com que a iniciação começasse a ter algumas modificações, principalmente em alguns países europeus, como a França, onde foi introduzido o sistema de cores intermediárias nas faixas: amarela, laranja, verde e roxa, para que houvesse maior motivação entre as crianças.

O Japão manteve durante muitos anos a sua hegemonia mundial no Judô e, sendo assim, mantinham seus princípios básicos inalterados, principalmente o primeiro de todos que é “Ceder para Vencer”, onde o mais fraco supera o mais forte aproveitando a força contrária do adversário através de uma técnica mais apurada. Nessa época não havia divisão por peso, portanto só havia um campeão.

Após a vitória do gigante holandês, Anton Gessing (quase dois metros de altura e 139 kg) sobre o campeão japonês Sone, no I Campeonato Mundial de Judô realizado na cidade de Paris em 1961, foram criadas 03 (três) categorias de peso (leve, médio e pesado). Com a repetição da vitória de Gessing em 1964 na Olimpíada de Tóquio e no Rio de Janeiro em 1965 no IV Campeonato Mundial de Judô, a Federação Internacional de Judô, onde quase todos os seus membros eram japoneses, criou mais duas categorias de peso (pena e meio-pesado), totalizando então em cinco categorias de peso.

A partir dessas derrotas para o judoca Ocidental, e com a criação de cinco categorias de peso, o Judô praticado no Japão começou a sofrer mudanças, principalmente no aspecto físico, onde alguns fundamentos técnicos sofreram sensíveis conseqüências. Pode-se citar a “Pegada” (Kumi-kata) como um dos fundamentos que mais sofreu modificações com a evolução dos treinamentos físicos. Antes, os judocas pegavam no Judogui (roupa de treinamento de Judô) do adversário e deixava o oponente pegar também,para então, começar a lutar; atualmente existe a “Disputa de Pegadas” onde um procura fazer a sua pegada e evitar ao máximo a do seu adversário que pode ser decisiva num combate.

A mudança aconteceu em 1974, quando o Judô sofreu uma profunda modificação em suas regras, sendo a mais importante a criação de vantagens intermediárias (koka e yuko).

Com todas essas mudanças o Judô não podia ser visto como esporte dominado apenas pelos japoneses, mas sim como modalidade esportiva universal, em que conceitos didáticos pedagógicos de culturas orientais começavam a fazer parte das aulas, principalmente na faixa etária infantil

“O Princípio Fisiológico da Competição” também mudou com o passar dos anos. Até a década de 50, o competidor, quando entrava no “Shiai-Jo” (área de competição), tinha a sua mente e seu espírito preparados como se fosse combater até a “Morte”, ou seja, a luta tinha um significado ainda muito ligado aos campos de batalha de seus ancestrais lutadores de Jiu-Jitsu, os Samurais.

A partir da década de 60, o judoca passa a entrar no Shiai-Jo para participar de uma competição esportiva, onde irá procurar a vitória com todas as suas forças de determinação, porém, aceitará o resultado, procurando fazer dele, qualquer que seja um elemento para refletir e melhorar cada vez mais sua técnica e sua “Postura” como cidadão e adepto da nobre arte.

etc

A competição deve ser vista como fator para alcançar aos objetivos educacionais propostos e não como “Fim”. Daí a importância do técnico ser acima de tudo um “EDUCADOR”, pois, ninguém entra numa competição para perder mesmo que esta seja de uma forma lúdica ou amistosa. Mas, dependendo do esforço, do gosto crescente pela vitória e das recompensas que delas advêm, pode-se facilmente pender para a busca da vitória a qualquer preço, surgindo então casos de desonestidade, violência, dopping,

A competição é um elemento que pode alterar todo esquema de aula, de acordo com a visão que o professor (técnico) tenha de como atuar seus alunos nestas participações.

A prática do Judô mudou bastante em função de toda a modernização dos esportes de uma maneira geral. Já não existe nada o que seja somente uma determinada modalidade esportiva, a não ser em suas “Peculiaridades Técnicas e Físicas”. Em função disso, não se deve tirar como exemplo para as aulas de hoje o que fazia os antigos mestres “de Judô há 30 ou 40 anos atrás, quando as aulas eram exatamente como se fazia no Japão, incluindo os hábitos, costumes e cultura.

Fase Inicial: O Judô em sua fase inicial não deve ser visto como um esporte de competição, em que a “Performance é a marca registrada”. Em sua primeira fase, o ensino deverá visar à consciência social sobre a importância da prática espontânea e regular onde a participação e a interação é o que mais importa no momento. EDUCAÇÃO INFANTIL.

Segunda Fase: Em sua segunda fase, o Judô deve ser visto como um esporte de

“Formação”, não havendo portanto a cobrança na formação de campeões. O objetivo principal é contribuir de forma decisiva na criação (formação) de cidadãos úteis à sociedade. ENSINO FUNDAMENTAL.

Terceira Fase: Somente na terceira fase é que o Judô deverá ser trabalhado como esporte de competição, cobrado de forma gradual, observando os vários estágios na posição de atleta conforme faixa etária compatível com a cobrança do técnico, dirigente e país.ENSINO MÉDIO EM DIANTE.

É o Judô espetáculo; onde é cobrada a performance, o “Alto Rendimento” ocasião em que ocorre a violência, o suborno, o dopping, contrariando e quebrando todas regras e tradições. Nesse aspecto, o professor deve ser uma pessoa voltada para os princípios éticos de sua profissão, não se deixando influenciar pela máquina de um sistema que não é o que ele sempre acreditou e procurou para seus alunos. ENSINO MÉDIO E SUPERIOR.

Origem das Lutas: Índia Data estimada: 2.500 anos Praticantes: Monges Budistas. Objetivo:

Difusão da Fé e melhoria da qualidade física junto com a espiritual. Pontos principais de sua criação:

Proibição da utilização de armas por Buda.

Eram freqüentemente atacados e saqueados em suas peregrinações;

Necessidade de ter uma melhoria na sua qualidade de vida juntamente com a espiritual.

Característica principal

A partir de suas necessidades começaram a estudar anatomia humana onde desenvolveram o domínio na aplicação das técnicas nos pontos vitais e nas articulações gerando uma mistura técnica nos pontos vitais e nas articulações gerando uma mistura de difusão religiosa e artes marciais.

JU (JIU) – Suave

JITSU – Técnica

JU-JUTSU (JIU-JITSU) – Técnica suave

TAKANOGAWI (Takanovi)

O mais antigo manuscrito japonês retrata dados de 250 A.c, na qual os

Deuses Kashima e Kadori mantinham poderes sobre seus súditos graças a suas habilidades de ataque e defesa.

Antiga crônica japonesa, escrita por ordem imperial no ano de 720 de nossa era, menciona a existência de certos golpes de habilidades destrezas, não apenas utilizados em combates corporais mais também, uma historia mitológica na qual um de seus competidores, agarrasse o adversário pelas mãos como complemento da força física, espiritual, e mental, relatando, e o jogasse sobre o solo, como se lançasse uma folha.

O mais antigo de relato sobre um combate corporal ocorreu em 230 A.C, na presença do imperador Suinim.Onde Tayma No Kuemaya foi rapidamente nocauteado por um curto combate sem armas de nome Nomi Sukumi.Naquele tempo não havia regras de combates padronizados. As lutas poderiam desenvolver-se até a morte de um dos lutadores.

Obs: As técnicas de ataque e defesa utilizadas guardam muita semelhança com os golpes de Sumo e do antigo Jiu-Jitsu.

Conta a historia que certa vez Takenushi se exercitava atacando, sem cessar, uma arvore, tentando descobrir uma maneira que possibilitasse um ataque mais rápido e forte, portanto deslocava-se de várias maneiras.

Por fim, exausto, adormeceu aos pés da arvore, então sonhou com um monge que aconselhou que diminuísse o tamanho da vara (shinai ou espada de bambu) para ganhar rapidez e precisão, além de ensinar como se deslocar mais facilmente aproveitando o erro dos adversários, e por fim ensinou-lhe cinco formas de imobilizar o oponente.

A primeira e datada em 1650 por Chin Gen Pin (Chinês) elaborou golpes chamados de “TES” (Técnicas de Jiu-Jitsu) que tinham como objetivo de matar ou ferir gravemente o adversário antes de mutilá-lo.

A segunda versão, conta a lenda do “Carvalho e do salgueiro”. Na china, perto de Nagazaki, vivia um medico filosofo de nome Shirobeo Akyama.Certo dia passeava pelo jardim do templo durante uma imensa nevada. Escutava o ruído dos ramos do carvalho que se quebravam com o peso da neve.Então viu como o ramos de um salgueiro, na margem do riacho tombava sob o peso da neve,e , assim se livravam de sua carga e voltavam a sua posição original, concluindo que contra a força tem-se que reagir com a flexibilidade,ceder para vencer.

TOKUGAWAS: Família de imperadores que controlam tudo e todos.Tinham o controle do governo, da educação, e das classes sociais.Naquele tempo, a sociedade foi dividida em:

SAMURAIS: Tinham prestigio, ocupavam os grandes cargos, eram os oficiais do governo donos de riquezas ou apenas prestigio e regalias que o cargo lhes proporcionava.Peritos em arte marciais utilizavam a técnica do arco e flecha e das espadas.Era a única classe que podia fazer uso das “Duas Espadas” a espada longa (Daitôo) e a espada curta (Shôotôo).

AGRICULTORES: Eram os responsáveis pela alimentação (colheita), representavam o povo em seu sentido global. Era classe mais explorada, pois tinha que entregar grande parte da colheita para os senhores feudais.

ARTESÃOS : Formadas pelos carpinteiros e construtores.Tudo era competência dessa classe.Desde casas, castelos, templos e pontes ate armas em geral.

COMERCIANTES : Era classe mais desprezada.Faziam o papel real de comerciantes.Às vezes conseguiam ascensão e atingir uma posição de respeito devido a riqueza que conseguiam acumular.

Os combates, ou melhor, as batalhas de exércitos até então, aconteciam com arco e flecha, katanas (espadas) e combates corporais.Surgiu a era da paz, e com ela, o fim dos exércitos provinciais.Como conseqüência os samurais ficaram desempregados, tornando-se andarilhos pelo país devido à nova sociedade baseada no cavalheirismo e na fidalguia.Essa peregrinação consistia na obstinação aos antigos ideais, ou seja, devoção às artes militares.

consiste em:

Os samurais eram fieis ao BUSHIDÔ (O CAMINHO DO GUERREIRO) que

Disciplina do treinamento do corpo e do espírito;

1. Caráter e verdade; 2. Defesa do fraco contra o forte; 3. Lutar, viver e morrer com honra.

Também devido ao aperfeiçoamento da pólvora, e o surgimento das armas de fogo os samurais ornaram-se resistentes ao progresso tentando preservar aos valores tradicionais.

A ocidentalização proporcionou a difusão de novas praticas físicodesportivas, nesse período, o jiu-jitsu entre outras artes ficou um pouco esquecido.Com a diminuição “Febre Ocidental” o jiu-jitsu retorna.Desta vez, introduzido na Universidade de Tóquio por intermédio do Profº de medicina Dr. Baelz.Porém, não se estabelecendo de devido a falta de embasamento pedagógico e objetivo educacional.

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