salinidade do solo

salinidade do solo

Introdução

Vários factores podem afectar o mau cultivo ou desempenho de uma cultura num dado campo, desde os quais factores bióticos e abióticos. No que concerne aos bióticos, encontramos neste grupo as doenças e pragas (pestes) que causam danos e injurias significativas num campo onde esta implatada uma dada cultura. Já nos factores abióticos podemos encontrar aspectos ligados ao solo, clima, entre outros.

No que diz respeito aos solos, este é um grande problema principalmente em países em via de desenvolvimento como o nosso caso, pois na sua maioria os mesmos precisam de uma correção devido ao seu estado. Esta, geralmente ligada a água, isto é, a quantidade de água que se perde deve ser igual a que se ganha equilibrando de tal modo a quantidade de água no solo. Na perda de água, vários minerais se acumulam e quando não se repõe a água estes acumulam. Estes acúmulos podem ser ácidas (originando solos Acidos), noutros casos Sais (originando solos salinos) e em associação dos dois caso podemos encontrar os solos intermediários.

Neste trabalho vamos intensificar o conhecimento sobre sais que de alguma maneira alteram o estado normal do solo, tronando Salinos.

Salinidade do solo

É o índice atingido após um grau acentuado da salinização de um solo. O que pode levar a salinização de um solo são vários factores naturais ou ainda com a intervenção humana. Diferente do que muitos pensam, a salinização não ocorre somente em áreas próximas ao mar, pode ocorrer em zonas de clima semi-áridas ou sub-úmidas e em regiões desérticas, ou seja em zonas que a concentração de chuvas for muito baixa e localizada em algumas semanas do ano, zonas que apresentava mares internos, que com o passar dos anos se evaporaram, ficando somente o sal na superfície do solo (Australia) e zonas que utilizam água para irrigação com alta concentração de sais.

De referir que este processo também pode ocorrer em locais onde a precipitação pluviométrica seja normal, mas os solos se apresentam compactados e como conseqüência os sais não podem ser lixiviados pela água, por não permitirem a infiltração da mesma, insolação é insuficiente para aquecer o solo e provocar a evaporação. Como prova disto podemos encontrar solos salinos até no circulo polar ártico. (PRIMAVESI 2000)

Conceito

Salinidade do solo é o termo utilizado para se designar o processo de acúmulo de sais na camada superficial do solo, sendo estes prejudiciais para as culturas que nele crescem, tanto cultivadas como nativas.

Os principais íons que podem formar sais são Ca, Na, Mg, K etc

Alguns factores podem acelerar este processo dos quais destacam-se os seguintes:

  • A irrigação e drenagem mal feita (áreas maiores que a capacidade de seus recursos hídrico e mecânicos);

  • Destruição da vegetação nativa e o uso de fertilizantes mal dosados;

  • O mar ou agua do mar que entra no rio atingindo o lencol de agua;

  • Mono cultura, levando a bioestrutura decaída e sua posterior salinização;

  • Nível do lençol freático está muito superficial, dificultando a drenagem destes solos;

  • Manejo inadequado do solo e da água.(PRIMAVESI 2000)

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Processo pedogênico de formação de solos salinos

O solo como um sistema aberto, é dinâmico e está em constante interação com a atmosfera, hidrosfera, biosfera e litosfera. Dependendo da intensidade como atuam estes fatores, os solos podem apresentar características diferenciadas, que definem as suas potencialidades de exploração pelo homem.

A gênese de solos salinos (halomóficos) está associada grandemente com a formação geológica predominante na paisagem, e com a drenagem. O homem, como eterno modificador de ambientes, contribui decisivamente para acelerar ou diminuir o processo.

Durante o processo de intemperização das rochas, dependendo da geomorfologia da região, os sais podem ser carreados para horizontes inferiores através da percolação ou levados a lugares distantes por escoamento superficial. No primeiro caso, os sais são depositados nas águas sub-superficiais podendo, por capilaridade, acumular-se na superfície do solo a medida em que a água for evaporada ou consumida pela planta, e o segundo fenômeno é responsável pela deposição e acumulação de sais em rios, mares, açudes. Em regiões úmidas e por se tratar de zonas de elevada precipitação, os sais são lixiviados até o lençol freático ou eliminados através de águas superficiais, com maior freqüência .

Embora a fonte principal e directa de todos os sais presentes no solo seja a intemperização das rochas (Richards, 1954) são raros os exemplos em que estas fontes de sais tenham provocado diretamente problemas relacionados com a salinidade do solo. A salinização do solo por este fenômeno é denominada como salinização primária.

Freqüentemente, os problemas de salinidade na agricultura tem ocorrido devido à elevação do nível do lençol freático. Em áreas áridas, onde a evaporação é intensa e suplanta e precipitação, pode ocorrer a inversão sazonal da infiltração, quando parte da água subterrânea tem movimento ascendente por capilaridade, atravessando a zona não saturada para alimentar a evaporação da superfície do solo. Este processo é responsável pela mineralização dos horizontes superficiais do solo, pois sais dissolvidos na água subterrânea acabam precipitando e cimentando os grãos de regolito (salinização do solo). O caliche é um exemplo de solo endurecido pela precipitação de carbonato de cálcio pelas águas ascendentes em áreas semi-áridas a áridas.

Nestas regiões e nos trópicos úmidos, a profundidade crítica do lençol sujeita a ascensão capilar, varia de 2,0 a 2,5 m dependendo da textura do solo, do clima, da concentração de sais e do manejo da irrigação. Salienta-se que em solo siltoso a água pode atingir a superfície do solo de uma profundidade de 6 m mediante a esse fenômeno.

Os mares e oceanos se constituem em depósitos naturais de sais que são carreados pelas águas escoadas da superfície terrestre, até os pontos mais baixos do relevo, acumulando-se progressivamente. Por ser excessivamente salina (aproximadamente 30g/L) é provável que ela tenha sido a principal fonte de sais em solos provenientes de depósitos marinhos que se assentaram no período antigo. As inundações periódicas pelas águas do mar, devido ao fenômeno de marés altas, constituem a principal fonte de sais em áreas de cota baixa; outra fonte de salinização pelas águas do mar é as pororocas, quando as águas do mar invadem o leito dos rios, às vezes até 20 – 30 km de distância, transbordando suas margens. Quando as marés retrocedem, a água transbordada não acompanha a volta, ficando depositada em depressões, aumentando a concentração salina em áreas localizada nas margens do rio.

Em determinadas situações, a salinização do solo ocorre devido ao transporte de partículas de sais pelos ventos que sopram das marés para os continentes. Quando as ondas do mar se chocam com as barreiras ou rochas, a água pulveriza-se totalmente no ar, de onde podem ser transportadas aos lugares mais distantes, dependendo da direção e velocidade do vento. Esse fato pode ser verificado quando se determina a quantidade de sais na água da chuva em diferentes distâncias do mar.

 A salinização resultante devido à ação antrotópica é conhecida como salinização secundária. Neste caso, a salinidade do solo resulta da qualidade da água usada na irrigação da eficiência de lixiviação dos sais e da drenagem do solo.

Nem todos os sais incorporados pelas águas ficam no solo, mesmo em regiões áridas ou semi-áridas, pois uma parte pode ser eliminada por percolação, por meio de sucessivas lâminas de irrigação ou chuvas ou, ainda, tornar-se insolúvel mediante a precipitação, quer por reações químicas ou por atingir limites de solubilidade na solução do solo. Além disso, outra parte, embora em quantidade pequena, é absorvida pelas plantas para atender às suas necessidades; contudo, o acúmulo de sais no solo em determinado local, pode atingir um equilíbrio. Para que a agricultura irrigada seja sustentável, o nível de concentração de sais no solo, nas condições de equilíbrio, deverá ser inferior ao limite de tolerância das culturas à salinidade. (Richards, 1954)

O princípio básicos da desalinização e conservacao do solo a salização

- Tenta-se aumentar ao máximo a permeabilidade do solo a fim de permitir uma melhor percolação da água no perfil do solo, com isso efetuando a lixiviação mais fácil dos sais que se encontram no perfil do solo;

- Lançar mão a rotação de cultura que inclua no seu rodízio plantas que tenham alguma tolerância a salinidade, como algodão, sorgo, etc, alternando-se com plantas que suportem a inundação.

- Manter o solo sempre coberto, fornecendo regularmente matéria orgânica para o mesmo.

- A rotação de cultura é importante para se evitar a salinização ou para conservar os solos dessalinizados.(EPAGRI 1997)

- Freqüência de irrigação e necessidade de lixiviação

A freqüência de irrigação é uma das práticas de manejo de água disponível para enfrentar solos e águas salinos (Medeiros e Gheyi, 1997). Poucas evidências experimentais existentes, entretanto, sustentam  como recomendação comum, que o intervalo de irrigação deveria ser diminuído quando se utiliza água de irrigação salina (Rhoades et al., 1992)

- Drenagem subterrânea

As águas de alta salinidade requerem maior quantidade de água para lixiviar  os sais acumulados, aumentando, conseqüentemente, o risco de nível de lençol freático alto, tornando praticamente impossível manter-se a longo prazo, a agricultura irrigada, sem adequado sistema de drenagem. Se a drenagem for suficiente, o controle da salinidade exigirá apenas bom manejo para assegurar a água necessária às culturas e à lixiviação dos sais dentro dos limites de tolerância das plantas.(CRUCIANI 1997)

- O uso de fertilizantes pode acelerar ou pionar o processo de salinização de um solo. Vejamos o quadro abaixo de alguns fertilizantes e o seu indice de salinizacao:

Fertilizante

Índice de Salinidade

Carbonato de calcário(calcário)

4,7

Nitrato de sódio

100,0

Sulfato de amônio

69,0

Cloreto de potássio, 50%

109,4

Cloreto de potássio, 60%

116,3

Cloreto de potássio, 63%

114,3

Sulfato de potássio e magnésio

43,2

Fosfato de amônio, 11-48

26,9

Nitrato de calico

52,5

Nitrato de potássio

73,6

Uréia

75,4

Superfosfato, 16%

7,8

Superfosfato, 20%

7,8

Superfosfato, 45%

101

Superfosfato, 58%

10,1

Efeito da sanilização do solo na planta

Os efeitos da acumulação excessiva dos sais solúveis sobre as plantas podem ser causados pelas dificuldades de absorção de água, toxicidade de íons específicos e pela interferência dos sais nos processos fisiológicos Efeitos (efeitos indiretos), reduzindo o crescimento e desenvolvimento das plantas

As plantas retiram a água do solo quando as forças de embebição dos tecidos das raízes  são superiores às forças com que a água é retida no solo. A presença de sais  na solução do solo faz com que aumentem as forças de retenção por seu efeito osmótico e, portanto, a magnitude do problema de escassez de água na planta. O aumento da pressão osmótica provocado pela salinidade poderá atingir um nível em que as plantas não terão forças de sucção para superá-la e, conseqüentemente a planta não conseguirá absorver água, mesmo de um solo aparentemente úmido. Este fenômeno é conhecido por seca fisiológica. E dependendo do grau de salinidade, a planta em vez de absorver poderá até perder a água que se encontra no seu interior.(OLIVEIRA 1997)

Principais parâmetros para avaliação da salinidade

Diversas medidas de laboratório são usadas para avaliar a salinidade do solo, sendo as mais importantes o pH, a condutividade elétrica do extrato de saturação e a porcentagem de sódio trocável . Para avaliar o perigo de sodificação do solo pelo uso da água de irrigação utiliza-se um outro índice chamado relação de adsorção de sódio (RAS).

  • O pH

O pH do solo é influenciado pela composição e natureza dos cátions trocáveis, composição e concentração dos sais solúveis e a presença ou ausência do gesso e carbonatos de cálcio e magnésio.

  • Condutividade elétrica do extrato de solução

A condutividade elétrica (CE) expressa a habilidade que um meio apresenta em conduzir uma corrente elétrica.

Devido ao fato de que CE de uma solução aquosa está intimamente relacionada com a concentração total de eletrólitos dissolvidos (solutos iônicos) na solução, ela é comumente usada como uma expressão da concentração total de sais dissolvidos de uma amostra aquosa, embora também seja afetada pela temperatura da amostra, pela mobilidade, valência e concentração relativa dos íons contidos na solução. A temperatura padrão para medição é de 25°C e sua unidade de medida é dada em miliohms por centímetro ou deciSiemens por metro, ambas numericamente equivalentes.

A determinação da CE geralmente envolve a medição da resistência elétrica da solução, a qual é inversamente proporcional a sua área seccional e diretamente proporcional ao seu comprimento. A magnitude da resistência medida depende , contudo, das características da célula condutivimétrica usada para conter a amostra de eletrodos. A CE de um solo pode ser determinada por meio de um extrato de uma pasta de solo saturado ou em suspensão mais diluída. Porém, para preparação da pasta de saturação, há necessidade de um bom adestramento técnico e certas precauções com a textura do solo. (SILVA1994)

  • Porcentagem de sódio trocável (PST)

Representa a porcentagem do sódio em relação aos demais cátions adsorvidos. Seu valor é dado pela seguinte expressão:

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Conclusão

Este trabalho é muito importante, pois ajudanos na mudanca de habitos e costumes que muitos tem e o fazem sem conhecimento. O combate a salinidade dos solos é muito importante, a titulo de exemplo, temos na australia cerca de 9.000.000 de ha altamente salinos e de impossivel recoperacao devido a negligencias no maneio dos solos. Este numero tende a crescer nos paises em via de desenvolvimento como o nosso que sem medidas adubam o campo que futuramente, caso nao haja mudancas de comportamento, teremos os mesmos problemas.

Bibliografia

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Cadeira de Ciências de solo Página 11

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