Relatório de Estágio Supervisionado Finalizado (2)

Relatório de Estágio Supervisionado Finalizado (2)

Universidade Federal do Espírito Santo – UFES

CENTRO DE CIÊNCIAS JURÍDICAS E ECONÔMICAS

DEPARTAMENTO DE ADMINISTRAÇÃO

Relatório de Estágio Supervisionado II

Vitória

2011

UNIVERSIDADE FEDERAL DO ESPÍRITO SANTO

CENTRO DE CIÊNCIAS JURÍDICAS E ECONÔMICAS

DEPARTAMENTO DE ADMINISTRAÇÃO

Relatório de Estágio Supervisionado II

ALUNO: Vitor Corrêa da Silva

Trabalho apresentado para avaliação na disciplina de Estágio Supervisionado II, do curso de Administração, turno matutino, da Universidade Federal do Espírito Santo, orientado pela professora Priscilla de Oliveira Martins da Silva.

Vitória

2011

SUMÁRIO

1. INTRODUÇÃO ...............................................................................................3

2. IDENTIFICAÇÃO DO ESTAGIÁRIO ........................................................3

3. IDENTIFICAÇÃO DA EMPRESA ..............................................................3

4. CARACTERIZAÇÃO DO ESTÁGIO .........................................................4

5. QUESTÕES OBSERVADAS NO ESTÁGIO ..............................................5

5.1. Dificuldades para Atrair Pessoal Qualificado ...........................................5

5.2. Grade Curricular do Curso de Administração ........................................5

5.3. Falta de Apoio dos Professores ...................................................................7

6. REFENCIAL TEÓRICO ...............................................................................8

7. CONSIDERAÇÕES FINAIS .........................................................................10

REFERÊNCIAS ..................................................................................................11

  1. INTRODUÇÃO

O presente relatório pretende abordar as dificuldades encontradas pela EJCAD - Empresa Júnior de Consultoria em Administração - da Universidade Federal do Espírito Santo. Dentre os problemas abordados, será dada especial atenção à falta de conhecimento técnico na área de Administração por parte dos integrantes da empresa.

Nos últimos anos a EJCAD vem enfrentando diversos problemas comprometendo inclusive a sua existência. Em todos os anos, novos alunos entram, novos diretores tomam posse, novos presidentes assumem, no entanto, os problemas persistem e a vida da empresa sempre entra em risco.

Muitos alunos do próprio curso de Administração não sabem da existência da empresa, e os que sabem, não conseguem enxergar valor na mesma.

Os motivos desses problemas e as possíveis soluções são os objetivos desse relatório.

  1. IDENTIFICAÇÃO DO ESTAGIÁRIO

Nome: Vitor Corrêa da Silva

Curso: Administração

Período: 4°

Endereço: Rua Evaristo da Veiga, 156, Ed. Hortência, 608, Jd. Limoeiro, Serra, ES.

E-mail/fone: vitor_correa@msn.com / 9916-8024

Ano de realização do Estágio: 2011/1.

  1. IDENTIFICAÇÃO DA EMPRESA

Nome: EJCAD – Empresa Júnior de Consultoria em Administração

Endereço completo: Av. Fernando Ferrari, Vitória, ES: UFES, Campus de Goiabeiras; Prédio CEDOC; Centro de Ciências Jurídicas e Econômica

Fone: 4009-2616

Ramo de Atividade: Consultoria em Administração

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Figura 1: Organograma da EJCAD

Histórico: Fundada em 1992. Difícil encontrar detalhes do histórico devido à inexistência de fontes. Como há rotatividade na Diretória a cada ano, não há esse tipo de informação.

Outras Informações Pertinentes: A empresa é dirigida por alunos do curso de Administração da UFES, porém possui orientação dos professores em todos os projetos. Como é uma organização sem fins lucrativos que conta com voluntários, oferece serviços com preços muito abaixo do mercado.

  1. CARACTERIZAÇÃO DO ESTÁGIO

Cargo: Trainee.

Área: Marketing.

Nome do Supervisor: Victor Costa

Atividades desenvolvidas: Atividades gerais relacionadas ao setor de Marketing, ao atendimento de clientes e atividades administrativas internas na própria empresa, como gerenciamento de redes sociais, busca de artigos para os murais expositivos da empresa e pesquisas para os conteúdos do site.

  1. QUESTÕES OBSERVADAS NO ESTÁGIO

    1. Dificuldade para Atrair Pessoal Qualificado

Durante o meu curto período de trabalho na EJCAD, ainda em andamento, pude observar que a empresa enfrenta diversos problemas. Dentre eles, destaco como mais importante a falta de conhecimento técnico em Administração por parte dos gestores.

Como a EJCAD é uma empresa sem fins lucrativos e seus funcionários são todos voluntários, não é qualquer aluno do curso de Administração que tem interesse em fazer parte da empresa. Para identificar o aluno que tem interesse em participar da EJCAD é importante responder as seguintes perguntas: o que levaria um aluno a fazer parte da EJCAD? Quais benefícios a empresa traria como retorno ao aluno pelo tempo dedicado num processo de trabalho não remunerado?

Trabalhar em uma Empresa Júnior é uma oportunidade para o estudante complementar a sua formação acadêmica, aliando a teoria e a prática para se tornar um profissional preparado para enfrentar os desafios do mercado de trabalho.

O principal benefício de participar de uma Empresa Júnior é o desenvolvimento pessoal tais como: oratória, trabalho em grupo e negociação com clientes. Além disso, a organização proporciona ao estudante experiências na área de administração de empresas, gestão de equipes, decisões sobre políticas de imagem e prospecção de negócios e contato direto com problemas reais da área de administração.

No entanto, muitos estudantes são seduzidos pelas oportunidades de estágio provenientes do mercado. Observei que quanto mais adiante no curso o estudante se encontra, maior é o seu interesse em estar em um estágio remunerado.

Com a “queda moral” da EJCAD em relação aos alunos, é praticamente impossível que alunos do 4° período em diante se interessem pela participação na empresa. Esse é um dos pontos principais que originam os problemas da EJCAD: a empresa conta apenas com alunos que ainda não completaram a metade do curso.

    1. GRADE CURRICULAR DO CURSO DE ADMINISTRAÇÃO

A grade curricular do curso de Administração matutino da UFES, da forma como está organizada, não proporciona o conhecimento técnico necessário aos alunos que se interessam em participar da EJCAD. As disciplinas ofertadas pelo curso nos primeiros três períodos (semestres) tais como: Filosofia, Psicologia, Matemática, Estatística, Português, Sociologia, dentre outras, que são fundamentais para a formação de um Administrador, não proporcionam o conhecimento técnico para os gestores da EJCAD. A maioria dos alunos é recém-chegada do Ensino Médio e não possui conhecimento teórico, ou prático do mundo das organizações; quando possui conhecimento ou experiências, são poucas.

Para entender a dificuldade descrita serão identificados os serviços oferecidos pela EJCAD:

1 - Planejamento Estratégico:

Usado para identificar as diretrizes que a empresa quer seguir. Analisa o posicionamento no mercado, cultura da empresa, características favoráveis e desfavoráveis internamente, pontos fortes e fracos da empresa e a relação destes com suas oportunidade e franquezas, e visões futuras sobre o mercado, para projetar uma estratégia que permita a empresa chegar aonde pretende. Além disso, o planejamento estratégico ratifica os valores da empresa e sua missão perante a sociedade.

2 - Plano de Marketing:

É uma análise do mercado, de forma a possibilitar a adaptação da empresa às constantes mudanças do mercado e a identificar suas tendências, definindo resultados a serem alcançados e, com isso, formulando ações para garantir a competitividade da empresa. Para conhecer o mercado no qual está inserida, traça-se o perfil do consumidor, estudam-se os produtos e serviços mais adequados ao mercado-alvo, analisam-se ações de divulgação e comunicação, além de preço, distribuição e localização do ponto de venda. São ações necessárias e de grande importância para satisfazer os clientes e promover o sucesso do negócio.

3 - Plano de Negócios:

É um documento pelo qual o empreendedor formalizará os estudos a respeito de suas idéias, transformando-as num Negócio. No Plano de Negócios estará registrado o conceito do negócio, os riscos, os concorrentes, o perfil da clientela, as estratégias de marketing, bem como todo o plano financeiro que viabilizará o novo negócio. Assim, a empresa consegue focar seus esforços nas oportunidades que existem no mercado e se “proteger” contra suas ameaças.

4 - Viabilidade Econômica e Financeira:

Tem como objetivo avaliar o plano de investimento a ser realizado, analisando algumas variáveis, como produtos ou serviços prestados, quantidades, matérias primas, fornecedores, mão-de-obra, maquinário a ser utilizado, registros fiscais, impostos a pagar, que demonstram a viabilidade ou inviabilidade do projeto.

Os serviços oferecidos pela EJCAD exigem conhecimento técnico que os alunos que geralmente atuam na EJCAD ainda não possuem por não ter cursado disciplinas que trabalham com essas questões. Além disso, existem as questões interpessoais, como gestão de equipe, liderança, motivação e etc. que os alunos também sentem dificuldades por falta de conhecimento e experiência. Observa-se, então que dependendo da grade curricular do curso de Administração da UFES, a EJCAD tem maior probabilidade de não alcançar êxito em suas funções.

    1. FALTA DE APOIO DOS PROFESSORES

Outro problema observado na EJCAD é a falta de apoio por parte dos professores. A única saída para a sobrevivência dessa empresa gerida por profissionais não capacitados é a orientação dos professores tanto para projetos quanto para questões internas de governança. No entanto, até esse ano a EJCAD não possuía nenhum professor classificado como “orientador-geral”; esse ano a empresa conseguiu “ganhar” um. O professor responsável pela EJCAD auxilia os alunos na administração da empresa. Eu desconheço como tem sido a atuação deste professor até agora por estar como trainee e não ter acesso a algumas decisões e atividades da Diretoria.

Embora este professor auxilie os alunos, os projetos executados pela EJCAD precisam ter um outro professor orientador auxiliando os consultores. Ele precisa conhecer a área do projeto. Por exemplo, não é adequado um professor da área de Gestão de Pessoas orientar um projeto de Gerenciamento Financeiro. Todavia, é enorme a dificuldade encontrada pela empresa para conseguir professores para auxiliar os seus projetos. Cheguei a presenciar uma situação em que o consultor (aluno) cogitou recusar uma proposta apenas por falta de professores para orientar. Nesta situação relatada, o aluno não tinha a menor idéia de como desenvolver o projeto.

Infelizmente, por falta de professores adequados, em algumas ocasiões os consultores precisam ser orientados por professores que muitas vezes não possuem grande conhecimento na área do projeto, comprometendo assim, a qualidade dos serviços prestados pela empresa.

  1. REFERENCIAL TEÓRICO

Este relatório tem como objetivo identificar a importância da empresa júnior em administração na formação dos alunos, e principalmente as dificuldades encontradas pela empresa.

Bonfiglio (2006) diz que muito se tem discutido sobre a influência do sistema produtivo no ensino superior como elemento gerador de demanda de profissionais para o mercado de trabalho. Esta demanda por mão-de-obra visa uma aplicação direta e imediata dos conhecimentos fornecidos pelas universidades e outras instituições de ensino superior.

Flores e Flores (2009) deixam claro que a principal atividade da Empresa Júnior dá-se em forma de projetos de consultoria orientados por docentes, valorizando estudantes e docentes da instituição. Isso também representa um benefício à universidade na qual a empresa júnior está inserida, pois facilita, por meio desta associação, a formação de parcerias. Dessa forma, a Empresa Júnior apresenta-se com um grande potencial de agente fomentador de parcerias entre as mais diversas esferas acadêmicas e destas com a sociedade em geral.

Durante a sua pesquisa na Uni Júnior da Univali Itajaí, Flores e Flores (2009) observaram que para cada projeto é designado um Consultor Júnior e um Professor Consultor que coordenarão todas as atividades desde o início do projeto, com o apoio e envolvimento dos demais consultores, bem como a supervisão do professor responsável da Uni Júnior.

Ele explica que além do professor responsável pela Uni Júnior, existe um grupo de professores já definidos, que responsáveis por cada área da empresa (Finanças, Recursos Humanos, e Eventos) coordenam os alunos nos projetos e nas decisões organizacionais. A área de Marketing, eles explicam que é de responsabilidade de todos, porém também possui um único professor responsável por ela.

Vejamos como é o Organograma da Univali Itajaí segundo Flores e Flores (2009):

Figura 2: Organograma da Uni Júnior

Observamos que há enorme diferença na relação dos professores do Departamento de Administração da Univali Itajaí para com a Uni Júnior, quando comparado com os professores da UFES em relação à EJCAD.

Na Univali Itajaí há vários professores, inclusive, o responsável está acima dos alunos. Na EJCAD só existe um e mesmo assim no organograma está abaixo da Presidência que é ocupada por um aluno, ou seja, ele é apenas um apoio.

Flores e Flores (2009) enfatizam que as Empresas Juniores realizam um papel importante na formação dos acadêmicos, proporcionando oportunidades destes participarem de atividades profissionais, em projetos de consultoria empresarial, pesquisas de mercado entre outras atividades de gerenciamento da empresa e do projeto. Para o acadêmico, normalmente é uma oportunidade do primeiro emprego em que possibilita experimentar as relações de trabalho e de se preparar para empregos em empresas maiores.

Bonfiglio (2006) indica que no passado, os cursos apresentavam sua grade curricular com uma pseudo abrangência teórico-prática, tendo como resposta um conteúdo filosófico conceitual muito longe dos problemas atuais. Os cursos devem estar alerta para que o profissional se espelhe no pragmatismo das ciências, que hoje, apresentam as melhores opções de mercado.

Dessa forma, a universidade possui uma grande responsabilidade para com as Empresas Juniores e precisa envidar esforços de forma que estas consigam desenvolver-se. Uma Empresa Júnior estruturada e com reconhecimento no mercado é fator primordial para alunos bem preparados e também reconhecidos no mercado.

  1. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Apesar das enormes dificuldades encontradas na EJCAD, é impressionante a disposição e a vontade de crescer dos estudantes que lá se encontram. Não seria estranho chamá-los de guerreiros. Não recebem apoio dos professores de forma satisfatória, não possuem conhecimento da área porque a grade curricular não contribui, não possuem salários ou qualquer outro tipo de remuneração por fazer parte da empresa, não possuem prestígio e nem reconhecimento por parte dos alunos, ao contrário, ainda sofrem com chacotas. Mesmo assim, não desistem, continuam acreditando que podem aprender e contribuir para o crescimento da empresa.

As questões internas da organização, como relacionamento entre os membros, decisões de interesse geral e etc., também são bastante complicadas, pois: “quebram a cabeça” no processo de tomada de decisão, são cobrados pelos novos Trainees e realizam atividades como “Plano de Ação”, “Planejamento Estratégico” dentro da própria empresa. Atividades estas, que pouco ouviram falar durante o curso; e ainda assim persistem.

Os professores do Departamento de Administração da UFES precisam abraçar a EJCAD, precisam entender a sua importância e lutar por ela, defendê-la, divulgá-la; só com a garra dos alunos fica muito difícil.

Se todos cooperarem e se ajudarem nesse objetivo a empresa ganha, os alunos ganham, os professores ganham, o mercado ganha, o curso ganha, a UFES ganha, e, porque não, a sociedade ganha. Porém, para isso é preciso atitude e determinação, isso os alunos estão demonstrando que possuem, só estão no aguardo da outra parte.

REFERÊNCIAS

1 FLORES, L. C. S. ; FLORES, R. O. M. S. de. Empresa Júnior elemento da cooperação empresa – universidade: O caso da Uni Junior – Univali Itajaí, 2009 (Último quadro da 38)

2 BONFIGLIO, R. de. A importância da empresa júnior na formação do profissional de Geografia, 2006. (1° da 29)

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