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SERRARIA Prof. Victor Casimiro Piscoya

SERRARIA Prof. Victor Casimiro Piscoya CAPITULO

1 GENERALIDADES E

¾ A madeira tem um papel importantíssimo no avanço da civilização humana. ¾ Inicialmente utilizada: abrigo, armas, combustível, transporte etc.

¾ Foi estudada até chegar a usos mais compatíveis com seu valor.

¾ A madeira em razão do avanço da técnica é matéria prima para produtos tais como: compensados, chapas de madeira aglomerada, chapas de fibras, resinas, açucares, taninos, papel e celulose, rayon (fibra celulósica manufaturada e regenerada, produzida a partir de um polímero que se encontra na natureza), etc.

¾ Sob a forma de tábuas e pranhões data de épocas remotas, pelos egípcios na confecção de sarcófagos no ano 2000 A.C., na navegação pelos fenícios, normandos, romanos, portugueses etc.

¾ Em 1555 aparece o primeiro engenho de desdobro, movido por um dente ou braço adaptado ao eixo de uma roda d'agua. ¾ Em 1600 aparece uma serra movimentada por bielas e manivelas.

¾ Em 1777 Samuel Miller patenteia a serra circular.

¾ Em 1808 William Newberry fabrica as primeiras serras de fita.

¾ A partir de 1778 a Serraria tomou grande impulso a partir desta data com a invenção das máquinas a vapor por James Watt. ¾ A partir daí as Serrarias foram aperfeiçoadas e melhoradas.

1.2. LOCALIZAÇÃO DAS SERRARIAS

¾ Exige um planejamento para que não se torne anti-econômica. ¾ Em se tratando de serraria: a) determinar o melhor local, b) empregar o mínimo de pessoal possível , c) diminuir o custo de produção, d) utilizar a madeira com o máximo de rendimento, e) obter produtos da melhor qualidade possível.

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1.2.1. ENTRE OS DIVERSOS FATORES QUE INFLUENCIAM NA LOCALIZAÇÃO DE UMA SERRARIA DESTACAM-SE: 1.2.1.1. ORIGEM DAS TORAS ( FONTE DE MATÉRIA PRIMA )

¾ Adequado suprimento de toras dentro de uma distância razoável.

¾ Ao se determinar a localização o responsável deverá: fixar o tamanho da serraria, exigência anual de toras, considerar possibilidade de aumento da capacidade da serraria no futuro.

¾ Deverão ser obtidas informações sobre o número, tamanho, localização e exigências anuais de indústrias madeireiras existentes na área consideradas competidoras no uso da madeira disponível.

1.2.1.2. MÃO DE OBRA DISPONÍVEL

¾ A exceção de mão de obra, poderá causar grandes prejuízos à serraria em locais onde existem outras indústrias como a de papel e celulose que pagam ordenados bem mais altos que as serrarias, observar este detalhe para que não venha a parar por falta de mão de obra.

¾ Muitas vezes serrarias bem localizadas são obrigadas a mudarem-se para novas áreas em razão do fato de indústrias existentes em sua área usarem a quase totalidade de mão de obra visto ordenados mais altos.

1.2.1.3. LOCALIZAÇÃO EM RELAÇÃO AO MERCADO E ORIGEM

¾ Ao se localizar a Serraria distante da fonte de matéria prima ter-se-á maior despesa com o transporte (transporta-se água, casca e serragem, partes defeituosas, que serão eliminadas).

¾ Torna-se aconselhável a localização das serrarias próximas à floresta mesmo que fique distante dos centros consumidores.

¾ Algumas vezes é preferível ter a serrarias próxima da matéria prima e distante do mercado e outras vezes acontece o contrário, dependendo de vários fatores. ¾ TRANSPORTE – VIAS DE COMUNICAÇÃO

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¾ Não deve-se negligenciar o transporte quando a serraria é permanente verificar se existe e se não existe estudar a viabilidade econômica na construção de uma rodovia.

¾ Quando as condições o permitirem as serrarias deverão ser instaladas em locais onde o transporte de toras possa ser realizado por água.

¾ Normalmente serrarias instaladas em zonas urbanas têm que pagar impostos bem mais elevados que as instaladas em zonas rurais.

¾ O terreno onde será instalada a serraria deve apresentar uma série de condições básicas: a. Fácil ligação com rodovias e se possível com ferrovias. b. O terreno deve ser seco e sempre que possível plano. c. Ter a maior dimensão na direção do vento. d. A extensão depende do volume de toras, necessidade de armazenamento dos produtos . e. A relação comprimento e largura deve ser cerca de 3:1 ou 4:1.

¾ O terreno deverá apresentar uma extensão de 20 – 25 % maior que a calculada para eventualidades futuras.

1.3. ESTUDOS PARA INSTALAÇÃO DE UMA SERRARIA

¾ Capital disponível. ¾ Matéria prima (quantidade, espécie, dimensões das toras) e dimensões dos produtos (função do mercado).

¾ Operários: disponibilidade, conhecimentos técnicos, nível de vida, condições salariais.

¾ Escolha do maquinário: preferência a indústria nacional em razão da maior facilidade de obtenção de peças. ¾ Escolha da força motriz: eletricidade, diesel, vapor.

¾ Levantamento topográfico do terreno.

¾ Nivelamento do terreno, procurando aproveitar as inclinações naturais para facilitar algumas fases das operações.

¾ Localização e construção do edifício da serraria em função dos seguintes elementos: clima, insolação, ventos dominantes.

a. Clima: irá determinar a forma, tipo de construção e materiais a serem usados.

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SERRARIA Prof. Victor Casimiro Piscoya b. Insolação: Em áreas tropicais o eixo longitudinal da serraria deve estar na direção norte-sul.

c. Ventos dominantes: O maior eixo da serraria deverá ser na direção dos ventos dominantes, principalmente quando a força motriz provém de caldeiras (prevenir incêndios).

d. Chuvas dominantes.

1. Depósito de madeira roliça. 2. Local para maquinário. 3. Local para classificar a madeira serrada. 4. Depósito de madeira serrada.

DEPÓSITO DE MADEIRA ROLIÇA a. Ligação com as vias de comunicação. b. Local para descarregamento. c. Local para seleção das toras. d. Depósito das toras já classificadas. Sempre que possível é aconselhável construir esse depósito em água, pois o trabalho torna-se mais fácil e econômico e a seleção das toras é fácil. Quando o depósito é em terra firme, deve apresentar certas características, tais como: Ser seco, não apresentar declives, ou quando os apresentar não devem exceder a 5%, possibilitar, se possível, terse o depósito de toras em nível um pouco superior ao da serraria propriamente dita, ter boa comunicação com rodovias. As toras ao serem descarregadas não devem ser armazenadas em contato direto com o solo, porém em “pisos” construídos sobre suportes de concreto, é interessante que tenha um declive de 5% para facilitar a retirada das toras a serem desdobradas, as quais deverão ser agrupadas em classes de diâmetro de por exemplo: 10 em 10 cm. ou 20 em 20 cm. Para prevenção de incêndios a serraria deve apresentar uma faixa de segurança de mais ou menos 10 m. entre o depósito de madeira roliça e a serraria propriamente dita.

LOCAL PARA MAQUINÁRIO ¾ O prédio onde serão instaladas as máquinas não devem apresentar colunas interiores.

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¾ O depósito de toras e a Indústria propriamente dita devem estar no mesmo nível, ou a Indústria em nível um pouco inferior.

¾ O tamanho do prédio depende do maquinário, dimensões das toras e da produção, entretanto as dimensões mais comuns variam entre 25 – 60 m. de comprimento por 6 -12 de largura.

¾ Constituição: maquinário principal, maquinário secundário, afiadores de serras, oficina para reparos, casa de força, quarto de ferramentas, sanitários e escritório; refeitório, vestiário e sala de espera com mostruário ocorrem somente nas grandes indústrias.

¾ Entende-se por maquinário principal as diferentes serras para o desdobro da tora, como a serra francesa, a de fita e a circular.

¾ Entende-se por maquinário secundário, as máquinas usadas em serviços secundários como por exemplo: as empregadas para cortar pontas irregulares das tábuas (despontadeiras), ou as empregadas para regularizar as bordas das tábuas (canteadeiras) etc.

¾ Os quartos com afiadores de serra, devem ter o piso na mesma altura do da serraria, para maior facilidade de transporte das fitas de serra e a luz bastante forte.

¾ A casa de força deve ser separada da Indústria por um muro especial, construído com materiais não combustíveis. A casa de força deve ser ligada ao quarto de ferramentas..

¾ O escritório deve ser colocado em local onde possa ser observada toda a indústria e se possível com paredes de vidro e num plano mais elevado que o da indústria.

¾ O vestiário e o refeitório, devem apresentar uma área com cerca de 1m por operário e somente são indicados quando a serraria é suficientemente grande para justificar a construção e manutenção.

DEPÓSTIO DE MADEIRA SERRADA Este depósito apresenta duas finalidades principais:

− Secagem da madeira

− Armazenamento: às vezes a espera de melhores preços ou possibilidade de venda. O depósito de madeira serrada deve constituir-se de: 1. Local para classificação da madeira serrada. 2. Local para empilhamento. 3. Local para carregar os veículos com a madeira. 4. Construção para depósito de madeiras valiosas (existente nas grandes serrarias)

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Neste depósito as madeiras devem ser classificadas e empilhadas segundo a espécie, dimensões e qualidade. O depósito de madeira serrada deverá apresentar uma série de características, tais como: a. Estar livre de árvores e construções em volta, para maior circulação de ar. b. Se possível, deve estar num plano um pouco mais elevado que o da indústria. c. O eixo maior do depósito deve estar na mesma direção do vento. d. Deve apresentar boa comunicação com rodovias ou ferrovias. e. Deve ser plano e seco. f. O solo não deve apresentar gramíneas, para maior circulação do ar sobre o solo. No depósito deixa-se 40 – 50 % da área para servir de caminhos. Em cada início de ano deve-se fazer uma limpeza com Carbolino (óleo de antraceno tratado com cloreto de Zn).

1.5. CONSIDERAÇÕES SÔBRE MATÉRIA – PRIMA PARA SERRARIAS

A matéria prima utilizada numa serraria influencia grandemente no seu planejamento, eficiência e rendimento. 1. ESPÉCIE: É vantajoso utilizar uma única espécie ou espécies semelhantes. A padronização das espécies irá resultar em maiores rendimentos e eficiências da serraria. O uso de coníferas nas serrarias apresenta algumas vantagens, tais como: flutuam, apresentam maior facilidade de corte, possuem toras mais retas e uniformes. As folhosas, possuem o inverso destas características. 2. DIMENSÕES E FORMA: É vantajoso se ter: uniformidade no diâmetro das toras, o que resulta em maiores facilidades de manejo, depósito e remoções. Por outro lado, toras com grandes comprimentos são facilmente vendidas no mercado com preços bem mais elevados.

Quando as toras a serem utilizadas pela serraria são armazenadas por longo tempo, é necessário tomar certas precauções, a fim de impedir que elas se deteriorem. Entre os diversos prejuízos, podemos destacar: a. Rachaduras nas extremidades da tora. b. Manchas e decomposição. c. Ataque de insetos.

Rachadura nas Extremidades da tora: As toras secam muito mais rápidamente nas extremidades do que no centro. Quando as extremidades das toras secam e tendem a se contrair, são impedidas de fazê-lo, pois o centro da tora ainda está úmido, o que resulta no aparecimento de forças que causam o rachamento das extremidades. Deve-se portanto, tomar algumas precauções, visando

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SERRARIA Prof. Victor Casimiro Piscoya eliminar ou pelo menos diminuir ao mínimo o secamento das extremidades das toras, procurando retardar a evaporação da umidade. Dentre os materiais usados eficazmente para evitar rachaduras das extremidades das toras destacam-se os seguintes: 1. Pastas de pigmento oleoso: são preparadas misturando-se um pigmento como chumbo branco (óxido de chumbo) no óleo de linhaça, que funciona apenas como veículo. 2. Óleo pastoso: pode ser preparado misturando-se 25 partes de baritina (baritita

4BaSO) com 25 partes (em peso) de silicato de magnésio e 100 partes de um óleo endurecido.

3. Tintas higroscópicas: tem a finalidade de reter a umidade da superfície das extremidades das toras, evitando a contração e conseqüentes rachaduras. Se consegue misturando-se 12 partes (em peso) de amido por cada 100 partes de água e 100 partes de uréia.

Manchas e Decomposição: Os tóxicos químicos usados no combate a prevenção das manchas tem normalmente como base: ¾ Penta – cloro – fenol de sódio.

¾ Materiais alcalinos

¾ Materiais boratos

Insetos:

1.6. TERMOS BASICOS DE CARACTERISITICAS DE SERRARIAS 1.6.1. Rendimento

100xRTM=

Onde : R: rendimento em percentagem

M: volume de madeira serrada em m³.

T: volume de toras, em m³ para obter M.

Exemplo: Qual será o rendimento de uma serraria que consome 60 m³ de toras para produzir 30 m³ de madeira? Em coníferas considera-se normal rendimentos de 5 – 65 % . Em folhosas considera-se normal rendimentos de 45 – 5 % .

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SERRARIA Prof. Victor Casimiro Piscoya 1.6.2. Eficiência

Onde : E: eficiência em m³ / operário / dia

T: toras, em m³ desdobradas em 1 dia. O: número de operários que trabalham dentro da serraria

Exemplo: Qual será a eficiência de uma serraria que desdobra 150 m³ de toras por dia, trabalhando com 50 operários? Quadro 1. Eficiência das Serrarias em diversas partes do mundo

REGIÕES E m³ / op / dia

1. América do Norte a. Serraria c/ alta mecanização e automatização. b. Serrarias comuns – também portáteis 2. Suécia - média 3. Europa central, média 4. Guiana Inglesa 5. Amazonas – média 4 serrarias

(Cedrela odorata) 6. Sudão – Ilhas Andaman

2,0 4,8 2,8 1,2 0,5

0,3 0,1

As razões que influem para as grandes eficiências são: a. Uso de coníferas – madeiras leves, macias, retas etc. b. Esquema de montagem de serrarias. c. Uniformidade (padronização) da matéria prima e dos produtos. d. Uso de maquinário novo e em perfeitas condições. e. Grande disponibilidade de energia para movimentação da serraria. f. Mecanização e automatização de grande parte dos trabalhos.

1.7. CLASSIFICAÇÃO DAS SERRARIAS QUANTO A CAPACIDADE

Nos E.U.A. consideram-se pequenas serrarias as que trabalham com 7 a 10 operários, tendo uma produção diária de 45 a 90 m³ , com E= 6,5 a 9 m³ / op /dia. De modo geral podemos definir serrarias pequenas como sendo as que têm produção diária de até 50 m³, com um mínimo de máquinas de cada tipo:

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SERRARIA Prof. Victor Casimiro Piscoya a. Uma para desdobro. b. Uma para corte longitudinal – canteadeira. c. Uma para corte transversal – destopadeira ou despontadeira. As pequenas serrarias podem ser classificadas em : Serrarias móveis, Serrarias portáteis, Serrarias permanentes.

A produção diária vai de 50 – 100 m³ de toras, normalmente possuindo uma só máquina para desdobro e mais máquinas auxiliares para: ¾ Cortes longitudinais profundos – serradeiras.

¾ Cortes longitudinais rasos – canteadeiras.

¾ Cortes transversais – destopadeiras.

A produção das serrarias grandes vai acima de 100m³ dia de toras, são permanentes, normalmente com mais de uma máquina de desdobro e várias máquinas auxiliares. São mecanizadas e geralmente com instalação de secagem artificial.

1.8. CLASSIFICAÇÃO DAS SERRAS MECÂNICAS 1.8.1. SERRAS PRINCIPAIS: Usadas para desdobro de toras.

a. Tipo colonial. b. Tipo francesa ou de “Quadro cheio”. b.1. alimentada por baixo. b.2. alimentada por cima. c. Alternativa horizontal. d. Alternativa tissot.

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