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(Parte 1 de 9)

EDUCAÇÃO INFANTIL (DE 03 A 06 ANOS)

PROPOSTA EDUCACIONAL

A Educação Infantil é a primeira etapa da Educação Básica e constitui-se hoje em um importante segmento no processo educativo, se destina a crianças de 0 a 06 anos de idade, não obrigatória, mas um direito que o Estado tem por obrigação atender.

Gradativamente a pré-escola vem ampliando as suas funções, ultrapassando os limites de atendimento meramente assistencial para pôr em prática um trabalho pedagógico fundamental ao desenvolvimento da criança. A Instituição de Educação Infantil não só se envolve com cuidados mas também educa, sendo um espaço educativo que contempla o desenvolvimento da criança nos aspectos cognitivo, emocional, afetivo, social e físico.

Cientes da importância do aspecto pedagógico conquistado, é muito importante desenvolver uma proposta pedagógica que tenha como objetivo oferecer à criança o passo inicial na construção de seus conhecimentos sistematizados, podendo assim, o currículo trilhar uma busca da condição de cidadão crítico e participativo.

Disto decorre a necessidade de fundamentar o trabalho numa concepção de criança, entendida como seres capazes e competentes para construir conhecimentos. O aprendizado se constrói, sobretudo quando se defrontam com situações em que elas têm que se envolver, mobilizadas para buscar respostas e soluções que propiciam a produção de novos conhecimentos.

O educador possui uma atuação de fundamental importância no processo de aprendizagem, que consiste na organização de ambiente e rotina, capazes de realizar interações e brincadeiras entre as crianças, dar apoio a iniciativas e atividades, sendo um “agente facilitador” com o papel de abrir caminhos. Ele é o mediador entre este mundo real e o mundo ideal para o desenvolvimento dos seres humanos que têm em mãos. A formação do professor deve estar relacionada “ao saber, ao fazer e ao saber explicar o fazer”, com competência polivalente que permite trabalhar com conteúdos de naturezas diversas, abrangendo desde cuidados básicos essenciais até conhecimentos específicos provenientes das diversas áreas do conhecimento.

A escola não modifica sozinha a sociedade, mas contribui neste processo se desempenhar o papel de ensinar criticamente, fornecendo os instrumentos básicos para o exercício da cidadania.

MATERNAL II (03 anos):

Formação Pessoal e Social

    • EIXO: Identidade e Autonomia:

OBJETIVOS:

  • Experimentar e utilizar os recursos de que dispõem para a satisfação de suas necessidades essenciais, expressando seus desejos, sentimentos, vontades e desagrados e agindo com progressiva autonomia;

  • Familiarizar-se com a imagem do próprio corpo, conhecendo progressivamente seus limites, sua unidade e as sensações que ele produz;

  • Interessar-se progressivamente pelo cuidado com o próprio corpo, executando ações simples à saúde e higiene;

  • Brincar;

  • Relacionar-se progressivamente com mais crianças, com seus professores e com demais profissionais da instituição, demonstrando suas necessidades e interesses.

CONTEÚDOS:

  • Comunicação e expressão de seus desejos, desagrados, necessidades, preferências e vontades em brincadeiras e nas atividades cotidianas.

  • Reconhecimento progressivo do próprio corpo e das diferentes sensações e ritmos que produz.

  • Identificação progressiva de algumas singularidades (características) próprias e das pessoas com as quais convive no seu cotidiano em situações de interação.

  • Iniciativa para pedir ajuda nas situações em que isso se fizer necessário.

  • Realização de pequenas ações cotidianas para adquirir maior autonomia tais como:

- Cuidados com os seus pertences;

- Disposição de materiais ao alcance da criança para incentivar o “FAZER SOZINHO”;

- Estabelecer junto às crianças uma ROTINA com as atividades diárias sequenciadas (importantíssimo).

  • Interesse por brincadeiras e pela exploração de diferentes brinquedos.

  • Participação em brincadeiras de “esconder e achar” e em brincadeiras de imitação.

  • Escolha de brinquedos, objetos e espaços para brincar (em jogos, brincadeiras, etc).

  • Participação e interesse em situações que envolvam a relação com o outro.

  • Respeito às regras simples de convívio social (pedir licença, desculpas, por favor, agradecer, cumprimentar etc,).

  • Higiene das mãos com ajuda, orientação e supervisão do professor.

  • Incentivo para as crianças experimentarem novos alimentos e também comer sem ajuda.

  • Identificação de situações de risco no seu ambiente mais próximo.

ORIENTAÇÕES DIDÁTICAS:

1- Quanto à autoestima A autoestima, é, em grande parte, interiorizada pelo afeto que se tem pela criança e pela confiança de que é alvo. Por isso é necessário que o professor confie e acredite na capacidade de todas as crianças. Para tanto, ele deve ouvir as falas das crianças, compreendê-las e respeitar seus atos, ritmos e preferências pessoais. Como o processo de construção da auto-confiança envolve avanços e retrocessos em que a criança pode fazer birra diante de frustrações, revelar sentimentos de vergonha, medo e ter pesadelos, o professor deve ter atitude de continência, apoiando-a ou controlando-a de forma reflexiva, porém segura.

A preocupação em demarcar o espaço individual no coletivo, como identificação dos pertences pessoais e do lugar de guardá-los é imprescindível. Também deve ser trabalhada a marca dos outros, o que favorece a formação do sentimento de grupo. O professor deverá chamar a criança pelo nome e fazer com que ela conheça os nomes de todos. Não se deve chamar a professora de “tia”, pois as crianças precisam entender que os professores são profissionais e não membros da família. O professor também não deve chamar os pais simplesmente de “pai e mãe”, mas pelo nome próprio de cada um, pois deixam de ser “iguais”, não sendo reconhecidos apenas pelo papel social que desempenham.

2-Quanto à escolha – Desde bebês as crianças já manifestam suas preferências e são capazes de escolher. Para isso, dependem da mediação do professor que interpreta suas expressões faciais ou choro. Ao atender essa manifestação quando possível, o adulto está imediatamente dando possibilidade de escolha à criança cuja relação com o mundo ele medeia. Logo mais torna-se possível escolha mais direta como as relativas a brinquedos e a companheiros. A organização do espaço deve favorecer alternativas de materiais, de ações e de parceiros.

3- Quanto ao faz de conta – Cabe ao professor organizar situações de interação, oferecendo panos, caixas ou biombos que possam ser usados para esconder objetos, o rosto, ou até o corpo todo da criança. Isso auxilia na construção da imagem de um objeto ou de pessoa ausente. O professor deve promover situações para que as crianças emitem ações de pessoas, animais ou personagens em seus mais diversos ambientes como casinha, trem, fazenda, posto de gasolina, supermercado, etc.

4-Quanto à interação – Ela é necessária para o desenvolvimento da capacidade de se relacionar. Assim, caberá ao professor propor atividades individuais ou em grupo, respeitando as características afetivas, emocionais, sociais e cognitivas de cada criança e estimular as troca entre elas. A disposição de objetos “significativos e atraentes” ao alcance das crianças acaba por promover interações entre eles, servindo como suporte e estímulo para ações de escolha e convívio. E se estes são oferecidos às crianças em quantidades significativas de exemplares, facilitam a interação e reduzem a incidência de conflitos em torno da posse desses brinquedos ou objetos.

5-Quanto à imagem – O espelho é um importante instrumento para construção da identidade. Por meio de brincadeiras, na frente dele, a criança começa a reconhecer sua imagem e suas características físicas. O espelho deve ser suficientemente grande para que várias crianças possam se ver de corpo inteiro e brincar na frente dele.

6- Quanto aos cuidados – Em torno dos 03 anos, caso tenha tido a oportunidade, a criança já apresenta condições de alimentar-se sozinha (no seu ritmo e na quantidade a ser ingerida), porém pode necessitar de ajuda e incentivo do adulto para experimentar novos alimentos (pois pode começar a rejeitar alguns alimentos e selecionar apenas os preferidos) ou servir-se (pois começa a repelir a ajuda do adulto para alimentar-se e até mesmo para vestir-se, calçar-se, pentear-se, etc.).

7-Quanto à segurança – Recomenda-se orientar a criança a utilizar, de forma segura, utensílios, brinquedos e objetos. Crianças de 03 anos (dependendo do seu desenvolvimento e ambiente sócio-cultural) já podem usar garfo e faca quando fazem as refeições, porém devem ser orientadas quanto aos cuidados com objetos pontiagudos e cortantes e suas finalidades. É importante nesta situação a supervisão do adulto e que estes objetos sejam adequados ao tamanho da criança.

Atividades que utilizem pequenos objetos que possam ser engolidos ou colocados em cavidades (grãos, botões, peças de brinquedos, etc.) ou quaisquer outras que colocam em risco a saúde da criança (ex: derreter giz cera com vela, descolorir papel com água sanitária, etc), merecem um maior planejamento e supervisão.

OBSERVAÇÃO, REGISTRO E AVALIAÇÃO FORMATIVA:

Observar as formas de expressão, as produções e as conquistas da criança é um instrumento de acompanhamento do trabalho que ajudará na avaliação e no replanejamento da ação educativa. Para que a criança se expresse, é necessário que suas manifestações sejam recebidas e levadas em consideração, ou seja, a criança deverá ser sempre ouvida e ter uma resposta e se não for possível atender aos seus desejos, deve-se explicar a razão da negativa.

Quanto à formação da identidade e ao desenvolvimento progressivo da independência e autonomia, as aprendizagens prioritárias são:

  • Reconhecer o próprio nome – é necessário que os adultos e crianças usem o nome próprio de cada uma com este fim, em vez de usar “ele”, “ela” ou apelidos;

  • Reconhecer o nome de algumas crianças do seu grupo e dos adultos responsáveis por ela;

  • Valorizar suas conquistas pessoais – (comer sem ajuda, conhecer os nomes de todos, cantar uma música, fazer um desenho, etc) é necessário que as próprias crianças se avaliem e recebam avaliação positiva de adultos. Pode servir para isso, por exemplo, uma conversa em que se mostra à criança como ele fazia “antes” e como já consegue fazer “agora”.

Conhecimento de Mundo.

    • EIXO: Movimento:

OBJETIVOS:

  • Familiarizar-se com a imagem do próprio corpo;

  • Explorar as possibilidades de gestos e ritmos corporais para expressar-se nas brincadeiras e nas demais situações de interação;

  • Deslocar-se com destreza progressiva no espaço ao andar, correr, pular etc, desenvolvendo atitude de confiança nas próprias capacidades motoras;

  • Explorar e utilizar os movimentos de preensão, encaixe, lançamento etc, para o uso de objetos diversos.

Os CONTEÚDOS estão organizados em 02 blocos:

  1. Expressividade (possibilidades expressivas do movimento):

CONTEÚDOS:

  • Reconhecimento progressivo de segmentos e elementos do próprio corpo por meio da exploração, das brincadeiras, do uso do espelho e da interação com os outros.

  • Expressão de sensações e ritmos corporais por meio de gestos, posturas e da linguagem oral.

ORIENTAÇÕES DIDÁTICAS:

  • Brincadeiras com canto e movimento que possibilitem a percepção rítmica, a identificação dos segmentos do corpo (ex. Eu conheço um jacaré ....) e o contato físico com outros (ex: “Serra, serra, serrador”)

  • Atividades diante do espelho (fantasiar-se, maquiar-se, brincar, etc);

  • Contato do corpo com terra, areia, água, tecidos de diferentes texturas e pesos (proporcionam sensibilidade corporal);

  • Brincar de mímicas faciais e gestos, (fazer careta, imitar bichos, etc), pois a criança passa a identificar expressões e amplia sua comunicação.

  • Participar de brincadeiras de roda ou de danças circulares (ex. “A Galinha do Vizinho”, “Ciranda, Cirandinha”, “A Linda Rosa Juvenil, etc) favorecem tanto o desenvolvimento da noção de ritmo individual e coletivo quanto à possibilidade de expressar as emoções”.

  • Para as crianças desenvolverem uma motricidade harmoniosa, é preciso que o professor cuide de sua expressão e posturas corporais ao se relacionar com as crianças, lembrando que seu corpo é um importante veículo expressivo e é um modelo para as crianças. Portando, deverá utilizar gestos, mímicas e movimentos adequados para cada situação de comunicação ou contato com as crianças.

  1. Equilíbrio e Coordenação (motricidade):

CONTEÚDOS:

  • Exploração de diferentes posturas corporais (exemplo: de frente, de costa, em pé, sentado, deitado), sentar-se em diferentes inclinações (exemplo: para um lado, de outro, de frente, de costas), inclinar-se em diferentes posições, ficar ereto apoiado na planta dos pés com e sem ajuda etc;

  • Ampliação progressiva da destreza para deslocar-se no espaço por meio da possibilidade constante de arrastar-se, engatinhar, rolar, andar, correr etc;

  • Aperfeiçoamento dos gestos relacionados com a preensão, o encaixe (exemplo: empilhar, enfiagem, pinça, rosca), o traçado no desenho, o lançamento, etc; por meio da experimentação e utilização de suas habilidades manuais em diversas situações cotidianas.

ORIENTAÇÕES DIDÁTICAS:

  • O professor deve organizar um ambiente com materiais que propiciem a descoberta e a exploração do movimento: objetos que rolem pelo chão, cilindros e bolas de diversos tamanhos, que sugiram à criança que se arrastem, engatinhem, role, caminhe; túneis que exigem abaixar, mobílias que sugiram posição ereta, almofadas para se deitar, etc;

  • O professor deve também organizar atividades que sejam novos desafios para o desenvolvimento das capacidades motoras. Geralmente tais atividades exigem materiais como: pneus, bancos, tábuas, túneis, pontes, rampas, labirintos, etc;

  • Propiciar também brincadeiras de estátua que ajudam a manutenção do tônus muscular por algum tempo;

  • Proporcionar o desenvolvimento de habilidades manuais através de estratégias como: jogos de encaixe, preensão e enfiagem, recortem a dedo, modelagem em massa e areia, etc.

OBSERVAÇÃO, REGISTRO E A AVALIAÇÃO FORMATIVA:

A avaliação do movimento deve ser contínua, considerando os processos vivenciados pela criança, graças ao trabalho intencional do professor. A observação cuidadosa sobre cada criança e sobre o grupo oferece elementos que auxiliam o professor na construção de uma prática que considere o corpo e o movimento das crianças. O professor deve atualizar sempre suas observações, documentando mudanças e conquistas quanto à expressividade do movimento e sua dimensão instrumental.

Para crianças de 03 anos são consideradas como experiências prioritárias para a aprendizagem do movimento, o uso de gestos e ritmos corporais diversos para expressar-se e deslocar-se no espaço sem ajuda. Para que isso ocorra é necessário oferecer condições para que as crianças explorem suas capacidades expressivas, aceitando com confiança desafios corporais.

EIXO: Música:

OBJETIVOS:

  • Ouvir, perceber e discriminar eventos sonoros diversos, fontes sonoras e produções musicais;

  • Brincar com a música, imitar, inventar e reproduzir criações musicais.

Os CONTEÚDOS estão organizados em 02 blocos:

  1. O fazer musical:

CONTEÚDOS:

  • Exploração, expressão e produção do silêncio e de sons com a voz, com o corpo, com o entorno e com materiais sonoros diversos;

  • Interpretação de músicas e canções diversas;

  • Participação em brincadeiras e jogos cantados e rítmicos.

ORIENTAÇÕES DIDÁTICAS:

É muito importante brincar, dançar e cantar com as crianças, levando em conta suas necessidades de contato corporal e vínculos afetivos. Deve-se cuidar para que os jogos e brinquedos não estimulem a imitação gestual mecânica e estereotipada. O canto tem grande importância na Educação Musical Infantil, pois integra melodia, ritmo e harmonia, desenvolvendo a audição. As letras devem ser simples e não haver excesso de gestos marcados pelo professor.

São importantes as situações nas quais se ofereçam instrumentos musicais e objetos sonoros para que as crianças possam explorá-los, imitar gestos motores que observam, percebendo as possibilidades sonoras resultantes.

  1. Apreciação musical:

CONTEÚDOS:

  • Escuta de obras musicais variadas;

  • Participação em situações que integrem músicas, canções e movimentos corporais.

ORIENTAÇÕES DIDÁTICAS:

A escuta musical deve-se integrar às atividades cotidianas das crianças. É bom usar um pequeno repertório durante algum tempo para que a criança estabeleça relações com o que escuta. Tal repertório deve conter músicas eruditas, populares, infantis, regionais, etc. A música não deve ser pano de fundo permanente para as atividades, pois o silêncio também precisa ser valorizado.

SUGESTÕES DE OBRAS MUSICAIS A SEREM TRABALHADAS: Verificar material constante em anexo.

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