Trabalho sobre Câncer de Cólon de Útero

Trabalho sobre Câncer de Cólon de Útero

1. INTRODUÇÃO

O presente estudo de caso foi realizado no Hospital Samur, no período entre fevereiro e maio de dois mil onze, no turno vespertino, na cidade de Vitória da Conquista-Ba. Este foi acompanhado pela supervisora Adriana da Silva Miranda e orientadora por Lucimara Piauí Soares.

O objetivo precípuo do estágio supervisionado em Nutrição Clínica é observar na prática como realizar uma avaliação nutricional, correlacionando os conhecimentos teóricos adquiridos em sala de aula com a vivência no ambiente hospitalar no contexto da atuação do nutricionista. Além disso, este estágio objetivou estudar o paciente I.F.A. com diagnóstico clínico de câncer de colo de útero.

O câncer do colo do útero é o segundo tipo de câncer mais frequente entre as mulheres, com aproximadamente 500 mil casos novos por ano no mundo, sendo responsável pelo óbito de, aproximadamente, 230 mil mulheres por ano. Sua incidência é cerca de duas vezes maior em países menos desenvolvidos quando comparada aos países mais desenvolvidos.

A incidência de câncer do colo do útero evidencia-se na faixa etária de 20 a 29 anos e o risco aumenta ligeiramente até atingir seu pico, comumente na faixa etária de 45 a 49 anos. Ao mesmo tempo, com exceção do câncer de pele, é o câncer que apresenta maior potencial de prevenção e cura quando diagnosticado precocemente. (BRASIL, 2000).

Em países desenvolvidos, a sobrevida média estimada em cinco anos varia de 51% a 66%. Nos países em desenvolvimento, os casos são encontrados em estádios relativamente avançados e, consequentemente, a sobrevida média é menor, cerca de 41% após cinco anos. A média mundial estimada é de 49%. É estimado que uma redução de cerca de 80% da mortalidade por esse câncer pode ser alcançada através do rastreamento de mulheres na faixa etária de 25 a 65 anos com o teste de Papanicolaou (BRASIL, 2000). O câncer de cólon de útero é o segundo tumor mais frequente na população feminina, atrás apenas do câncer de mama, e a quarta causa de morte de mulheres por câncer no Brasil. Por ano, faz 4.800 vítimas fatais e apresenta 18.430 novos casos. No Brasil houve um avanço na capacidade de realizar diagnóstico precoce, pois na década de 1990, 70% dos casos diagnosticados eram da doença invasiva, ou seja, o estágio mais agressivo da doença. Atualmente 44% dos casos são de lesão precursora do câncer, chamada in situ. Mulheres diagnosticadas precocemente e tratadas adequadamente, têm praticamente 100% de chance de cura (INSTITUTO NACIONAL DO CÂNCER, 2008).

O número de casos novos de câncer do colo do útero esperado para o Brasil no ano de 2010 será de 18.430, com um risco estimado de 18 casos a cada 100 mil mulheres. Desconsiderando os tumores de pele não melanoma, o câncer do colo do útero é mais incidente na Região Norte (Tabela 1).

Tabela 1. Incidência de câncer de colo do útero nas regiões brasileiras.

Região Norte

Região Centro-Oeste

Região Nordeste

Região Sul

Região Sudeste

23/100.000

20/100.000

18/100.000

21/100.000

21/100.000

Fonte: INCA, 2008

Estimativas para o ano 2010 das taxas brutas de incidência por 100.000 e de número de casos novos por câncer, em mulheres - Bahia/Salvador.

Localização PrimáriaNeoplasia maligna

Estimativa dos Casos Novos

Estado

Capital

Casos

Taxa Bruta

Casos

Taxa Bruta

Mama Feminina

1.970

26,95

780

54,37

Colo do Útero

1.030

14,03

260

18,44

Cólon e Reto

470

6,40

190

13,03

Traquéia, Brônquio e Pulmão

310

4,17

120

8,67

Estômago

380

5,18

110

7,80

Leucemias

210

2,83

60

4,50

Cavidade Oral

260

3,51

70

4,74

Pele Melanoma

60

0,76

20

1,43

Esôfago

110

1,54

40

2,58

Outras Localizações

2.800

38,23

1.570

109,58

Subtotal

7.600

103,78

3.220

224,73

Pele não Melanoma

3.350

45,69

410

27,97

Todas as Neoplasias

10.950

149,54

3.630

253,43

Fonte: INCA, 2010

2. REVISÃO DE LITERATURA

De acordo o prontuário hospitalar a paciente I. F. A., apresentou câncer de colo do útero.

Câncer de Colo do Útero

O câncer é considerado uma doença das células corporais, esse dano se acumula com decorrer do tempo, causando disseminação para as neoplasias (KRAUSE, 2005. p 953).

O colo do útero é a parte mais baixa e estreita do útero, órgão do aparelho reprodutor feminino que tem duas partes: o corpo do útero (onde o bebê se desenvolve) e o colo, que liga o útero à vagina (INCA, 2008).

O câncer de colo de útero tem início no tecido que reveste a sua região que se desenvolve lentamente. Algumas células normais se transformam em células pré-cancerosas e posteriormente em cancerosas. Esse processo pode levar anos, embora em alguns raros casos seja acelerado. Tais alterações recebem vários nomes, entre eles displasia (INCA, 2008).

Existem dois tipos principais de câncer de colo do útero: os carcinomas de células escamosas (representa entre 80% e 90% dos casos) e os adenocarcinomas (representa entre 10% a 20%).

O carcinoma invasivo de células escamosas permanece bem localizado por uma duração considerável de tempo, com as metástases á distância ocorrendo apenas tardiamente em sua evolução. A disseminação do tumor se faz por proximidade e via linfáticos, portanto um tratamento eficaz deve incluir os nódulos afetados, bem como o tumor primário, sem lesar excessiva ou irreversivelmente os tecidos circundantes do corpo. Com as aplicações de césio são suficientes para destruir o tumor primário, para o carcinoma de células escamosas invasivas, a taxa de sobrevida em 5 anos é de 55%. Nos Estágios I e II, as taxas de cura por 5 anos são de75 a 90%.(INCA, 2008).

  • Adenocarcinomas:

Em relação aos sintomas o câncer do colo do útero tem o desenvolvimento lento que pode cursar sem sintomas em fase inicial e evoluir para quadros de sangramento vaginal intermitente ou após a relação sexual, secreção vaginal anormal e dor abdominal associada a queixas urinárias ou intestinais nos casos mais avançados.

Existem fatores que aumentam as chances para o desenvolvimento do câncer do colo do útero, são eles: infecção por HPV, fumo, infecção por HIV, alimentação, Dietilstilbestrol (DES), histórico familiar.

- Infecção por HPV (papilomavírus humano): é o mais importante fator de risco. Estudos demonstram que o vírus está presente em mais de 90% dos casos de câncer cervical. O HPV é transmitido sexualmente e o risco de infecção é maior em quem tem início precoce da vida sexual e mantém relações sexuais sem proteção. O risco é maior também entre as mulheres que têm múltiplos parceiros ou que mantêm relações com homens que têm várias parceiras. O teste de Papanicolaou detecta alterações nas células provocadas pelo HPV e, embora não haja tratamento para a infecção, o crescimento celular anormal que ele provoca pode e deve ser tratado. Embora seja o mais importante fator de risco para o câncer de colo de útero, a maioria das mulheres infectadas não vai desenvolver a doença. A prevenção pode ser feita usando-se preservativos (camisinha) durante a relação sexual, para evitar o contágio pelo HPV (INCA, 2010)

- Fumo: mulheres fumantes têm duas vezes mais chance de ter câncer de colo de útero em relação às que não fumam. A fumaça do cigarro produz compostos químicos que podem danificar o DNA das células do colo do útero e aumentar o risco de o câncer se desenvolver.

  - Infecção por HIV: o vírus da Aids também pode ser um fator de risco, na medida em que enfraquece as defesas do organismo e reduz sua capacidade de combater o vírus e o câncer em seus estágios iniciais. 

- Alimentação: uma dieta rica em frutas, verduras e legumes diminui o risco de câncer de colo de útero e de outros cânceres. Mulheres com excesso de peso também apresentam risco aumentado.

  - Dietilstilbestrol (DES): esse hormônio foi usado entre 1940 e 1970 em mulheres com risco de aborto espontâneo, mas suas filhas apresentam risco maior de ter câncer da vagina e colo de útero.

  - Histórico familiar: estudos recentes mostram que mulheres cujas mães ou irmãs tiveram câncer de colo de útero correm maior risco de desenvolver a doença.

Outro fator importante no câncer do colo do útero é o início precoce da atividade sexual e múltiplos parceiros.

Prevenção

  O exame de Papanicolau ou "preventivo de câncer de colo do útero" é o teste mais utilizado para detecção precoce do câncer de colo do útero, ele consiste em um teste que examina as células coletadas do colo do útero. O objetivo do exame é detectar células cancerosas ou anormais e também identificar condições não cancerosas como infecção ou inflamação, é feito geralmente em consulta ginecológica (INCA, 2010).

  - Todas as mulheres devem fazer o Papanicolaou anual a partir dos 21 anos ou a partir do terceiro ano após o início de sua vida sexual.

  - A partir dos 30 anos, mulheres que tiveram três Papanicolaous normais seguidos podem fazer o teste a cada 2 ou 3 anos, ou fazer o Papanicolaou a cada 3 anos junto com o teste de DNA de HPV.

  - Mulheres portadoras do HIV ou com problemas de sistema imunológico devem fazer o exame anualmente.

  - Mulheres com 70 anos ou mais que tiveram 3 ou mais testes normais em seqüência (e nenhum resultado anormal em 10 anos) podem parar de fazer exames.

Tratamento

O tratamento do câncer de colo de útero depende do estágio da doença. Existem três tipos: a cirurgia, quimioterapia e radioterapia.

Cirurgia: existem vários tipos de cirurgia, algumas envolvendo apenas a lesão e outras compreendendo a remoção do útero (histerectomia), as mais usadas estão:

 Cirurgia a laser: aqui o laser é usado para queimar as células ou remover uma pequena amostra de tecido para análise. O procedimento é usado apenas nos casos de câncer pré-invasivo.

 Conização ou biópsia em cone: é a retirada de uma porção do colo de útero em forma de cone. Muitas vezes é usada como o único tratamento nos casos de Neoplasia Intra-epitelial (NIC) do colo do útero, ou seja, quando não há invasão dos tecidos.

Histerectomia vaginal simples: é a retirada do colo de útero e do útero através da vagina.

 Histerectomia abdominal: é a remoção do útero e colo do útero por meio de incisão abdominal.

A salpingooforectomia bilateral: envolve a remoção dos ovários e trompas de Falópio e é realizada ao mesmo tempo.

Histerectomia radical: consiste na retirada do útero com os seus ligamentos (paramétrios) e da parte superior da vagina. 

Exenteração pélvica: além da retirada de colo do útero, útero e gânglios linfáticos, neste procedimento outros órgãos podem ser removidos.

Quimioterapia: é o uso de medicamentos, injetados ou administrados por via oral, que caem na corrente sangüínea e atingem todo o organismo. A quimioterapia não mata apenas as células cancerosas, mas afeta também as normais, provocando efeitos colaterais, entre eles: perda de apetite, perda temporária dos cabelos, aparecimento de lesões na boca, diarréia, maior suscetibilidade a infecções, por causa da redução no número de glóbulos brancos, aparecimento de hematomas após pancadas leves ou de sangramentos em cortes pequenos por causa da queda na quantidade de plaquetas no sangue, cansaço ou falta de fôlego, causado pela diminuição no número de glóbulos vermelhos.

  A maioria dos efeitos colaterais desaparece com a interrupção do tratamento e pode ser combatida com medicamentos.

Radioterapia: tratamento que utiliza raios de alta energia para matar células cancerosas, pode ser de fonte externa ou interna (braquiterapia).

O tipo de tratamento dependerá do estadiamento da doença, são eles:

TratamentoO tratamento para cada caso deve ser avaliado e orientado por um médico. Entre os tratamentos mais comuns para o câncer do colo do útero estão a cirurgia e a radioterapia. O tipo de tratamento dependerá do estadiamento da doença, tamanho do tumor e fatores pessoais, como idade e desejo de ter filhos. SintÉ uma doença de desenvolvimento lento que pode cursar sem sintomas em fase inicial e evoluir para quadros de sangramento vaginal intermitente ou após a relação sexual, secreção vaginal anormal e dor abdominal associada a queixas urinárias ou intestinais nos casos mais avançEstágio 0 ou Carcinoma in situ é o câncer em sua fase mais inicial. As células anormais são encontradas apenas na primeira camada de células no revestimento da cérvice e não invadem tecidos mais profundos.Estágio I: o câncer envolve toda a cérvice, mas não se espalhou pelos arredores. No Estágio IA, o câncer é pequeno, visualizado apenas com microscópico, nas camadas mais profundas da cérvice, enquanto que no Estágio IB o tumor possui um volume um pouco maior. Estágio II: o câncer se espalhou para locais vizinhos, mas ainda está confinado à pelve.

Estágio IIA, o câncer se espalhou e já atingem os dois terços superiores da vagina. Estágio IIB, o câncer se espalhou nos tecidos circunjacentes ao colo uterino.Estágio III: o câncer se espalhou pela pelve, algumas vezes já comprometendo a porção mais inferior da vagina. As células também podem se espalhar, bloqueado os ureteres (tubos que conectam os rins à bexiga).Estágio IV: o câncer se espalhou para outras partes do corpo. No Estágio IVA, o câncer pode ser encontrado em órgãos próximos, como bexiga ou reto. No Estágio IVB, observa-se acometimento de órgãos mais distantes, como os pulmões.Recorrente: significa que o câncer voltou após ter sido tratado. Ele pode recorrer na cérvice ou em outros locais.

A avaliação do estado nutricional deve sempre preceder ao tratamento, independente da localização do tumor e de qualquer terapêutica que seja seguida, pois permite à correção de hábitos alimentares inadequados que por acaso estejam presentes, e no caso de déficit nutricional ou obesidade, o tratamento precoce abranda a incidência da morbidade e mortalidade. (DUARTE, 2007; P.308)

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