Navegação

Navegação

(Parte 1 de 2)

Introdução5
1 Conceitos básicos5
1.1 Paralelos, meridianos e coordenadas geográficas5
1.2 Cartas náuticas7
1.3 Rumos e marcações9
1.4 Plotagem da posição16
1.5 Derrota na carta náutica19
2 Equipamentos náuticos20
2.1 Agulhas20
2.2 Piloto automático21
2.3 Odômetro2
2.4 Anemômetro2
2.5 Radar23
2.6 Ecobatímetro24
2.7 Sistema de posicionamento global (GPS)25
2.8Sistema de Socorro e Segurança Marítimos (GMDSS)26

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Introdução

Um dos assuntos mais importante para os marítimos é a arte de navegar, que propicia o conhecimento da sua posição no mar e de como chegar ao seu destino. Esta disciplina transmite conhecimentos sobre navegação que são fundamentais para todos os que escolheram o mar como ambiente da sua profissão.

1 Conceitos básicos 1.1 Paralelos, meridianos e coordenadas geográficas

Paralelos

Para facilitar a orientação, a Terra foi dividida em círculos horizontais a partir do

Equador, 90º para o norte e 90º para o sul; esses círculos aparecem nas cartas náuticas como linhas horizontais e são chamados de Paralelos. Eles vão determinar as latitudes dos lugares.

paralelos

Meridianos

A Terra foi dividida em círculos máximos passando pelos pólos; como ponto de partida para contagem, foi escolhido o meridiano de Greenwich que passa na cidade de Londres na Inglaterra. A partir desse meridiano são contados 180º para o leste e 180º para oeste. Eles vão determinar as longitudes dos lugares.

meridianos

Latitude

É o arco de meridiano compreendido entre o Equador e o paralelo do lugar. É contada de 00° a 90° a partir do Equador para o Norte e para o Sul.

latitude Exemplos:

ϕ = 20° 30.0’ N ϕ = 30° 45.5’ S

Longitude

É o arco de Equador compreendido entre o 1° meridiano (meridiano de Greenwich) e o meridiano do lugar. É contada de 000° a 180° para leste e para oeste.

longitude

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Exemplos:

λ = 045° 25.3’ W λ = 157° 54.6’ E

1.2 Cartas náuticas

A carta náutica é acessório indispensável a quem navega, pois é a representação gráfica do litoral e dos mares apresentando acidentes geográficos, profundidades e dando outras indicações necessárias ao navegante.

Tendo-se terra à vista ou não, o uso da carta é indispensável, pois é sobre ela que:

•coloca-se a posição da embarcação; •traçam-se os rumos a navegar ou navegados; e

•medem-se as distâncias aos pontos de terra e as que foram percorridas na derrota.

Escala As cartas náuticas são fabricadas em escala de acordo com a sua utilização. Escala natural

É a relação entre a distância de dois pontos medidos na carta e a distância entre esses mesmos pontos medidos na Terra.

Se tivermos uma escala de 1:200.0 significa que 1 cm medido na carta representam 200.0 cm na Terra.

As cartas para trechos longos são chamadas de cartas gerais; é como se fossem fotografias tiradas de longe, abrangendo um grande trecho de costa e de mar, tendo uma escala pequena e, por isso, apresentam os detalhes em tamanho reduzidos.

As cartas chamadas de particulares abrangem um trecho menor; é como se fosse uma fotografia tirada mais de perto. Possuem escalas maiores permitindo mostrar mais detalhes sobre o local.

Os planos são utilizados para áreas que exijam todos os detalhes do local: portos, trechos de rios, etc.

Nas cartas náuticas são apresentadas várias informações importantes para o navegador, tais como: latitudes (nas laterais da carta), longitudes (nas partes de cima e de baixo) e as profundidades do local (em metros) dispostas ao longo de toda a extensão da carta. Os trechos de mesma profundidade são representados por uma linha chamada de isobática.

Aparecem na carta náutica outras informações, tais como: título e número da carta, autoridade que a confeccionou e fez os levantamentos de dados (no caso do Brasil é a DHN o órgão responsável por essas informações), nível de redução das sondagens, altitudes, etc.

São apresentados nas cartas náuticas auxílios à navegação, tais como: faróis, faroletes e pontos notáveis do relevo da costa. Para orientação são impressas rosas dos ventos com a orientação do Norte Verdadeiro e informações para se identificar o Norte Magnético.

trecho de uma carta náutica

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1.3 Rumos e marcações

As cartas náuticas são orientadas pelo norte verdadeiro, Norte Padrão, sem interferência da declinação magnética local.

Apresentam também uma rosa dos ventos com o Norte Magnético ou a declinação magnética local representada e com os dados para as correções necessárias.

Rumo É direção e o sentido que sua embarcação segue para ir de um ponto a outro.

Rumo Verdadeiro É o ângulo entre o Norte Verdadeiro e a proa de embarcação. É contado no sentido horário de 000° a 360°.

rumo verdadeiro

Declinação Magnética (dmg)

Uma agulha magnética indica o Norte-Sul magnéticos, porém existe uma diferença angular entre o Norte Verdadeiro e o Norte Magnético. Essa diferença é chamada de declinação magnética. De acordo com a região da Terra, ela pode ser leste ou oeste. Essa diferença consta das cartas náuticas e pode ser atualizada.

declinação magnética

Atualização da declinação magnética

Exemplo: Declinação magnética para 2000 é de 22°30’W, aumento de 10’ ao ano. Em 2003 a declinação magnética no local será calculada da seguinte forma:

Desvio da Agulha Magnética (dag)

A bordo de um navio mercante fabricado em aço, existe um campo magnético causado pela sua própria estrutura e a carga que está transportando.

Por essa razão, devemos calcular o desvio da agulha freqüentemente através de alinhamentos ou azimutes. Os desvios da agulha podem ser para leste ou para oeste.

1 NAVNAV desvio da agulha magnética Exemplo: dag = 2° W

Variação da Agulha Magnética (vag)

A variação da agulha magnética é o somatório algébrico da declinação magnética com o desvio de agulha.

variação da agulha magnética

Exemplos de cálculo: a) dmg = 18° W e dag = 2° E

Vag = 18 – 2 Vag = 16° W b) dmg = 17° W e dag = 1° W

Vag = 17 + 1 Vag = 18 W

Rumo Magnético

É o ângulo entre o Norte Magnético e a proa do navio. É contado no sentido horário de 000° a 360°.

Rumo magnético

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Rumo da Agulha

É o ângulo entre o Norte da Agulha e a proa do navio. É contado no sentido horário de 000° a 360°.

Rumo da agulha

Marcação verdadeira

É o ângulo entre o Norte Verdadeiro e o objeto a ser marcado: farol, ponta, ilha, etc. É contada de 000º a 360º no sentido horário.

Marcação verdadeira

Marcação Magnética

É o ângulo entre o Norte Magnético e o objeto a ser marcado. É contada de 000° a 360° no sentido horário.

Marcação magnética

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Marcação da Agulha

É o ângulo entre o Norte da Agulha e o objeto a ser marcado. É contado de 000° a 360° no sentido horário.

Marcação da agulha

Marcação Relativa

É o ângulo entre a proa da embarcação e o objeto. É contada no sentido horário de 000° a 360° a partir da proa da embarcação.

Marcação relativa

Marcação Polar

É o ângulo entre a proa da embarcação e o objeto. É contada da proa para boreste e para bombordo de 000° a 180°.

Marcação polar

1.4 Plotagem da posição

A determinação da posição na carta náutica é feita através das coordenadas geográficas: latitude e longitude. São utilizados os instrumentos normais do navegador: a régua de paralelas e o compasso de navegação.

Régua de paralelas e compasso

17 NAVNAV a) Dadas as coordenadas, plotar uma posição na carta:

Seja por exemplo: plotar a posição 41º 09.5’ N e 070º 4.0’ W. Com a régua paralela traça-se um paralelo correspondente à latitude. Com o compasso, mede-se na escala de longitude a abertura conveniente que leva-se para cima do paralelo traçado.

Plotando uma posição na carta b) Dado um ponto na carta, determinar suas coordenadas:

Com o compasso de navegação e uma das pontas na posição, descreve-se um arco tangenciando o paralelo mais próximo. Leva-se, sem mexer na abertura, até a escala das latitudes. Posiciona-se sobre o paralelo da maneira indicada e lê-se o número de graus e minutos.

Com o compasso e uma das pontas na posição, descreve-se um arco tangenciando o meridiano mais próximo. Leva-se, sem mexer na abertura, até a escala de longitudes. Posiciona-se sobre o meridiano da maneira indicada na figura e lê-se o número de graus e minutos.

Determinando as coordenadas de um ponto c) Dados dois pontos, determinar o rumo entre eles:

Na figura aparecem dois pontos A e B já plotados; vamos traçar o rumo entre os dois pontos. Para se medir o rumo entre eles, une-se por uma linha reta os dois pontos, coloca-se a régua de paralelas sobre a linha e leva-se a régua até a rosa dos ventos mais próxima; encontraremos o rumo verdadeiro 055º.

Determinando o rumom entre dois pontos d) Medir distância entre dois pontos:

As distâncias são medidas em milhas náuticas; cada milha náutica tem 1.852 metros. Nas cartas náuticas as distâncias são medidas na escala de latitudes.

Devemos colocar uma das pontas do compasso no início do trecho a medir e a outra ponta no outro ponto; pega-se esta distância medida no compasso e lê-se na escala de latitude quantos minutos vão corresponder (cada minuto de latitude corresponde a uma milha náutica). No caso de grandes distâncias, divide-se o trecho e mede-se passo a passo.

Medindo distâncias

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1.5 Derrota na carta náutica

O traçado da derrota na carta náutica exige conhecimentos sobre utilização das cartas náuticas; é necessário estabelecer o ponto de partida e o ponto de chegada e o caminho que será utilizado para ir de um ponto a outro.

Após determinados estes pontos, traçam-se os rumos entre os trechos como já foi explicado, considerando-se os efeitos de ventos e correntes da região na qual se pretende navegar.

Nos trechos da derrota devemos ter informações sobre as distâncias entre os pontos, velocidade que o navio vai navegar e o tempo de viagem que vai ser necessário. Com esses dados e mais os dados de vento e corrente, podemos saber os momentos das mudanças de rumo e o próximo rumo a seguir, o tempo de viagem em cada trecho e a Hora Estimada de Chegada (ETA).

RumosAxBBxC _
DistânciasAxBBxC _

Trecho de derrota com pontos A, B e C. Tempo de ViagemAxB _________BxC _

2 Equipamentos náuticos

2.1 Agulhas

Agulha magnética

É baseada na propriedade de que uma barra magnética suspensa levemente por um fio aponta sempre para o Norte Magnético. A bordo, a agulha magnética está instalada no tijupá, o mais longe possível das influências dos ferros de bordo.

Requisitos essenciais para uma boa agulha: • Sensibilidade A agulha deve indicar as inúmeras variações de rumo. • Estabilidade

O rumo indicado pela agulha deve ser mantido a despeito dos movimentos de caturro, balanços e arfagem do navio.

Agulha magnética

Agulha giroscópica

É a agulha que nos fornece o Norte Verdadeiro. Ela se baseia no princípio do giroscópio livre, um motor que tem liberdade para girar em torno de três eixos: um eixo de rotação, um eixo horizontal e um eixo vertical. Um giroscópio, quando em alta velocidade, apresenta duas propriedades: inércia giroscópica e precessão.

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Inércia giroscópica é a propriedade que o giroscópio livre tem de manter seu eixo de rotação sempre apontado para o mesmo ponto.

Precessão é a propriedade que o giroscópio livre tem de, ao ser aplicada uma força tentando deslocar o eixo de rotação de sua direção, em vez de o eixo se mover na direção da força o faz num plano que forma 90° com a direção da força aplicada. Aproveitando-se dessas duas propriedades e aplicando-se forças convenientes, podemos orientar nosso rotor para o meridiano geográfico.

Agulha giroscópica 2.2 Piloto automático

É um aparelho para controle automático do rumo. Este aparelho permite manter o navio no rumo sem necessidade de timoneiro. Além de dispensar o homem do governo do navio, o piloto automático apresenta a vantagem no consumo de combustível e menor desgaste de máquina do leme.

Piloto automático

2.3 Odômetro São aparelhos que indicam a distância percorrida.

•Odômetro do tipo Pitot (odômetro de fundo)

Pressão estática do fluido é a pressão que o fluido em repouso exerce sobre um corpo imerso.

Pressão dinâmica é a pressão que o corpo exerce devido a seu movimento.

Pressão total é a soma das duas pressões.

O odômetro do tipo Pitot possui uma haste sensora, em cujo interior existem dois tubos; um tubo que abre para vante e outro que abre para ré. Quando o navio se movimenta para vante, a porta de vante recebe pressão total. O tubo que abre para ré fica exposto à pressão estática. Conhecendo-se as duas pressões, pode-se calcular a pressão dinâmica que dá a velocidade do navio.

•Odômetro Doppler

Efeito Doppler é a mudança da freqüência de uma onda quando a fonte de vibração e o observador estão em movimento.

Um odômetro Doppler possui no corpo um transdutor de emissão e um de recepção.

A diferença de freqüências entre a emissão e a recepção do sinal é diretamente proporcional à velocidade do navio.

2.4 Anemômetro

Instrumento utilizado para medir a velocidade do vento, que é obtida em m/seg, km/h, nós ou através da escala de Beaufort, que coloca faixas de velocidade do vento numa escala que vai até a força 12 (furacões).

O anemômetro consiste basicamente de três ou mais conchas montadas em hastes horizontais, que são fixadas em um eixo vertical. As rotações do eixo vão gerar informações de velocidade do vento para um indicador; as leituras dos anemômetros são afetadas pela velocidade do navio e devem ser corrigidas para se determinar a velocidade real do vento; isto é feito por meio de comparações dos vetores velocidade e direção do vento aparente e rumo e velocidade do navio.anemômetro odômetro

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Antena radar 2.5 Radar

Radar é um aparelho eletrônico que usa a reflexão de ondas-rádio para detectar objetos que não são visíveis normalmente, por estarem na escuridão, ocultos por nevoeiros ou por estarem a grandes distâncias, etc.

A palavra RADAR tem origem nas letras iniciais da frase em inglês: “Radio Detection And Ranging “.

Os radares para navegação marítima operam nas faixas de freqüências “X” e “S”.

Os radares modernos são radares ARPA, que fornecem todas as informações para o navegador automaticamente. Além de apresentarem muitos recursos, fornecem uma imagem bem definida e colorida, facilitando a tomada de decisões.

Koden radar pc

A apresentação do PPI (Plan Position Indicator) de um radar pode ser de dois tipos:

•apresentação em movimento relativo •presentação em movimento verdadeiro

Na apresentação em movimento relativo o navio aparece fixo no centro da tela; os alvos e a terra é que se movimentam.

Na apresentação em movimento verdadeiro o navio e os alvos se movimentam na tela; a terra e os alvos fixos permanecem parados.

Apresentação em movimento relativo não estabilizada.

Em (A) temos que o nosso navio segue um rumo qualquer. Então ele altera o rumo para boreste de 60º.

Em (B) temos que a imagem se desloca sobre a tela para bombordo, ficando toda borrada e impedindo a tomada de marcações e distâncias acertadas até uns poucos minutos após a alteração. O pequeno eco, que representa uma bóia, também fica borrado.

2.6 Ecobatímetro

Os ecobatímetros medem a profundidade local, por meio da emissão de pulsos e a recepção do seu eco após tocar no fundo do mar. A profundidade medida é a partir do fundo da embarcação; para encontrarmos a profundidade do local, devemos somar o calado da embarcação.

Ecobatímetro

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O GPS é um sistema de rádio-navegação baseado em 24

2.7 Sistema de posicionamento global (GPS) satélites, dimensionado e aprovado pelo sistema de defesa dos Estados Unidos. O GPS permite que os usuários, em terra, no mar ou no ar determinem suas posições através das coordenadas geográficas: latitude e longitude, altitude, velocidade e hora. O sistema fornece informações vinte e quatro horas para qualquer lugar do mundo, não sofrendo interferências das condições atmosféricas no local.

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