Artigo Edelzia

Artigo Edelzia

FACULDADE DE NOROESTE DE MINAS- FINON

EDELZIA REGINA DA ROCHA VAN DER VEERE

O UNIVERSO LÚDICO NO ENSINO DA MATEMÁTICA

Feira de Santana

2011

EDELZIA REGINA DA ROCHA VAN DER VEERE

O UNIVERSO LÚDICO NO ENSINO DA MATEMÁTICA

Artigo Científico à Faculdade de Educação-FINON, como requisito parcial para obtenção de título de Especialista no Ensino de Matemática.

Orientador: Henrique Manhães

Feita de Santana

2011

SUMÁRIO

  1. INTRODUÇÃO........................................................................................................... 3

  1. A MATEMÁTICA E A CIDADANIA...................................................................... 4

  1. O ENSINO DA MATEMÁTICA E O CONHECIMENTO..................................... 6

  1. EDUCAÇÃO LÚDICA................................................................................................ 8

  1. CONSIDERAÇÕES FINAIS.................................................................................... 12

REFERÊNCIAS.....................................................................................................................14

O UNIVERSO LÚDICO NO ENSINO DA MATEMÁTICA

Edelzia Regina da Rocha Van Der Veere1

RESUMO

Trata-se de um artigo de revisão que porta-se á ludicidade no Ensino Matemático. Compete discutir e compreender o lúdico como um empreendimento ao desenvolvimento integral do estudante. Pressupõe que o lúdico, usado como estratégia de ensino, seja uma ação inerente ao crescimento total do sujeito, na construção da sua identidade e consolidação de habilidades; otimizando inúmeros fatores positivos para o ensino-aprendizagem, sanando dificuldades de aprendizado apresentadas durante o educacional. Para tanto, baseia-se, nos jogos e brincadeiras, que devem ser trabalhados, nas aulas de matemática, com objetivos claro quando, por quê e para quê, levando o aluno a construir seu conhecimento, através do seu pensamento lógico matemático. O professor é a base, e que seu papel é propor situações que levem o discente á novos conhecimentos, atentado em suas observações, fazendo dessa ocasião para reelaborar suas hipóteses e definir novas propostas educativas, interagindo com esses recursos, contribuindo, na formação de sujeitos participativos, autônomo e transformadores da realidade. Portanto, apresentamos aqui, sobre as necessidades de o professor ser matematicamente competente, adotando ação educativa lúdica, buscando assim, aprendizagem significativa, atrativa e, mas humanizada.

Palavras-chave: ensino matemático, cidadania, ludicidade.

  1. INTRODUÇÃO

O presente artigo aborda sobre a Educação lúdica no ensino de matemática, levando em conta que atualmente, passamos por uma série crise na educação: alunos desmotivados a produzir conhecimentos, gerando alto índice de fracasso escolar e professores angustiados por não conseguirem despertar o interesse dos alunos para o querer aprender, não garantindo dessa forma, os conteúdos matemáticos necessários para a vida do educando. Essas dificuldades de aprendizagem bem como as deficiências no ensino da matemática constituem, já há algum tempo, preocupação para os estudiosos cujas investigações são dedicadas às questões inerentes à aplicação de metodologias no ensino da matemática.

Assim, pretende-se nesse artigo apresentar uma reflexão acerca da importância do papel dos jogos e brincadeiras no ensino de matemática, de modo a evidenciar que esses podem ser uma alternativa metodológica motivadora que facilita a apreensão de conceitos matemáticos trabalhados. Visa incentivar os educadores a explorarem os jogos e brincadeiras em classe percebendo neles mais um material para reflexão e organização da aprendizagem dos alunos sabendo selecionar, explorar, modificar e até mesmo criar novos jogos matemáticos.

Neste sentido, algumas questões nortearam o presente estudo: Como podemos em sala de aula expandir o horizonte de conhecimento dos alunos ao usarmos os jogos como recurso metodológico? Até que ponto podemos fragmentar o senso comum de que os jogos não podem auxiliar na apropriação de conhecimentos matemáticos?

Pressupomos que os jogos e brincadeiras não são compreendidos como recursos pedagógicos motivador e mediador de apreensão de conteúdos matemáticos, sendo visto apenas como divertimento e que estes podem dispersar a atenção e até mesmo banalizar o ensino de matemática.

Diante disso, planejamos este documento, em consonância com idéias de pensadores, da magnitude de Santaló (2001), Morangon (2005), Vygostsky ( 1989) entre outros que defendem a ludicidade como recursos metodológico e cujas concepções baseiam-se no princípio que o individuo não adquire conhecimento e sim constrói. O processo de conhecimento é feito pelo sujeito em sua interação com meio e durante toda a sua vida. Na visão desses teóricos fica claro que todos, de uma forma ou de outra, buscam a construção de conhecimento de uma maneira agradável, interessante e, principalmente significativa.

Assim, optamos em abordar nesse artigo, intitulado “O Universo da Ludicidade no Ensino Matemático’’, tematizando Matemática e Cidadania; O ensino da matemática e conhecimentos e Educação lúdica.

  1. A MATEMÁTICA E A CIDADANIA

Muito tem falado sobre a necessidade formar sujeitos para a cidadania. Mas é preciso discutir o seu significado, principalmente no caso da matemática que é uma área de conhecimento, onde estuda as múltiplas e variáveis de aprendizagem e o ensino matemático, o qual muitas vezes é identificado como emaranhado de números, porém, essa disciplina é construída a partir da interação do homem com aspectos naturais, sociais e culturais do seu entorno no sentido de compreender e transformar a realidade, uma vez que, como demais ciência reflete as leis sociais e serve de poderoso instrumento para o conhecimento do mundo e do domínio da natureza. Segundo Bassanezi (2001, p.172), diz que:

A matemática aplicada moderna pode ser considerada como a arte de aplicar matemática e situações problemáticas. E esse elo com a ciência que distingue o matemático aplicado do matemático puro, a diferença consiste, essencialmente na atitude de se pensar e fazer matemática.

Neste sentido, ao mencionarmos a matemática e a cidadania, não pretendemos de forma alguma, considerar formal como condição que deva ser atendida antes para o exercício da cidadania, pois está é garantida ao cidadão, tenha ele uma educação formal ou não, mas sim, refletir o ensino de matemática na escola e de que esse ensino pode contribuir, para o exercício da cidadania democrática, por que as pesquisas em Educação matemática apontam para mudanças no ensino. No entanto, preocupações com a prática pedagógica não são prerrogativas dos dias atuais. Os Parâmetros Curriculares do terceiro e quarto ciclos do ensino fundamental (1997. P.26 ), afirma que:

Falar em formação básica para cidadania significa refletir sobre as condições humanas de sobrevivência, sobre a inserção das pessoas no mundo do trabalho, das relações sociais e da cultura e sobre o desenvolvimento da critica e do posicionamento diante das questões sociais. “Assim, é importante refletir a respeito da colaboração que a matemática tem de oferecer com vistas, á formação da cidadania.

Sendo assim, é necessário refletimos não só sobre os conhecimentos matemáticos a partir da ação de um profissional, porque falar em formação para a cidadania implica ter-se em conta um ensino em que o estudante tenha condições plenas para saber utilizar diferentes fontes de informações e recursos tecnológicos, com objetivos de adquirir e fazer construções de conhecimentos, como também no desafio que se impõe a todos os educadores nesses tempos de mudanças, que é avançar as práticas, implementado valores, princípios e eixos estruturantes transversalmente nos currículos ensinados, dando a alma ao corpo das novas legislações e aos pilares de educação: aprender a conhecer, aprender a fazer, aprender a conviver e aprender a ser mais e melhor. Conforme os PCNs do terceiro e quarto ciclos (1997, p.42), diz que:

[...] Ao revelar a matemática como uma criação humana, ao mostrar necessidades e preocupações de diferentes culturas, em diferentes momentos históricos, ao estabelecer comparações entre conceito e processos matemáticos do passado e do presente,o professor cria condições para que o aluno desenvolva atitudes de valores mais favoráveis diante desse conhecimento.

Nesta perspectiva, além do professor informar, explicar ou instruir, deve possibilitar a problematização, visto que é uma atitude construturista, isto é , favorece a construção do conhecimento por parte dos alunos, além de estimular a comunicação matemática dos estudantes. Suas opiniões, em especial em matemática, devem sempre ser ouvidas e discutidas quando necessário. Sobre estes aspectos Huizinga (1971, P.30), afirma a que a criança para se desenvolver, não deveria apenas olhar e escutar, mas agir e produzir.

Portanto, de nada adianta estimular o raciocínio se, depois, não se da atenção as idéias produzidas. Desse modo, é preciso criar situações nas quais o aluno possa propor explorar e investigar os problemas matemáticos, os quais provem tanto de atividades reais, como de posição lúdica. Para ampliar a perspectiva sobre a ludicidade, Regina Celia Grando, em sua tese, de doutorado “O conhecimento matemático e o uso dos jogos em sala de aula” (2004), afirma que:

A necessidade do homem em desenvolver as atividades lúdicas, ou seja, cujo fim seja o prazer que a própria atividade pode oferecer, determina a criação de diferentes jogos e brincadeiras. Estas necessidades não é minimizada ou modificada em função da idade do individuo. Exercer as atividades lúdicas representa uma necessidade para as pessoas em qualquer momento de suas vidas. “Se obsevarmos nossas atividades diárias, identificamos várias atividades lúdicas. (GRANDO, 2004, p.12).

Diante disto, o lúdico pode ser visto como um meio facilitador do aprendizado para o discente, de modo que os jogos e brincadeiras podem ser sobre postos como desafios cognitivos para adequar as propostas aos interesses dos profissionais, porque a idéia do lúdico como recurso pedagógico direcionado a ação de aprender nas áreas de conhecimentos, destaca-se com expressividade entre assuntos da prática pedagógica de por estarem inerentes as questões do conhecimento.

Neste sentido, é essencial que o educador proporcione contexto significativo de pesquisa e exploração, com base nos quais se podem aprender conceitos, idéias e procedimentos matemáticos. Macedo (1994) enfatiza que:

O espírito experimental do professor e seu compromisso com o futuro, no presente da sala de aula. O espírito transmissível, igualmente é seu compromisso com o passado no presente, com as coisas que não ser podem esquecer. E isso leva a necessidade continua de um melhor conhecimento [...]. E, além disso, tudo, pode se acrescentar mais outra necessidade: como ordenar todos esses pontos de vistas com uma educação comprometida com a cidadania das crianças. (MACEDO, 1994, p.60-61)

Sendo assim, faz-se necessário refletir sobre a questão interna da escola. É o momento da escola, professor e todos os envolvidos no universo escolar se apoderarem sobre o espírito da cidadania desenvolvido entre eles, pois a cidadania tem de ser vivenciada, refletida, construída paulatinamente, com paciência, dedicação e exemplo. Para tanto, exercer a cidadania é essencial que todas as pessoas tenham domínio da escrita e do conhecimento matemático, a partir de um ensino calçado no desenvolvimento do raciocínio, no senso de observação e da visão do mundo. Conforme a lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (9394/96), em seu artigo 22, dispõe que: a educação básica tem por finalidade desenvolver ao educando assegurar-lhe a formação comum indispensável para o exercício da cidadania e fornecer lhes meios para progredir no trabalho e seus estudos posteriores.

Diante o exposto, é necessário acreditar no desabrochar da cidadania. E sendo educador elemento imprescindível nesse desafio, deve trabalhar a problematização, promovendo situações aonde os alunos tenham domínio efetivo de língua, assim, ele será capaz de observar, estabelecer comparações, concluir, transformar, participar, opinar, explorar e indagar problemas matemáticos. Dessa forma, fazer da matemática uma disciplina da investigação, propondo atividades nas quais as pesquisas, a curiosidade e a provocação estejam presentes, provendo tanto de situações reais como de posição lúdica. E estamos certos que o educador é elemento imprescindível nesse desafio.

  1. O ENSINO DE MATEMÁTICA E O CONHECIMENTO

O ensino de matemática pode ser considerado, não só como uma área de pesquisa como também, um movimento internacional que alterou currículos em várias partes do mundo. Os trabalhos nesse campo têm mostrado que os educando podem compreender e até mesmo descobrir, boa parte da matemática curricular, porem, há professores que ainda trabalham com métodos de ensino inadequados; falta de uma estreita relação entre a matemática que se aprende nas escolas e necessidades cotidianas ou defasagem da escola quanto às recursos tecnológicos, mais recentes.

No século XVII, Comenius já mostrava preocupação com o papel do aluno na construção de seu conhecimento, tal preocupação persiste ainda hoje. Contudo, a visão de que a matemática é uma área de conhecimento pronta, acabada e abstrata, nortearam à vida escolar e isso influência posição autoritária de cognição matemática (decorar regras, aprender como “papagaios”, chavões como a matemática é para poucos, quem gosta de matemática é mais inteligente, etc.). Isso contraria a visão de que conhecimento matemático está em constante construção e, os indivíduos, através do processo de interação social com o mundo, ressignificam, complementam, e sistematizam as suas percepções, permitido assim, transformar as ações docentes, alterar as interações em nível de qualidade. De acordo os PCNs (1997):

O conhecimento Matemático é fruto de um processo de que fazem parte a imaginação, os contra-exemplos, a conjucturas, as criticas, os erros e os acertos. Mas ele é apresentado de forma descontextualizado, antemporal e geral, por que é preocupação de matemática comunicar resultados e não o processo pelo qual os produz. (BRASIL, 1997, P.28).

Nesse sentido, o aprender envolve o desenvolvimento, o interesse e a curiosidade do discente, a sua autoria como escritor, como leitor. Envolve o seu desenvolvimento pleno. E é preciso perceber a aprendizagem nessas múltiplas dimensões. Isso exige do professor uma postura de observação, analise e reflexão das atitudes do alunado nas situações de sala de aula. Entretanto, a própria escola, descontextualiza o ensino,quando não dá sentido real e prático as questões abordadas em sala de aula, assim aumenta o nível de aversão á matemática, que parece estar intimamente ligado a forma usual como ela é abordada nas instituições escolares, e isso compromete drasticamente todo o desenvolvimento da vida educacional do aluno, sobre tudo a sua compreensão da importância de se estudar matemática. Santaló (2001) salienta que:

Aos professores de matemática compete selecionar entre toda a matemática existente, a clássica e a moderna, aquela que possa a ser útil aos alunos em cada um dos diferentes níveis da educação. Para a seleção, temos que levar em conta que a matemática tem um valor formativo, que ajuda estruturar todo o pensamento e agilizar o raciocínio dedutivo, porém que também é uma ferramenta que serve para a atuação diária e para muitas tarefas especificas de quase todas as atividades laborais”. (SANTALÓ, 2001.p: 15-16).

Assim o professor deve ser eficiente e amar a matemática, pois se não gostar, não saberá ensinar seus alunos e, além disso, poderá despertar o sentimento de incapacidade dos educados. Sendo assim, para desmistificar o ensino da matemática, é necessário que o aluno se aproprie deste aprendizado significativo; é essencial que tenha uma aprendizagem que atenda as suas reais necessidades e também, que busque respostas para os problemas da realidade social mais ampla. Assim, um aprender Matemática que incorpore essa realidade social oferecendo oportunidades e condições concretas para a formação de um aluno, criativo, competente e solidário. Santaló (2001) enfatiza que:

É muito importante refletir experimentar sobre estes conhecimentos que supostamente todos os cidadãos eram adquirir e que para muitos deles, serão os únicos que o ensino formal vai fornecer-lhes na suposição de que eles possam ser suficientes para atuar no mundo com que se defrontarão ao sair de escola [...] Falta criar organismos que se ocupem de analisar constantemente os conteúdos e metodologias adequadas, introduzindo as novidades necessárias e suprindo os temas que estejam se tornando absolutos [...] (SANTALÓ, 2001, p.15-16).

Nessa perspectiva, é importante no ensino da Matemática, aproveitar os conhecimentos prévios dos alunos, pois quando eles chegam à escola, já tem história, um conjunto de experiências que englobam noções formais de várias áreas de conhecimentos. É convivente então, abordar conteúdos adequados a maturidades matemática, de modo que a adequação traduza–se nas atividades envolvendo os jogos e brincadeiras, a fim de favorecer o aprendizado, com compreensão, desenvolvendo raciocínio autônomo dos alunos, cuandu oportunidades de reflexão e descobertas, havendo postura de problematiza ação. Assim, faz-se necessário, o docente entender a matemática e construir conhecimento matemático lúdico. Desse modo, pensar os problemas de aprendizagem sob ponto de vista emocional, buscando assim, conter as dificuldades de aprendizagem. Morangon (2005) em seu discurso diz:

Até para detectar problemas físicos e psicológicos as brincadeiras são úteis. Porque, enquanto brincar a criança e expressa seus sentimentos, tanto de alegria e envolvimento, como de angustia, timidez, hostilidade, agressividade, medo, solidão, tristeza. Esses momentos servem para o professor entender como seu aluno está se relacionando com o mundo. (MORANGON, 2005, p.7)

Nesse contexto, o ponto de partida da atividade matemática, não deve ser, portanto, a definição, mas o problema. Sendo assim, é imprescindível que o educador se preocupe quanto com a aprendizagem do discente, que se torne mais proeminente quando há aqueles que mostram-se óbice do aprendizado, que consequentemente, poderão ser conservados pelo sistema educacional e no ano letivo seguinte, talvez esteja com igual, professor, atividade, método e conteúdo. Assim, o fracasso escolar pode estar imanente relacionado a procedimentos metodológicos adotados pelo educador, que utiliza recursos de forma inadequada, tornando a sala de aula, um ambiente desagradável e pouco expressivo. Portanto, é necessário que o docente insira o brincar em um projeto educativo. Conforme Borba (2006):

A brincadeira é um lugar de construção de cultura fundado nas interações sociais entre as crianças. É também suporte da sociabilidade. O desejo de brincar com o outro, de estar e fazer coisas com o outro, é a principal razão que leva as crianças a se engajarem em grupos de pares. Para brincar juntas necessitam construir e manter um espaço, valores, conhecimentos e significados e a negociação de conflitos e disputas. Nesse contexto, as crianças estabelecem laços de sociabilidade e constroem sentimentos e atitudes de solidariedade e de amizade. (BORBA, 2006, p.43).

Sendo assim, o lúdico é importante no desenvolvimento físico, social, intelectual, emocional e o fator de integração.

Os jogos e brincadeiras destacam o papel que a imaginação desempenha na vida do sujeito, as diversas possibilidades de representação do real, os modos próprios de interagir com regras, expressando sentimentos e idéias. Participando de jogos e brincadeiras, o alunado aprende a conhecer e a dominar a realidade, orientando-se no espaço e no tempo, desempenham papeis, sentem emoções cooperam entre si e amadurecem, em um ambiente de aceitação. Sobre isso Silva (2002, p.05) salienta que:

A necessidade de jogos no currículo escolar, tende a ser o maior desafio dos

educadores atualmente. O resgate da sensibilidade humana da integração e da percepção com o outro, da relação familiar e entre seus pares do conhecimento contextualizado, da implementação do jogo com caráter recreativo, tem que se fazer presente nas escolas [...]

Diante disso, o educador deve ter objetivo e consciência de importância de sua ação, em relação ao desenvolvimento e a aprendizagem. Assim, as atividades lúdicas propostas em classe devem ser preparadas e selecionadas pelo professor, pois são nos momentos de recreação que este pode apropriar-se do lúdico como mediador do processo de ensino e aprendizado. Para tanto, reconhecer a matemática como uma ciência viva que abre nossos horizontes; ciente que o ensino matemático na escola elementar não pode divorciar do seu uso na vida prática.

EDUCAÇÃO LÚDICA

A lúdicidade é uma ferramenta imprescindível, no desenvolvimento do indivíduo, por que para ele, não há tarefa mais completa do que divertir. Pela brincadeira, ele é introduzido no meio social, cultural do ser, plenamente desenvolvido, estabelecendo-se numa forma de apropriação e entretenimento da realidade. O historiador holandês, Huizinga (1993, apud MORANGAN, 2003, P.6-7), chegou a denominar o homem do homo ludens( homem que brinca), fazendo referencia a homos sapiens(homem que pensa)e homem saber(homem que trabalha).Ele complementa,que a capacidade de jogar é tão importante para nossa espécie,quanto o raciocínio e a construção de objetos.

Diante disto, podemos dizer que os brinquedos, jogos e brincadeiras, é uma espécie de patrimônio cultural da humanidade e não são poucos os autores que sustentam essa idéia. Tanto que, o lúdico ainda encontra-se respaldado na perspectiva de Vygotsky (1989), pela inevitável intervenção na zona de desenvolvimento proximal do educado, ou seja, a interferência de outras pessoas influência significativamente o desenvolvimento de uma prática individual. A interação com as pessoas que possuem experiências e níveisdiferentes de desenvolvimento pode ocorrer informalmente, o que não exclui a legitimidade da aprendizagem, uma vez que está não é simples transmissão de idéias em práticas, mas a reelaboração individual de conceitos significados culturalmente difundidos.

Identificação de dois níveis de desenvolvimento: o “real”, manifestado através das atividades que o individuo realiza sem auxilio, e o “potencial”, em que as atividades são realizadas a partir de “pistas” ou com ajuda de outrem [...] o estágio em que as funções mentais estão se formando é definido pela “zona de desenvolvimento proximal”, que representa a distancia entre o nível de desenvolvimento real e o potencial. Isto significa que o que “uma criança faz com assistência hoje, ele será capaz de fazer sozinho amanhã”. (VYGOTSKY, 1989, p.78).

Neste sentido, o papel do docente é fundamental na orientação das atividades lúdicas. E para isso, estes não podem se contentar com ampliação de recreios ou aumentos nos estoques de brinquedos é preciso formar educadores animadores.

Desta forma, torna-se necessário que o professor conheça todos os aspectos de desenvolvimento do aluno, para o emprego de um trabalho global, dinâmico, flexível e, sobre tudo recreativo, para atender as reais necessidades dos discentes, determinadas pelo seu nível de desenvolvimento. Diante desse pressuposto, urge que o educador reflita cada vez mais sobre a sua função e adquira bastante competência, não só na busca do conhecimento teórico, mas numa pratica que se alimenta do desejo de aprender cada vez mais o poder de transformar. Segundo Trentini (2002, p.6), o brincar deve ser posto constantemente em questão em que a pratica em nossas instituições. Pois, no brincar, não se aprende para a vida.

Pelo exposto, percebe-se que o brincar é o caminho, por excelência, para o desenvolvimento global do sujeito. Através de brincadeira com brinquedos adequados a criança desenvolve sua psicomotricidade, sua capacidade de estabelecer relações espaciais e matemática, compreendendo as características físicas dos mesmos e demais objetos que os rodeiam, e principalmente sua afetividade ao vivenciar suas emoções com naturalidade. Para tanto, o papel dos jogos constrói-se numa forma fundamental de expressão humana, do mesmo modo que a música, a poesia e a pintura. E nessa dimensão, bastante ampla, relativa à cultura que se encontra a função mais importante e essencial dos jogos e brincadeiras (porque engloba a todos), e saber, a transmissão de valores culturais. Portanto, o brincar, como forma de atividade humana que tem grande predomínio na infância/adolescência, encontra assim lugar no processo educativo.

Essa necessidade que a criança tem, de movimento de jogo produtivo deveria encontrar seu canal de expressão através da educação. Como a natureza tende a ação, a educação deveria levar em conta seus interesses e suas atividades. Por isso considerava que o trabalho manual, os jogos e os brinquedos tinham uma função educativa básica: é por meio dos jogos e brinquedos que a criança adquire a primeira representação do mundo e por meio deles também que ela penetra no mundo das relações sociais, desenvolvendo um senso de iniciativa e auxilio muito. Froebel (apud, Rosa; Nisio, 1999,38).

Sendo assim, a escola, os educadores e as crianças um papel muito importante quando combinam aprendizagem versus brincadeiras, dessa forma é fundamental que as escolas possam criar espaços adequados as propostas lúdicas que venham desenvolver e propor muitos momentos para que estas atividades aconteçam. Trentini (2002, p.7 ), “A escola, espaço privilegiado devida aprendizagem, deve criar condições para o aluno realizar atividades livremente, e ao mesmo tempo pode emprega-lá como estratégia de ensino aprendizagem”. Portanto, brincar é tão importante para o aluno, como para trabalhar para adulto.Por essa razão é imprescindível que o docente, insira o lúdico na sua proposta de trabalho, entendo a dupla natureza do brincar como fonte de lazer, mas, simultaneamente, fonte de conhecimento.

  1. CONSIDERAÇÕES FINAIS

O futuro da educação matemática não depende das revisões de conteúdo, mas da dinamização deste ensino. A peça chave é o professor que deve assumir o papel de mediador ou facilitar do conhecimento para o aluno. O fazer pedagógico do professor tem que levar o aluno a refletir que a matemática não está longe dele, mas que faz parte do seu dia-a-dia de forma simples, pois no contexto sócio-cultural no qual o aluno está inserido a matemática está sempre presente.

É indiscutível que a Matemática desempenha um papel fundamental na vida do ser humano. Esse conhecimento nos possibilita resolver problemas no dia a dia. Tem muitas aplicações no mundo do trabalho, e funciona como instrumento essencial para a construção de conhecimentos em outras áreas curriculares, também é componente importante para que se fomente a autonomia no aluno, a fim de que exerça sua cidadania com responsabilidade, pois na medida em que a sociedade utiliza os conhecimentos científicos e recursos tecnológicos de diversas áreas do conhecimento humano, direta ou indiretamente lá está a Matemática.

Neste sentido, o professor não deve ensinar a matemática como sendo um conhecimento pronto e acabado. Ele deve facilitar sua compreensão de maneira que seus alunos construam de maneira não traumática o conhecimento lógico-matemático.

Assim, é imprescindível que o professor repense na sua prática pedagógica, adotando o lúdico como recurso facilitador e mediador no processo de construção do conhecimento da matemática, buscando a valorização do aluno e a formação de sua cidadania. Despertando assim, para uma reflexão sobre o papel construtivo que o os jogos, dinâmicas e brincadeira tem no desenvolvimento do educando.

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1Licenciada em Pedagogia pela Rede Uneb- Ipiaú-BA, cursando Licenciatura em Matemática pela FTC-Ilhéus-BA, possui formação continuado em Tecnologia Assistiva pela Unesp-SP e Gestar II em Matemática. Professora da Rede Municipal de Ibirapitanga-BA.

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