O ensino da tga

O ensino da tga

07 de junho de 2006, às 17h39min

O ensino de Teoria Geral da Administração (TGA): da abordagem meramente teórica à prática

 

Por: Orlando RodriguesINTRODUÇÃO É sabido que a disciplina TGA é essencialmente teórica a começar de seu título. Um dos seus objetivos é exatamente apresentar as diversas teorias que, ao longo do tempo, serviram e ainda servem para orientar o trabalho do administrador de empresas em suas tomadas de decisões. Entretanto, o modo de atuar do professor em sala de aula é de vital importância para despertar nos acadêmicos, o interesse pelo aprendizado dessas teorias e sua compreensão no contexto das organizações empresariais. Com base em depoimentos de alunos do primeiro e segundo períodos do curso de Administração, na Faculdade Padrão, em Goiânia-Go, bem como da observação participante deste autor, no trabalho desenvolvido com seus alunos, foi possível constatar que uma das maiores dificuldades em relação à disciplina estaria na excessiva carga de informação meramente teórica, com pouca ou nenhuma aplicabilidade prática, pelo menos na percepção dos alunos. As críticas de alunos em relação à falta de aplicabilidade das teorias administrativas na atuação profissional recaíam também sobre a prática docente adotada em sala de aula, que necessitaria, segundo os alunos, ser revista no sentido de contextualizar todas as abordagens teóricas constantes no conteúdo programático da disciplina com a realidade das organizações, facilitando o seu entendimento. Na pesquisa realizada com alunos de TGA daquela faculdade, no próprio ambiente da sala de aula, utilizando a técnica de grupo focal e observação participante, as informações colhidas serviram de subsídios para modificações no método de ensino. Considerando as idéias dos principais autores de livros sobre Teoria Geral da Administração, bem como a investigação sobre metodologia de ensino e prática docente no ensino superior, além de práticas pedagógicas desenvolvidas por professores da disciplina, propõe-se com este artigo uma reflexão em relação ao ensino de TGA, no sentido de torná-lo menos teórico e por conseqüência, proporcionar ao acadêmico maior interação com a matéria. 1- POR UM ENSINO DE MELHOR QUALIDADE O intuito da disciplina de TGA é ensinar o aluno a pensar por meio dos conceitos e dos processos investigativos ligados à compreensão do ato de administrar. Sendo assim, as práticas pedagógicas relacionadas ao ensino desta disciplina precisam desenvolver no aluno tal capacidade, não se limitando à simples apresentação dos fatos históricos que nortearam os primeiros estudos sobre administração e, tampouco, à seqüência cronológica das abordagens teóricas que caracterizam o conteúdo programático da matéria. Há necessidade de preparar o acadêmico, já a partir dos primeiros períodos do curso, para a apropriação de conceitos e ao desenvolvimento de habilidades que possam auxiliá-lo na vida profissional. Recentes publicações dão conta da grande dificuldade do estudante de administração e do profissional administrador recém formado em ter iniciativa, pensar e tomar decisões, haja vista sua capacidade limitada de pensar, criticar e de tomar atitudes. Suas atitudes, valores e crenças se baseiam na vida educacional e familiar e as mudanças sempre encontram resistências em função da formação cultural ao longo da vida. Desenvolver nos acadêmicos e nos futuros profissionais tais habilidades requer dos professores e das instituições de ensino superior, constante reflexão em relação às práticas pedagógicas adotadas. Trabalhos já realizados sobre práticas adotadas para o ensino de TGA demonstram a preocupação no meio docente, para mudanças em relação à metodologia de ensino. Além de procedimentos didáticos voltados para o desenvolvimento das competências e habilidades do pensar, o uso de tecnologias educacionais voltadas para a qualificação da disciplina de TGA, a utilização de simulações e jogos de empresa como instrumentos de ensino em administração são apontadas como práticas pedagógicas potencialmente poderosas para transformar a dinâmica do ensino de administração, desde que não sejam utilizadas como instrumentos únicos no processo de ensinar. Cabe destacar aqui, a experiência desenvolvida pelo autor na Faculdade Padrão em Goiânia-Go, com o intuito de melhorar a qualidade das aulas e buscar maior participação dos alunos. Adotou-se naquela instituição a apresentação de seminários e a prática de estudos de caso, seguidos de debates com os alunos em torno do tema estudado. Percebeu-se durante a experimentação grande interatividade e participação dos discentes, principalmente, em relação à reflexão que se desenvolveu em torno dos temas abordados. A apresentação de seminários chamou atenção enquanto ação pedagógica, capaz de conciliar teoria e prática, na relação do aluno com o seu processo de aprendizagem. É uma alternativa de ação pedagógica salutar, que vem ganhando corpo em algumas instituições de ensino, respaldada por profissionais da educação. Para Masetto (2003 p.120-121): O seminário (cuja etimologia está ligada a sêmen, sementeira, vida nova, idéias novas) é uma técnica riquíssima de aprendizagem que permite ao aluno desenvolver sua capacidade de pesquisa, de produção de conhecimento, de comunicação, de organização e fundamentação de idéias, de elaboração de relatório de pesquisa, de fazer inferências e produzir conhecimento em equipe, de forma coletiva. Ele envolve professor (professores) e alunos num trabalho de pesquisa por dois ou três meses. É uma excelente técnica quando em compreendida e adequadamente realizada. Em relação ao estudo de caso, trata-se, segundo Chiavenato (2000), de uma atividade que simula situações possíveis dentro de uma organização, onde cada um percebe diferentes configurações para determinado problema, a partir de valores e objetivos diferenciados. As práticas pedagógicas desenvolvidas por professores dos cursos de Administração de Empresas compartilham de um mesmo objetivo que é o de melhorar a qualidade do ensino, fazendo com que esse ensino seja mais atrativo para os estudantes e que proporcione maior interatividade e vinculação entre teoria e prática. Embora seja clara a boa vontade de algumas instituições e de alguns professores, em desenvolverem uma prática pedagógica que atenda esse objetivo, o fato é que nem todas as instituições e professores estão preparados para uma ação pedagógica que permita uma aprendizagem crítico-reflexiva. Assim sendo, deve-se refletir em torno de práticas pedagógicas que fujam do positivismo e da repetição das velhas teorias. Não há como conceber no ensino superior qualquer prática que não proporcione aos acadêmicos algum tipo de reflexão por meio de atividades de ensino ativas, que coloquem os alunos frente a situações problemáticas e à necessidade de lidar praticamente com as teorias e conceitos que aprendem nas aulas. O conhecimento teórico necessita ser reproduzido em sala de aula a todo instante a partir das leituras, dos debates, das trocas de informações e da eficaz interação entre professor e aluno. 2 - RELACIONANDO TEORIA E PRÁTICA As experiências com jogos, simulações, seminários e estudos de caso, induzem o aluno a pensar e refletir, fazer relações, correlações e contextualizar. No entanto, se utilizados como instrumentos únicos da prática pedagógica, não irão agregar o valor pretendido. Ao professor, cabe variar a utilização dos recursos e métodos didático-pedagógicos à sua disposição, no sentido de mudar sua práxis, ou seja, mudar a aula, valendo-se inclusive da própria opinião e sugestão de seus alunos. Giroux (1997), referindo-se aos professores como intelectuais transformadores, salienta a importância de se desenvolver a linguagem crítica atenta aos problemas experimentados no cotidiano, particularmente as experiências ligadas às práticas de sala de aula. Moraes (1997), afirma que a educação continua apresentando resultados que preocupam em todo o mundo e os professores ainda reforçam o velho ensino em suas práticas educacionais, que afastam o aluno do seu processo de construção do conhecimento, mantendo um modelo conservador de sociedade ao produzir seres incompetentes, sem capacidade de criação e reconstrução do conhecimento. Segundo Aranha (1996), é importante também o uso de novas tecnologias, principalmente, os computadores, porém, argumenta que na tentativa de se modernizarem, as escolas nem sempre obtém sucesso, pois não se rompe com a tradição das aulas acadêmicas. Assim, a disciplina de TGA deve ser conduzida e ensinada no sentido de desenvolver no aluno a capacidade de pensar de maneira reflexiva; no modo de pensar da administração. Sendo a Administração de Empresas, uma ciência que mescla elementos das ciências humanas, ciências sociais, ciências exatas, aproveitando-se os diversos saberes existentes nessas ciências, de maneira a formar uma nova, faz-se importante também, a reflexão sobre como se ensina e como se aprende, levando-se em conta o modo de pensar da Administração. Isso não significa que os velhos pressupostos teóricos devam ser desprezados, mas, sim, devem ser somados às novas formas de pensar e agir nas organizações. Novas formas de pensar e agir em que prevaleça o aprimoramento e a melhoria contínua. Experimentar novos métodos de ensinar utilizando-se de jogos, simulações, ambientes virtuais de aprendizagem, estudos de caso ou seminários, que propiciam o desenvolvimento do pensar e da reflexão crítica entre os acadêmicos, facilita a interação entre professor e aluno e dá maior dinamicidade à abordagem dos conteúdos estabelecidos nos planos de ensino. Segundo Masetto (2003, p. 73-74) A relação entre os participantes do processo de aprendizagem (professores e alunos) torna-se uma ação em equipe, voltada para a consecução dos objetivos educacionais propostos. Uma relação que desenvolva entre professores e alunos a co-responsabilidade pelo aprendizado, a parceria, um relacionamento de diálogo e respeito entre pessoas adultas. Um relacionamento que permita a professores e alunos trazerem suas experiências, vivências, conhecimentos, interesses e problemas, bem como análises das questões para serem interpretadas e discutidas. As conclusões devem, portanto, ser sistematizadas, organizadas, servindo de encaminhamentos e pistas para ações de profissionais competentes e cidadãos. CONSIDERAÇÕES FINAIS A reflexão aqui proposta não defende esse ou aquele método de ensino, nem apresenta uma solução inovadora para a questão da prática pedagógica voltada para o ensino de uma matéria tão teórica, como é o caso da disciplina de Teoria Geral da Administração. Faz-se necessário, contudo, que a prática pedagógica seja em todo momento reavaliada, aproveitando as opiniões dos alunos e despertando neles o interesse pela participação efetiva no seu próprio processo de aprendizagem e de construção do conhecimento. Assim como uma empresa precisa ouvir o cliente para poder continuar oferecendo-lhe um produto ou serviço de qualidade, o trabalho do professor não é diferente. O aluno é o cliente, portanto, deve ser ouvido e convidado a participar. Em decorrência, os conteúdos devem ser reescritos a todo o momento, a partir da sua contextualização com a realidade do meio em que estão inseridos professores, alunos e comunidade, num processo contínuo de construção do conhecimento. As práticas pedagógicas positivistas em que se repetem os mesmos ensinamentos, sem agregar nenhum novo valor àquilo que é ensinado, necessitam ser modificadas. As novas tecnologias de ensino–aprendizagem necessitam ser valorizadas, sem, contudo, tornarem instrumentos únicos da práxis educacional. O professor, a todo instante, deve ser capaz de despertar em seus alunos o interesse pela investigação e pela busca do conhecimento, e, por conseguinte, tornar a aula mais agradável e produtiva. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ARANHA, Maria Lúcia de Arruda. História da Educação. 2a ed. rev. Atual. São Paulo, Moderna,1996. CHIAVENATO, Idalberto. Introdução à teoria geral da administração. RJ: Campus, 2000. GIROUX, Henry A. Os professores como intelectuais: rumo a uma pedagogia crítica da aprendizagem. Porto Alegre: Artes Médicas, 1997. MASETTO, Marcos Antonio. Competência pedagógica do professor universitário. São Paulo: Summus, 2003. MAXIMIANO, Antonio César Amaru. Teoria Geral da Administração: da ciência à competitividade da economia globalizada. São Paulo: Atlas, 2000. MORAES, Maria C. O paradigma educacional emergente. Campinas: Papirus, 1997.

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