uft-prova - prova tarde 2010 2

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(Parte 1 de 4)

PROVAS DE CONHECIMENTO – 2ª Etapa – Tarde

UFT/COPESE Vestibular/2010.2 1

Leia o texto a seguir e responda às questões de 01 a 03.

A impaciência do brasileiro (em citações)

nossos atospacientes como Jó. Morremos de fome –
uma arma de destruição. A paciênciauma arma política.

Se fôssemos julgar pelos comentários que pacientemente lemos nos jornais, o brasileiro seria o povo mais impaciente do mundo, somos impacientes, isso pode ser verdade, nossos discursos são impacientes, nossas exigências são impacientes, nossas necessidades são impacientes. Mas pacientemente. Assaltamos a riqueza púbica – pacientemente. Esperamos por Deus – pacientemente. Pacientemente pecamos todos os mandamentos. Mas somos impacientes nas palavras. Queremos que tudo mude de um dia para o outro, de um ano para o outro. De um governo para o outro. Queremos a grande inovação imediata. E nenhuma imitação do passado, pois a imitação é a mais sincera das lisonjas. É melhor livrar-se do passado. Mas o passado é indestrutível. Paciência com o passado! Paciência com o presente e o futuro! A impaciência é Sempre é melhor ser paciente do que impaciente. Ai dos impacientes deste mundo!

Pois quem já viu sarar uma ferida senão pouco a pouco? As obras feitas depressa demais nunca são terminadas com a perfeição que se requer. Precisamos de paciência para melhorar a nós mesmos, para educar nossos filhos, para escrever nossos livros, precisamos de paciência para melhorar o Brasil. Ou o Brasil é um país perfeito, porque ninguém pode melhorá-lo? Mas clamamos por melhoramentos, agora, já. Pretender melhoramentos materiais antes dos morais e intelectuais é querer que os efeitos precedam as causas. Os excessos de nossa juventude são saques sobre a nossa velhice, que vamos pagar com juros trinta anos depois. Mas há o avesso das coisas. Sei que não é fácil ter paciência diante dos que têm excesso de paciência. É mais fácil ser paciente com o impaciente. Mas, meu Deus, tenhamos um pouco de paciência com os pacientes. Claro que a privação tem pressa, claro que o homem com fome não é um homem livre, claro que não há virtude como a necessidade, claro que o que torna os ladrões de estrada mais audaciosos é a bondade, mas sejamos pacientes assim mesmo, pois essas palavras acima são palavras de pacientes sábios do passado, Horácio, Shakespeare, Stevenson, Cervantes, Borges, Drummond etc., que com muita paciência construíram sua sabedoria e escreveram pacientemente suas palavras que nos chegam até hoje. Paciência, paciência, afinal, os netos é que colherão os frutos das árvores que plantamos agora.

MIRANDA, Ana. Deus-dará: crônicas publicadas na Caros Amigos. São Paulo: Editora Casa Amarela, 2003. p. 212 e 213.

QUESTÃO 01

Quem produz um texto está reproduzido nele, ou seja, podemos dizer que o texto revela a visão de mundo, a ideologia de quem o escreveu. Assim, em ‗A impaciência do brasileiro (em citações)‘, Ana Miranda argumenta que:

(A) A impaciência ajudará a melhorar a nossa educação, a de nossos filhos e melhorará o Brasil.

(B) Sábios do passado, Horácio, Shakespeare, Stevenson,

Cervantes, Borges, Drummond construíram sua sabedoria a partir de excessos da juventude.

(C) O Brasil é um país imperfeito, porque ninguém pode melhorá-lo.

(D) É melhor livrar-se do passado, pois nenhuma imitação do passado é possível.

(E) A paciência é uma arma política; é melhor ser paciente que impaciente.

QUESTÃO 02

No texto, a autora estabelece um jogo lexical com os vocábulos pacientemente, paciência, impaciente, pacientes e paciente. Assinale a alternativa CORRETA:

(A) No fragmento ―Se fôssemos julgar pelos comentários que pacientemente lemos nos jornais, o brasileiro seria o povo mais impaciente do mundo (...)‖, ‗pacientemente‘ e ‗impaciente‘ são advérbios de acordo a gramática normativa.

A paciênciauma arma política.‖, ‗paciência‘ e

(B) No fragmento ―A impaciência é uma arma de destruição. ‗impaciência‘ pertencem à classe gramatical dos substantivos.

(C) O vocábulo ‗pacientemente‘ contém um prefixo e o vocábulo ‗impaciente‘ contém um sufixo.

‗paciente‘ na oração ―que com muita paciência

(D) Pode-se substituir o uso do vocábulo ‗pacientemente‘ por construíram sua sabedoria e escreveram pacientemente suas palavras que nos chegam até hoje‖, sem transgredir a norma gramatical padrão.

(E) Na sequência ‗nossos discursos são impacientes, nossas exigências são impacientes, nossas necessidades são impacientes‘, o vocábulo ‗impacientes‘ tem a função sintática de complemento nominal.

QUESTÃO 03

Com base no texto acima, assinale a alternativa INCORRETA:

(A) Acentuação é o modo de proferir um som ou grupo de sons com mais relevo do que outros. Em ‗pacientemente’, a sílaba ‗-en-‘ possui acento de intensidade menos forte que o da sílaba ‘-men-‘, e se ouve mais distintamente do que as átonas existentes na palavra. Dizemos que a sílaba ‗-men-‘ contém o acento principal e ‗-en-‘ o acento secundário da palavra.

(B) As reticências presentes nas linhas 6 e 16 não denotam interrupção ou incompletude do pensamento, pois são usadas para dar realce às palavras subsequentes.

(C) Por indicar uma enumeração inconclusa, as reticências podem ser substituídas por etc.

(D) Os travessões utilizados nas linhas 6, 7 e 8 dão realce a uma conclusão.

(E) Os hífens presentes nas linhas 13 e 25 unem pronomes átonos a verbos.

QUESTÃO 04

Assinale a alternativa que contenha uma oração que atenda à norma padrão da língua portuguesa:

(A) Funcionários e população em geral, temem pela ameaça que o novo produto representa para o meio ambiente, argumentando que a ciência tem desconsiderado, cada vez mais, a ecologia.

(B) As decisões internas influênciam o público externo, o que impõe sobre os gestores grande responsabilidade social.

(C) A perca da memória em certos casos é irreversível, podendo levar o paciente à total invalidade.

(D) A natureza, muito embora alguns insistam em contestar – exaustivamente – , tem dado boas respostas aos exacerbados atos humanos contra ela, haja vista os recentes desastres naturais ocorridos pelo mundo.

(E) Diante de tamanha demonstração de poder e, ao mesmo tempo, de incompetência, resta perguntar até onde vai essa cultura instaurada da impunidade?

PROVAS DE CONHECIMENTO – 2ª Etapa – Tarde

UFT/COPESE Vestibular/2010.2 2

Interprete o gráfico para responder às questões 05 e 06:

Em uma reportagem da Revista Época (1º. de março de 2010, Nº. 615) sobre uma pesquisa que revela o perfil dos apostadores em jogos lotéricos, lemos que o brasileiro aposta pouco, conforme gráfico (adaptado) abaixo:

QUESTÃO 05

De acordo com as informações contidas no gráfico, é CORRETO afirmar que:

I. O Brasil, cuja renda per capta anual é de 10 mil dólares, arrecada 2,4 bilhões de dólares por ano com jogos lotéricos.

I. As apostas feitas, por brasileiro, não somam US$ 50 ao ano, enquanto o italiano chega a gastar, anualmente, cerca de US$ 500 com jogos lotéricos.

I. Embora os norte-americanos sejam os que mais arrecadam com jogos lotéricos, não são os que mais gastam com apostas por pessoa.

IV. A Itália e os Estados Unidos são os dois países do gráfico que mais arrecadam anualmente com loterias porque são os que apresentam maior renda per capta anual.

Com relação às afirmações, assinale a alternativa CORRETA:

(A) apenas I e I são verdadeiras (B) apenas I e IV são verdadeiras (C) apenas I, I e II são verdadeiras (D) apenas I e IV são falsas (E) apenas I e IV são falsas

QUESTÃO 06

Da leitura que fazemos do gráfico, podemos inferir que:

(A) O brasileiro não só é o povo que menos gasta com jogos lotéricos, mas também é o que possui menor renda per capta anual, se comparado aos demais países representados no gráfico.

(B) Comparativamente, os países que mais arrecadam com loterias são aqueles cuja renda anual per capta supera a casa dos 30 mil dólares.

(C) Em termos de arrecadação total anual com loterias, a Itália e a Espanha são os países que mais arrecadam, seguidos da França e dos Estados Unidos.

(D) A aposta anual per capta com jogos lotéricos em cada país é proporcional à renda anual por habitante.

(E) A arrecadação total anual das loterias é dada no gráfico pela relação entre o número de apostas por habitante e a quantidade total de habitantes que apostam.

Os dois textos abaixo são excertos da Carta de Pero Vaz de Caminha. O texto 1 está escrito no original e o texto 2 é uma adaptação do primeiro. Observe-os para responder à questão 07.

bij ou biij segº os naujos pequenos diseram por chegarem primeiro/

Texto 1 (...)daly oouemos vista dhomee[n]s q[ue] andauam pela praya obra de aly lancamos os batees e esquifes fora evieram logo todolos capitaães das naaos aesta naao do capitam moor e aly falaram. e ocapitam man dou no batel em trra njcolaao coelho peraveer aq[ue]lê rrio e tamto que ele comecou perala dhir acodirã pela praya homee[n]s quando dous quando três de maneira que quando obatel chegou aaboca do rrio heram aly xbiij ou x homee[n]s pardos todos nuus sem nhuu[m]a cousa que lhes cobrisse suas vergonhas. traziam arcos nas maãs esuas see tas. vijnham todos rrijos perao batel e nicolaao co elho lhes fez sinal que posesem os arcos. e eles os poseram. aly nom pode deles auer fala ne[m] ente[n] dimento que aproueitasse polo mar quebrar na costa. soomente deulhes huu[m] barete vermelho e huu[m]a carapuça de linho que leuaua na cabeça e huu[m] sombreiro preto. (...)

Disponível no sítio http://purl.pt/162/1/brasil/obras/carta_pvcaminha/index.html. Acesso em 6 de abril de 2010.

Texto 2 (...) Dali avistamos homens que andavam pela praia, obra de sete ou oito, segundo disseram os navios pequenos, por chegarem primeiro. Então lançamos fora os batéis e esquifes, e vieram logo todos os capitães das naus a esta nau do Capitão-mor, onde falaram entre si. E o Capitão-mor mandou em terra no batel a Nicolau Coelho para ver aquele rio. E tanto que ele começou de ir para lá, acudiram pela praia homens, quando aos dois, quando aos três, de maneira que, ao chegar o batel à boca do rio, já ali havia dezoito ou vinte homens. Eram pardos, todos nus, sem coisa alguma que lhes cobrisse suas vergonhas. Nas mãos traziam arcos com suas setas. Vinham todos rijos sobre o batel; e Nicolau Coelho lhes fez sinal que pousassem os arcos. E eles os pousaram. Ali não pôde deles haver fala, nem entendimento de proveito, por o mar quebrar na costa. Somente deulhes um barrete vermelho e uma carapuça de linho que levava na cabeça e um sombreiro preto. (...)

Disponível no sítio http://objdigital.bn.br/Acervo_Digital/Livros_eletronicos/carta.pdf. Acesso em 6 de abril de 2010.

QUESTÃO 07

A Carta de Caminha é um documento que trata de um relato ao rei de Portugal Dom Manuel sobre as terras e a gente brasileira. A Carta apresenta uma linguagem simples e arcaísmos característicos do período do século XV.

O texto original da Carta de Pero Vaz de Caminha, datada de 1500.

Disponível no sitio http://purl.pt/162/1/brasil/obras/carta_pvcaminha/index.html. Acesso em: 7 de abril de 2010

Podemos depreender da leitura desses textos que:

I. A língua portuguesa, como toda e qualquer língua, sofre, ao longo do tempo, alterações e transformações.

I. Os vocábulos ‗moor‘, ‗nuus‘ e maãs em negrito, no texto 1, transformaram-se em ‗mor‘, ‗nus‘ e ‗mãos‘ no texto 2.

PROVAS DE CONHECIMENTO – 2ª Etapa – Tarde

UFT/COPESE Vestibular/2010.2 3

I. A ideia de preconceito com a língua dos índios provém do etnocentrismo dos portugueses, relação de superioridade sobre os índios, como identificamos na passagem ‗Ali não pôde deles haver fala, nem entendimento de proveito(...)‘ (texto 2).

Considerando as assertivas acima, é CORRETO afirmar que:

(A) apenas I e I estão corretas (B) apenas I e I estão corretas (C) apenas I está correta (D) apenas I está correta (E) I, I e II estão corretas

A partir dos textos não verbais e verbais, responda à questão 08.

realizada no Brasil: Victor Meirelles e Cândido Portinari

Dois pintores, em especial, retrataram a primeira missa Texto 1

A celebração da primeira missa no Brasil foi feita pelo frade Henrique de Coimbra no dia 26 de abril de 1500, e descrita por Pêro Vaz de Caminha na carta que enviou ao rei de Portugal, D. Manuel I (1495- 1521), dando conta do descobrimento do Brasil, então Terra de Vera Cruz, pela armada de Pedro Álvares Cabral.

Victor Meirelles – Obra: Primeira Missa, 1860. Disponível no sítio pt.wikipedia.org/wiki/A_primeira_missa_no_Brasil. Acesso em: 7 de abril de 2010.

Texto 2

Cândido Portinari – Obra Primeira Missa, 1948

O final da década de quarenta assinala o início da exploração dos temas históricos através da afirmação do muralismo. Em 1948, Portinari exila-se no Uruguai, por motivos políticos, onde pinta o painel A Primeira Missa no Brasil, encomendado pelo banco Boavista do Brasil. Disponível no sítio http://www.culturabrasil.pro.br/portinari.htm Acesso em 6 de abril de 2010.

Texto 3 Fragmento da Carta da Caminha

(...) Ao domingo de Pascoela pela manhã, determinou o Capitão de ir ouvir missa e pregação naquele ilhéu. Mandou a todos os capitães que se aprestassem nos batéis e fossem com ele. E assim foi feito. Mandou naquele ilhéu armar um esperavel, e dentro dele um altar mui bem corregido. E ali com todos nós outros fez dizer missa, a qual foi dita pelo padre frei Henrique, em voz entoada, e oficiada com aquela mesma voz pelos outros padres e sacerdotes, que todos eram ali. A qual missa, segundo meu parecer, foi ouvida por todos com muito prazer e devoção. Ali era com o Capitão a bandeira de Cristo, com que saiu de Belém, a qual esteve sempre levantada, da parte do Evangelho. Acabada a missa, desvestiu-se o padre e subiu a uma cadeira alta; e nós todos lançados por essa areia. E pregou uma solene e proveitosa pregação da história do Evangelho, ao fim da qual tratou da nossa vinda e do achamento desta terra, conformando-se com o sinal da Cruz, sob cuja obediência viemos, o que foi muito a propósito e fez muita devoção. Enquanto estivemos à missa e à pregação, seria na praia outra tanta gente, pouco mais ou menos como a de ontem, com seus arcos e setas, a qual andava folgando. (...)

Disponível no sítio http://objdigital.bn.br/Acervo_Digital/Livros_eletronicos/carta.pdf. Acesso em 6 de abril de 2010.

QUESTÃO 08

Um texto pode ter várias possibilidades de leitura com o objetivo de criar determinados efeitos. Percebemos que os textos 1, 2 e 3 dialogam entre si. Denominamos essa interlocução entre os textos de:

(A) autotextualidade (B) intertextualidade (C) intratextualidade (D) microtextualidade (E) macrotextualidade

QUESTÃO 09

Marque a alternativa cujo conteúdo não se aplica à obra O quati e outros contos, de Fidêncio Bogo:

(A) É uma obra composta por onze contos, que versam sobre temas variados, em que os personagens são extraídos do cotidiano regional, vivenciando situações da vida comum. (B) Em O quati e outros contos, a preocupação em retratar a paisagem e os costumes regionais é apenas um pretexto, pois o principal objetivo do escritor, presente em todos os contos, é com a denúncia dos contrastes sociais que fazem do sertanejo da região um ser embrutecido, animalizado, incentivado por uma sociedade em que prevalece a lei dos mais fortes, a exemplo de Fabiano, em Vidas secas.

(C) Ao trazer para o universo literário temas ligados ao ensino de língua materna, à preocupação com o meio ambiente e à orientação sexual, Fidêncio Bogo demonstra ser um escritor sintonizado com as problemáticas do homem contemporâneo e transforma o texto literário em arma de denúncia e conscientização social. (D) O quati e outros contos pode ser concebido como um exemplo de que uma das preocupações da prosa, no Tocantins, é a retratação seca e direta da cultura local, através do aproveitamento da fala coloquial, da documentação da paisagem e dos costumes do homem do interior. (E) O regionalismo de O quati e outros contos pode ser interpretado como a continuidade de uma tradição na prosa brasileira de documentar, com alto teor de realismo, a nossa diversidade regional, que já incluiu, dentre outros espaços, o sertão cearense, de José de Alencar; as montanhas de Minas, de Bernardo Guimarães; a Amazônia, de Inglês de Sousa e o Nordeste canavieiro, de José Lins do Rego.

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