uft-prova - vest2011 1 prova manh?

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(Parte 1 de 4)

PROVAS DE CONHECIMENTOS – 1ª Etapa – Manhã

UFT/COPESE Vestibular/2011.1 1

Leia a sequência de tirinhas abaixo para responder às questões 01 e 02.

Texto adaptado http://opanca.blogspot.com/search/label/SalõesdeHumor (acesso em 13/09/2010)

QUESTÃO 01

Assinale a alternativa INCORRETA:

(A) A expressão ‗rabo preso‘, literalmente representada na primeira tirinha, compreende a idéia de ‗estar comprometido ilicitamente‘.

(B) Na segunda tirinha, o apresentador faz uso irônico da palavra ‗solidários‘.

(C) Na sequência de tirinhas, os políticos são adjetivados de ‗trapezistas‘, ‗mágicos‘ e ‗palhaços‘.

(D) A sequência de tirinhas intenciona modificar o comportamento do eleitor.

(E) A sequência de tirinhas pode também vir a modificar o comportamento dos políticos.

QUESTÃO 02

Considere as afirmações a seguir:

I. Na sequência de tirinhas, vemos uma mescla de discurso direto e discurso indireto.

I. O discurso direto representa a fala do personagem, enquanto o indireto reporta a fala do personagem.

I. No último quadro da sequência de tirinhas, a palavra

―FIM‖ tem duplo sentido: de ‗fim da história‘ e de ‗pôr fim às enganações dos políticos‘.

Assinale a alternativa CORRETA:

(B) Apenas I está correta

(A) Apenas I está correta. (C) Apenas I e I estão corretas. (D) Apenas I e II estão corretas. (E) Nenhuma afirmação está correta.

QUESTÃO 03

Avalie as assertivas abaixo e assinale a alternativa INCORRETA:

(A) Em ‗A audiência terminou em confusão‘ e ‗Você precisa perseverar nos seus propósitos‘, os verbos terminar e perseverar são regidos pela preposição em.

(B) Em ‗Isto é para mim‘ e ‗Isto é para mim fazer‘, a preposição para rege o pronome mim, estando, portanto, de acordo com a norma padrão da língua. (C) O verbo formar-se, quando se refere a graduar-se, é reflexivo, resultando em orações como: ‗Paulo formou-se em Medicina muito cedo‘.

(D) Em ‗Pedi para ele um favor‘, a regência do verbo pedir, seguido da preposição para, pede objeto direto (um favor) e indireto (ele).

(E) Em ‗Prejudicial à saúde‘, temos que a preposição a rege o adjetivo prejudicial, gerando a crase com o artigo a, que precede saúde.

Leia o texto para responder às questões 04 e 05.

O colocador de pronomes Monteiro Lobato

Aldrovando Cantagalo veio ao mundo em virtude dum erro de gramática. Durante sessenta anos de vida terrena pererecou como um peru em cima da gramática. E morreu, afinal, vítima dum novo erro de gramática. Mártir da gramática, fique este documento da sua vida como pedra angular para uma futura e bem merecida canonização.

Havia em Itaoca um pobre moço que definhava de tédio no fundo de um cartório. Escrevente. Vinte e três anos. Magro. Ar um tanto palerma. Ledor de versos lacrimogêneos e pai duns acrósticos dado à luz no ―Itaoquense‖, com bastante sucesso. Vivia em paz com as suas certidões quando o frechou venenosa seta de Cupido. Objeto amado: a filha mais moça do coronel Triburtino, o qual tinha duas, essa Laurinha, do escrevente, então nos dezessete, e a do Carmo, encalhe da família, vesga, madurota, histérica, manca da perna esquerda e um tanto aluada. Triburtino não era homem de brincadeiras. Esgoelara um vereador oposicionista em plena sessão da Câmara e desde aí, se transformou no tutu da terra. Toda a gente lhe tinha um vago medo; mas o amor, que é mais forte que a morte, não receia sobrecenhos enfarruscados, nem tufos de cabelos no nariz.

Acorda, donzela
Aqui se estrepou

Ousou o escrevente namorar-lhe a filha, apesar da distância hierárquica que os separava. Namoro à moda velha, já se vê, que nesse tempo não existia a gostosura dos cinemas. Encontros na igreja, à missa, troca de olhares, diálogos de flores — o que havia de inocente e puro. Depois, roupa nova, ponta de lenço de seda a entremostrar-se no bolsinho de cima e medição de passos na Rua D‘Elba, nos dias de folga. Depois, a serenata fatal à esquina, com o sapecado a medo num velho pinho de empréstimo. Depois, bilhetinho perfumado. Escrevera nesse bilhetinho, entretanto, apenas quatro palavras, afora pontos exclamativos e reticências:

Anjo adorado! Amo-lhe!… Para abrir o jogo, bastava esse movimento de peão. Ora, aconteceu que o pai do anjo apanhou o bilhetinho celestial e, depois de três dias de sobrecenho carregado, mandou chamá-lo à sua presença, com disfarce de pretexto — para umas certidõezinhas, explicou.

Apesar disso, o moço veio um tanto ressabiado, com a pulga atrás da orelha. Não lhe erravam os pressentimentos. Mal o pilhou portas aquém, o coronel trancou o escritório, fechou a carranca e disse:

— A família Triburtino de Mendonça é a mais honrada desta terra, e eu, seu chefe natural, não permitirei nunca-nunca, ouviu? que contra ela se cometa o menor deslize. Parou.

PROVAS DE CONHECIMENTOS – 1ª Etapa – Manhã

UFT/COPESE Vestibular/2011.1 2

Abriu uma gaveta. Tirou de dentro o bilhetinho cor de rosa, desdobrou-o.

então, minha filha e tem a audácia de o declararPois agora...

— É sua esta peça de flagrante delito? O escrevente, a tremer, balbuciou medrosa confirmação. — Muito bem! continuou o coronel em tom mais sereno. Ama,

O escrevente, por instinto, ergueu o braço para defender a cabeça e relanceou os olhos para a rua, sondando uma retirada estratégica. — …é casar! concluiu de improviso o vingativo pai. O escrevente ressuscitou. Abriu os olhos e a boca, num pasmo.

Depois, tornando a si, comoveu-se e, com lágrimas nos olhos, disse, gaguejante:

aí fora!

— Beijo-lhe as mãos, coronel! Nunca imaginei tanta generosidade em peito humano! Agora vejo com que injustiça o julgam

Velhacamente o velho cortou-lhe o fio das expansões. — Nada de frases moço, vamos ao que serve: declaro-o solenemente noivo de minha filha!

— Laurinha quer o coronel dizer
mulher!
— Oh, coronel
ou à preta Luzia, cozinheira. Escolha!

E voltando-se para dentro, gritou: — Do Carmo! Venha abraçar o teu noivo! O escrevente piscou seis vezes e, enchendo-se de coragem, corrigiu o erro. — Sei onde trago o nariz, moço. Vassuncê mandou este bilhete à Laurinha dizendo que ama-‖lhe‖. Se amasse a ela deveria dizer amo- ‖te‖. Dizendo ―amo-lhe‖ declara que ama a uma terceira pessoa, a qual não pode ser senão a Maria do Carmo. Salvo se declara amor à minha O escrevente, vencido, derrubou a cabeça, com uma lágrima a escorrer rumo à asa do nariz. Silenciaram ambos, em pausa de tragédia. Por fim o coronel, batendo-lhe no ombro paternalmente, repetiu a boa lição da sua gramática matrimonial.

— Os pronomes, como sabe, são três: da primeira pessoa — quem fala, e neste caso vassuncê; da segunda pessoa - a quem se fala, e neste caso Laurinha; da terceira pessoa — de quem se fala, e neste caso Maria do Carmo, minha mulher ou a preta. Escolha!

Não havia fuga possível. O escrevente ergueu os olhos e viu do Carmo que entrava, muito lampeira da vida, torcendo acanhada a ponta do avental novo ao alcance do maquiavélico pai. Submeteu-se e abraçou a urucaca, enquanto o velho, estendendo as mãos, dizia teatralmente:

— Deus vos abençoe, meus filhos! (...)

Texto adaptado http://lasalledf.com.br/cursos/em/literatura/arquivos/pronomes.pdf (acesso em 13/09/2010)

QUESTÃO 04

O texto ―O colocador de pronomes‖ conta a história de Aldrovando Cantagalo: um defensor da gramática, especialmente da colocação dos pronomes de acordo com a norma padrão. O excerto acima narra apenas o evento que resultou no casamento de seus pais. Sobre esse evento é CORRETO afirmar que:

(A) O pai da noiva aproveitou-se do uso inadequado do pronome lhe que o escrevente fizera para casar a filha encalhada.

(B) O motivo real pelo qual o pai da noiva escolheu Maria do

Carmo para se casar com o escrevente foi o fato deste ter cometido um erro no uso do pronome.

(C) O pai da noiva convenceu o escrevente de que o bilhete referia-se à filha mais velha e não à sua mulher ou à cozinheira.

(D) A argumentação do coronel leva em conta as diferentes variedades da língua portuguesa, em que o uso do pronome lhe com o verbo amar é condenado.

(E) O escrevente conhece a norma padrão da língua portuguesa, pois empregou um pronome de terceira pessoa para se referir à segunda pessoa.

QUESTÃO 05

Considere as seguintes afirmações acerca do uso dos pronomes na variedade padrão e em outras variedades do português brasileiro:

I. Em ‗Se quiser, eu posso lhe levar em casa‘, o pronome lhe, principalmente na língua falada, não se refere a ele ou ela, mas sim a você. A mesma lógica pode ser aplicada ao uso que o escrevente fez ao escrever ‗amo-lhe‘. I. O uso dos pronomes na sentença ‗Eu te vi ontem na rua, te chamei, mas você não escutou‘ está de acordo com o que gramática normativa prescreve.

I. De acordo com a variedade padrão, os pronomes oblíquos átonos de terceira pessoa lhe e lhes funcionam como complementos verbais e são próprios do objeto indireto.

IV. Nas variedades não-padrão, é comum encontrarem-se usos que diferem da variedade padrão. Um exemplo disso é o uso dos pronomes pessoais ele e ela na posição de complemento verbal, como em ‗Eu conheci ele ontem‘.

Das afirmações acima

(A) apenas I está correta. (B) apenas I está correta. (C) apenas I e IV estão corretas. (D) apenas I, I e II estão corretas. (E) apenas I, I e IV estão corretas.

Leia o texto abaixo para responder à questão 06. A cabra e o asno

Uma cabra e um asno viviam na mesma casa. A cabra ficou com ciúme porque o asno recebia mais ração do que ela. Ela lhe disse:

_Que inferno é a sua vida! Quando não está no moinho, está carregando um fardo! Faça como se estivesse tendo uma crise de epilepsia e caia num buraco.

O asno achou que era um bom conselho: caiu de propósito e quebrou os ossos. Seu dono foi atrás de um médico para socorrê-lo.

_Se lhe der um chá de pulmão de cabra, ele vai se restabelecer. A cabra foi sacrificada e o asno ficou curado.

Esopo. Fábulas. QUESTÃO 06

Sobre a fábula acima é INCORRETO afirmar que:

(A) O discurso direto foi um recurso usado pelo autor duas vezes nesse texto para transcrever as falas dos personagens. Estas foram proferidas por personagens diferentes.

(B) O ensinamento implícito nessa fábula é de que não se deve tirar proveito da ingenuidade dos outros em benefício próprio.

(C) ―Ela lhe disse: _ Que inferno é a sua vida!‖ transcrito para o discurso indireto ficaria ‗ela lhe disse que a sua vida era um inferno‘, sem prejuízo de significado e ambiguidade.

(D) A partir dessa fábula, infere-se que não é correto querer prejudicar os outros, pois quem o faz acaba fazendo mal a si mesmo.

(E) O asno aceitou o conselho da cabra, pois a julgava sua amiga. Então, uma possível moral da fábula é de que se deve avaliar os conselhos dos outros, até das pessoas que julgamos amigas.

Leia os provérbios a seguir para responder à questão 07.

Antes que cases, olha o que fazes. Quem casa não pensa, quem pensa não casa.

Procura e acharás. Quem procura acha.

Se queres bom conselheiro, procura o travesseiro. A noite é boa conselheira.

PROVAS DE CONHECIMENTOS – 1ª Etapa – Manhã

UFT/COPESE Vestibular/2011.1 3

QUESTÃO 07

Assinale a alternativa INCORRETA quanto à leitura discursiva e gramatical dos provérbios:

(A) Os provérbios são expressos de modo pessoal e impessoal, como podemos ver respectivamente nos exemplos: ―Se queres bom conselheiro, procura o travesseiro‖ e ―A noite é boa conselheira‖.

(B) A opção pela impessoalidade no ato de citar um provérbio reflete a tendência de quem enuncia de não se envolver diretamente com o dito. É o caso de ―Antes que cases, olha o que fazes‖.

(C) Os provérbios com marcas pessoais tratam de um discurso predominantemente centrado no enunciador, ou seja, em quem diz o dito. É o caso de ―Procura e acharás‖ e ―Se queres bom conselheiro, procura o travesseiro‖.

(D) O uso de provérbios revela um discurso de autoridade, ou um discurso autoritário: eles provêm de uma sabedoria popular anônima.

(E) Em ―Procura e acharás‖, a classificação modo-temporal de acharás é futuro do presente do indicativo; forma hoje em desuso na oralidade no português brasileiro.

Leia o texto para responder à questão 08.

Era no tempo do rei. Uma das quatro esquinas que formam as ruas do Ouvidor e da Quitanda, cortando-se mutuamente, chamava-se nesse tempo O canto dos meirinhos; e bem lhe assentava o nome, porque era aí o lugar de encontro favorito de todos os indivíduos dessa classe (que gozava então de não pequena consideração). Os meirinhos de hoje não são mais do que a sombra caricata dos meirinhos do tempo do rei; estes eram gente temível e temida, respeitável e respeitada; formavam um dos extremos da formidável cadeia judiciária que envolvia todo o Rio de Janeiro no tempo em que a demanda era entre nós um elemento de vida: o extremo oposto eram os desembargadores. Ora, os extremos se tocam, e estes, tocando-se, fechavam o círculo dentro do qual se passavam os terríveis combates das citações, provarás, razões principais e finais, e todos esses trejeitos judiciais que se chamava o processo.

Daí sua influência moral. (...)

ALMEIDA, Manuel Antônio de. Memórias de um sargento de milícias. QUESTÃO 08

Considerando-se alguns aspectos gramaticais da língua portuguesa, podemos afirmar que:

(A) Nas expressões verbais ‗chamava-se‘/‗se chamava‘ e ‗tocando-se‘/‗se tocam‘, o pronome se é empregado como objeto direto.

(B) Em ―(...) e todos esses trejeitos judiciais que se chamava o processo.‖, tem-se um erro de concordância que só é permitido dada a licença poética comum aos textos literários.

(C) No enunciado ―Os meirinhos de hoje não são mais do que a sombra caricata dos meirinhos do tempo do rei; estes eram gente temível e temida, respeitável e respeitada (...)‖, o uso do elemento estes refere-se aos meirinhos de hoje.

(D) As palavras ‗temível‘, ‗temida‘, ‗respeitável‘ e ‗respeitada‘ são formadas por sufixos diferentes (–ável e –ada), mas os adjetivos resultantes da derivação têm o mesmo significado.

(E) As palavras ‗respeitável‘ e ‗respeitada‘, embora sejam adjetivos com radical comum, não têm o mesmo significado. No contexto do texto, ‗respeitável‘ é ter o respeito dos outros e ‗respeitada‘ é ser digna de respeito.

Leia o fragmento de texto abaixo para responder à questão 09

O sertão abria-se naquela manhã de junho festivo, na glória fecunda das ondulações verdes, sombreado aqui pelas restingas das matas, escalonado mais além pelas colinas aprumadas, a varar o céu azul com suas aguilhadas de ouro; batuíras e xenxéns chalravam nas embaúbas digitadas dos grotões; e um sorvo longo de vida e contentamento errava derredor, no catingueiro roxo dos serrotes, emperolado da orvalhada, a recender acre, e nas abas dos montes e encruzilhadas, onde preás minúsculos e calangos esverdinhados retouçavam familiares, ao

Hugo de Carvalho Ramos in Tropas e Boiadas

esplendor crescente do dia. QUESTÃO 09

Em relação à linguagem empregada pelo autor no fragmento de texto apresentado acima, é CORRETO afirmar que:

(A) Para obter maior realismo em seu relato, o autor utiliza uma linguagem rebuscada, carregada de figuras de linguagem como hipérboles, antíteses e paradoxos, característica marcante do estilo barroco.

da paisagem do cotidiano do sertanejo

(B) Ao empregar expressões como ―a varar o céu azul com suas aguilhadas de ouro‖, ―emperolado da orvalhada, onde preás minúsculos‖, e ―calangos esverdinhados retouçavam familiares‖, o autor procura separar a pintura

(C) As imagens poéticas construídas pela linguagem do texto não demonstram integração artística entre pensamento e expressão, pois não há envolvimento do narrador com os fatos que relata, nem relação deles com a vida no sertão.

(D) Pela leitura do fragmento, pode-se depreender que a extensão dos segmentos fraseológicos obtida pelo emprego dos adjetivos tem como objetivo a busca pela fidelidade na descrição da paisagem.

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