Apostila - de - biologia

Apostila - de - biologia

(Parte 3 de 7)

Os cinco grandes reinos

De acordo com o estabelecimento dos critérios de classificação mencionados, o mundo vi- vo foi dividido nos seguintes reinos: Reino Monera — Abrange todos os organismos unicelulares e procariontes, representados pelas bactérias e pelas cianobactérias ou cianofíceas, também conhecidas como algas azuis. Reino Protista — Compreende os organismos unicelulares e eucariontes, como os proto- zoários e certas algas. Reino Fungi — Compreende todos os fungos, que podem ser uni ou pluricelulares e são organismos eucariontes e heterótrofos por absorção. Reino Plantae ou Metaphyta — Abrange os organismos pluricelulares, eucariontes e autó- trofos. Nesse reino, também conhecido como reino das plantas, incluem-se as algas pluricelulares, as briófitas (musgos e hepáticas), as pteridófitas (como samambaias e avencas), as gim- nospermas (como pinheiros e sequoias) e as angiospermas (ipês, limoeiros, feijão, capim, etc). Reino Animalia ou Metazoa — Compreende os organismos pluricelulares, eucariontes e heterótrofos por ingestão. Esse reino abrange todos os animais, desde os poríferos até os mamíferos.

Veja no quadro ao lado alguns exemplos de seres pertencentes aos cinco grandes reinos do mundo vivo:

Monera Bactérias

Cianobactérias (cianofíceas)

Protista Protozoários

Algas Euglenófitas, crisófitas e pirrófitas

Fungi Mixomicetos

Eumicetos Ficomicetos, ascomicetos, base- diomicetos e deuteromicetos

Plantae (Reino Vegetal)

Algas Clorófitas, rodófitas e feófitas Briófitas (musgos e hepáticas)

Traqueófitas Pterodófitas (samambaias) Gimnospermas (pinheiro) Angiospermas (café)

Animalia (Reino Animal)

Poríferos (esponjas), Celenterados (água-viva), Platelmintos (solitária), Nematelmintos (lombriga), Anelídeos (minhoca), Artrópodes (insetos), Moluscos (caramujo), Equinodermos (estrela-do-mar) e Cordados (mamíferos)

1 - (Unicamp-SP) Leptodactylus labyrinthicus é um nome aparentemente complicado para um anfíbio que ocorre em brejos do estado de São Paulo. Justifique o uso do nome científico em vez de identificar o anfíbio como "rã-pimenta", como fazem os pescadores.

a)Trypanosoma Cruzi;
b)Anopheles (Nyssorhynchus) darlingi;
c)Rana sculenta marmorata;

2 - (Ufop-MG) Um aluno, ao redigir um trabalho em sua escola, citou vários nomes científicos, entre eles: d) Carica papaya.

Comente as regras de nomenclatura dos nomes científicos acima.

O retorno de takhi

Houve época em que milhares de cavalos selvagens vagueavam pela Europa, Ásia Central e China indo até a Mongólia. Hoje existem poucos indivíduos dispersos de uma espécie — o takhi, ou, como é conhecido no Ocidente, cavalo de Przewalski (Equus ferus przewalskii). Essa espécie está extinta na natureza; os últimos exemplares foram avistados no deserto de Gobi, sudoeste da Mongólia, em 1969. Os que ainda sobrevivem — cerca de 1500 em zoológicos e parques privados de todo o mundo — descendem de 12 ancestrais capturados no início do século X e vêm sendo cruzados em cativeiro.

Embora o takhi seja semelhante aos cavalos selvagens que os seres humanos começaram a domesticar há cerca de 6 mil anos, pesquisas recentes com DNA mostram que esse animal não é o ancestral dos cavalos domésticos modernos.

Fig. 2.9 — Cavalo de Przewalski. O termo przewalski referese a um oficial russo que encontrou esse cavalo vivendo em manadas selvagens, na Ásia.

Agora estão sendo feitos esforços para reintroduzir essa espécie na natureza. As tentativas de reintrodução têm mostrado a importância crucial de ensinar esses animais a evitar o ataque de predadores, como lobos. Também têm alertado os pesquisadores para problemas inesperados, como a exposição dos cavalos a doenças que podem ser transmitidas por carrapatos. E, ainda, têm ensinado o custo de transportar e restabelecer na natureza populações criadas em cativeiro. Salvar uma espécie antes que se torne extinta na nature- za faz muito mais sentido.

Adaptado de: MOEHLMAM, Patrícia D. Eqüídeos em perigo. Sàentific American, ano 3, n. 35, abril de 2005, p. 48-5.

3 - Sabendo que a raposa-vermelha (Vulpes vulpes) e a raposa-polar (Alopex lagopus) per- tencem à família Canidae, estabeleça as categorias taxionômicas comuns e não comuns a esses animais.

4 - Segundo o sistema binominal de nomenclatura, como devem ser escritos os termos indicativos do gênero, da espécie e da subespécie?

5 - (UFF-RJ) Identifique a categoria taxionômica a que se refere cada um dos nomes a seguir citados, de acordo com as regras de nomenclatura zoológica e justifique sua resposta:

Rattus; Ascaris lumbricoides; Homo sapiens sapiens; Anopheles (Nyssorhynchus) darlingi.

6 - Diferencie os integrantes do reino Monera dos organismos que compõem o reino Protista e dê exemplos.

7 - Determine as características comuns aos componentes do reino Metaphyta e Metazoa e estabeleça a diferença básica entre eles.

8 - (FCM-MG) Analise o esquema abaixo:

a) Indique, de acordo com o esquema, os nomes dos reinos de cada grupo de organismos apresentados de 1 a 5. b) Com relação aos organismos dos reinos 1 e 2, cite uma semelhança e uma diferença entre eles. c) Qual a principal diferença entre os organismos dos reinos 3 e 5, em relação à capacidade de obtenção de alimentos?

1 - (UFBA) O conjunto de indivíduos semelhantes e capazes de intercruzarem-se, produzindo

a) comunidade
b) família

descendentes férteis, define, biologicamente: c) gênero. d) espécie. e) clone.

2 - (CCV-ES) Na classificação dos seres vivos, a nomenclatura binária ou binomial (difundida por Lineu) é empregada quando se quer escrever o nome de: a) uma espécie.

b) um gênero. c) uma família. d) uma ordem. e) uma classe.

a) Mamíferos
b) Carnívoros

3 - (FCMSC-SP) Qual dos seguintes grupos contém a menor variedade de organismos? c) Felídeos. d) Panthera. e) Phantera leo.

a) espécie
b) ordem

4 - (Unirio-RJ) Se reunirmos as famílias Canidae (cães), Ursidae (ursos), Hienidae (hienas) e Felidae (leões), veremos que todos são carnívoros, portanto, pertencem à(ao) mesma(o): c) subespécie. d) família. e) gênero.

a) gênero
b) espécie

5 - (Udesc-SC) O cão doméstico (Canis familiaris), o lobo (Canis lupus) e o coiote (Canis latrans) pertencem a uma mesma categoria taxionômica. Esses animais fazem parte de um(a) mesmo(a): c) subespécie. d) raça. e) variedade.

6 - (UFMG) A partir de conhecimentos sobre as regras de nomenclatura zoológica, responda a esta questão: Com qual das fêmeas citadas o macho de Anopheles (Nyssorhynchus) triannulatus triannulatus pode cruzar e produzir descendentes férteis, através de várias gerações? a) Anopheles (Nyssorhynchus) aquasalis. b) Anopheles (Nyssorhynchus) triannulatus davisi. c) Anopheles (Nyssorhynchus) albitarsis domesticus. d) Anopheles (Nyssorhynchus) brasiliensis. e) Anopheles (Nyssorhynchus) intermedius.

7 - (UFPA) Quando dois organismos pertencem à mesma classe, obrigatoriamente devem per- tencer: a) à mesma ordem.

b) à mesma família. c) à mesma espécie. d) ao mesmo gênero. e) ao mesmo filo.

8 - (UFPA) Na classificação biológica, as ordens se constituem pela união de: a) gêneros. b) classes. c) filos. d) famílias. e) nenhuma das anteriores.

9 - (Cesgranrio-RJ) As categorias taxonômicas em zoologia são ordenadas, de modo ascendente, da seguinte forma: a) espécie, gênero, ordem, família, classe e filo. b) filo, classe, família, ordem, gênero, espécie. c) filo, ordem, classe, família, gênero, espécie. d) filo, classe, ordem, família, gênero, espécie. e) espécie, gênero, família, ordem, classe e filo.

10. (Cesgranrio-RJ) Com referência ao Homo sapiens, assinale a sequencia abaixo que exprime o grau de complexidade taxionômica da espécie humana: a) Hominidae, Homo sapiens, Homo, Chordata, Primates, Mammalia, Vertebrata. b) Chordata, Mammalia, Vertebrata, Homo, Hominidae, Primates, Homo sapiens. c) Mammalia, Vertebrata, Chordata, Primates, Hominidae, Homo, Homo sapiens. d) Chordata, Vertebrata, Mammalia, Primates, Hominidae, Homo, Homo sapiens. e) Primates, Chordata, Vertebrata, Mammalia, Hominidae, Homo, Homo sapiens.

1. (PUC-SP) O diagrama a seguir mostra as principais categorias taxionômicas a que perten- cem o cão e o gato: Chordata

Carnívora

Canidae Felidae

Felis

Felis catus Canis familiaris Canis

Mammalia

A análise do diagrama permite dizer que os dois animais são incluídos na mesma categoria

a) classe
b) família

até: c) filo. d) gênero. e) ordem.

a)Homo sapiens

12 - (Unisa-SP) Com base nas regras de nomenclatura, indique a alternativa incorreta: b) Trypanosoma cruzi c) Rana esculenta marmorata d) Rhea americana americana e) Anopheles Nyssurhynchus darlingi

13 - (UEPG-PR) São representantes do reino Monera: a) os fungos, as algas e as bactérias. b) as bactérias e as cianobactérias. c) os protozoários e as bactérias. d) os vírus e as bactérias. e) todos os organismos unicelulares.

14 - (UFPA) Organismos eucariotos, com mitocôndrias, sem cloroplastos, com nutrição hetero- trófica por ingestão, são classificados no reino: a) Monera.

b) Animalia. c) Fungi. d) Plantae. e) Protista.

15 - (Cesgranrio-RJ) Há mais de dez milhões de tipos de organismos na biosfera. Desde Aris- tóteles, os cientistas buscam os princípios para organizar esta imensa diversidade. Atualmente existem cinco reinos. Indique a alternativa que apresenta a sequencia dos reinos exemplificados nos esquemas abaixo:

a) Fungi, Monera, Metaphyta, Protista, Metazoa. b) Monera, Protista, Fungi, Metaphyta e Metazoa. c) Protista, Fungi, Metaphyta, Metazoa, Monera. d) Metazoa, Metaphyta, Monera, Protista, Fungi. e) Fungi, Protista, Monera, Metazoa, Metaphyta.

BIOLOGIA EM TODOS OS TEMPOS Aprendendo e investigando aplicações, contextos e interdisciplinaridade

Os animais e a ingestão de alimentos

Os animais são seres eucariontes, pluricelulares e heterótrofos por ingestão. Diferentemente das plantas — que se apoiam na fotossíntese e na absorção de nutrientes minerais do meio em que vivem — e dos fungos — que dependem inteiramente da assimilação de materiais de dimensões moleculares para as suas necessidades nutritivas —, os animais ingerem diversas fontes de alimento e promovem a transformação do alimento em moléculas que são utilizadas pelo organismo.

Para caracterizar os animais, vamos considerar uma base nutricional e pensar em algumas consequencias advindas desse processo.

Como consumidores e ingestores, os animais devem procurar e adquirir as concentrações localizadas de alimento que constituem as porções necessárias para sua sobrevivência. Assim, há claramente uma vantagem seletiva em ser capaz de se locomover, pois tendo consumido o alimento em um ponto, o consumidor pode procurá-lo em outros lugares. Esta é uma pressão muito diferente da que existe sobre os seres produtores e assimiladores. Estes, em sua maioria, não precisam se locomover, pois os nutrientes em solução estão ao seu redor e podem ser tomados e usados nessa forma dissolvida.

Nos animais, além da locomoção, existem estruturas para a localização de alimento. Assim, a energia gasta em locomoção não será desperdiçada em padrões casuais de caça, mas pode ser usada mais eficientemente, seguindo informação sensorial recebida da presa, que pode estar distante.

Tudo isso explica a existência de um sistema sensorial e coordenador e torna compreensível a evolução do sistema nervoso, um caráter muito distintivo dos animais mais complexos. Coordenação aqui implica interação bem-sucedida de órgãos sensoriais, locomotores, capturadores e ingestores.

Estamos familiarizados com estes órgãos em um gato, com seus sentidos de olfato e visão altamente desenvolvidos, sua bela coordenação muscular, suas garras e seus dentes. Igualmente poderoso é o conjunto de adaptações que fazem do polvo (fig. 2.10) um predador eficiente: visão aguçada, equipamento hidráulico a jato que possibilita a natação rápida, tentáculos flexíveis e fortes para rastejamento, ventosas adesivas e boca que permite morder e comer.

Menos familiares são as estruturas quimiossensoriais das planárias (fig. 2.1) para percepção de alimento. Coloque um pedaço de carne fresca em um riacho de água cristalina, onde se encontrem esses vermes e observe como eles se deslocam em direção à carne. Observe também os movimentos do corpo e o consumo do alimento por meio de uma faringe muscular altamente especializada.

Esta tendência dos animais para se orientar em seu ambiente, localizar fontes de alimento e delas obter os nutrientes necessários à sua sobrevivência conduziu à cefalização, representada pela formação de uma cabeça anterior, com sistema nervoso e a extremidade anterior do sistema digestório, a boca, frequentemente adaptada para captura e ingestão. Animais sedentários, como as esponjas, os corais, certos vermes, os moluscos bivalves e as formas parasitas, não acentuam a cefalização pela razão óbvia de que a predação, no sentido de caça e captura, não é neles acentuada. Apesar disso, todas estas formas retêm a capacidade de ingestão de alimento e, por esta razão, são facilmente identificadas como animais.

Adaptando de: HANSON, E. D. Diversidade animal. São Paulo, Edgard Blücher, 1988.

Em grupo: pesquisar e destacar duas adaptações verificadas para a aquisição de alimentos nos seguintes animais: tamanduá, onça-pintada e beija-flor (fig. 2.12).

Fig. 2.1 - Planária

A virologia, ramo da ciência que estuda os vírus, teve seu início apenas no final do século

XIX. Mesmo antes da descoberta desses seres ultramicroscópicos, já se supunha a sua existência, com o reconhecimento de agentes infecciosos capazes de atravessar filtros que retinham bactérias.

Os vírus, cujo nome vem do latim e significa 'veneno' ou 'fluido venenoso', são hoje considerados seres vivos pela grande maioria dos cientistas. Mas não são inseridos em nenhum dos cinco reinos descritos no capítulo anterior, por apresentarem certas características, como a de não possuírem organização celular.

3.1. Características gerais dos vírus

Os vírus são visíveis apenas ao microscópio eletrônico e constituídos basicamente por uma cápsula de natureza proteica em cujo interior existe apenas um tipo de ácido nucléico: DNA ou RNA (fig.3.1). Destituídos de membrana plasmática, hialoplasma, organelas citoplasmáticas e núcleo, esses seres não possuem organização celular. Além disso, não apresentam metabolismo próprio e permanecem inativos quando fora de células vivas, podendo até mesmo formar cristais.

Reproduzem-se apenas no interior de células vivas. Penetrando em uma delas, os vírus reproduzem-se em seu interior, utilizando a energia e o equipamento bioquímico da célula hospedeira. Por isso, são considerados parasitas intracelulares obrigatórios.

Fig. 3.1 – Esquema de vírus bacteriógrafo (vírus que parasita bactéria) e de vírus da gripe)

Atualmente sabe-se que os vírus podem parasitar plantas, animais e microrganismos diversos, como bactérias (fig. 3.2).

Fig. 3.2 — Vírus bacteriófagos (vistos ao microscópio eletrônico) atacando uma bactéria. Eles injetam seu material genético no interior da bactéria, deixando a cápsula proteica fora da célula da bactéria. As áreas escuras no interior da bactéria correspondem a novos vírus em formação. Cada um desses vírus mede cerca de 0,2 µm.

3.2. A reprodução dos vírus

No estudo do ciclo reprodutivo dos vírus, utilizaremos como exemplo os bacteriófagos ou fagos, vírus parasitas de certas bactérias.

Quando um bacteriófago entra em contato com uma bactéria hospedeira, acopla-se a ela através da cauda e perfura sua membrana celular. Então, o ácido nucléico viral — no caso, o DNA — é injetado no interior da bactéria, permanecendo a cápsula proteica fora da célula. Uma vez no interior da bactéria, o DNA do bacteriófago passa a interferir no metabolismo celular, comandando a síntese de novos ácidos nucléicos virais, à custa da energia e dos componentes bioquímicos da bactéria. Paralelamente, e ainda utilizando o arsenal bioquímico da célula hospedeira, o ácido nucléico viral comanda a síntese de outras moléculas, como proteínas, que basicamente organizam novas cápsulas. Em cada cápsula abriga-se um cerne de ácido nucléico, configurando a formação de um novo vírus. No final do processo, formam-se inúmeros novos vírus (fig. 3.3). As novas unidades virais promovem então a ruptura ou lise da membrana bacteriana e os novos vírus são liberados, podendo infectar outra célula e recomeçar um novo ciclo.

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