Farmacotécnica - farmacotecnica03

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73 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados a seus respectivos autores susceptibilidade para oxidação, maior uniformidade de lote para lote. Exemplos: Fattbase®, Witepsol®, Novata®, Estaram®.

d) Polioxietilenoglicóis: são bases hidrosolúveis, também designadas polietilenoglicóis, PEG, Carbowaxes etc. São polímeros do óxido de etileno designados por números (PEG 200, PEG 400, PEG 1500 etc) que dão uma idéia aproximada do peso molecular da cadeia polimérica. Os mais utilizados são os de peso molecular 6000, 4000 e1500.

I) Métodos de obtenção a) Fusão-solidificação As matérias-primas são misturadas ao(s) excipiente(s) previamente fundido(s) e em seguida a massa é vertida em moldes apropriados. Depois do resfriamento, os supositórios são retirados dos moldes, exceto no caso em que o molde é a embalagem do produto.

b) Compressão O excipiente é triturado e misturado ao fármaco e depois comprimido em equipamento apropriado. Este método, devido a desvantagens como a necessidade de equipamento especializado, dificuldade de homogeneização e aspectos irregulares dos supositórios obtidos, só é usado casos específicos como, por exemplo, para fármacos termolábeis.

3.2.3.4 Pastas Pastas são suspensões semi-sólidas, cujos problemas relacionados à sedimentação são irrelevantes, dada a consistência (viscosidade) do veículo.

A preparação das pastas requer subdivisão das partículas sólidas seguida por incorporação na base semi-sólida. A incorporação deve ser feita sempre de forma gradativa e progressiva.

3.2.3.5 Cremes Os cremes são emulsões semi-sólidas. Assim como para as formas líquidas, sua preparação deve ser embasada na Lei dos Semelhantes e seguir as seguintes fases: 1) Agrupar os componentes de acordo com suas solubilidades em fase aquosa

(FA) ou oleosa (FO). 2) Calcular o EHL requerido e selecionar o sistema tensoativo apropriado. 3) Dissolver componentes da FO, podendo-se aquecer a 5ºC acima do ponto de fusão. Por segurança deve-se evitar que ultrapasse 80ºC. 4) Dissolver componentes da fase aquosa, recomenda-se aquecer 3 a 5ºC acima da FO. 5) Incorporar sob agitação a fase interna na externa (Fig.6).

Emulsão A/O

Emulsão O/A

Agitação

Fig. 6 – Preparação de emulsões: incorporação da fase interna na fase externa.

3.3 FORMAS SÓLIDAS

As formas sólidas representam mais de dois terços dos medicamentos atuais. Tal difusão deve-se a vantagens como:

• Menor custo com acondicionamento, armazenamento e transporte;

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• Maior estabilidade química, física e microbiana; • Boa aceitação;

• Facilidade de administração;

• Possibilidade de se controlar a biodisponibilidade.

Entre as principais formas sólidas temos pós, granulados, cápsulas, comprimidos e drágeas.

3.3.1 PÓS Pós são formas farmacêuticas sólidas constituídas por um ou mais princípios ativos, adicionados ou não de adjuvantes, pulverizados e misturados homogeneamente. Apresentam vantagens como:

• Viabilidade de obtenção de outras formas farmacêuticas (comprimidos, drágeas, cápsulas, suspensões, pomadas, soluções);

Entre as desvantagens destacam-se: • Inconveniente na ingestão;

• Estabilidade;

• Dificuldade de proteção da decomposição dos pós contendo materiais higroscópicos.

3.3.1.1 Classificação dos pós medicamentosos I) QUANTO À APLICAÇÃO

• Uso interno: podem constituir solução no momento da administração.

• Uso externo: devem possuir boa espalhabilidade e tenuidade e não devem causar irritação local.

I) Quanto à constituição • Pós simples.

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I) Quanto ao tamanho da partícula Os pós podem se classificar de acordo com a abertura do poro do tamis em:

• Pó grosseiro: malha de 850 μm (20). Tamis 20 (não mais que 60% tamis 40).

• Pó medianamente grosseiro: malha de 425 μm (40). Tamis 40 (não mais que 60 % tamis 60).

Tamis 80.

• Pó fino: malha de 180 μm (80).

Tamis 120.

• Pó muito fino: malha 125 μm (120).

3.3.1.2 Parâmetros fundamentais a) Tamanho da partícula: pode interferir em processos de mistura, dissolução e biodisponibilidade. Pode variar de alguns milímetros a menos que 1 μm (coloidal). São micro-pós as partículas menores que 10 μm. A granulometria das partículas é dada em função da abertura de malha ou número do tamis (Quadro 8). Quadro 8: Abertura da malha x número Tamis

Número do tamisμ malha 2 9,5 m 4 4,75 m 8 2,36 m 10 2,0 m

20 850 μm 40 425 μm 60 250 μm 80 180 μm 100 150 μm 120 125 μm 200 75 μm 400 38 μm

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Processos dependentes do tamanho da partícula: 1. Velocidade de dissolução; 2. Suspensibilidade; 3. Uniformidade na distribuição; 4. Tecnologia de obtenção de comprimidos e cápsulas;

5. Penetrabilidade (partículas inaladas: 1 a 5 μm);

6. Espalhabilidade (não aspereza < 100 μm) b) Características superfíciais (porosidade e cargas): podem facilitar a adsorção de gases ou vapores, interferindo na estabilidade, solubilidade, compressibilidade e aspectos reológicos. Em suspensões líquidas a presença de carga pode levar a sedimentação isolada (compacta) e o excesso de porosidade pode afetar a molhabilidade.

c) Propriedades de fluxo: a escoabilidade de um pó depende do tamanho, da forma, da densidade e das características de superfície (especialmente as que estão relacionadas às forças de coesão e formação de películas em torno das partículas).

3.3.1.3 Etapas de obtenção As etapas de obtenção incluem pesagem e outras operações preliminares, como triagem e estabilização, seguido por secagem, pulverização, tamisação, mistura e se necessário nova secagem.

I) Operações preliminares: triagem (ex.: matérias-primas vegetais), estabilização (inativação de enzimas, secagem para eliminar excesso de umidade).

I) Pulverização: subdivisão das partículas. Em pequena escala pode ser feita por: • Contusão: almofariz de bronze ou ferro (drogas vegetais);

• Trituração: almofariz de procelana e vidro (drogas cristalinas);

• Intermédio: a trituração é feita com líquidos ou com outros sólidos (no caso de substâncias com estrutura amorfa);

• Fricção: a trituração é feita sobre um tamis invertido (aplicada a substâncias friáveis e moles).

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Já em grande escala emprega moinhos, que podem basear-se em três princípios: • Atrito: fricção entre duas superfícies (moinho micronizador);

• Laminagem: uso de moinhos de placas;

• Impacto: uso de moinho de martelos e barras que giram em alta velocidade.

I) Tamisação: processo destinado à padronização do tamanho de partículas através de passagem do pó por uma peneira de malha definida designada tamis.

Entre os problemas da falta de uniformidade de tamanho de partículas estão os mecanismos de segregação, nos quais partículas maiores e mais pesadas tendem a se separar das menores, mais leves. Este fato se opõe à uniformidade mínima requerida para uma mistura medicamentosa.

Por outro lado, a seleção de partículas garante a obtenção de partículas com tenuidade adequada, diminuindo riscos de irritação, promovendo estabilidade física, dissolução e absorção.

IV) Mistura Para eficiência desta etapa todos os componentes devem ter o mesmo tamanho de partícula.

Regras básicas de mistura:

• Quantidades desiguais: inicia-se pelo de menor quantidade misturando com diluente;

• Substâncias potentes: diluição geométrica com auxilio de indicador (corante);

• Misturas explosivas: pulverização separadamente;

• Misturas de substâncias higroscópicas, eutéticas ou voláteis: por intermédio de diluentes absorventes (ex.: sílicas);

• Pós elásticos ou plásticos: mistura e trituração por intermédio de partículas duras; Pós que sofrem caking por pressão leve: mistura e trituração por intermédio de solvente volátil;

• Pós tóxicos: uso de capela e Equipamentos de Proteção Individual (EPI´s);

• Conservantes: são previamente solubilizados em solventes voláteis.

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A mistura de pós ou granulados pode ser feita em pequena escala com auxílio de gral, almofariz ou tamis.

Já em grande escala, utilizam-se misturadores por tombamento (misturadores em V) para pós secos, ou masseiras para pós umedecidos.

V) Secagem Antecede a mistura dos pós, realizada em estufas com sistemas blindados e captura de vapores de solventes. O controle é feito pela avaliação do teor de umidade. Parâmetros importantes: temperatura (40 a 70 ºC) e tempo (até 12 horas)

3.3.1.4 Pós para uso externo I) Requisitos

• Não devem ser irritantes: tamis 40-100 (< 100 μm).

• Boa aderência (fixação sobre a pele): quanto menor a partícula, maior a aderência.

• Espalhabilidade adequada.

• Boa capacidade de adsorção de líquidos.

• A facilidade de fluidez depende de lubrificantes.

• Boa conservação: passíveis de esterilização (calor seco a 150 ºC, óxido de etileno, radiações γ) ou combinados a sistemas conservantes eficazes.

• Compatibilidade entre componentes. • Uniformidade de tamanho de partículas.

I) Bases para pós de uso externo Devem apresentar características como boa aderência, capacidade de lubrificação, capacidade de adsorção de líquidos e boa fluidez. Podem ser classificadas em: orgânicas ou inorgânicas, e naturais ou sintéticas.

A) Bases inorgânicas Entre as bases inorgânicas destacam-se o talco, óxido de zinco, carbonato de magnésio, dióxido de titânio e dióxido de silício.

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Talco: é um hidroxipolissilicato de magnésio de origem natural, quimicamente inerte, untuoso, insolúvel em água, comum nos pós de uso externo, boa aderência e boa fluidez, baixa capacidade de adsorção de água.

Óxido de zinco: pó cristalino, bom adsorvente de água e óleo, boa fluidez, baixa aderência, ação anti-séptica e adstringente.

Dióxido de titânio: bom poder de cobertura, boa fluidez e aderência, quimicamente inerte.

Óxido de magnésio: excelente capacidade de adsorção de água e aderência. Baixa fluidez.

Carbonato de magnésio: boas propriedades aderentes, boa capacidade de adsorção de água. Baixa fluidez.

Dióxido de silício de alta dispersão (Aerosil®): boa aderência e fluidez, grande capacidade de adsorção de água e óleo. Uso em torno de 0,5 a 3,0%. Otimiza a formulação de pós tópicos.

B) Bases orgânicas Entre as bases orgânicas temos estearatos, lactose e amido. Estearatos: são utilizados os de alumínio, magnésio e de zinco. São untuosos, não adsorvem água nem óleo, possuem bom poder aderente e efeito refrescante sobre a pele. Também são utilizados como adjuvantes para outras bases na faixa de 1-5 %.

Amido: alta aderência, boa fluidez, boa capacidade de adsorção de água e óleo.

Embora de baixo custo constitui, quando úmido, excelente substrato para crescimento microbiano. Lactose: baixa fluidez, baixo poder aderente. Utilizada para pós absorvíveis.

I) Pós para uso externo especiais Pós refrescantes: amido ~ 95% e estearatos ~ 5%. Pós hidrorepelentes: contém 2 a 10% de substâncias graxas (lanolina, óleo mineral) incorporadas no pó.

Pós adstringentes: contêm substâncias adstringentes, como taninos e sais de bismuto, incorporados em talcos ou amido.

Pós antipruriginosos e analgésicos: mentol, cânfora e calamina misturados a uma base de boa aderência (amido e talco).

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Pós anti-sépticos: ácido salicílico, ácido bórico em bases aderentes e com boa capacidade de adsorção de água (óxido de zinco, amido e talco).

3.3.1.5 Pós para uso interno I) Requisitos

• Boa conservação

• Compatibilidade entre componentes.

3.3.2 GRANULADOS São formas farmacêuticas sólidas constituídas por um ou mais princípios ativos adicionados de adjuvantes, sob a forma de grânulos homogêneos, destinados à administração direta por via oral (granulados efervescentes), ou como intermediários na preparação de drágeas, cápsulas e comprimidos. Vantagens:

• Possibilitam a obtenção de outras formas farmacêuticas (comprimidos, drágeas, cápsulas, suspensões e soluções);

• Fácil deglutição;

• Melhor fluidez. Desvantagens: custo e tempo de preparação.

3.3.2.1 Características desejáveis • Regularidade na cor e forma.

• Resistência mecânica.

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3.3.2.2 Processos de obtenção Os granulados podem ser obtidos por via úmida, fusão ou via seca. As etapas para obtenção de cada via são descritas a seguir.

VIA ÚMIDA POR FUSÃO VIA SECA Pesagem Pulverização Tamização Mistura Umectação Granulação úmida (Tamis ou Granulador rotativo) Secagem (Estufa) Calibração (Tamis ou Granulador rotativo) Lubrificação (Gral ou misturador em V)

Pesagem Pulverização Tamização Mistura Leve aquecimento Granulação úmida (Tamis ou Granulador rotativo) Secagem (Estufa) Calibração (Tamis ou Granulador rotativo) Lubrificação (Gral ou misturador em V)

Pesagem Pulverização Mistura Pré-compressão (Rolos compressores, máquina de compressão) Granulação (Tamis ou Granulador rotativo) Calibração (Tamis ou Granulador rotativo) Lubrificação (Gral ou misturador em V)

3.4.3 Cápsulas São formas farmacêuticas sólidas nas quais o(s) fármaco(s) e excipientes estão contidos no interior de um invólucro solúvel, geralmente constituído de gelatina de tamanho variável, normalmente destinado ao uso oral. Em geral representam 50% da produção de farmácias de manipulação.

Vantagens: • Possibilita a proteção parcial do fármaco da ação da luz e do ar.

• Fácil identificação.

• Precisão de dosagem.

• Boa conservação.

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• Necessidade de menor número de excipientes.

• Versatilidade.

Desvantagens: • Não oferece proteção absoluta da ação da umidade ao fármaco.

• Não é passível de fracionamento.

• Limitado à administração de fármacos muito irritantes, instáveis ou higroscópicos.

3.3.3.1 Classificação

• Duras: podem constituir-se de gelatina ou amido. • Moles: compostas basicamente de gelatina e plastificantes (glicerina).

I) Quanto à composição • Pós.

• Granulados.

3.3.3.2 Invólucros das cápsulas Tamanho: variam quanto à capacidade, sendo classificadas por diferentes números: 0, 0, 0, 1, 2, 3, 4 e 5, inversamente proporcionais ao volume interno (Quadro 9).

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