Fôrmas para Concreto Armado

Fôrmas para Concreto Armado

(Parte 1 de 2)

trabalhabilidade, controle do calor de hidratação e exsudação etcsão

Sabemos que, apesar da grande evolução na tecnologia do concreto, em algumas obras os problemas em obter um concreto com todas as suas características: dosagem ideal, resistência à compressão, pega, frequentes. Esses problemas trazem prejuízos às construções quanto a durabilidade, estabilidade, funcionalidade das estruturas em concreto, devido, entre outros fatores, a má execução da estrutura armada e a sua cura. Por isso, há a necessidade de se trabalhar com funcionários que entendam onde, como, quando, os tipos e o tempo de permanência que as fôrmas e escoras devem ser empregadas pois, elas são peças indispensáveis que contribuem para a formação de uma estrutura sólida e durável.

Para se ter a garantia de que uma estrutura ou qualquer peça de concreto armado seja executado fielmente ao projeto e tenha a forma correta, depende da exatidão e rigidez das fôrmas e de seus escoramentos. Geralmente as fôrmas tem a sua execução atribuída aos mestres de obra ou encarregados de carpintaria. Estes procedimentos podem, por vezes, resultar em superdimensionamentos ou subdimensionamentos e ainda, maior consumo de materiais e mão-de-obra. Hoje, existe um grande número de alternativas para confecção de fôrmas, estudadas e projetadas, para todos os tipos de obras.

As fôrmas podem variar cerca de 40% do custo total das estruturas de concreto armado. Considerando que a estrutura representa em média 20% do custo total de um edifício, concluímos que racionalizar ou otimizar a forma corresponde a 8% do custo de construção. Nessa análise, estamos considerando os custos diretos, existem os chamados indiretos, que podem alcançar níveis representativos. No ciclo de execução da estrutura (forma, armação e concreto), o item forma é geralmente, o caminho crítico, responsável por cerca de 50% do prazo de execução do empreendimento. Portanto, o seu ritmo estabelece o ritmo das demais atividades e, eventuais atrasos. A forma é responsável por 60% das horas-homem gastas para execução da estrutura os outros 40% para atividade de armação e concretagem.

Atualmente na construção civil, as fôrmas de madeira são as mais utilizadas dentre os materiais que podem compor um sistema de fôrmas, por apresentarem características físico-químicas apropriadas para a aplicação, como resistência, são inertes, possuem estabilidade, não toxidade e aceitável variação dimensional quando submetida a variação de temperatura. Além disso, atendem às especificações com o menor custo, conta com mão-de-obra abundante e normalmente são compostas de painéis de madeira compensada, tábuas e pontaletes que tem várias aplicações e podem ser reusadas. Existe ainda outros materiais que podem ser utilizados como fôrmas, temos a liga metálica (aço em chapas e perfis), fibra de vidro, polímero (plástico, isopor), papelão, alvenaria de bloco cerâmico etc.

As fôrmas podem ser confeccionadas no próprio canteiro de obras ou pré-fabricadas. O que leva a escolha de uma ou outra é o prazo, o custo de execução, o espaço no canteiro, transporte e a geração de resíduo.

De acordo com o acabamento superficial das fôrmas pode-se definir o tipo de material a ser empregado na sua execução.

-Tábuas de madeira serrada; -Chapa de madeira compensada resinada;

-Chapa de madeira compensada plastificada;

Tábuas de madeira serrada

Devem ter as seguintes qualidades:

-Elevado módulo de elasticidade e resistência razoável -Não ser excessivamente dura

-Baixo custo

As tábuas mais utilizadas são de pinho de 2º e 3º, o cedrilho, timburi. e similares; sendo as bitolas comerciais mais comuns de: 2,5 x 30,0 cm ( 1" x 12 "), 2,5 x 25,0 cm ( 1"x 10 "), 2,5 x 20,0 cm ( 1" x 8" ).

As tábuas podem ser reduzidas a qualquer largura, desdobradas em sarrafos, dos quais os mais comuns são os de 2,5 x 15,0 cm; 2,5x 10,0 cm; 2,5 x 7,0 cm; 2,5 x 5,0 cm.

Chapas de madeira compensada

As chapas de madeira compensada, mais usadas para fôrma, tem dimensões de 2,20 x 1,10 m e espessura que variam de 6,0; 10,0; 12,0mm.

As chapas tem acabamento resinado, para utilização em estruturas de concreto armado revestida, e acabamento plastificado, para utilização em estruturas de concreto armado aparente.

As chapas compensadas são compostas por diversas lâminas coladas ou por cola "branca" PVA, ou cola fenólica. As chapas coladas com cola fenólica são mais resistentes ao descolamento das lâminas quando submetidas a umidade.

Para a execução das fôrmas além das ferramentas de uso do carpinteiro, como o martelo; serrote; lima; etc., utiliza-se uma mesa de serra circular e uma bancada com gabarito (gastalho) para a montagem dos painéis (Figura 01).

A mesa de serra deve ter uma altura e todos os sistemas de proteção que permita proceder ao corte de uma seção de uma só vez e as dimensões da mesa de serra devem ser coerentes com as dimensões das peças a serrar, e ainda é de grande importância adotar um disco de serra com dentes compatíveis com o corte a ser feito.

Peças utilizadas na execução das fôrmas

São dados diversos nomes às peças que compõem as fôrmas e seus escoramentos as mais comuns são:

1 - PAINÉIS: Superfícies planas, formadas por tábuas ou chapas, etc.

Os painéis formam os pisos das lajes e as faces das vigas, pilares, paredes. 2 - TRAVESSAS: Peças de ligações das tábuas ou chapas, dos painéis de vigas, pilares, paredes, geralmente feitas de sarrafos ou caibros. 3 - TRAVESSÕES: Peças de suporte empregados somente nos escoramentos dos painéis de lajes, geralmente feitas de sarrafos ou caibros. 4 - GUIAS: Peças de suporte dos travessões. Geralmente feitas de caibros ou tábuas trabalhando a cutelo (espelho ), no caso de utilizar tábuas, os travessões são suprimidos. 5 - FACES: Painéis que formam os lados das fôrmas das vigas. 6 - FUNDO DAS VIGAS: Painéis que forma a parte inferior das vigas. 7 - TRAVESSAS DE APOIO: Peças fixadas sobre as travessas verticais das faces da viga, destinadas ao apoio dos painéis de lajes e das peças de suporte dos painéis de laje (travessões e guias). 8 - CANTONEIRAS: Peças triangulares pregadas nos ângulos internos das fôrmas. 9 - GRAVATAS: Peças que ligam os painéis das formas dos pilares, colunas e vigas. 10 - MONTANTES: Peças destinadas a reforçar as gravatas dos pilares. 1- PÉS-DIREITOS: Suportes das fôrmas das lajes. Geralmente feitos de caibros ou varas de eucaliptos. 12 - PONTALETES: Suportes das fôrmas das vigas. Geralmente feitos de caibros ou varas de eucaliptos. 13 – ESCORAS (mãos-francesas): Peças inclinadas, trabalhando a compressão.

14 - CHAPUZES: Pequenas peças feitas de sarrafos, geralmente empregadas como suporte e reforço de pregação das peças de escoramento, ou como apoio extremo das escoras. 15 - TALAS: Peças idênticas aos chapuzes, destinadas à ligação e a emenda das peças de escoramento. 16 - CUNHAS: Peças prismáticas, geralmente usadas aos pares. 17 - CALÇOS: Peças de madeira os quais se apoiam os pontaletes e pés direitos por intermédio de cunhas. 18 - ESPAÇADORES: Peças destinadas a manter a distância interna entre os painéis das formas de paredes, fundações e vigas. 19 - JANELAS: Aberturas localizadas na base das fôrmas, destinadas a limpeza. 20 - TRAVAMENTO: Ligação transversal das peças de escoramento que trabalham a flambagem. 21 - CONTRAVENTAMENTO: Ligação destinada a evitar qualquer deslocamento das fôrmas. Consiste na ligação das fôrmas entre si.

Quanto maior o cuidado com as fôrmas, maior será a sua reutilização.

Para tanto, é necessário o uso de desmoldante apropriado com limpeza adequada do painel, cuidados na desforma, cuidados no transporte e qualidade nos materiais utilizados.

São chapas metálicas de diversas espessuras dependendo das dimensões dos elementos a concretar e dos esforços que deverão resistir. Os painéis metálicos são indicados para a fabricação de elementos de concreto pré-moldados, com as fôrmas permanecendo fixas durante as fases de armação, lançamento, adensamento e cura. Em geral possuem vibradores acoplados nas próprias fôrmas. Nas obras os elementos metálicos mais usados são as escoras e travamentos. Embora exijam maiores investimentos, as vantagens do uso de fôrmas metálicas dizem respeito a sua durabilidade.

As fôrmas metálicas são mais usada em pilares, paredes, muros, blocos de fundação e caixas d’água, sendo raramente usadas em vigas e podem chegar a até 60 reutilizações.

Estrutura de suporte provisório, composto por um conjunto de elementos que apoiam as fôrmas horizontais (vigas e lajes), suportando as cargas atuantes (peso próprio do concreto, movimentação de operários e equipamentos etc.) e transmitindo-as ao piso ou ao pavimento inferior. Para tanto, deve ser dimensionado, entre outras coisas, em função da magnitude de carga a ser transferida, do pé-direito e da resistência do material utilizado.

Estes elementos normalmente dividem-se em:

Suporte: escoras, torres etc.

Trama: vigotas principais (conhecidas também como longarinas) e vigotas secundárias (conhecidas também como barrotes)

Acessórios: peças que unem, posicionam e ajustam as anteriores

Podemos utilizar para escoramentos pontaletes de eucaliptos ou peças de peroba como os cibros 5,0 x 6,0 cm; 5,0 x 7,0 cm; 8,0 x 8,0 cm; as vigas 6,0 x 12,0cm e 6,0 x 16,0 cm, além dos escoramentos tubulares metálicos.

Quando os pontaletes forem apoiar no terreno, para evitar recalques, devemos colocar tábuas ou pranchas que deverão ser maiores quando mais fraco for os terrenos, de modo que as cargas dos pontaletes seja distribuída numa área maior.

Prever cunhas duplas nos pés de todos os pontaletes para possibilitar uma desforma mais fácil, e nos vãos intermediários dos escoramentos, devem com certeza serem colocados, de modo a permitir a colocação das contra flechas.

Nos pontaletes com mais de 3,00m, prever travamentos horizontais e contravontamentos para evitar flambagem.

Cada pontalete de madeira só poderá ter uma emenda, a qual não pode ser feita no terço médio do seu comprimento. Nas emendas, os topos das duas peças devem ser planos e normais ao eixo comum. Devem, nestes casos, ser pregados cobre juntas de sarrafos em toda a volta das emendas Devemos deixar os materiais em locais cobertos , protegidos do sol e da chuva. No manuseio das chapas compensadas deve-se tomar o cuidado para não danificar os bordos.

Plástico

Material bastante leve, resistente e reciclável. É necessário bastante cuidado em relação à estruturação dos painéis, devido à sua grande deformabilidade. É nesse tipo de material que encontramos as cumbucas ou cubetas, que são moldes produzidos em polipropileno (P) utilizados em lajes nervuradas.

Papelão

Utilização basicamente em pilares de seção circular com diâmetro de até 1,0 m, aproximadamente. Sua principal vantagem é ser uma fôrma autoestruturada, necessitando apenas de elementos de posicionamento e prumo. A desvantagem é ser destruída no momento da desforma, restringindose a apenas uma utilização.

São demonstrados dois tipos de painéis de pilar que são utilizados adequadamente ao tipo de obra a ser considerado. São eles:

Painéis constituídos de chapa de madeira compensada enrijecida com caibros, ou com sarrafos duplos, ou com perfil metálico. O painel é travado ao longo da altura por meios de barras de ancoragem presas em gravatas de caibros duplos, conforme figura 02.

Painéis constituídos e travados por gravatas moduladas. A gravata é formada por um conjunto de peças de madeira maciça ou de perfis metálicos, onde cada peça tem, na extremidade, um encaixe metálico com um parafuso, que permite o apoio e a fixação de outra peça. Essas gravatas são montadas ao longo da altura do pilar, conforme figura 03

lajes etcDevem ser bem fixados com pregos (18x27 ou 19x36) nas ligações

Quando os pilares forem concretados antes das vigas, para garantir o prumo, temos que prever contraventamentos em duas direções perpendiculares entre si (Figuras 04 e 05) os quais deverão estar bem apoiados no terreno em estacas firmemente batidas ou engastalhos nas bases, com a fôrma e com os apoios (estacas ou engastalhos).

Em pilares altos, prever contraventamentos em dois ou mais pontos de altura, e nos casos de contraventamentos longos prever travessas com sarrafos para evitar flambagem(Figuras 04 e 05).

Devemos colocar gravatas com dimensões proporcionais às alturas dos pilares para que possam resistir ao empuxo lateral do concreto fresco.

Na parte inferior dos pilares, as distância entre as gravatas devem ser máximo de 30 a 40 cm. Não devemos esquecer de deixar na base dos pilares uma janela para a limpeza e lavagem do fundo, bem como deixar janelas intermediárias, a cada 2,0m (Figura 05), para concretagem em etapas nos pilares altos. Esta janela tem a função de facilitar a vibração evitando a desagregação do concreto, responsável pela formação de vazios nas peças concretadas "bicheiras".

As fôrmas das vigas podem ser lançadas após a concretagem dos pilares ou no conjunto de fôrmas pilares, vigas e lajes para serem concretadas ao mesmo tempo. O usual é lançar as fôrmas de vigas a partir das cabeças dos pilares com apoios intermediários em garfos ou escoras. Em geral os procedimentos para execução de fôrmas de vigas são os seguintes:

Depois de limpos os painéis das vigas, deve-se passar desmoldante com rolo ou broxa (providenciar a limpeza logo após a desmoldagem dos elementos de concreto, armazenando os painéis de forma adequada para impedir empenamento);

Lançar os painéis de fundo de vigas sobre a cabeça dos pilares ou sobre a borda das fôrmas dos pilares, providenciando apoios intermediários com garfos (espaçamento mínimo de 80 cm);

Fixar os encontros dos painéis de fundo das vigas nos pilares cuidando pra que não ocorram folgas (verificar prumo e nível);

Nivelar os painéis de fundo com cunhas aplicadas nas bases dos garfos e fixando o nível com sarrafos pregados nos garfos (repetir nos outros garfos até que todo o conjunto fique nivelado);

Lançar e fixar os painéis laterais;

Conferir e liberar para colocação e montagem da armadura (ver próximo capítulo);

Depois de colocada a armadura e todos os embutidos (prumadas, caixas etc.) posicionar as galgas e espaçadores a fim de garantir as dimensões internas e o recobrimento da armadura;

Dependendo do tipo de viga (intermediária ou periférica) executar o travejamento da fôrma por meio de escoras inclinadas, chapuzes, tirantes, tensores, encunhamentos etc., de acordo com as dimensões dos painéis e da carga de lançamento a suportar;

Conferir todo o conjunto e partes e liberar para concretagem, verificando principalmente: alinhamento lateral, prumo, nível, imobilidade, travejamento, estanqueidade, armaduras, espaçadores, esquadro e limpeza do fundo.

Os procedimentos para lançamento das fôrmas das lajes dependem do tipo de laje que vai ser executada e geralmente fazem parte do conjunto de atividades da execução das fôrmas de vigas e pilares. A exceção de lajes premoldadas que são lançadas a posteriori da concretagem das vigas é usual, nos demais casos, (pré-fabricadas, moldadas in loco, celulares etc.) providenciar a execução dos moldes em conjunto com as vigas, para serem solidarizadas na concretagem. Os procedimentos usuais para lajes maciças são os seguintes:

Lançar e fixar as longarinas apoiadas em sarrafos guias pregados nos garfos das vigas;

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