(Parte 3 de 4)

Quelato natural Poliflavonóides 5 - 7

Ferro Quelato sintético NaFeEDTA 5 - 14

Quelato sintético NaFeHEDTA 5 - 9 Quelato sintético NaFeEDDHA 6 Quelato sintético NaFeDTPA 10 Quelato natural Poliflavonóides 9 - 10 Quelato natural Lignossulfonatos 5 - 8 Metoxifenil propano FeMPP 5

Quelato natural Poliflavonóide8,5

Manganês Quelato sintético MnEDTA 12 Metoxifenil propano MnMPP 10 - 12

Zinco Quelato sintético Na2ZnEDTA 14 Quelato sintético NaZnEDTA 13

Quelato sintético NaZnHEDTA 9 Quelato natural Poliflavonóide 10 Quelato natural Lignossulfonato 5

FONTE: Malavolta (1981).

A solubilidade diferencial é importante para se ter uma maior ou menor disponibilidade dos micronutrientes adicionados via fertilizantes para as plantas. A uma maior solubilidade corresponde, via de regra, uma maior tendência de formação de precipitados. Os quelatos embora apresentem uma elevada solubilidade não ocasionam precipitados. Isto ocorre devido ao micronutriente quelado ficar como que "aprisionado" temporariamente no interior de estruturas orgânicas em forma de anéis. Essas estruturas dos agentes complexantes levam a uma situação na qual o micronutriente passa a não mais ter carga elétrica residual, não se comportando,

Micronutrientes 10.5. Fertilizantes de Micronutrientes 16 enquanto quelatado, como cátion ou ânion. Assim, o micronutriente fica menos sujeito às reações que ocasionam sua precipitação e insolubilização.

A absorção de um quelato (complexo) pela planta parece ocorrer de modo que na plasmalema ocorra a dissociação do quelato (nutriente + agente quelatante), sendo então apenas o nutriente absorvido e o agente complexante é "reciclado" para o meio externo.

Os silicatos complexos ("fritas") são obtidos pela fusão a elevadas temperaturas, 1.300 graus Celsius aproximadamente, de fontes de micronutrientes com silicatos - muitas vezes borossilicatos - e posterior choque térmico (natural ou por jatos de água - "quenching") - que resulta na formação de pequenos cristais, vítreos, com solubilidade muito baixa.

Quadro 10.6 - Teores de micronutrientes em "Fritas" comercializadas no Brasil

Produto Micronutriente B Co Cu Fe Mn Mo Zn

FONTE: Malavolta (1986).

Em questão de custos, tem-se que de modo geral as fontes inorgânicas são as de menor custo seguidas pelas "fritas" e pelos quelatos.

Micronutrientes 10.6. Uso dos Fertilizantes de Micronutrientes 17

10.6. Uso dos Fertilizantes de Micronutrientes

Para que se possa usar de forma mais eficiente e balanceada os micronutrientes há que se ter critérios seguros e extrapoláveis concernentes à interpretação do estado nutricional dos solos e das plantas. Ou seja, importa saber como detectar se um dado solo ou espécie (cultivar, linhagem etc.) está com um teor adequado ou não de um dado micronutriente, ou de vários deles. Para isso, há que se valer de um processo integrado, no qual devem ser considerados parâmetros "diretos" e "indiretos" de solo e planta.

Como parâmetros "diretos" podem ser considerados: análises de planta, análises de solo, testes bioquímicos (enzimáticos), e, inclusive, os sintomas visuais de carências e excessos. Nos Quadros 10.7 e 10.8 são apresentados, respectivamente, valores de teores foliares adequados de micronutrientes para diversas culturas e valores de níveis críticos de alguns micronutrientes no solo. Parâmetros aqui referidos como "indiretos" seriam por exemplo: pH do solo, potencial de oxi-redução do meio, conteúdo volumétrico de água, teor de matéria orgânica, histórico de uso da área.

De todo modo, muito mais relevante do que se preocupar em discriminar um tipo de parâmetro de outro é, por exemplo, considerar em qual das duas situações haveria maior disponibilidade de Mn para as plantas: em um solo que por um definido extrator químico apresentou 10 ppm de Mn, e seu pH era de 5,2 ou um outro como características físicas semelhantes (textura) que também tinha 10 ppm de Mn, pelo mesmo extrator, mas que apresentava pH 7,0. Mediante consideração da curva de disponibilidade dos micronutrientes em relação ao pH pode-se inferir que a maior disponibilidade seria na primeira situação, ou seja a pH 5,2. Evidentemente, na prática poderia ser diferente a situação, uma vez que outros fatores certamente influiriam. Seria talvez o caso da existência de grandes diferenças no potencial de oxi-redução do meio; ou então de se ter um teor de matéria orgânica muito diferente pois a complexação de Mn poderia ser muito diversa.

Micronutrientes 10.6. Uso dos Fertilizantes de Micronutrientes 18

Quadro 10.7 - Teores foliares adequados de micronutrientes em diversas culturas Cultura B Cu Fe Mn Zn Mo

(grandes culturas)
(Olerícolas)
(Fruteiras)
(outras perenes)

Micronutrientes 10.6. Uso dos Fertilizantes de Micronutrientes 19

Quadro 10.8 - Níveis críticos de alguns micronutrientes no solo

Micronutriente Extrator Nível Crítico ----- ppm -----

Boro Água quente0,3
Zinco Mehlich-11,0
Manganês Mehlich-15,0
Cobre Mehlich-10,6
Ferro Mehlich-130,0

Observa-se assim que não será uma única informação que levará a uma avaliação segura, ou pelo menos com menor grau de erro, da condição que terá um solo para fornecer um dado micronutriente para as plantas. Tal situação obviamente não se aplica só aos micronutrientes, mas em função de se dispor de mais informações para um macronutriente como o P ou mesmo Ca e Mg - e o que é muito importante informações muitas vezes mais confiáveis - é mais fácil avaliar a disponibilidade de boa parte dos macronutrientes que a dos micronutrientes.

Aliado à essa carência de informações seguras e extrapoláveis ainda existente quanto a micronutrientes, outro aspecto a considerar no tocante à fertilização é a natureza das curvas de respostas das plantas à adição desses nutrientes. Para os macronutrientes a região de teto de produção em resposta ao fornecimento desses nutrientes é bastante extensa implicando em baixo risco de um eventual excesso desses nutrientes ocasionar decréscimo na produção física da planta. Já para micronutrientes, por exemplo para B, a transição entre a região de deficiência e a de toxicidade é muito abruptica. Assim, um excesso de B, como de resto para a maioria dos micronutrientes, adicionado via fertilizantes poderá causar grandes prejuízos à produção física e, obviamente, ainda mais à produção econômica. Em função da já comentada falta de bons critérios para avaliar a fertilidade dos solos e também do estado nutricional das plantas quanto aos micronutrientes, fica fácil concluir que a fertilização com micronutrientes envolve um grau de risco considerável.

A opção de muitos agricultores e técnicos por realizar, se for o caso, fertilizações com micronutrientes "a posteriori" pode ser, muitas vezes, a melhor

Micronutrientes 10.6. Uso dos Fertilizantes de Micronutrientes 20 estratégia. Se se tratar de uma cultura perene ou com um tempo de permanência no campo razoavelmente longo tal opção fica ainda mais razoável; nesta situação é provável que haja tempo para que a correção seja efetivada.

café e seringueira, etc

A filosofia de correção "a priori" de um suposto problema de carência de micronutrientes, na verdade mais uma prevenção do que correção, é perfeitamente aplicável para casos específicos. Tais casos seriam aqueles em que sabidamente uma dada cultura, cultivada numa definida condição de meio, requer a adição ao seu meio de cultivo de um dado micronutriente; por exemplo, plantas de arroz cultivadas sob irrigação por alagamento. De fato, é observação bastante generalizada a carência de Zn para essas plantas na condição mencionada. Outro exemplo seria a situação nutricional para couve-flôr quanto a B e Mo. Estes dois micronutrientes são importantíssimos na inflorescência desta planta, sendo por isso generalizada a aplicação dos mesmos para couve-flôr. Outros exemplos poderiam ser citados: Zn em

Essas situações que poderiam ser denominadas de situações de respostas prováveis evidenciam que para algumas culturas, muitas vezes implantadas no campo de modo muito semelhante, há sugestões de fertilização que merecem ser consideradas. Muitas vezes, a instalação de modo bastante generalizado para uma mesma cultura de deficiências nutricionais é, talvez, resultante de certas práticas de calagem e fertilização. Seria o caso das frequentes deficiências de Zn em seringueira, cultura que na implantação recebe quase sempre doses de fertilizante fosfatado bem elevadas. Neste caso, poderia ocorrer desequilíbrio entre P e Zn, tendo em vista a interação negativa clássica entre esses dois nutrientes.

Sugestões para o fornecimento de micronutrientes mediante pulverização foliar considerando várias culturas são apresentadas no Quadro 10.9 enquanto que para adição ao solo algumas recomendações constam do Quadro 10.10.

Quadro 10.9 - Algumas Recomendações de Micronutrientes Visando Correção de Deficiências Mediante Pulverização Foliar.

Micronutrientes 10.6. Uso dos Fertilizantes de Micronutrientes 21

Micronutriente Culturas Fonte Dose da Fonte (Kg/100 L água)

Boro aipo, alfafa, beterraba, cricíferas e frutíferas bórax ou outras fontes solúveis 0,1 - 0,3

café Idem0,3 - 0,5
Cobre hortaliças, frutíferas, café sulfato; calda bordalesa0,2 - 0,5
Ferro abacaxi , sorgo sulfato ferroso0,6 - 3,0
Manganês aipo, citros, feijões, soja, tomate sulfato0,4 - 0,8
Molibdênio citros, couve-flôr, repolho molibdatos0,05 - 0,90
Zinco plantas anuais sulfato0,25 - 0,40
plantas perenes Idem0,60 - 1,0

1/ O limite inferior de dose corresponde a aplicações em alto volume. Fonte: Rosolem (1984)

Um aspecto importante é a utilização nas culturas de defensivos, como os fungicidas, os quais podem promover um aporte muitas vezes considerável de micronutrientes para as plantas. Tal é o caso da utilização em plantas de café de fungicidas que contém Cu, Mn e Zn. Nesta situação, uma eventual mudança ou mesmo supressão dos fungicidas aplicados pode acarretar o aparecimento de sintomas de deficiência,

Quadro 10.10 - Doses de Micronutrientes para Fornecimento ao Solo.

-------Kg/ha -------
Boro bórax; "fritas"0,5 - 2,0
Cobre sulfato; óxido1,0 - 7,0
Manganês sulfato; óxido; "fritas"2,0 - 10,0
Molibdênio molibdatos; óxido0,05 - 0,50

Micronutriente Fonte Dose do Micronutriente Zinco sulfato; óxido; "fritas" 1,0 - 5,0

Micronutrientes 10.6. Uso dos Fertilizantes de Micronutrientes 2

Uma questão plausível tendo em vista a colocação feita quanto à utilização de defensivos contendo micronutrientes em plantas de café seria sobre a eficiência das pulverizações para fornecer esses nutrientes. Ora, se é baixa a mobilidade de quase todos os micronutrientes na planta como pulverizações como as mencionadas estariam proporcionando bons resultados, em têrmos de suprimento de micronutrientes? De fato, se não se proceder a pulverizações repetidas não se conseguirá garantir um adequado aporte de micronutrientes para as plantas, em razão da baixa mobilidade que apresentam na planta. Se com uma pulverização pode se corrigir uma deficiência existente num dado momento, o que seria dos novos lançamentos - ramos, se as aplicações não fossem repetidas? Esta é uma questão de fácil resposta, mas que levanta um outro questionamento: Tendo em vista a provável necessidade de se proceder a repetidas aplicações às folhas, é vantagem aplicar micronutrientes às plantas, ou seria melhor adicioná-los ao solo? A princípio poder-se-ía concluir pela vantagem das aplicações ao solo, usuais para os macronutrientes. No entanto, cabe considerar que os elementos adicionados ao solo estão sujeitos a lixiviação - B, em épocas muito chuvosas quando aplicado a solos com baixos teores de matéria orgânica e/ou a solos com elevada permeabilidade, como as areias quartzosas - e a precipitação/adsorção como seria, em princípio, para Zn e Cu.

Ou seja, há que se considerar quando da proposição do esquema de fertilização com micronutrientes vários aspectos que incluem o comportamento do micronutriente na planta e no solo.

Dentro dessa mesma preocupação, ou seja de aplicar uma visão abrangente para a fertilização com micronutrientes, há que se considerar as características das fontes fertilizantes e, caso a opção seja por efetuar a aplicação do micronutriente ao solo atentar para a localização do elemento. Neste particular, tem-se que avaliar as características relativas à mobilidade do micronutriente no solo. Há ainda que se preocupar com a dose da fonte do nutriente a ser aplicada; exemplificando: para um elemento como o Mo as doses recomendadas são tão pequenas que a incorporação do nutriente seria problemática (má uniformidade na aplicação).O fornecimento deste micronutriente mediante sua incorporação/peletização de sementes é frequentemente usado com bons resultados.

A umidade do solo é aspecto estreitamente associado à disponibilidade dos nutrientes para as plantas. Assim, em se tratando de fertilização com micronutrientes deve-se atentar para a época em que a avaliação da disponibilidade está sendo feita; muitas vezes uma deficiência evidente de um dado micronutriente é apenas devida a um transporte inadequado do elemento no solo, sendo que com o restabelecimento do transporte há uma pronta correção da deficiência. O que merece ser considerado é o reflexo da deficiência no crescimento/produção da planta, ao longo do intervalo de tempo de seu ciclo.

Micronutrientes 10.6. Uso dos Fertilizantes de Micronutrientes 23

A filosofia empregada para macronutrientes, baseada em trabalhos de correlação e calibração de análises de solo - principalmente - e de planta deve ser intensificada para os micronutrientes, paralelamente a estudos que procurem explicar os porquês das diferenças e variações que, certamente, serão verificadas entre solos e plantas.

O papel de associações simbióticas entre plantas e organismos sobre a absorção e o aproveitamento de micronutrientes pelas plantas deve ser objeto de maiores estudos, dentre eles destacando-se os efeitos das associações entre raízes e fungos micorrízicos e entre raízes e bactérias dos generos Rhizobium e Bradrhizobium.

Micronutrientes 10.7. Bibliografia 24

10.7. Bibliografia

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