TCC - Alexandra Saúde Mental

TCC - Alexandra Saúde Mental

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Ações da Equipe de Enfermagem no Cuidado com o Paciente Esquizofrênico no CAPS nos Municípios de Ubá e Juiz de Fora - MG

Actions of the Team of Nurse in the Care with the Schizophrenic Patient in CAPS in the Municipal districts of Ubá and Juiz de Fora - MG

Alexandra Medice Sperandio1, Pollyana Melo Souza2, Simone Rodrigues da Silva3, Sônia Márcia de Abreu4, Alexandre Augusto Macedo Correa5.

1,2,3 Acadêmicas do curso de graduação em Enfermagem da Universidade Presidente Antônio Carlos – UNIPAC/Ubá – Campus IV. 4Especialista em Saúde Pública. Docente na Universidade Antônio Carlos – UNIPAC/Ubá – Campus IV. 5Mestre em Saúde Brasileira. Docente na Universidade Antônio Carlos – UNIPAC/Ubá – Campus IV.

Resumo: Nas doenças mentais, a primeira em importância é a esquizofrenia, tem muitos quadros e síndromes clínicas, pode ser definida através de exames clínicos, caracterizada por sintomas psicóticos, além de alterações do desempenho social e pessoal do paciente, é uma doença da personalidade que afeta a zona central do “eu”, alterando a estrutura vivencial, interferindo na capacidade de vida e de convivência da pessoa com a realidade. O presente trabalho propõe-se a examinar às ações da equipe de enfermagem no cuidado com o paciente esquizofrênico no Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) de Ubá e Juiz de Fora – MG. Metodologia: pesquisa de abordagem exploratório-descritiva, composto por entrevistas aplicadas enfermeiros e técnicos em enfermagem que trabalham no CAPS na cidade de Ubá e Juiz de Fora – MG. A coleta de dados foi realizada através de questionário relacionado com as ações da equipe de enfermagem aos pacientes portadores de esquizofrenia. Objetivo: examinar as ações da equipe de enfermagem no cuidado com o paciente esquizofrênico e a eficácia dos procedimentos estabelecidos, assim destacando a contribuição da equipe de enfermagem na saúde mental. Conclusão: as ações da equipe de enfermagem buscam abordar caso a caso em relação ao paciente esquizofrênico buscando atender através do tratamento na terapia medicamentosa e social, onde desta forma o paciente conseguirá autonomia e reinserção social.

Palavras-chave: Enfermagem Psiquiátrica. Esquizofrenia. Conhecimento.

Summary: In the mental diseases, the first in importance is the schizophrenia, has many pictures and syndromes clinics, it can be defined through clinical exams, characterized by psychotic symptoms, besides alterations of the patient's social and personal acting, it is a disease of the personality that affects the central zone of the " me ", altering the structure existence, interfering in the life capacity and of the person's coexistence with the reality. The present work intends to examine the knowledge in relation to the actions of the nurse team in the care with the schizophrenic patient in Attention Psicossocial's Center (CAPS) of Ubá and Juiz de Fora - MG. Methodology: research of exploratory-descriptive approach, composed by interviews applied male nurses and technicians in nurse that work in CAPS in the city of Ubá and Juiz de Fora - MG. The collection of data was accomplished through questionnaire related with the actions of the nurse team to the patients schizophrenia bearers. Objective: to examine the actions of the nurse team in the care with the schizophrenic patient and the effectiveness of the established procedures, like this detaching the contribution of the nurse team in the mental health. Conclusion: the actions of the nurse team look for to approach case to I marry in relation to the schizophrenic patient looking for to assist through the treatment in the therapy medicines and social, where this way the patient will get autonomy and social reinsert

Word-key: Psychiatric Nurse. Schizophrenia. Knowledge.

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Alexandra Médice Sperandio

Rua Tenente Pedro Batalha, nº 60 – Centro, Ubá – MG; CEP: 36.500-000 medicesperandio@yahoo.com.br

INTRODUÇÃO

De todas as doenças mentais, a primeira em importância é a esquizofrenia, conhecida como um tipo “proteiforme” de doença. Tem muitos quadros e síndromes clínicas. É uma coleção, descrita pelos termos esquizofrenia e demência precoce1. A magnitude do problema clínico tem consistentemente atraído à atenção de exponentes em toda a história, onde Emil Kraepelin (1856-1926) e Eugen Bleuler (1857-1939) são as duas figuras fundamentais na história da esquizofrenia. O psiquiatra francês Benedict Morel (1809-1873) usou o termo demência precoce para pacientes deteriorados cujas doenças iniciavam na adolescência; Karl Ludwig Kahlbaum (1828-1899) descreveu os sintomas da catatonia; e Ewold Hecker (1843-1909) escreveu sobre o comportamento bizarro da hebefrenia2.

A esquizofrenia pode ser definida através de exames clínicos, caracterizando-se por sintomas psicóticos como distúrbios de pensamento, alucinações e delírios, além de alterações do desempenho social e pessoal do paciente. É uma doença da personalidade afetando a zona central do “eu”, havendo alterações na estrutura vivencial, interferindo na capacidade de vida e de convivência da pessoa com a realidade3.

No caso de saúde mental, durante séculos sustentou-se a tese de que o fechamento da família sobre si mesma, às vezes associado à supervalorização, à idealização de uma família perfeita e à intensificação dos pensamentos de que a família não deve se dissociar ainda mais na situação de doença, contribuía para a constituição de um longo processo de culpabilização do grupo familiar4. Desta forma, a família não se constituía como parte do tratamento e a sociedade mantinha a doença e os doentes isolados, dentro de seus muros.

Para haver uma mudança, é necessário repensar o lugar da família no tratamento, de preferência sem a formação de estereótipos que mais reforçam o isolamento do que o vínculo. A família necessita expandir, expressar sua singularização, problematizar a loucura para que possa ser re-significada enquanto parceira, e não como cúmplice ou vítima do processo de adoecimento psíquico4.

O aprimoramento do conhecimento em relação ao curso clínico da esquizofrenia, o melhoramento das técnicas psicoterápicas, a inserção de novos medicamentos antipsicóticos e o aprimoramento da condução terapêutica vem mudando a visão da pessoa afetada, alterando a avaliação do curso da doença aumentando as suas chances terapêuticas; isso tudo pode evitar cronificações institucionais, através de estratégias reabilitadoras e de reinserção social3.

A mudança de perspectiva sobre a esquizofrenia que não é mais considerada uma doença maligna e deteriorante, bem como os efeitos da reforma psiquiátrica, saindo desta forma do modelo asilar para um tratamento na comunidade – Centro de Atenção Psicossocial (CAPS), Núcleo de Atenção Psicossocial (NAPS), Ambulatórios de Saúde Mental e Hospital Dia, tornaram estes pacientes visíveis aos profissionais e à sociedade.

No CAPS, se o paciente necessita afastar-se ao menos temporariamente de sua própria casa, isto só faz sentido se o recebe num local onde tenha cuidados constantes e respeitosos, sendo os cuidados variados: o atendimento individual diário com seu técnico de referência, com o qual possa falar e procurar entender o que se passa com ele; a ajuda para sua higiene e cuidados com o próprio corpo, geralmente prejudicados pela crise; a participação em atividades coletivas, como oficinas, reuniões, assembléias, passeios; o atendimento à família, que deve fazer-se presente durante todo o tratamento; a prescrição adequada da medicação; a disponibilidade dos trabalhadores do serviço. Portanto, embora devendo atender aquela clientela que geralmente se destinava aos hospitais psiquiátricos, espera atuação de forma completamente diferente daquelas instituições5.

Em conseqüência, as formas de exercer a psiquiatria, através da reclusão, vêm sendo repensadas e questionadas. O profissional que presta assistência ao esquizofrênico deve estabelecer relações com propósito determinado e adequado às necessidades culminando em projetos terapêuticos, estabelecidos pela equipe de profissionais e com participação ativa do portador e seu familiar. Essa relação se confirma na medida em que se estabelecem vínculos de empatia e aliança3.

Os (as) enfermeiros (as) e sua equipe precisam dirigir suas ações para atender as necessidades apresentadas pelo esquizofrênico, desempenhando um papel fundamental em todas as fases do tratamento e da recuperação das pessoas afetadas.

Na classificação dos distúrbios, especificamente nos transtornos de pensamento, a esquizofrenia, doença cerebral séria e persistente, resulta em comportamentos psicóticos, pensamento concreto e dificuldades no processamento de informações e relacionamentos interpessoais, problema de difícil situação6. As manifestações tipo alucinações, delírios, auto-agressão e agitação psicomotora provocam ansiedade nos (as) enfermeiros (as), dificultando o estabelecimento da comunicação interpessoal e a concretização da relação de ajuda3.

As funções do enfermeiro (a) estão focadas na promoção da saúde mental, na prevenção da saúde mental, na ajuda ao doente a enfrentar as pressões da enfermidade mental e na capacidade de assistir ao paciente, à família e à comunidade, ajudando-os a encontrarem o verdadeiro sentido da enfermidade mental7.

A motivação para o presente estudo surgiu em investigar quais as intervenções de enfermagem que devem ser de extrema importância no cuidado de um paciente esquizofrênico e como realizar um papel de ajuda ao próprio indivíduo e sua família em relação aos problemas e estigmas associados ao transtorno, desta forma com uma assistência de enfermagem qualificada buscar reduzir o sofrimento tanto físico quanto emocional dos indivíduos que estão vivenciando o transtorno da esquizofrenia.

O assunto envolvendo as ações da equipe de enfermagem no cuidado com paciente esquizofrênico no CAPS, apesar desta importância já constatada, é de extrema importância no cuidado com o paciente. Assim, torna - se importante um trabalho que aborde tal tema para que ações da equipe de enfermagem sejam analisadas e verificadas em nossa região.

A relevância da pesquisa considera que os dados encontrados possam servir para o aprofundamento do conhecimento em relação à inserção do enfermeiro na equipe de saúde do CAPS, considerando que o grupo selecionado para o estudo, possa através dos resultados obtidos, refletir sobre sua prática no atendimento ao paciente esquizofrênico, onde para a família, o adoecimento de um membro representa geralmente um forte abalo, sendo que seus componentes dificilmente se encontram preparados para enfrentá-lo e sentem-se incapacitados para realizar qualquer intervenção.

Desta forma, o trabalho tem como objetivos: examinar o conhecimento em relação às ações da equipe de enfermagem no cuidado com o paciente esquizofrênico no Centro de Atenção Psicossocial, as intervenções e a eficácia dos procedimentos estabelecidos na instituição e observar se tais procedimentos estão de acordo com a literatura abordada para a realização da pesquisa envolvendo as ações da equipe de enfermagem com os pacientes esquizofrênicos.

METODOLOGIA

Trata-se de uma pesquisa de abordagem exploratório-descritiva.

Cenário

O local para realização da pesquisa envolveu o Centro de Atenção Psicossocial Guida Sollero (CAPS) em Ubá – MG e Centro de Atenção Psicossocial Casa Viva (CAPS) em Juiz de Fora – MG.

População e amostra

A população geral dos locais pesquisados era constituída por 08 profissionais da área de saúde, sendo enfermeiros e técnicos em enfermagem, que trabalham no Centro de Atenção Psicossocial Guida Sollero (CAPS) na cidade de Ubá e no Centro de Atenção Psicossocial Casa Viva (CAPS II) na cidade de Juiz de Fora.

Fizeram parte da amostra 02 enfermeiras e 01 técnica em enfermagem. Dos que não aceitaram participar 02 eram enfermeiras e 03 eram técnicos em enfermagem. Os métodos de inclusão foram: profissionais da área da saúde, exclusivamente enfermeiros e técnicos em enfermagem que atuem no CAPS, por no mínimo, 02 anos na profissão.

Instrumentos

O instrumento utilizado para coletar os dados foi o questionário em anexo (instrumento em anexo) contendo 14 questões elaboradas pelos autores relativas à idade, gênero, ocupação, tempo de profissão e ação da equipe de enfermagem no cuidado com o paciente esquizofrênico.

Procedimentos

No primeiro momento, durante o mês de setembro de 2010, foram entrevistadas 01 enfermeira e 01 técnica em enfermagem do CAPS II – Casa Viva em Juiz de Fora - MG, respectivamente. Essas entrevistas foram realizadas pelos autores acadêmicos do 8° período do curso de Enfermagem da Universidade Presidente Antônio Carlos - UNIPAC.

O segundo momento da pesquisa ocorreu no CAPS Guida Sollero em Ubá – MG, com a entrevista de mais 01 enfermeira, no período de setembro a outubro de 2010.

Para a realização da pesquisa foi elaborado um termo de consentimento livre e esclarecido de acordo coma resolução 196/96 do Conselho Nacional de Saúde. Antes de responder ao questionário, cada participante foi orientado sobre os objetivos do estudo, a garantia do caráter confidencial e voluntário da pesquisa, bem como o compromisso de divulgação dos resultados do trabalho. Após, o referido termo foi assinado em duas vias, sendo uma de posse do participante.

O trabalho foi encaminhado ao Comitê de Ética e Pesquisa da UNIPAC Ubá – MG.

Análise estatística dos dados

A análise dos dados deu-se através da estatística descritiva com cálculo das médias, desvio padrão e porcentagem por meio programa Excel, bem como da apresentação dos dados através de unitermos e suas respectivas significações.

RESULTADOS

Considerando os entrevistados em relação às ações de enfermagem, os profissionais eram do gênero feminino, com média de idade de 39,5 anos e desvio padrão de 12,5%, e o tempo de profissão com média de 10,5 meses.

Tabela 1: Dados descritivos sócio-demográficos

Descrição

%

Idade

 

Média

39,5

Desvio Padrão

12,5

 

Tempo na profissão

Meses

Média

10,5

Gráfico 1: Já trabalhou com paciente esquizofrênico

Gráfico 2: Quantos pacientes trabalhados

Dos entrevistados que responderam já terem tido experiência ou trabalhado com pacientes esquizofrênicos (100%), ao serem indagados sobre quais os tipos de pacientes, obtivemos:

Quadro 1: Experiência profissional com tipos de esquizofrenia

Diagnóstico

% *

Catatônica

Paranóide

Hebefrênicas

Tipo simples

Outras: Esquizoafetiva

100% da amostra

100% da amostra

100% da amostra

67% da amostra

33% da amostra

* Porcentagem dos profissionais entrevistados

Ao serem indagados sobre a ocorrência de negação da terapia medicamentosa por parte do paciente e diante disso qual ação da equipe de enfermagem foram observados os seguintes unitermos:

Entrevistado 1: Abordagem cuidadosa – “Uma abordagem cuidadosa, com esclarecimento,

Havendo resistência a equipe decide pela

Medicação injetável, se o paciente concordar."

Entrevistado 2: Discussão de caso – “ É realizada abordagem ao sujeito resistente e em crise;

discutimos o caso em equipe e a posterior pensamos em

outras alternativas para o sujeito ser medicado em um

vinculo com as famílias.”

Entrevistado 3: Informações – “O de informações, o paciente nega porque não conhece.

Casos extremos, se continua a negação, quando possível,

algumas medicações são substituídas por injeções observamos

uma maior resistência ao uso VO das medicações.”

Gráfico 3: Existência de atividades recreativas no CAPS.

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