Estudo de reflexos viscerais

Estudo de reflexos viscerais

1 INTRODUÇÃO

O meio ambiente está em constante variação e para manter a homeostase entram em vigor dois sistemas: o sistema endócrino e o sistema nervoso visceral ou autônomo. O sistema endócrino é controlado por hormônios e possui ação demorada. Já o sistema nervoso autônomo é coordenado por ações reflexas e possui ação rápida e imediata.

O sistema nervoso autônomo é também chamado de sistema nervoso de vida vegetativa, por estar relacionado com a constância do meio interno e corresponde a atitudes involuntárias. É responsável pela inervação e controle das estruturas viscerais, garantindo a constância do meio interno. O sistema opera através de reflexos viscerais, ou seja, sinais sensoriais (via aferente) de um órgão visceral podem entrar no centro de integração e retornar como respostas reflexas subconscientes (via eferente) para o órgão visceral (efetuador). Entre os centros de integração há os gânglios autônomos, tronco cerebral e o hipotálamo.

O sistema nervoso autônomo é dividido de acordo com os sinais autônomos eferentes em sistema nervoso simpático e sistema nervoso parassimpático. Geralmente, os dois sistemas agem de forma antagônica, enquanto um excita um órgão o outro inibe. Assim, o simpático causa dilatamento das pupilas (midríase) e taquicardia (aumento da frequência cardíaca), já o parassimpático causa contração da pupila (miose) e bradicardia (diminuição da frequência cardíaca) quando ambos são estimulados.

De acordo com Guyton (2006) algumas das funções viscerais controladas pelo sistema nervoso autônomo são: motilidade gastrointestinal, temperatura corporal, esvaziamento da bexiga, sudorese, controle da pressão arterial.

Desta forma, o objetivo dessa experiência é observar os reflexos autônomos viscerais no ser humano, diferindo-os de simpático e parassimpático.

2 MATERIAL E MÉTODOS

2.1 MATERIAL

Água fria

Bacia

Cronômetro

Lanterna

2.2 PROCEDIMENTO EXPERIMENTAL

  1. Reflexo fotomotor: a) reflexo fotomotor direto: pediu-se que o indivíduo olhasse para um ponto iluminado, por exemplo, uma lâmpada, janela ou lanterna e verificou-se o diâmetro das pupilas correspondentes a cada olho. Depois solicitou-se que ele cobrisse os olhos com as mãos durante cerca de 10 segundos, sem deixar penetrar luz entre os dedos nem comprimindo os globos oculares. Durante esse período, o indivíduo permaneceu de olhos abertos e direcionados para o mesmo ponto iluminado. Por fim, pediu-se que o ele retirasse uma das mãos e observou-se como a pupila se comportou nessa situação. Repetiu-se o procedimento com o outro olho. b) reflexo fotomotor consensual: foi realizado com uma lanterna incidindo-se luz em apenas um dos olhos do examinado e verificou-se então como se comporta a pupila do olho iluminado e a pupila do olho oposto.

  2. Reflexo espino-ciliar: beliscou-se de surpresa a pele da nuca de um indivíduo e verificou-se como se comportaram os diâmetros das pupilas.

  3. Reflexo bradicárdico: determinou-se a freqüência cardíaca através da palpação dos pulsos das artérias radiais, por 15 segundos. Em seguida, cada examinado mergulhou a face em uma bacia com água fria, durante 15 segundos. Aguardaram-se então 5 segundos e prosseguiu-se novamente à determinação da freqüência de pulso por 15 segundos.

3 RESULTADOS

Durante a prática do reflexo fotomotor direto, constatou-se que ao olhar-se diretamente para uma fonte luz, ocorre uma constrição ou diminuição do diâmetro da pupila. Portanto, ao fechar um dos olhos durante 10 segundos e depois abrir novamente, constatou-se a ocorrência de uma dilatação ou aumento do diâmetro da pupila.

Ao ser pesquisado o reflexo fotomotor consensual, verificou-se que tanto no olho iluminado quanto no olho oposto ocorreram constrição da pupila.

No segundo experimento foi realizado o reflexo espino-ciliar e concluiu-se que ao beliscarmos a nuca de uma pessoa, a pupila sofre dilatação.

A terceira experiência realizada foi a do reflexo bradicárdico. Observou-se que a frequência dos batimentos cardíacos ocorreram conforme a Tabela 01 abaixo:

Tabela 01: Registro de freqüência de batimentos cardíacos por minuto (BPM) antes e depois do examinado imergir a face em uma bacia de água fria. FLORIANO, 2012.

Examinados

Antes da imersão (bpm)

Após imersão (bpm)

Luciano

Bianca

Josifran

Marlene

Edilene

76

84

86

86

88

60

76

80

86

90

Média

84

78,4

Fonte: Laboratório de Fisiologia da FAESF.

4 DISCUSSÕES

Normalmente a pupila é circular, bem centrada e com diâmetro de 2 a 4 mm. Quando ela encontra-se com diâmetro aumentado chamamos de midríase, e o contrário chama-se miose.

Quando se incide uma luz sobre os olhos, observa-se que ocorre a contração da pupila. A luz excessiva que entra nos olhos estimula uma via reflexa que é controlada pelo sistema parassimpático. Dessa forma, a via eferente parassimpática traz a informação de contrair o músculo circular da íris provocando a miose. Este reflexo é importante para proteger a retina do excesso de luz. Por outro lado, na ausência de luz, como quando fechamos as mãos sobre os olhos, observa-se que a pupila se dilata (midríase). Isso ocorre, porque o sistema simpático prevalece sobre o sistema parassimpático, que não é estimulado por não haver luz excessiva. A midríase é importante para a retina captar uma maior quantidade de raios luminosos possíveis quando o ambiente está escuro.

O primeiro reflexo citado acima é um reflexo fotomotor direto ou à luz, pois é estimulado por luz intensa e provoca a ação no mesmo olho que está recebendo a luz.

Ao se incidir a luz sobre um dos olhos do indivíduo normal verifica-se, depois de curto período de latência, a contração da pupila do mesmo olho estimulado (reflexo fotomotor direto) e também a contração, simultânea e de mesma amplitude, da pupila do olho contralateral não estimulado (reflexo fotomotor consensual). A via nervosa que media este fenômeno é a via do reflexo pupilar fotomotor, sendo assim constituída: epitélio neurossensorial (cones e bastonetes), células bipolares, células ganglionares, camada de fibras nervosas retinianas, nervo óptico, quiasma óptico, no qual há parcial decussação de suas fibras, trato óptico, mesencéfalo. Toda esta sequência de elementos representa o braço aferente. Dentro do mesencéfalo desenvolve-se o neurônio intercalar que hemidecussa e articula o braço aferente com o braço eferente. Este é formado pelo núcleo de Edinger-Westphall, III nervo, gânglio ciliar, onde existe sinapse, nervos ciliares, os quais vão inervar o músculo esfíncter iriano e o músculo ciliar. Esta disposição anatômica explica porque a estimulação luminosa de um olho provoca miose simultânea em ambos os olhos. Entretanto o braço eferente recebe também influências não decorrentes de estimulação luminosa.

Se não houver reflexo fotomotor direto e consensual podemos dizer que há lesão do II par de nervos cranianos. No entanto, se não houver reflexo fotomotor direto, mas houver consensual, podemos inferir que há uma lesão no III par de nervos cranianos e não do II par.

Aproveitando a prática do reflexo fotomotor pode-se também observar se as pupilas apresentam o mesmo tamanho em cada olho, isto é, se elas são isocóricas. O fenômeno em que as pupilas não apresentam tamanhos iguais é chamado de anisocoria. Embora a anisocoria possa ser congênita, ela é um grande indicativo de hematomas no encéfalo, sobretudo se o paciente simultaneamente estiver em estado de coma.

A dor e o medo provocado pelo ato de beliscar causam períodos de excitação que estimulam o sistema nervoso simpático que prevalece sobre o parassimpático, assim a pupila dilata-se. Esse é o reflexo espino-ciliar.

No terceiro experimento foi realizado o reflexo bradicárdico, que tomou como base as medidas da pulsação dos indivíduos examinados em duas etapas. O pulso é a onda de contração e expansão das artérias, resultante dos batimentos cardíacos. O valor normal da pulsação em adultos é de 60 a 100 batimentos por minuto e as artérias mais utilizadas para esse procedimento são a radial, a braquial, a carótida, a poplítea e a pediosa. No nosso experimento a artéria utilizada foi a radial, que fica situada no prolongamento da linha do polegar, junto ao osso rádio.

Observou-se que a frequência dos batimentos cardíacos da maioria dos indivíduos examinados diminuiu após a imersão da face em uma bacia de água fria (vide Tabela 01). A face fria estimula o nervo trigêmeo que manda a informação até o núcleo do trigêmeo que se localiza próximo ao núcleo do nervo vago que é um nervo exclusivamente do sistema nervoso autônomo parassimpático. Há, então, a estimulação deste nervo que manda a mensagem para o coração liberando acetilcolina que se liga aos receptores muscarínicos, e dessa forma, faz com que as proteínas G se liguem a eles, abrindo os canais de potássio e hiperpolarizando o coração, e finalmente, provocando a diminuição dos batimentos cardíacos.

5 CONCLUSÃO

Mediante a realização e interpretação dessas experiências, pode-se concluir que os sistemas do corpo humano operam de forma contínua e coordenada, se um órgão ou sistema deixar de funcionar todo o organismo será comprometido.

O sistema nervoso autônomo simpático e parassimpático operam de forma antagônica e rápida e complementam um ao outro na regulação do funcionamento dos órgãos. Essa característica é importante para o organismo se adaptar ao meio ambiente que sempre está se modificando, e dessa forma desencadeando reações no organismo que impedem que ações do meio externo causem danos ao organismo. Uma das características principais desse sistema é a rapidez e intensidade com que pode modificar as funções viscerais.

REFERÊNCIAS

ALVES, C. A. R. Pupila neuro-oftalmológica. Serviço de Neuro-Oftalmologia do Departamento de Oftalmologia e Otorrinolaringologia da Faculdade de Medicina de USP. Disponível em: <http://www.moreirajr.com.br/revistas.asp?id_materia=1249&fase =imprime>. Acesso em: 26 mar. 2012.

CAMPBELL, W. W. O exame neurológico. 6ª Ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2007.

GUYTON, A.; HALL, J. Tratado de Fisiologia Médica. 11ª edição, Rio de Janeiro: Elsevier, 2006.

MACHADO, Angelo. Neuroanatomia Funcional. 2ª edição. São Paulo. Editora Atheneu, 2002.

Semiotécnica da Observação Clínica; José Ramos Jr; 12ª edição; editora Sarvier; 1998. Disponível em: <http://estudmed.com.sapo.pt/propedeutica/exame_fisico_cabeca_ 2.htm>. Acesso em 26 mar. 2012.

<http://quemdividemultiplica.blogspot.com.br/2009/05/reflexos-neurofisiologia.html>. Acesso em: 26 mar. 2012.

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