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Dessa maneira, é necessário manter espaço suficiente entre os artigos e, no caso do processamento de instrumental cirúrgico, no máximo, em torno de 30 peças. Contudo, a SOBECC recomenda abolir o uso da esterilização por calor seco.” (Práticas Recomendadas- SOBECC- Sociedade Brasileira de Enfermeiros de Centro Cirúrgico, Recuperação Anestésica e Centro de Material e Esterilização. 4ª edição – 2007, pág. 78).

Vapor saturado sob pressão:

Este processo está relacionado com o mecanismo de calor latente e o contato direto com o vapor, promovendo a coagulação das proteínas. Realizando uma troca de calor entre o meio e o objeto a ser esterilizado.

Existe uma constante busca por modelos de autoclaves que permitam a máxima remoção do ar, com câmaras de auto-vácuo, totalmente automatizadas. Entretanto, esses equipamentos sofisticados necessitam de profissionais qualificados, pois estes são, e continuarão sendo, o fator de maior importância na segurança do processo de esterilização.

Autoclave Pré-Vácuo:

Por meio da bomba de vácuo contida no equipamento, podendo ter um, três ou cinco ciclos pulsáteis, o ar é removido dos pacotes e da câmara interna, permitindo uma dispersão e penetração uniforme e mais rápida do vapor em todos os pacotes que contém a respectiva carga. Após a esterilização, a bomba a vácuo faz a sucção do vapor e da umidade interna da carga, tornando a secagem mais rápida e completando o ciclo.

Os materiais submetidos à esterilização a vapor são liberados após checklist feito pelo auxiliar de enfermagem da área.

Processos Químicos e Físicos- Químicos:

Esterilizantes químicos cujos princípios ativos são autorizados pela Portaria nº. 930/92 do Ministério da Saúde são: aldeídos, ácido peracético e outros, desde que atendam a legislação especifica.

O Peróxido de hidrogênio (na forma gás- plasma) e o óxido de etileno são processos físico- químicos gasosos automatizados em baixa temperatura.

Validação dos processos de esterilização de artigos:

A validação é o procedimento documentado para a obtenção de registro e interpretação de resultados desejados para o estabelecimento de um processo, que deve consistentemente fornecer produtos, cumprindo especificações predeterminadas.

A validação da esterilização precisa confirmar que a letalidade do ciclo seja suficiente para garantir uma probabilidade de sobrevida microbiana não superior a 10º.

Controles do processo de esterilização: Testes Químicos:

Os testes químicos podem indicar uma falha em potencial no processo de esterilização por meio da mudança de sua coloração.

Teste Bowie e Dick são realizados diariamente no primeiro ciclo de esterilização em autoclave fria, auto-vácuo, com câmara fria e vazia.

Testes Biológicos:

Os testes biológicos são os únicos que consideram todos os parâmetros de esterilização. A esterilização monitorada por indicadores biológicos utilizam monitores e parâmetros críticos, tais como temperatura, pressão e tempo de exposição e, cuja leitura é realizada em incubadora com método de fluorescência, obtendo resultado para liberação dos testes em três horas, trazendo maior segurança na liberação dos materiais. Os produtos são liberados quando os indicadores revelarem resultados negativos.

O fluxo de uma CME deve ser contínuo e unidirecional dos artigos evitando o cruzamento de artigos sujos com os limpos e esterilizados, bem como evitar que o trabalhador escalado para a área contaminada transite pelas áreas limpas e vice-versa, conforme Figura 01. Além disso, o acesso de pessoas devem se restringir aos profissionais da área.

Figura 01 – Fluxograma dos Artigos Processados na CME. Fonte: Adaptado de Silva, 1996 apud SOBECC

O Hospital Municipal de Francisco Sá possui uma área construída de 3.237,20m², 50 leitos e três pavilhões interligados por varandas. Ao término destes blocos o terreno possui um desnível de aproximadamente um metro e meio, numa área aberta de terreno natural com uma distância de aproximadamente 130 metros da avenida de acesso ao hospital e um nivelamento natural do terreno até esta avenida.

CME existente no Hospital Francisco Sá:

Hoje a CME é bastante simples e localiza-se no terceiro pavilhão desse hospital, próxima à lavanderia, almoxarifado e ao serviço de nutrição. Possui uma área de 63,36m2 dividida em expurgo, material não esterilizável, preparo e área de material esterilizável, como mostra a Fig.02.

Figura 02: Planta baixa da CME existente.

Diagnóstico da CME Existente

Sabendo-se que a qualidade da assistência prestada na CME está diretamente relacionada ao controle de infecções, verificou-se após visita à CME do Hospital Francisco Sá que:

Estrutura é inadequada tanto no dimensionamento da estrutura física quanto na falta de material adequado.

O mesmo profissional que trabalha na área suja trabalha na área limpa;

O setor não é informatizado;

Dificuldade de capacitar e supervisionar os funcionários;

Funcionários sem o equipamento de proteção adequada;

Equipamentos ultrapassados, como por exemplo, a estufa Fanem.

A autoclave vertical não atende aos requisitos elementares de esterilização por não permitir a eliminação do ar.

Na proposta de reestruturação desse estabelecimento de saúde, optou-se pela construção da CME ligando os blocos existentes com os blocos a construir, a oeste, logo após o desnível do terreno. Deverão ser construídas rampas de acesso aos blocos existentes. A CME será construída anexa ao Centro Cirúrgico, pois este é o ambiente que mais consome material esterilizado. Terá uma localização privilegiada, de acesso fácil aos demais ambiente que se interligarão a esse setor (vide Fig. 03 e Fig. 04).

Figura 03 – Nova CME

Para o dimensionamento da nova CME, além das recomendações mínimas da RDC nº. 50, foi verificada a demanda diária de material que está relacionada ao número de leitos, especialidades atendidas, número de salas cirúrgicas e a média diária de cirurgias, uso de materiais descartáveis e forma de estocagem.

Figura 04 - Planta Baixa da Nova CME

A Central de Material Esterilizado proposta contará com 185,85m2 da área construída dividida nos seguintes ambientes:

Sala de recepção de material sujo 14,75m2

Vestiário com banho- área suja 4,78 m2 Sala de preparo e esterilização física 35,0 m2

Sala de armazenagem e distribuição de material esterilizado 27,45 m2

Sala de armazenagem e distribuição de material esterilizado 27,45 m2

Vestiário com banho (feminino) 9,52 m2 Vestiário com banho (masculino) 6,38 m2

Equipamentos

Devido ao fato dos equipamentos existentes serem ultrapassados e seus dimensionamentos não serem adequados para esse hospital, que conta com 96 leitos, o projeto arquitetônico foi realizado com a previsão de instalação dos seguintes equipamentos:

• 01 Lavadora Termodesinfectora; • 01 Seladora;

• 02 Autoclaves de 365 litros.

O posicionamento destes equipamentos (Vide

Fig.04) foi o ponto de partida para o desenvolvimento do projeto arquitetônico.

O projeto hidráulico e elétrico especificará com detalhes os dimensionamentos de energia, instalações e os filtros de água necessários. A manutenção das Autoclaves será realizada por um acesso externo e este ambiente terá uma parte de alvenaria executada com tijolos Cobogô para ventilação.

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