Comportamento Organizacional

Comportamento Organizacional

(Parte 1 de 3)

Wilson Alves De Sousa Junior1 Fernanda Cagol 2

A principal função do comportamento organizacional é investigar o impacto que indivíduos e grupos têm sobre o comportamento das organizações, objetivando utilizar este conhecimento para melhorar a eficácia dentro da organização. Através de estudos e pesquisas o comportamento organizacional poderá proporcionar aos gestores um conjunto de ferramentas não apenas eficazes para o alcance de resultados nas organizações, como também para o desenvolvimento e satisfação no trabalho por parte das pessoas. Preparar as pessoas e as organizações para os desafios do futuro exige um contínuo repensar e aprender de novas formas de comportamento de todos os participantes da organização. Quando falamos em Comportamento Organizacional temos como referencia vários autores que de forma persuasiva nos ajudam a entender a importância deste conhecimento na melhoria do ambiente profissional. A presente pesquisa é de natureza bibliográfica, portanto, esta, deverá ser a principal técnica de coleta de dados utilizada nesse estudo. Serão utilizados como fonte de pesquisa, materiais encontrados na Web, revistas e livros que possam ajudar a entender os conceitos e os elementos relativos ao

Comportamento Organizacional. Desta forma procurar-se-á entender, explicar e aplicar os conceitos de Comportamento Organizacional. O principal objetivo deste trabalho é procurar responder às seguintes perguntas: O que é Comportamento organizacional e qual a sua importância para a organização?

Palavras-chave: comportamento organizacional. organização. motivação.

1 Tecnólogo - Universidade Norte do Paraná, Pós-Graduando MBA em Gestão de RH – FATEC.

2 Administradora (Universidade Tecnológica Federal do Paraná), Especialista em Gestão Contábil e Financeira (Universidade Tecnológica Federal do Paraná), orientadora de TCC do Grupo Uninter.

As conquistas de vantagens competitivas num mercado de rápidas e complexas transformações têm exigido das organizações uma reformulação nos seus sistemas de gestão. Desta forma é necessário criar consciência da importância das pessoas e da necessidade de gerenciar de maneira constante os processos de mudança através de um novo comportamento organizacional. De acordo com a Fae Business School, administrar uma empresa, atualmente, requer muito mais do que o exercício das funções básicas de gerência, como planejar, organizar, liderar e controlar. É necessário um conhecimento mais aprofundado sobre pessoas, grupos e estruturas. A compreensão do comportamento individual e dos grupos em situação de trabalho constitui o campo de estudo do Comportamento Organizacional.

A revista Coleção Gestão Empresarial (2006, P.12), comenta a respeito da mudança que vem acontecendo nos últimos anos nas organizações. As organizações estão se tornando mais conscientes do papel das pessoas no desenvolvimento e sucesso de seu negócio:

Desde os primórdios da empresa moderna – das linhas de montagem, da produção em massa, do surgimento das grandes corporações e suas estruturas hierarquizadas até os dias de hoje -, a maneira como o ser humano era visto e tratado no processo produtivo passou por uma grande transição. Foi uma transformação dos “Braços e Mãos” 3 do tempo de Henry Ford nos trabalhadores do conhecimento, detentores do capital intelectual das empresas atuais. Por incrível que pareça , ao longo do último século, paulatinamente, o ser humano deixou de ser uma “coisa”, um “recurso produtivo” como outro qualquer, e passou a ser “gente”, apesar de ainda ser carinhosamente apelidado de “Recurso Humano”.

Da mesma forma Moreira (2005, p.47), afirma que no estudo do comportamento organizacional o gestor pode encontrar ferramentas poderosas para um melhor desempenho e produtividade da organização:

3 Frase de/ou atribuída a Henry Ford - Coleção gestão empresarial ISTOÉ (2006, p.6).

Nos estudos proporcionados pelo Comportamento Organizacional, podemse encontrar poderosas ferramentas em face da complexidade gerada pela diversidade, globalização, qualidade total e as contínuas mudanças ocasionadas pelas alterações rápidas em vários segmentos da sociedade.

As pessoas formam o diferencial por meio do qual uma empresa aprende, cresce e melhora continuamente, e, simultaneamente, reduzindo custos e proporcionando a satisfação dos proprietários e dos clientes.

Tendo em posse as informações supracitadas, é possível entender a dimensão da importância deste estudo para as organizações modernas. Existe a necessidade de que as diversas organizações revejam seus modelos de gestão, e, se necessário, considerem a idéia de implementá-los, lançando mão desta excelente ferramenta que é o estudo do comportamento organizacional.

O enfoque deste estudo será voltado para alguns elementos que cercam o comportamento organizacional. O objetivo será verificar como esta ferramenta se desdobra no ambiente das organizações. Em primeiro lugar procurar-se-á conceituar o comportamento organizacional. O segundo lugar ficará para o estudo dos elementos que compõe o comportamento organizacional. Os elementos tratados neste estudo que compõe o comportamento organizacional são: Necessidade e Motivação, Comunicação, Liderança, Cultura e Clima Organizacional.

É de comum acordo em toda a bibliografia pesquisada que os elementos supracitados são os mais importantes e relevantes neste assunto. Uma ou outra referência consultada pode citar outros elementos, porém foi conveniente, para este estudo, explorar apenas estes elementos que são comuns em toda referência consultada.

Dá-se o nome de organização ao conjunto de pessoas que trabalham juntas numa divisão de trabalho com um objetivo comum: contribuir com algo de valor para a sociedade. Segundo Moreira (2005, p.45), organizações são coletividades especializadas na produção de um determinado bem ou serviço e que combinam agentes sociais e recursos, formando unidades sociais portadoras de necessidades e interesses próprios.

jamais conseguiriam

Chiavenato (1999, p. 304), conceitua o Comportamento Organizacional como o estudo da dinâmica das Organizações e como os grupos e pessoas se comportam dentro delas. É uma ciência interdisciplinar. Como a organização é um sistema cooperativo racional, ela somente pode alcançar seus objetivos se as pessoas que a compõe coordenarem seus esforços a fim de alcançar algo que individualmente

Para Wagner I e Holleuberh (2003, p.6) Comportamento Organizacional é um campo da pesquisa que ajuda a prever, explicar e possibilitar a compreensão de comportamentos nas Organizações. De acordo com Moreira (2005, p.45), comportamento organizacional é o estudo científico de indivíduos e grupos em organizações de qualquer tipo e suas implicações sobre o desempenho de estruturas, sistemas e processos. França (2010, p.3), conceitua o comportamento como "o estudo do conjunto de ações, atitudes e expectativas humanas dentro do ambiente”.

Partindo destes conceitos pode-se entender que a principal função do comportamento organizacional é investigar o impacto que indivíduos, grupos e a estrutura têm sobre o comportamento dentro das organizações com o propósito de utilizar este conhecimento para melhorar a eficácia organizacional. Ribeiro comenta:

De modo particular investiga as questões relacionadas com liderança e poder, estruturas e processos de grupo, aprendizagem, percepção, atitude, processos de mudanças, conflito e dimensionamento de trabalho, entre outros temas que afetam os indivíduos e as equipes nas organizações.

Quanto à origem deste estudo Wagner I e Holleuberh (2003, p.7) explicam, que o estudo do Comportamento organizacional tem suas origens no final dos anos de 1940 quando os pesquisadores das áreas de psicologia, sociologia, ciência política, economia e de outras ciências sociais procuravam desenvolver uma estrutura unificada de pesquisas organizacionais. Apesar das intenções de seus fundadores, o campo do comportamento organizacional tem resistido à unificação. Atualmente encontra-se dividido em três áreas bem distintas sendo denominados de: comportamento micro-organizacional, meso-organizacional e macroorganizacional onde refletem diferenças entre as disciplinas das ciências sociais. O micro-organizacional ocupa-se principalmente do indivíduo, baseado na psicologia experimental, a psicologia clínica e a psicologia industrial; o meso-organizacional concentra-se principalmente na compreensão dos comportamentos das pessoas que trabalham em equipe e em grupos e o macro-organizacional diz respeito á compreensão dos comportamentos da organização inteira e tem sua origem situada em quatro disciplinas principais sendo: a sociologia com suas teorias sobre estrutura, status social e relações institucionais, a ciência política, com suas teorias sobre poder, conflito, negociação e controle, a antropologia com suas teorias sobre simbolismo, influencia cultural e análise comparativa; e a economia com suas teorias sobre competição e eficiência.

Moreira (2005, p.46) explica que a importância do estudo do comportamento

Organizacional está relacionada a cinco fatores determinantes. São eles:

1. Preocupação com o serviço oferecido ao cliente e alto desempenho.

As empresas precisam encantar seus clientes e, para isso, é fundamental encontrar maneiras para que o desempenho dos seus funcionários seja altamente produtivo.

2. Valorização da diversidade e respeito às diferenças.

Estamos vivendo um momento em que a diversidade não é mais vista como um problema, sim como um fator importante para o alcance dos resultados corporativos; entretanto, a maioria das organizações ainda não está preparada para atuar com essa nova realidade.

3. Qualidade total: comprometimento, melhoria contínua, e foco no cliente.

O objetivo da excelência empresarial em todos os processos faz que as organizações tenham que encontrar novas formas de envolver seus colaboradores para ações de melhoria contínua e foco no cliente.

4. Modificação radical nos processos organizacionais.

A globalização e as inovações tecnológicas transformam os cenários de atuação da maioria das organizações, independente do segmento em que operam. Por conseguinte, um dos maiores desafios é a reinvenção dos seus processos organizacionais.

5. Mudança da função gerencial: apoiadores, treinadores, e facilitadores.

Os executivos têm um novo papel nas organizações bem diferentes daquele que chefes e patrões tinham no passado. São líderes que devem inspirar, apoiar, treinar e facilitar o desenvolvimento de seus liderados.

Para que se possa compreender melhor como se dá a dinâmica do comportamento dentro das organizações, é imprescindível o estudo dos fatores motivacionais, porque são eles que irão nortear as atitudes dos vários entes que compões sua estrutura.

As organizações são compostas de pessoas, que representam o coração da empresa, bombeando informações e ações para sua sobrevivência. As pessoas têm necessidades que, quando se manifestam, geram tensões que são direcionadas para um estímulo ou ação que atenda à necessidade latente. Essas necessidades são individuais e influenciadas pela cultura. As pessoas desenvolvem “forças motivacionais” como produto do ambiente cultural em que vivem.

As necessidades são processos pessoais e internos, muitas vezes subjetivos, que impulsionam o comportamento humano. Para França (2010, p.23) “elas surgem em uma situação específica e levam as pessoas a ações direcionadas à satisfação dessas necessidades, no ambiente externo, formando, assim, o Ciclo da Motivação”. De acordo com Moreira (2005, p.51), os termos motivação e emoção vêm do latim movere, que quer dizer motor. É fácil entender o porquê dessa “coincidência”. São as emoções que impulsionam as pessoas em direção as suas metas e que também influenciam a sua maneira de perceber os fatos – em outras palavras, motivação.

O Novo Dicionário Didático Brasileiro (p.403) conceitua a palavra Motivação como: “Ato de Motivar, Explosão de motivos”. Ao fazer um exame mais cuidadoso pode-se verificar que o mesmo dicionário traz o seguinte verbete a palavra Motivo: “Que pode fazer mover; motor que causa ou determina alguma coisa”.

A Enciclopédia e Dicionário Koogan/Houaiss (1995, p.572) define motivação como um ”interesse espontâneo por um assunto particular; Estímulo; Interesse”. Ao fazer referência à palavra Motivo usa o seguinte verbete: “Que pode ou faz mover; Que é causa ou origem de alguma coisa; Aquilo que nos leva a fazer algo, ou justifica o nosso comportamento”. De acordo com Bateman e Snell (apud, Moreira, 2005), a motivação refere-se às forças que dirigem e sustentam os esforços das pessoas numa determinada direção. Já para Motta (1995, p.192), “motivação é a energia oriunda do conjunto de aspirações, desejos, valores, desafios e sensibilidades individuais, manifestada através de objetivos e tarefas específicas”. Essa definição focaliza a dimensão interna do indivíduo.

Observando estes conceitos pode-se inferir que a motivação é uma força, uma razão, uma necessidade interior que leva um indivíduo a um determinado comportamento.

Muitos estudos têm sido desenvolvidos com o objetivo de explicar e criar instrumentos de classificação das necessidades das pessoas, especialmente as relacionadas ao trabalho. França (2010, p.24) explica que se houver sintonia entre as vontades pessoais e as necessidades de uma organização, direcionadas, por exemplo, metas, melhorias de qualidade, envolvimento com a equipe, diz-se que a pessoa esta motivada para trabalhar. Nesse caso a motivação para trabalhar é o resultado de uma ou mais necessidades que serão atendidas mediante um determinado comportamento ou conjunto de ações. Motivação é um tema que sempre despertou muito interesse, dada a sua relação com o comprometimento, o reconhecimento e as recompensas nas suas mais diversas modalidades. Muitas são, também, as restrições às várias pesquisas e teorias sobre o assunto, entre as quais se destacam aqui as teorias de conteúdo. Moreira (2005, p.51), explica a respeito dessas teorias:

As chamadas teorias de conteúdo dizem respeito à priorização das necessidades internas das pessoas como fatores capazes de alavancar o processo motivacional. As mais conhecidas são a Teoria dos Motivos Humanos (ou teoria das necessidades básicas) de McClelland, a Teoria da Hierarquia das necessidades de Maslow e a Teoria dos dois fatores de Herzberg.

Na Teoria dos Motivos Humanos, McClelland, defende que a motivação é sempre passível de mudanças, pois as pessoas apresentam necessidades básicas que se manifestam com determinada intensidade em momentos específicos. Essas necessidades são de: Realização, Poder e Associação. Os comportamentos são resultados dessas necessidades e do certo grau de preconceito que (provavelmente) teremos em relação à realização, poder ou associação. McClelland concluiu que a maioria dos gestores tem níveis consideráveis de necessidades de poder, razão pela qual tendem a se ajustar melhor às organizações burocráticas. Dentro desse raciocínio, podemos compreender que as pessoas movidas pela necessidade de realização não encontram as mesmas facilidades para se ajustar nesses ambientes.

A Teoria das Hierarquias das Necessidades de Maslow tem como base a crença de que as motivações humanas decorrem da busca da satisfação de necessidades específicas, classificadas em cinco níveis, a qual ficou conhecida como a Pirâmide das necessidades ou Pirâmide de Maslow:

Básicas: que são as necessidades de alimentação, repouso e continuidade da espécie; Expressam-se por meio da fome, sono e sexo.

Segurança: refere-se à proteção física e mental, e ausência de ameaça à integridade. Expressam-se mediante a habitação, a segurança e a proteção pessoal.

Associação: conjunto de relações nos mais diversos grupos aos quais pertencemos; Expressam-se por meio dos amigos, parceiros, semelhanças, ou complementariedade de interesses.

Reconhecimento: procura de prestígio e valorização pessoal diante de outras pessoas, grupos ou culturas. Refletem-se na busca de poder, posse, qualificação pessoal e profissional.

Auto-realização: as ações que nos realizam de forma pessoal e única.

Atingem o nosso conjunto intrínseco de vontades e/ou de crenças. Podem ser percebidos na dedicação incondicional e na motivação consistente com hábitos e sentimentos de prazer.

(Parte 1 de 3)

Comentários