Curso Manutençao MicroOndas

Curso Manutençao MicroOndas

(Parte 2 de 3)

CURSO DE FORNO MICROONDAS – “ALADIM” 10

Alguns fornos usam 4 microchaves: as três já estudadas e uma quarta para acender a lâmpada quando a porta do forno abre. Abaixo vemos o circuito do trafo de A.T. do forno GOLDSTAR e a posição das 4 chaves num modelo da SHARP antigo:

e. Teste a frio das microchaves do forno

Para testar as chaves no forno, devemos desconctar pelo menos um de seus terminais. Usando o multitester em X1, meça os dois terminais, empurrando e soltando o pino de acionamento da chave. Com o pino numa posição, o ponteiro deve ir no zero e na outra posição não deve deflexionar, como visto ao lado:

f. ROTEIRO PARA CONSERTO NO CIRCUITO DE ALIMENTAÇÃO DO TRAFO DE A.T.

a) Retire a tampa do forno e veja se chega 110 VAC no cabo de força; b) Não chega tensão pelo cabo O cabo de força do forno está interrompido. Troque-o; c) Chega 110 V no cabo Teste a frio o fusível de 15 A e os fusíveis térmicos; d) Fusível de 15 A queimado Verifique se o magnetron, diodo ou capacitor de A.T. não estão em curto. Se estão normais, reponha o fusível e ligue o forno; e) O forno funciona normalmente Deixe-o funcionando (aquecendo uma grande quantidade de água) por alguns minutos. Desligue o forno e veja se o fusível de 15 A esquentou muito ou não; f) O fusível não esquentou Então a causa da queima do outro fusível foi apenas defeito de fabricação. Coloque um de 20 A no lugar daquele de 15 A; g) O fusível esquentou muito A causa da queima foi ferrugem ou mau contato no portafusível. Troque o porta-fusível; h) Ao apertar a tecla liga do painel, o fusível queima instantaneamente Há um curto no circuito de AT ou uma das microchaves (a monitora) está com problema.

CURSO DE FORNO MICROONDAS – “ALADIM” 1 i) Desconecte o primário do trafo de A.T., reponha o fusível e ligue o forno Se o fusível queimar de novo, o defeito é na chave monitora ou no acionamento desta (trinco da porta, suporte das chaves, etc). Se o fusível não queimar, o defeito é no circuito de A.T.; j) Conecte o primário e desconecte o secundário do trafo de A.T., reponha o fusível e ligue o forno Se o fusível queimar, o trafo está em curto e deve ser trocado. k) Fusíveis térmicos queimados Coloque um fio grosso no lugar deles e ligue o forno; l) O forno funciona, mas o ventilador não gira Defeito no motor do ventilador, hélice patinando ou falta de alimentação neste componente; m) Ao ligar o forno na tomada, o magnetron já funciona direto Defeito na placa de controle (relê, transistores de acionamento,etc) OBS: QUANDO O FUSÍVEL TÉRMICO ESTÁ ABERTO, ANTES DA TROCA DEVEMOS FAZER TODOS OS TESTES NO FORNO PARA CONSTATAR SE O MAGNETRON AINDA ESTÁ EM BOAS CONDIÇÕES. n) O forno não funciona, mas o cabo, a fiação e os fusíveis estão bons Neste caso o defeito é na placa de controle, a qual explicaremos mais adiante.

Neste caso o defeito está na chave primária. Verifique se o conector desta chave não está oxidado ou queimado. A seguir, troque a chave.

⇒ O VENTILADOR RODA DIRETO E AS TECLAS “LIGA” DO PAINEL NÃO FUNCIONAM: Este defeito é causado pela chave secundária. Veja o conector dela e troque-a.

4. LÂMPADA E MOTORES DO FORNO

O microondas possui uma pequena lâmpada de 15 a 25 W e dois motores: um para o ventilador e outro para girar o prato. Abaixo vemos estes componentes:

a. Lâmpada

Ilumina a cavidade quando o forno está funcionado ou quando a porta está aberta. Assim podemos ver o alimento durante ou após o preparo. Funciona com 110 ou 220 V e a potência varia de 15 a 25 W. A lâmpada pode ser acesa pelo circuito de controle ou por uma das microchaves separadas quando a porta do forno abre.

b. Motor do ventilador de refrigeração

É um pequeno ventilador que puxa o ar da parte de trás e o direciona através de hélices para refrigerar o magnetron durante o funcionamento para evitar o superaquecimento e a queima do mesmo. O ventilador também empurra o ar para dentro da cavidade através de um duto.

CURSO DE FORNO MICROONDAS – “ALADIM” 12 c. Motor do prato

Este pequeno motor está localizado na parte de baixo da cavidade. Funciona com 110 ou 220 V e gira o prato bem devagar durante o preparo. Desta forma, as ondas são bem distribuídas sobre o alimento. No eixo do motor do prato vai encaixada uma “estrela” de plástico para transferir a rotação do motor ao prato. Os motores e a lâmpadas são acionados por um relê da placa de controle do forno.

d. Teste dos motores e da lâmpada do forno

Conforme vemos abaixo, estes componentes podem ser testados de duas formas: a frio e a quente aplicando tensão nos seus terminais:

e.1 Motor do ventilador – Com o multitester em X1 o ponteiro deve indicar entre 10 e 100 Ω; e.2 Motor do prato – Com o multitester em X1K, o ponteiro deve indicar entre 1K e 10 K. Se o ponteiro não deflexionar, o motor está queimado; e.3 Lâmpada – Com o multitester em X1, o ponteiro deve indicar entre 10 e 100 Ω. Se o ponteiro não mexer a lâmpada está queimada, porém este tipo de defeito é visual. e.4 Teste a quente destes componentes – Ligue cada um destes três componentes na rede elétrica (motores e lâmpada). Se algum deles não funcionar, deve ser trocado.

e. DEFEITOS RELACIONADOS COM OS MOTORES E A LÂMPADA DO FORNO

Teste a lâmpada a frio ou a quente, se bem que quando ela está queimada, no visual já se nota. Se a lâmpada está boa, verifique se o soquete não está enferrujado. Veja as ligações do soquete e o estado dos conectores ligados na lâmpada.

⇒ VENTILADOR NÃO GIRA E O FORNO SUPERAQUECE: Teste o motor do ventilador, veja o estado da hélice e das ligações deste motor.

Verifique o estado da “estrela” de plástico que fica no eixo do motor (é comum ela quebrar e ficar patinando). Teste o motor do prato e verifique as ligações dele.

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5. CIRCUITO ELETRÔNICO DE CONTROLE

Este circuito está montado numa placa de circuito impresso localizado atrás do painel. Tem como função controlar o funcionamento do magnetron e demais operações do forno. A placa de controle interpreta a função escolhida no teclado, executa e mostra num visor fluorescente ou de cristal líquido. Quando o forno não está sendo usado, a placa de controle funciona como um relógio. Abaixo vemos destacado os principais componentes de uma placa de controle e o aspecto real de uma delas:

No final desta obra o aluno encontrará vários esquemas das placas de vários microondas SHARP. A seguir estudaremos os componentes da placa de controle.

a. Fonte de alimentação da placa de controle

Tem a função de fornecer tensões contínuas para o funcionamento do circuito de controle. Nos modelos com display fluorescente, a fonte também fornece uma tensão para acender o filamento do display. Abaixo vemos o esquema de um tipo de fonte da placa de controle:

CURSO DE FORNO MICROONDAS – “ALADIM” 14 b. Transformador de força da placa de controle

Conforme visto ao lado, é um pequeno transformador montado na placa. Recebe 110 ou 220V da rede e fornece duas tensões nos secundários: uma de 12 ou 24 V para alimentar a placa e outra de 3 V para acender o filamento do display fluorescente.

c. Varistor (VDR)

É um resistor especial ligado no primário do trafo da placa. Em condições normais sua resistência é muito alta. Quando a tensão da rede aumenta (sobrecarga), ele diminui a resistência e protege o trafo. Quando a tensão da rede ultrapassa o limite máximo do varistor, ele entra em curto e abre o fusível da placa. Ao lado vemos o aspecto e o símbolo do varistor.

d. Teste a frio do trafo da placa e do varistor Abaixo podemos observar como deve ser feito o teste a frio destes componentes:

d.1 Trafo da placa – Usar o multitester em X1 e medir: terminais do primário, o ponteiro deve indicar entre 100 e 500 Ω; terminais do secundário de 12 ou 24 V, o ponteiro deve indicar um pouco mais de 10 Ω; terminais do secundário de 3 V, o ponteiro deve indicar menos de 10 Ω. Se o ponteiro não deflexionar em algum enrolamento, o trafo está queimado.

d.2 Varistor – Usando a escala de X10K ou X1K, o ponteiro não deve deflexionar. Se deflexionar, o varistor está em curto e após a troca devemos refazer as trilhas fusíveis ligadas no primário do trafo da placa.

e. Relês

Como vemos na página seguinte, o relê é uma chave (duas lâminas) acionada por uma bobina próxima. Quando passa corrente elétrica na bobina, o campo magnético produzido atrai as lâminas e fecha o contato entre elas. Desta forma dizemos que o relê atracou e ou vimos um “clic”. Elas permanecem ligadas enquanto tiver corrente passando na bobina do relê. Quando a corrente é interrompida as lâminas desligam o contato.

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A maioria dos microondas possuem dois relês na placa de controle: um de potência para ligar o trafo de A.T. e outro menor para os motores e a lâmpada.

f. Os relês do forno microondas

Antigamente o acionamento do trafo, motores e lâmpadas do forno era feito por um componente chamado “triac”. Este componente funcionava como chave, porém esquentava muito e dava muito defeito. Atualmente os fornos usam relês para estas funções. Como já visto o forno usa pelo menos dois relês como visto no circuito abaixo:

f.1 Relê principal – É o menor relê dos dois (RY1). Quando o forno é ligado, o transístor Q81 faz a corrente passar por RY1, ele fecha os contatos e liga os motores e a lâmpada; f.2 Relê de potência – É o maior relê do forno (RY2). Quando o forno liga, Q82 ativa este relê.

Desta forma o trafo de A.T. e o magnetron entram em funcionamento. CURSO DE FORNO MICROONDAS – “ALADIM” 16 g. Teste dos relês do forno Abaixo vemos as duas formas de testar o relê: na placa ligado e fora da placa;

g.1 – Teste do relê a frio – Para testar a bobina, coloque o multitester em X10 e na medida ele deve indicar entre 100 Ω e 1K. Se o ponteiro não mexer, a bobina está interrompida. Para testar a chave, use a escala de X10K. Como o relê não está ligado, o ponteiro não deve mexer. Se mexer, o relê está em curto; g.2 – Teste do relê em funcionamento – Desconecte os fios do relê de potência e meça na escala de X1 os terminais deste relê. Quando o forno é ligado, a chave do relê fecha e o multitester deve indicar zero.

h. Resistência douradora (“grill” ou “browner”)

Alguns microondas possuem no interior da cavidade uma resistência que serve para dourar o alimento após o cozimento. O teste da resistência é feito na escala de X1 como visto ao lado:

i. CI microcontrolador e display

O micro é um CI com bastante terminais usado para controlar o funcionamento do forno microondas. Fica localizado no centro da placa. Este CI interpreta a função do teclado e a indica num pequeno mostrador chamado “display”. O display pode ser fluorescente ou de cristal líquido. O CI micro tem um cristal de quartzo ligados nos seus pinos para gerar o “clock”, sinal usado para sincronizar os comandos gerados por ele. Abaixo vemos o exemplo dos tipos de display usados nos microondas:

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Na figura abaixo vemos um CI micro ligado no teclado, no cristal de clock e no alto falante:

i.1 – Displays de cristal líquido – É feito de pequenos cristais cujas moléculas mudam de posição com a passagem da corrente elétrica. Cada parte do número (segmento do display) é acionado por um pino do CI. Quando não há tensão no segmento, a luz o atravessa e volta. Ele permanece invisível. Quando há tensão, a luz o atravessa e não volta. Assim o segmento fica preto. O display de cristal líquido não emite luz.

i.2 – Display fluorescente – É feito de vidro de onde se extraiu o ar e se colocou um gás especial que pode emitir luz. Este display possui um filamento para aquecer o gás. O filamento é ligado nos pinos externos do display. Os terminais do filamento recebem uma tensão de 2 a 5 V de um dos secundários do trafo da placa.

Dentro do display, cada segmento de número funciona como uma pequena válvula porque possuem um anodo (plaquinha) e o filamento. Quando o micro fornece tensão para a plaquinha de um segmento, esta atrai os elétrons do filamento e emite uma luz azulada ou esverdeada. Os displays fluorescentes podem ser vistos no escuro.

i.3 – Matrizagem do display – Para evitar que o micro da placa tenha muitos pinos, o display é multiplexado. Em cada número, todos os segmentos possuem um terminal em comum (interligados). O outro terminal para cada segmento é acionado separadamente pelos pinos do micro. Na página seguinte vemos a matrizagem de um display de um forno da SHARP. Como podemos notar, um terminal de todos os segmentos do número vão ligados no pino G1 e os outros terminais são acionados separadamente.

OBS: O display fluorescente não tem ar dentro e a região de onde se extraiu o ar possui uma mancha preta. Se ele quebrar, entra ar, a mancha fica branca e ele não presta mais.

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i.4 – Medida de tensão no filamento dos displays fluorescentes:

Como vemos ao lado basta usar o multitester na escala de ACV 10 e com o forno ligado na rede, medir tensão nos dois pinos extremos do display. Devemos encontrar uma tensão de 2 a 5 V. Sem esta tensão o display não acenderá.

j. Teclado de comandos ou membrana

Também chamado de sensor de comandos, é o painel onde selecionamos a função a ser usada. Abaixo vemos a estrutura interna de uma membrana:

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A membrana é formada por duas lâminas de poliéster separadas por um plástico (nylon) que funciona como espaçador. Em cada lâmina de poliéster tem contatos de grafite. Apertando uma tecla, os grafites das lâminas encostam e acionam a função escolhida. A membrana á auto adesiva, sendo colada no painel do forno. A tira de plástico com os terminais de ligação é encaixada na placa de controle.

k. Testes na membrana do forno: Abaixo vemos as duas formas de testar a membrana: com o forno ligado ou desligado:

k.1 – Teste a frio – Dá um certo trabalho para fazer. Usando a escala de X1, mantenha uma tecla pessionada e meça os terminais do “flat” dois a dois até encontrar um par que dê menos de 1K de resistência. Se o ponteiro não mexer em nenhum par, a membrana está ruim. k.2 – Com o forno ligado – Conecte a placa no forno sem a membrana. Não esqueça de desligar o primário do trafo de A.T. Ligue o forno na tomada e com um pedaço de fio toque em cada dois terminais onde a fita do teclado encaixa. Se as funções forem sendo acionadas, a placa está boa e a membrana deverá ser trocada. Se as funções não atuarem, o defeito é na placa.

l. Transistores de acionamento dos relês

Cada relê do forno é acionado por um ou dois transistores funcionando como chave que recebem um comando do CI micro. Como já explicado, o forno tem pelo menos dois relês: um para ligar o trafo de A.T. e o outro para os motores e a lâmpada. Os relês podem ser ligados por diversos tipos de transistores conforme visto abaixo:

l.1 – Transistores comuns:

CURSO DE FORNO MICROONDAS – “ALADIM” 20 l.2 – Transistores “Darlington” (dois transistores numa única peça):

l.3 – Transistores DT (transistor com resistor embutido):

m. Teste a frio dos transístores do forno: No desenho abaixo vemos como é testado um transistor DT (digital transistor) em X1K:

m.1 – Teste de transistores comuns – Coloque na escala de X1, ponta certa na base (NPN - preta e PNP – vermelha) e com a outra ponta em cada terminal restante o ponteiro deve indicar o mesmo valor. Em X10K, ponta invertida na base com a outra em cada terminal, o ponteiro só deflexiona no emissor ou em nenhum dos terminais.

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