Caderno de textos de filosofia

Caderno de textos de filosofia

(Parte 1 de 9)

UNIVAG – CENTRO UNIVERSITÁRIO

FORMAÇÃO GERAL

CADERNO DE TEXTOS: FILOSOFIA

PROFESSORES

Prof. Ms. EdsonJ. Sant’ Anna

Profª. Ms. Flavia Mariano da Silva

Laine

Profª. Ms. Marlene A. dos Santos

Profª. Ms. Naiara S. Nienow

Prof. Ms. Reinaldo S. Marchesi

VÁRZEA GRANDE

2012/1

Apresentação

Caros estudantes e amantes da sabedoria.

Este caderno de textos de filosofia será destinado aos trabalhos realizados em sala de aula durante o semestre 2012/1 como subsídio para ajudar-lhes a serem realmente amigos da sabedora, tendo tanto a atitude de Pitágoras que não queria o título e a alcunha de sábio, quanto a de Sócrates, que reconhecia na própria ignorância, o princípio do seu saber.

Convidamos-lhes a deliciar-se com estes textos que serviram de base para a elaboração de nossas aulas e contamos com a sua ajuda, para que, possam avaliá-los, criticá-los e contribuir para que o diálogo filosófico possa ser cada vez mais reflexivo e construtor de sentidos.

Este é um caderno de textos e simplesmente isso. Você como bom estudante, pode sugerir e buscar informar-se em outros textos de modo a ver cada vez mais claro, fundo e abrangente o conhecimento filosófico. No UNIVAG, o conhecimento filosófico quer ajudar-lhes a ter uma visão mais crítica, lúcida e abrangente da realidade para que vocês sejam verdadeiros construtores do mundo, elaborando, criando, interpelando e agindo conforme as ideias que vocês produzem ao entrar em contato e dialogar com os mais diversos filósofos.

E desejamos que estas aulas e estes textos possam ajudar-lhes a aproximar e

amar a sabedoria e fazer dela um distintivo de acadêmico e cidadão de bem.

Saudações filosóficas.

Professores de Filosofia do UNIVAG

Centro Universitário

UNIVAG – CENTRO UNIVERSITÁRIO

NÚCLEO DE FORMAÇÃO GERAL

GPA DE CSA/CH/CS/CAB

CURSOS FORMAÇÃO GERAL

SEMESTRE LETIVO – 2012/1

Disciplina: FILOSOFIA

Modalidade de oferta: Regular

CH Teórica: 60 h

Turma: Formação Geral

CH Prática:

CH Não Presencial:

Docentes Responsáveis:

Edson José Sant’Anna

Flávia Mariano da Silva

Laine de Andrade e Silva

Marlene Alves dos Santos

Naiara dos Santos Nienow

Reinaldo Marchesi

  1. Ementa da Disciplina

Natureza da Filosofia. Evolução do pensamento filosófico e cientifico. Filosofia como analise critica do agir, pensar e falar humano. A produção do conhecimento e a historia da sociedade. A civilização tecnológica.

II. Área de Conhecimento – aplicação no currículo

A disciplina de Filosofia é um instrumento que auxilia o pensamento humano a partir da reflexão, para que o individuo possa fazer uma leitura e ter uma compreensão maior do mundo. Tendo em vista essa capacidade da ação filosófica, de aprimorar o exercício da reflexão, a sua aplicação no currículo dos cursos de graduação, se justifica como mecanismo importante, por que aponta vários caminhos a se seguir, a partir de um mesmo problema. O fato de a Filosofia lidar com formas conceituais, não nos distância da realidade, ao contrário, nos coloca a par desta realidade pelo ponto de vista usado pelo senso crítico. Portanto, a Filosofia ao fazer com que o aluno desenvolva a sua criticidade, certamente, esta capacidade que o acompanhará para sempre, será muito importante para a sua vida profissional e acadêmica, a fim de repensar os paradigmas da contemporaneidade.

III. Categorias Conceituais

Filosofia: percepção; reflexão; critica.

Pensamento e compreensão sociocultural.

Visão de mundo: sociedade, cidadania e moral-ética.

Ser humano: ser de desejo

Reflexão e Juízo Moral: alienação e liberdade.

Modernidade e tecnologia

IV. Objetivos da disciplina

Geral:

Possibilitar aos acadêmicos por meio das problematizações do cotidiano acesso ao pensamento filosófico Ocidental e contemporâneo.

Específicos:

  • Conduzir mediante uma abordagem humanística os principais temas da Filosofia desde a Antiguidade até a Contemporaneidade;

  • Conhecer e interpretar a crítica do agir, pensar e falar humano;

  • Analisar a capacidade dos acadêmicos na sua reflexão acerca dos problemas que envolvem o homem no limiar do século XXI.

V. Exigências prévias de conhecimentos e habilidades

- Capacidade de leitura, interpretação e assimilação dos temas estudados.

- Desenvolvimento de habilidades no discente para a investigação e produção dos conhecimentos.

- Apreensão de domínio de conceitos básicos em torno dos textos de Filosofia, que sirvam para o seu crescimento individual e coletivo para construção do seu cognitivo,

- Aprimoramento de suas habilidades direcionadas a sua vida pessoal e profissional.

- Capacidade de reflexão, abstrata e de argumentação dentro do campo da Filosofia.

VI. Padrões mínimos de desempenho

Conhecimento e diferenciação do discurso da Filosofia e outras área do conhecimento humano.

Desenvolvimento de habilidades cognitivas para que possa fazer uso da escrita e oralidade critica do conhecimento adquirido.

Produção do saber reflexivo com argumentos filosóficos nos diferentes espaços e temporalidades.

VII. Conteúdo Programático

UNIDADE I - NATUREZA DA FILOSOFIA

Filosofia: concepções e reflexões

A atitude filosófica (PENSAR, FALAR E AGIR)

Mito e Senso Comum: antiguidade e atualidade

A reflexão filosófica: crítica, profunda e abrangente

A busca da verdade

UNIDADE II – ANTROPOLOGIA FILOSÓFICA

Homem ser de desejo

Trabalho e Alienação – Da Revolução Industrial ao século XXI.

UNIDADE III – ÉTICA E POLÍTICA

Costumes, valores e juízos. (Indivíduo e sociedade)

Distinção entre ética e moral.

Liberdade e autonomia como condição para responsabilidade moral: um problema ético e histórico.

Política, cidadania e democracia.

As várias faces da ideologia

UNIDADE 14- MODERNIDADE E TECNOLOGIA

Os avanços da tecnologia e desigualdade entre as nações

VIII. Metodologias, técnicas e recursos de ensino

Metodologia: aulas expositivas, leitura e interpretação de textos; estudos em grupos; discussão e apresentação oral e escrita a partir da análise de textos e documentos, músicas, filmes. Depoimentos e outros.

- Recursos: Bibliografia, Lousa, Vídeo cassete ou DVD, Data Show, Microfone, etc.

IX. Avaliação de aprendizagem

A partir do conteúdo e da bibliografia indicada no programa, será aplicado prova individual, acompanhada de trabalho em grupo (seminários) com apresentação oral e escrita, trabalho de pesquisa com apresentação individual e escrita.

X. Cronograma de execução da carga horária da Disciplina

FEVEREIRO 9, 16, 23

MARÇO 1, 8, 15, 22, 29

ABRIL 5, 12, 19, 26

MAIO 3, 10, 17, 24, 31

JUNHO 14, 21, 28

JULHO 5, 12,

1º BIMESTRE

Avaliação Parcial4,0

Avaliação bimestral6,0

2º. BIMESTRE

Avaliação Parcial2,0

Prova Integrada 3,0

Avaliação Bimestral5,0

Mês

Dia

Atividade

CH

Fevereiro

09

Plano de Ensino: Ementas, objetivos, conteúdo programático, metodologia e avaliações

3

16

Filosofia, concepções e reflexões

3

23

Atitude filosófica (PENSAR, FALAR E AGIR)

3

Março

01

Mito e Senso Comum: antiguidade e atualidade

3

08

A reflexão filosófica: crítica, profunda e abrangente

3

15

Avaliação Parcial 4,0

3

22

A busca da verdade

3

29

Homem ser de desejo

3

Abril

05

Avaliação Bimestral 6,0

3

12

Socialização de notas e faltas

3

19

Trabalho e Alienação – Da Revolução Industrial ao século XXI

3

26

Costumes, valores e juízos. (Indivíduo e sociedade)

3

Maio

03

Distinção entre ética e moral

3

10

Liberdade e autonomia como condição para responsabilidade moral: um problema ético e histórico.

3

17

As várias faces da ideologia : Política, cidadania e democracia:

3

24

Atividade Avaliativa 2,0

3

31

Os avanços da tecnologia e desigualdade entre as nações

Junho

14

Avaliação Bimestral5,0

3

21

Revisão para prova Final

3

28

Socialização de notas e faltas

3

Julho

02 a 07

PROVA FINAL

Total CH

60

X. Referências Básicas

ARANHA, M. L. A.; MARTINS, M. H. P. Filosofando. 3. ed. São Paulo: Ed. Moderna, 2003.

CHAUI, M. Convite a Filosofia. 13. ed. São Paulo: editora, 2005.

CORDI, S. B. et. all. . Para Filosofar. São Paulo: Editora Scipione, 1999.

COTRIM, G. Fundamentos da Filosofia. História e grandes temas. 16. ed. São Paulo: Saraiva, 2006.

XI. Referencias Complementares

ABBAGNANO, N. História da Filosofia. Lisboa: Editorial Presença, 1993, 14.v.

_____. Dicionário de Filosofia. São Paulo: Ed. Mestre Jou.

ABRÃO, B. S. Historia da filosofia. São Paulo: Nova Cultural, 2004.

ADEODATO, J. M. Filosofia do direito: uma critica à verdade na ética e na ciência. São Paulo: Saraiva, 1996.

ARAÚJO de Oliveira, M. Ética e sociabilidade. SP: Loyola; 1993.

BOBBIO, N. A Era dos Direitos. Rio de Janeiro: Ed. Campus, 1992.

COLEÇÃO OS PENSADORES. São Paulo: Abril Cultural, 1971.

DESCARTES, R. Discurso do método. 3. ed. São Paulo: Nova Cultura, 1983. (Os pensadores) 77

DELEUZE, Gilles e GUATTARI, Félix. O que é a filosofia? Rio de Janeiro: Ed. 4,1992,

FOUCAULT, M. Em defesa da sociedade: Curso no Collège de France (1975-1976), (trad. de

Maria Ermantina Galvão). São Paulo: Martins Fontes, 2000.

HIRSCHBERGER. História da filosofia na Antiguidade. São Paulo: Herder, 1995. p. 44.

JUNIOR C. P. O que é filosofia. São Paulo: Brasiliense, 28. reimp.

LAW, S. Filosofia. Guia ilustrado Zahar. Rio de Janeiro: Zahar, 2008.

MARCONDES, D. Textos básicos de filosofia. 3. ed. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2000. p. 69-71.

SUMÁRIO DE TEXTOS

Filosofia, concepções e reflexões

Atitude filosófica (PENSAR, FALAR E AGIR)

Mito e Senso Comum: antiguidade e atualidade

A reflexão filosófica: crítica, profunda e abrangente

A busca da verdade

Homem ser de desejo

Trabalho e Alienação – Da Revolução Industrial ao século XXI

Costumes, valores e juízos. (Indivíduo e sociedade)

Distinção entre ética e moral

Liberdade e autonomia como condição para responsabilidade moral: um problema ético e histórico.

As várias faces da Ideologia: Política, cidadania e democracia:

Os avanços da tecnologia e desigualdade entre as nações

ATITUDE FILOSÓFICA (PENSAR, FALAR E AGIR)

CHAUI, Marilena. Boas-vindas à Filosofia. São Paulo: WMF Martins Fontes, 2010. (Filosofias: o prazer do pensar) p. 17- 24.

Podemos, assim, observar que a primeira característica da atitude filosófica é negativa: é um dizer "não" ao senso comum, a crenças, opiniões e valores recebidos na experiência cotidiana; é recusar o "é assim mesmo" e o "é o que todo mundo diz e pensa". Numa palavra, distanciar-se dos preconceitos, colocando entre parênteses nossas crenças e opiniões para indagar quais são suas causas e qual é seu sentido.

A segunda característica da atitude filosófica é positiva: é uma interrogação sobre o que são as coisas, as ideias, os fatos, as situações, os comportamentos, os valores, nós mesmos. É também uma interrogação sobre o porquê e o como disso tudo e de nós próprios. O que é? Por que é? Como é? Essas são as indagações fundamentais da atitude filosófica.

Se reunirmos essas duas características da atitude filosófica, deparamos com a atitude crítica.

De modo geral, costuma-se julgar que a palavra "critica" significa "ser do contra", dizer que tudo vai mal, tudo está errado ou é feio ou é desagradável. "Crítica" parece significar mau humor e coisa de gente chata ou pretensiosa, que imagina saber mais e melhor que os outros. Ora, a palavra "crítica", exatamente como a palavra "crise", vem do verbo grego krisein e significa: 1) capacidade para julgar, discernir e decidir corretamente; 2) exame racional de todas as coisas sem preconceito ou prejulgamento; 3) atividade de examinar e avaliar detalhadamente alguma coisa (uma ideia, um valor, um costume, um comportamento, uma obra de arte ou de pensamento). São esses os sentidos da atividade filosófica como atitude crítica.

A Filosofia começa dizendo não às crenças e aos preconceitos do dia a dia para que possam ser avaliados racional e criticamente. Por isso começa dizendo que não sabemos o que imaginávamos saber. Esse foi o principal ensinamento do patrono da Filosofia, Sócrates, quando afirmou que começamos a buscar o conhecimento verdadeiro apenas quando somos capazes de dizer: "Só sei que nada sei."

Dessa maneira, podemos dizer que o filosofar se inicia no momento em que tomamos distância com relação a nossas certezas cotidianas e não dispomos de nada para substituí-Ias ou para preencher a lacuna deixada por elas. Em outras palavras, a Filosofia se interessa por aquele

instante em que o mundo das coisas (a Natureza) e o mundo dos humanos (a sociedade) tomam-se

problemáticos, estranhos, incompreensíveis e enigmáticos e sobre os quais as opiniões disponíveis já não nos podem satisfazer. Ela se volta preferencialmente para os momentos de crise no pensamento, na linguagem e na ação, pois esses momentos críticos tomam manifesta a necessidade de fundamentação das ideias, dos discursos, dos valores, dos comportamentos e das ações.

Perguntas fundamentais da atitude e da reflexão filosófica

Pelo que dissemos, é possível perceber que a atitude filosófica é fundamentalmente indagação.

Quando analisamos qualquer assunto (uma coisa, uma ideia, um valor, um comportamento), fazemos quatro perguntas fundamentais:

1) indagamos o que é? Em outras palavras, qual é a realidade e qual é a significação de algo?

2) Indagamos como é? Ou seja, como é a estrutura ou o sistema de relações que constitui a realidade de algo?

3) indagamos por que é? Em outros termos, por que algo existe, qual sua origem ou sua causa?

4) indagamos para que é? Em outros termos, qual a finalidade de algo?

A atitude filosófica inicia-se dirigindo essas indagações ao mundo que nos rodeia e às relações que mantemos com ele. Todavia, essas questões pressupõem a figura daquele que interroga e por isso levam à necessidade de explicar a tendência do ser humano a interrogar o mundo e a si mesmo com o desejo de conhecê-l o e conhecer-se. A interrogação se volta, assim, para a exigência de conhecer nossa própria capacidade de conhecer. É preciso que o próprio pensamento indague: o que é pensar, como é pensar, por que há o pensar, para que pensar? Voltando- se para si mesmo, o pensamento se realiza como reflexão. É esse o sentido do célebre dito:

"conhece-te a ti mesmo': Tomando-se objeto de conhecimento para si mesmo, o pensamento examina o que é pensado por ele, volta-se para si mesmo como fonte desse pensado e examina, compreende e avalia sua ação de pensar tendo como propósito determinar o que é a verdade e como alcançar um saber verdadeiro da realidade.

Não somos, porém, somente seres pensantes. Somos também seres com sentimentos, desejo e vontades, seres que agem no mundo, que se relacionam com os outros seres humanos, com os animais, as plantas, as coisas, que participam de fatos e acontecimentos, e exprimimos essas relações tanto por meio dos sentimentos, da linguagem e dos gestos como por meio de ações, comportamentos e condutas. A reflexão filosófica também se volta para compreender o que se passa em nós nessas relações que mantemos com a realidade circundante, para aquilo que dizemos e sentimos, para as ações que realizamos, indagando o que são, como são, por que são e para que são. Assim, a reflexão filosófica significa um passo adiante da atitude filosófica. Na reflexão filosófica, três grandes indagações são fundamentais:

1) quais os motivos, as razões e as causas do que pensamos, dizemos e fazemos?

2) qual é o sentido do que pensamos, dizemos e fazemos?

3) qual é a intenção ou a finalidade do que pensamos, dizemos e fazemos?

Como se observa, os objetos da indagação filosófica são o pensamento, a linguagem e a ação, e as três indagações podem ser resumidas numa única questão: o que é pensar, falar e agir?

Se nos lembrarmos de que o ponto de partida da atitude filosófica é a crise de nossas crenças e opiniões cotidianas, essas três questões terão como pressuposto uma pergunta, qual seja: aquilo que pensamos, dizemos e fazemos em nossas crenças e opiniões cotidianas constituem ou não um pensamento verdadeiro, uma linguagem coerente e uma ação dotada de sentido? Qual a validade do senso comum?

Podemos agora reunir e diferenciar as questões postas pela atitude filosófica e aquelas postas pela reflexão filosófica.

A atitude filosófica indaga: o que é? como é? por que é? para que é?, dirigindo-se ao mundo que nos rodeia e aos seres humanos que nele vivem e que com ele se relacionam. São perguntas sobre a essência e significação das coisas e dos seres humanos (o que é?); sobre a estrutura do mundo e das relações entre os humanos (como é?); sobre a origem do mundo e das relações entre os humanos (por que é?); e sobre a finalidade (para que é?) de todas as coisas. É um saber sobre a realidade exterior ao pensamento.

Por sua vez, a reflexão filosófica, ou o "conhece-te a ti mesmo", dirige-se ao pensamento, à linguagem e à ação, ou seja, volta-se para os seres humanos. Suas questões se referem à capacidade e à finalidade de conhecer, falar e agir, próprias dos humanos. É um saber sobre os humanos como seres pensantes, falantes e agentes, ou seja, sobre a realidade interior aos seres humanos, bem como sobre as relações que estabelecem entre si.

A partir do que você leu até agora, analise o esquema ilustrativo abaixo.

O que caracteriza a atitude filosófica?

Todos os homens são filósofos. Mesmo quando não têm consciência de terem problemas filosóficos, têm, em todo o caso, preconceitos filosóficos. A maior parte destes preconceitos são as teorias que aceitam como evidentes: receberam-nas do seu meio intelectual ou por via da tradição.

Dado que só tomamos consciência de algumas dessas teorias, elas constituem preconceitos no sentido de que são defendidas sem qualquer verificação crítica, ainda que sejam de extrema importância para a acção prática e para a vida do homem.

Uma justificação para a existência da filosofia profissional ou acadêmica é a necessidade de analisar e de testar criticamente estas teorias muito divulgadas e influentes.

Tais teorias constituem o ponto de partida de toda a ciência e de toda a filosofia. São pontos de partida precários. Toda a filosofia deve partir das opiniões incertas e muitas vezes perniciosas do senso comum acrítico. O objectivo é um senso comum esclarecido e critico, a prossecução de uma perspectiva mais próxima da verdade e uma influência menos funesta na vida do homem. K. POPPER, Em Busca & um Mundo Melhor, trad. port., Lisboa, Ed. Fragmentos, 1989, - 165

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