Manual de Adubação e Calagem - RS e SC

Manual de Adubação e Calagem - RS e SC

(Parte 1 de 5)

Sob a responsabilidade da Comissão de Química e Fertilidade do Solo (Núcleo Regional Sul, Sociedade Brasileira de Ciência do Solo), dos Coordenadores dos Grupos de Trabalho e da Equipe Técnica relacionada no Anexo 6:

Comissão de Química e Fertilidade do Solo (CQFS RS/SC):

Sirio Wiethölter (Embrapa Trigo) - Coordenador Carlos Alberto Ceretta (UFSM - Departamento de Solos) Cláudio José da Silva Freire (Embrapa Clima Temperado) Elói Erhard Scherer (EPAGRI-CEPAF - Chapecó) Ibanor Anghinoni (UFRGS - Departamento de Solos) Irineo Fioreze (UPF - Faculdade de Agronomia e Medicina Veterinária) Jackson Ernani Fiorin (FUNDACEP - FECOTRIGO) Ledemar Carlos Vahl (UFPEL - Departamento de Solos) Paulo Roberto Ernani (UDESC - Centro Agro-Veterinário) Walkyria Bueno Scivittaro (Embrapa Clima Temperado)

Coordenadores de Grupos de Trabalho:

Claudio José da Silva Freire (Embrapa Clima Temperado): Frutíferas Clesio Gianello (UFRGS) / Otávio J. W. de Siqueira (Embrapa Clima Temperado): Culturas de grãos Elói Erhard Scherer (Epagri): Adubos e resíduos orgânicos Hardi Renê Bartz (UFSM): Hortaliças e plantas ornamentais Ibanor Anghinoni (UFRGS): Plantas medicinais, aromáticas e condimentares Névio João Nuernberg (Epagri) / Carlos Alberto Bissani (UFRGS): Forrageiras Osmar Souza dos Santos (UFSM): Sistemas especiais de produção Roberto Luiz Salet (UNICRUZ): Essências florestais Sirio Wiethölter (Embrapa Trigo): Sistema plantio direto

Coordenação Geral: Sirio Wiethölter (Embrapa Trigo)

Editores:Marino J. Tedesco, Clesio Gianello, Ibanor Anghinoni, Carlos A. Bissani, Flávio A. O. Camargo (UFRGS) e Sirio Wiethölter (Embrapa Trigo)

Sociedade Brasileira de Ciência do Solo - Núcleo Regional Sul

Comissão de Química e Fertilidade do Solo - RS/SC Porto Alegre - 2004 dos editores 10ª edição: 2004 Tiragem: 2000 exemplares Direitos reservados desta edição: Núcleo Regional Sul - Sociedade Brasileira de Ciência do Solo Segunda reimpressão

Capa: Gabriel H. Lovato Fotos: Abóboras: Deon Staffelbach; Maçã: Sabine Simon; Milho: Luís Rock;

Soja: Luiz Eichelberger; Trigo: Karsten W. Rohrbach

Gravuras: Flávio A. de Oliveira Camargo Diagramação: Alessandra Gianello Revisão de Texto: Norma T. Zanchett Montagem: Clesio Gianello Revisão final: Os editores Revisão de provas: Comissão de Química e Fertilidade do Solo - NRS Fotolitos e impressão: Evangraf LTDA

É proibida a reprodução total ou parcial desta obra por qualquer meio sem a autorização prévia do NRS-RS/SC - SBCS. Eventuais citações de produtos ou marcas comerciais têm o propósito de tão-somente orientar o leitor, mas não significam endosso aos produtos.

S678m Sociedade Brasileira de Ciência do Solo. Comissão de Química e Fertilidade do Solo

Manual de adubação e de calagem para os Estados do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina / Sociedade Brasileira de Ciência do Solo. Comissão de Química e Fertilidade do Solo. - 10. ed. – Porto Alegre, 2004.

400 p. : il.

1. Solo : Adubação : Calagem : Fertilidade : Rio Grande do Sul : Santa Catarina. I. Título.

CDD: 631.4

Catalogação na publicação: Vanesa Colares Maciel Bibliotecária CRB10/1524

APRESENTAÇÃO1
AGRADECIMENTOS13
INTRODUÇÃO15
Evolução das recomendações de adubação e de calagem15
Histórico dos projetos de manejo do solo17
A ROLAS no contexto das recomendações de adubação e de calagem19
Necessidade de revisão das recomendações de adubação e de calagem20
O SISTEMA DE RECOMENDAÇÃO DE ADUBAÇÃO E DE CALAGEM21
Etapas do sistema21
Aptidão agrícola das terras e o manejo do solo e das culturas2
AMOSTRAGEM DE SOLO E DE TECIDO VEGETAL25
Amostra representativa25
Variabilidade do solo e número de subamostras26
Época de amostragem27
Amostradores de solo27
Procedimento de coleta de amostras de solo28
Subdivisão da propriedade em glebas homogêneas28
Amostragem nos sistemas de preparo convencional e cultivo mínimo29
Amostragem no sistema plantio direto30
Amostragem do solo para agricultura de precisão35
Procedimento de coleta de amostras de solo35
Formulário de identificação37
Manuseio e armazenagem de amostras de solo38
Amostragem de tecido vegetal38
ORGÂNICOS E RESÍDUOS41
Análises de solo41
Diagnóstico da fertilidade do solo (análise básica)41
Diagnóstico da disponibilidade de enxofre e de micronutrientes45
Análise de tecido de plantas45
Análise de materiais orgânicos e de resíduos diversos46
Controle de qualidade das análises46
NUTRICIONAL DE PLANTAS47

DIAGNÓSTICO DA FERTILIDADE DO SOLO E DO ESTADO Interpretação dos indicadores de acidez do solo ............... 49

de troca de cátions49
Interpretação dos teores de fósforo e de potássio50
Fósforo50
Potássio51
Interpretação dos teores de cálcio, de magnésio e de enxofre52
Interpretação dos teores de micronutrientes53
Interpretação dos resultados de análises foliares53
CALAGEM57
Critérios para a recomendação de calagem57
Critério do pH de referência57
Critério da saturação por bases59
Grãos60
Sistema convencional60
Sistema plantio direto62
Arroz irrigado por inundação63
Forrageiras63
Hortaliças, tubérculos e raízes65
Frutíferas e essências florestais67
Qualidade do calcário69
Aplicação dos corretivos da acidez do solo70
Época de aplicação70
Distribuição70
Calagem na linha de semeadura70
Deposição de calcário na lavoura70
Efeito residual da calagem71
Utilização dos indicadores da necessidade de calagem71
RECOMENDAÇÕES DE ADUBAÇÃO73
Expectativa de rendimento das culturas73
Representação gráfica do sistema de adubação74
Conceito de adubação de manutenção (valor M)74
Conceito de adubação de reposição (valor R)75
Adubação de correção total76
Adubação corretiva gradual79
Adubação nitrogenada79
Exemplo de utilização das tabelas de adubação79
Interpretação de valores de pH do solo e necessidade de calagem79
Interpretação dos teores de P e de K no solo82
Alternativas para as recomendações de fósforo e de potássio84
Estabelecimento do sistema plantio direto84
Valores muito altos na análise84
Fosfatos naturais84
Relação entre preço de fertilizante e de produto85
Manejo da adubação na propriedade85
Adubação com micronutrientes85
CORRETIVOS E FERTILIZANTES MINERAIS87
Corretivos da acidez do solo87

Interpretação dos teores de argila e de matéria orgânica e da capacidade 6

Manual de Adubação e de Calagem ...

Teor e tipo de neutralizantes87
Tamanho de partículas89
Eficiência do corretivo (PRNT)90
Legislação91
Uso de gesso agrícola91
Outros aspectos referentes a corretivos de solo92
Fertilizantes minerais93
Fertilizantes nitrogenados93
Fertilizantes fosfatados93
Fertilizantes potássicos97
Fórmulas NPK98
Macronutrientes secundários e micronutrientes98
Fertilizantes foliares98
ADUBAÇÃO ORGÂNICA101
Concentração de nutrientes em adubos orgânicos102
Índices de eficiência dos nutrientes103
Cálculo das quantidades de nutrientes a aplicar106
Adubação orgânica e mineral108
Fertilizantes organo-minerais110
Manejo dos adubos orgânicos110
Resíduos orgânicos e qualidade ambiental1
Adubação orgânica e agricultura orgânica113
GRÃOS115
Amendoim120
Arroz de sequeiro121
Arroz irrigado122
Aveia branca127
Aveia preta128
Canola129
Centeio131
Cevada132
Ervilha seca e ervilha forrageira134
Ervilhaca135
Feijão136
Girassol138
Linho139
Milho140
Milho pipoca143
Nabo forrageiro144
Painço145
Soja146
Sorgo148
Tremoço149
Trigo150
Triticale152
Cultivos consorciados154

7 Sumário

Gramíneas de estação fria157
Gramíneas de estação quente159
Capim elefante161
Leguminosas de estação fria163
Leguminosas de estação quente164
Alfafa166
Consorciações de gramíneas e de leguminosas de estação fria168
Consorciações de gramíneas e de leguminosas de estação quente170
Pastagens naturais (nativas ou naturalizadas)172
Pastagens naturais com introdução de gramíneas e leguminosas177
Milho e sorgo para silagem179
HORTALIÇAS181
Abóbora e moranga185
Alcachofra186
Alface, chicória, almeirão e rúcula187
Alho188
Aspargo190
Beterraba e cenoura192
Brócolo e couve-flor193
Cebola195
Ervilha197
Melancia e melão198
Pepino199
Pimentão201
Rabanete202
Repolho203
Tomateiro204
TUBÉRCULOS E RAÍZES207
Batata-doce208
Batata209
Mandioca211
FRUTÍFERAS213
Abacateiro215
Abacaxizeiro2
Ameixeira224
Amoreira-preta228
Bananeira230
Caquizeiro236
Citros239
Figueira246
Macieira248
Maracujazeiro254
Mirtilo256
Morangueiro258
Nogueira pecã260
Pereira263

Manual de Adubação e de Calagem ...

Quivizeiro273
Videira276
ESSÊNCIAS FLORESTAIS283
Acácia-negra284
Araucária285
Bracatinga286
Erva-mate287
Eucalipto289
Pinus291
PLANTAS MEDICINAIS, AROMÁTICAS E CONDIMENTARES293
Alfavaca295
Calêndula295
Camomila296
Capim-limão, citronela-de-java e palma-rosa296
Cardamomo297
Carqueja297
Chá298
Coentro e salsa299
Curcuma299
Erva-doce300
Estévia300
Hortelãs301
Gengibre301
Piretro302
Urucum303
Vetiver304
PLANTAS ORNAMENTAIS305
Crisântemo de corte306
Roseira de corte308
OUTRAS CULTURAS COMERCIAIS311
Cana-de-açúcar312
Fumo314
SISTEMAS ESPECIAIS DE PRODUÇÃO317
Cultivos protegidos e hidroponia317
Disponibilidade de água e instalações317
Manejo da cultura318
Solução nutritiva319
Cuidados a observar no cultivo hidropônico321
Cultivos em substratos322
Escolha do substrato322
Volume de substrato a utilizar324
Instalação da cultura em substrato325
Fertirrigação da cultura em substrato326
Monitoramento da nutrição mineral327
Reutilização do substrato329

Sumário

NO PLANEJAMENTO AGRÍCOLA339

ANEXO1. APTIDÃO DE USO DAS TERRAS E SUA UTILIZAÇÃO

FERTILIZANTES E DE CORRETIVOS367
ANEXO3. RELAÇÃO DE CULTURAS ABORDADAS NESTE MANUAL379
ANEXO5. LABORATÓRIOS PARTICIPANTES DA REDE ROLAS385

ANEXO2. ASPECTOS REFERENTES À LEGISLAÇÃO BRASILEIRA DE ANEXO4. INSTITUIÇÕES E ENTIDADES QUE PARTICIPARAM NESTA EDIÇÃO . 383

RECOMENDAÇÕES DA PRESENTE EDIÇÃO387
ANEXO7. FORMULÁRIO DE IDENTIFICAÇÃO DA AMOSTRA DE SOLO389
ÍNDICE391

ANEXO6. RELAÇÃO DOS PARTICIPANTES NA ELABORAÇÃO DAS 10

Manual de Adubação e de Calagem ...

O presente Manual visa orientar o uso de fertilizantes e de corretivos da acidez, para os principais solos e culturas dos Estados do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina. Ele contém os avanços no conhecimento agronômico, com base na pesquisa e na experiência regionais das instituições de pesquisa, ensino, assistência técnica, extensão rural e do setor privado. Pela crescente evolução da tecnologia, o Manual deve ser considerado como em contínuo processo de aperfeiçoamento. O retorno dos resultados obtidos, por parte dos usuários, é importante para seu aprimoramento.

Comissão de Química e Fertilidade do Solo

Núcleo Regional Sul – RS/SC Sociedade Brasileira de Ciência do Solo

12 Manual de Adubação e de Calagem ...

A Comissão de Química e Fertilidade do Solo agradece a todos os profissionais com atividades em pesquisa, ensino, assistência técnica, extensão rural e aos do setor privado, pela colaboração na elaboração deste Manual. A efetiva participação de todos demonstra o elevado espírito de cooperação e integração existente entre os profissionais da área.

As seguintes instituições participaram efetivamente do processo de elaboração do presente Manual:

• Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária - EMBRAPA: Centro Nacional de Pesquisa de

Trigo (Embrapa Trigo), Centro de Pesquisa Agropecuária de Clima Temperado (Embrapa Clima Temperado), Centro Nacional de Pesquisa de Uva e Vinho (Embrapa Uva e Vinho), Centro Nacional de Pesquisa de Florestas (Embrapa Florestas) e Centro de Pesquisa de Pecuária dos Campos Sulbrasileiros (Embrapa Pecuária Sul);

• Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural - EMATER, RS;

• Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina S.A. - EPAGRI;

• Fundação Centro de Experimentaçãoe Pesquisa da FECOTRIGO - FUNDACEP;

• Fundação Estadual de Pesquisa Agropecuária - FEPAGRO, RS;

• Instituto Rio Grandense do Arroz - IRGA: Estação Experimental do Arroz;

• Universidade de Cruz Alta - UNICRUZ: Faculdade de Agronomia;

• Universidade do Estado de Santa Catarina - UDESC: Centro Agro-Veterinário - Departamento de Solos;

• Universidade Federal de Pelotas - UFPEL: Faculdade de Agronomia Eliseu Maciel - Departamento de Solos;

• Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS: Faculdade de Agronomia - Departamentos de Solos, de Horticultura e Silvicultura e de Plantas Forrageiras e Agrometeorologia;

• Universidade Federal de Santa Maria - UFSM: Centro de Ciências Rurais - Departamentos de Solos, de Fitotecnia e de Ciências Florestais;

• Universidade de Passo Fundo - UPF: Faculdade de Agronomia e Medicina Veterinária;

• Sindicato da Indústria de Adubos do Rio Grande do Sul - SIARGS;

• Sindicato da Indústria e da Extração de Mármore, Calcário e Pedreiras do Estado do Rio Grande do Sul - SINDICALC.

Comissão de Química e Fertilidade do Solo

Núcleo Regional Sul – RS/SC Sociedade Brasileira de Ciência do Solo

14 Manual de Adubação e de Calagem ...

As recomendações de adubação e de calagem adotadas nos Estados do Rio

Grande do Sul e de Santa Catarina são embasadas na análise de solo e/ou de tecido vegetal. A utilização da análise de solo na região se difundiu a partir da década de 60, tendo sido importante, à época, o Programa Nacional de Análises de Solos do Ministério da Agricultura e a consolidação de uma equipe de pesquisadores em fertilidade de solo das seguintes instituições: Departamento de Solos da UFRGS, Instituto de Pesquisas Agropecuárias do Sul (IPEAS - sucedido pela Embrapa), Secretaria da Agricultura-RS, Instituto Rio Grandense do Arroz (IRGA), Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Universidade Federal de Pelotas (UFPEL) e Associação Sulina de Crédito e Assistência Rural (ASCAR-EMATER). Como resultado dessa integração, foram elaboradas as primeiras tabelas regionais de adubação para o Estado do RS.

1.1 - EVOLUÇÃO DAS RECOMENDAÇÕES DE ADUBAÇÃO E DE CALAGEM

Ap rimeirap roposiçãod er ecomendaçãod ea dubaçãon oE stadod oR io Grande do Sul, com base na análise de solo, foi feita por Mohr (1950). Esse autor dividiu o Estado do Rio Grande do Sul em quatro regiões fisiográficas e estabeleceu valores de referência para as análises de solo em cada uma delas, sendo:

1) planalto norte (solos formados sobre basalto); 2) região sedimentar central (solos formados sobre arenito Botucatu); 3) escudo sul-rio-grandense (solos formados sobre rochas graníticas); e,

4) região da planície costeira (solos formados sobre areias e sedimentos recentes).

Capítulo 1

Os valores determinados nas análises químicas eram comparados com os valores de referência estabelecidos (teor crítico ou nível de suficiência) para cada região, sendo, então, fornecida uma recomendação descritiva para cada grupo de solos.

No final da década de 60 e início da década de 70, ocorreram grandes modificações na agricultura bem como no uso das recomendações de adubação e de calagem, principalmente com a execução da "Operação Tatu" (Associação..., 1967, 1968; Ludwick, 1968; Volkweiss & Klamt, 1969, 1971) realizada primeiramente no Estado do Rio Grande do Sul e depois em Santa Catarina (SC), onde o projeto foi denominado "Operação Fertilidade" (Pundek, 2000). Nesse período ocorreram importantes avanços no sistema de adubação, tendo sido elaboradas a segunda (UFRGS, 1968) e a terceira (Mielniczuk et al., 1969a,b) tabelas de recomendações. O sistema era constituído pela adubação corretiva (parae levaro st eoresd ePed eKa o teor críticon ap rimeirac ultura) e pela adubação de manutenção por cultura, visando manter os teores de P e de K atingidos na adubação corretiva. Esse modelo de correção da fertilidade do solo era baseadon oc onceitod e" adubar os olo".

A recomendação de calagem era para elevar o pH do solo ao nível desejado em uma única aplicação, inicialmente para pH 6,5 e, a partir de 1973, para pH 6,0 (Reunião..., 1973), conforme o índice SMP (Murdock et al., 1969).

Outro aspecto importante desse período foi a criação da ROLAS (Rede Oficial de Laboratórios de Análise de Solo e de Tecido Vegetal dos Estados do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina), em 1968, tendo sido esta a responsável pela revisão e pelos aperfeiçoamentos nas recomendações até a versão de 1981 (ROLAS, 1981).

Na década de 70 ocorreu a adesão do Estado de Santa Catarina à ROLAS

(Tedesco et al., 1994) e o início do programa de controle de qualidade das análises laboratoriais, ambos em 1972 e a elaboração da quarta (UFRGS, 1973) e da quinta (UFRGS, 1976) tabelas de recomendação. Ainda devem ser citadas as tabelas elaboradas isoladamente por Patella (1972), pois elas apresentavam, até certo ponto, analogia com o sistema proposto em 1987 (Siqueira et al., 1987).

Na década de 80 foram elaboradas três atualizações nas tabelas. A sexta versão (ROLAS, 1981) introduziu algumas modificações para várias culturas, tendo sido a última versão elaborada pela ROLAS. Nas versões seguintes, a Comissão de Fertilidade do Solo – RS/SC, do recém-criado Núcleo Regional Sul (NRS) da Sociedade Brasileira de Ciência do Solo, assumiu essa incumbência. A versão adotada em 1987 (Siqueira et al., 1987) modificou a filosofia de recomendação, passando de um sistema de adubação corretiva e de manutenção para um sistema misto (correção e reposição, ou restituição), no qual o objetivo era atingir os níveis de suficiência de P e de K

Manual de Adubação e de Calagem … gradualmente em três cultivos ou anos, com o conceito de "adubar a cultura", já que, à época, havia restrição ao crédito agrícola para a correção total da fertilidade do solo. A oitava versão (CFS-RS/SC, 1989) introduziu modificações na adubação de algumas culturas, sem alterar substancialmente a versão de 1987.

Na década de 90 foi elaborada a nona versão com diversas modificações nas recomendações das culturas, e foram propostas as primeiras recomendações de calagem para o sistema plantio direto (CFS-RS/SC, 1995).

1.2 - HISTÓRICO DOS PROJETOS DE MANEJO DO SOLO

Os programas regionais objetivando a adoção de práticas de manejo da fertilidade, com base na análise de solo e em outras técnicas modernas de campo, foram iniciados pelo Projeto de Melhoramento da Fertilidade do Solo, denominado "Operação Tatu". Este projeto surgiu com a implantação do Curso de Pós-Graduação em Agronomia na UFRGS, em 1965 (Ludwick, 1968). Nessa época foram iniciados os trabalhos de pesquisa visando a identificação dos fatores responsáveis pela baixa produtividade dos solos do Estado do Rio Grande do Sul (Volkweiss & Klamt, 1969; 1971). O trabalho foi executado no município de Ibirubá pelo Departamento de Solos da Faculdade de Agronomia da UFRGS (que à época mantinha um convênio de cooperação técnica com a Universidade de Wisconsin, EUA), pela Secretaria da Agricultura, pelo Ministério da Agricultura através do IPEAS e pelo Instituto Rio Grandense do Arroz (IRGA). Essa amostragem visava determinar o nível de fertilidade dos solos dessa região e a implantação de lavouras demonstrativas com a utilização adequada das recomendações de calagem e de adubação.

Esse trabalho foi repetido em Santa Rosa, expandindo-se, a partir de 1967, para Três de Maio, Tuparendi e Horizontina (RS), sob a coordenação da Associação Rural de Santa Rosa (Associação..., 1967) e da ASCAR (Associação..., 1968). Em 1968, já havia solicitação de 80 municípios para participar do projeto (Ludwick, 1968), que objetivava corrigir a acidez e a fertilidade do solo, além de controlar a erosão e estimular o emprego de melhores cultivares e a adoção de novas práticas de cultivo, à semelhança da chamada "Revolução Verde". A utilização de terraços foi iniciada na década de 50, mas seu uso ainda era incipiente na década de 60. Convém lembrar que, devido à adoção generalizada do sistema plantio direto na década de 90, muitos agricultores removeram os terraços, apesar de serem estruturas necessárias para conduzir o fluxo da água de escoamento.

No Estado de Santa Catarina, a partir dos resultados obtidos pela Operação

Tatu no Estado do RioG randed oS ul,f oi elaboradooP lano de Recuperaçãod aF ertilidade do Solo, em meados de 1968, denominado "Operação Fertilidade", para ser

Introdução executado a partir de 1969 e com duração prevista até 1975. Os trabalhos de campo foram executados no município de Nova Veneza, região sul do Estado, em 1969, com a instalação de 16 lavouras demonstrativas com a cultura do milho, seguindo as normas técnicas preconizadas pelo "Plano", entre elas, adubação corretiva e de manutenção e calagem pelo índice SMP para atingir pH 6,0. Nessas lavouras foram aplicadas, em média, 8,1 t/ha de calcário. O rendimento médio dessas lavouras foi de 5.040 kg/ha. Nos anos seguintes, o "Plano" se expandiu para todo Estado, e o consumo do calcário atingiu aproximadamente 50 mil toneladas em 1970 e 300 mil toneladas em 1980 (Pundek, 2000). Os trabalhos de campo, a partir da safra de 1970/1971, foram executados pela Secretaria da Agricultura daquele estado e pela ACARESC.

A Operação Tatu manteve ações intensas até 1974 (Klamt & Santos, 1974), estendendo-se, pelo menos, até 1976 (Volkweiss & Ludwick, 1976; Mielniczuk & Anghinoni, 1976). Ela foi importante porque introduziu o princípio da calagem total, ou seja, a aplicação, em uma só vez, da quantidade de calcário necessária para corrigir a acidez do solo ao nível desejado (Volkweiss & Klamt, 1969). Uma avaliação dos efeitos da Operação Tatu foi feita por Mielniczuk & Anghinoni (1976), em 20 lavouras, nos municípios de Santa Rosa, de Tapera e de Espumoso (RS). Após um período de 5 a 7 anos da primeira aplicação de calcário, o pH médio passou de 4,8 para 5,6 e a necessidade de calcário de 6,9 para 2,2 t/ha, o que correspondia a um efeito residual da primeirac alagem de 50%.O st eoresd ef ósforo ed ep otássioe stavam adequados, eo s produtores haviam corrigido o solo no restante de suas propriedades, obtendo altos rendimentos dos cultivos; demonstravam também entusiasmo pela utilização de práticas de melhoria da fertilidade e conservação do solo.

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