Ensino clínico de Cuidados à Pessoa Idosa

Ensino clínico de Cuidados à Pessoa Idosa

(Parte 6 de 6)

Secundário: despistar precocemente os factores de risco relacionados ao meio ambiente e à instabilidade da marcha

Terciário: redução da instabilidade da marcha com exercícios e treino de equilíbrio

Actuação na habitação em geral:

Dimensões adequadas de corredores, portas, tentando que a distribuição do mobiliário não seja obstáculo; Iluminação adequada;

Pisos: não devem ser deslizantes. Convém evitar os tapetes ou, pelo menos fixá-los ao chão;

Escadas: devem ter corrimão, pintar ou revestir o primeiro e ultimo degraus, com cores contrastantes para chamar atenção; Puxadores de porta com cabo, em vez de puxadores redondos;

Poltronas com braços, de encosto alto, que permitam pôr-se em pé sem esforço;

Adequada fixação ao solo dos móveis que possam servir de apoio, sobretudo nos locais de passagem.

Outras:

Evitar estampas, quadros e desenhos de cores contrastantes ou tridimensionais; Vigiar de perto os efeitos secundários do medicamento;

Incentivar para actividades independentes;

Elogiar pequenos progressos;

Observar o comportamento do idoso e permitir que expresse os seus medos e inseguranças; Evitar todo o tipo de obstáculos;

Manter o chão bem limpo e seco;

Ter calçado bem adaptado à morfologia do pé e com sola anti-derrapante com saltos baixos; Evitar roupas compridas e largas;

Aconselhar o idoso a sentar-se enquanto se veste e se calça.

Intervenções de enfermagem: - Remover passadeiras, tapetes não fixados e incorrecções do piso;

- Revestor os degraus com material rugoso antiderrapante;

- Nunca encerar escadas e piso;

- Pintar ou revestir o primeiro e último degrau com cores contrastantes para chamar à atenção; - Instalar corrimões, à altura adequada;

- Evitar estampas, quadros e desenhos de cores constrastantes ou tridimensionais (podem distrair o idoso e favorecer as quedas); - Evitar tapetes não fixos à beira da cama;

- Vigiar de perto os efeitos secundários dos medicamentos;

- Apoiar o idoso, se solicitado, ou se for necessário;

- Incentivar para actividades independentes;

- Elogiar pequenos progressos;

- Observar o comportamento do idoso e permitir que expresse seus medos e seuas inseguranças; - Evitar todo o tipo de obstáculos.

13.1. Escala de risco de quedas (J.H.Downton,1993)

(Somar um ponto por cada item com asterisco)

Quedas anteriores Não Sim *

Medicamentos

Nenhum Tranquilizantes – sedativos * Diuréticos * Hipotensores (não diuréticos) * Antiparkinsonianos * Antidepressivos *

Outros medicamentos

Deficit sensorial Nenhum

Alterações visuais * Alterações auditivas * Nos membros *

Estado mental Orientado Confuso *

Marcha Normal

Segura, com ajudas Insegura com/sem ajudas * Imposível

Nota:Três ou mais pontos indicam risco elevado de quedas

14. Higiene e conforto no idoso Higiene: conjunto de praticas que conduz à preservação de saúde assim como à limpeza. Conforto: acto ao efeito de confortar. Estado de quem é confortado, modo de amparar, bem-estar.

Avaliação deverá assentar em 3 aspectos:

História: A enfermeira deve iniciar a sua avaliação perguntando ao idoso se é capaz de executar sozinho os cuidados de higiene. o Quando o idoso declarar que tem dificuldade em executar os cuidados de higiene sozinho, a enfermeira deverá pedir-lhe para detalhar a natureza dos problemas, perguntando-lhe: O que é que o impede de o fazer sozinho?

Qual o tipo de ajuda que necessita?

Que precauções toma em relação à higiene corporal?

Que emoções ou situações afectam os seus hábitos de higiene?

Exame físico: A enfermeira deve avaliar o estado da pele, boca, cabelos, unhas e pés:

o Pele: - Cor (pálida, avermelhada, amarelada…);

- Textura (doce, rugosa…);

- Aspecto (gordurosa, seca, húmida…);

- Alterações (rubor, equimoses, erosões, cicatrizes, úlceras de decúbito…).

o Boca: - Estado dos dentes (limpos, depósitos alimentares, próteses…);

- Cor;

- Lábios e mucosas (secas, espessadas);

- Hálito (forte, cetónico…).

o Cabelos: - Estado do couro cabeludo (seco, oleoso, com películas…);

- Aspecto dos cabelos (curtos, longos, limpos, sujos, embaraçados…); o As unhas das mãos e dos pés:

- Estado das unhas (compridas, duras, quebradiças, regulares, lisas, limpas, sujas…); - Presença de lesões.

o Estado dos pés: - Deformações;

- Calosidades;

- Córnea;

- Edema.

O enfermeiro deve descrever de forma precisa e especificar a sua localização, distribuição, dimensão, forma e consistência.

Exame das funções mentais: Quando a higiene corporal não está de acordo com as normas de higiene habitualmente aceitáveis e as respostas da pessoa idosa são incoerentes, a enfermeira deverá efectuar um exame das funções mentais.

Avaliação deverá assentar em 3 aspectos:

História: A enfermeira deve iniciar a sua avaliação perguntando ao idoso se é capaz de executar sozinho os cuidados de higiene. o Quando o idoso declarar que tem dificuldade em executar os cuidados de higiene sozinho, a enfermeira deverá pedir-lhe para detalhar a natureza dos problemas, perguntando-lhe: O que é que o impede de o fazer sozinho?

Qual o tipo de ajuda que necessita?

Que precauções toma em relação à higiene corporal?

Que emoções ou situações afectam os seus hábitos de higiene?

Exame físico: A enfermeira deve avaliar o estado da pele, boca, cabelos, unhas e pés: o Pele: - Cor (pálida, avermelhada, amarelada…);

- Textura (doce, rugosa…);

- Aspecto (gordurosa, seca, húmida…);

- Alterações (rubor, equimoses, erosões, cicatrizes, úlceras de decúbito…).

o Boca: - Estado dos dentes (limpos, depósitos alimentares, próteses…);

- Cor;

- Lábios e mucosas (secas, espessadas);

- Hálito (forte, cetónico…).

o Cabelos: - Estado do couro cabeludo (seco, oleoso, com películas…);

- Aspecto dos cabelos (curtos, longos, limpos, sujos, embaraçados…); o As unhas das mãos e dos pés:

- Estado das unhas (compridas, duras, quebradiças, regulares, lisas, limpas, sujas…);

- Presença de lesões.

o Estado dos pés: - Deformações;

- Calosidades;

- Córnea;

- Edema. O enfermeiro deve descrever de forma precisa e especificar a sua localização, distribuição, dimensão, forma e consistência.

Exame das funções mentais: Quando a higiene corporal não está de acordo com as normas de higiene habitualmente aceitáveis e as respostas da pessoa idosa são incoerentes, a enfermeira deverá efectuar um exame das funções mentais.

Factores associados às dimensões da necessidade de estar limpo, cuidado e de proteger os tegumentos

Necessidade Dimensão

Descrição Biofisiológica Psicológica Sociológica

Cultural e/ou espiritual

Estar limpo, cuidado e proteger os tegumentos:

Necessidade que o ser humano tem de cuidados de higiene corporal e de cuidar do seu arranjo pessoal

Modificações produzidas pelo envelhecime nto ao nível da pele, tegumentos e sistema músculoesquelético

Doenças crónicas ou agudas

Défices visuais e cognitivos

Estado nutricional

Imagem corporal Hábitos pessoais de limpeza do corpo e vestuário

Constrangimento e pudor

Irritantes externos

Instalações sanitárias (banheiras)

Corrente social

Significado da higiene e limpeza na família e cultura

Intervenções de enfermagem:

- Avaliar o grau de dependência/independência do idoso para a realização da sua higiene pessoal; - Identificar junto do idoso os seus hábitos de higiene pessoal;

- Ter flexibilidade no que respeita aos horários do banho afim de encorajar um maior grau de independência; - Proporcionar privacidade durante a higiene pessoal/banho;

- Manter uma temperatura ambiente agradável no momento do banho/higiene verificando com o utente a temperatura da água preferida;

- Proporcionar alívio da dor, que possa afectar a capacidade para realizar a sua higiene (pode requerer indicação médica); - Idoso independente para a sua higiene;

- Estimular para um banho de chuveiro ou banheira;

- Providenciar a segurança da casa de banho e equipamento conforme necessário; - Manter ambiente livre de obstáculos;

- Facilitar o alcance do equipamento para a higiene pessoal do idoso;

- Observar as condições da pele durante o banho;

- Providenciar um local de fácil alcance para a roupa limpa;

- Avaliar se o idoso não é capaz de lavar o corpo inteiro, incentivá-lo a lavar o que puder, dar reforço positivo para o sucesso;

- Vigiar e ajudar na actividade até que o idoso seja capaz de realizar com sucesso e segurança;

- Se o idoso não for capaz de realizar a sua higiene pessoal/banho: o Questionar o idoso em relação à sua higiene naquele dia (horário, banho parcial ou total); o Preparar previamente o material necessário para a sua higiene pessoal, assim como a roupa para vestir-se; o Proceder à higiene pessoal do idoso de modo a proporcionar-lhe conforto; o Aplicar uma pressão firme sobre a pele ao dar o banho (tem menos probabilidades de ser mal interpretado do que o toque delicado).

Cuidados a ter com a mucosa oral: A higiene oral é essencial e influencia a alimentação, hidratação e a imagem corporal. O enfermeiro deve explicar à pessoa idosa os princípios da higiene oral. Quando a pessoa idosa se encontra incapaz de assumir pessoalmente os seus cuidados, o enfermeiro deve providenciar para que estes sejam realizados. o Dentes naturais: Escovar os dentes após as refeições e antes de deitar;

Utilizar uma escova macia, a fim de evitar lesar as gengivas que estão secas e menos elásticas; Utilizar um dentífrico não abrasivo ou bicarbonato de sódio ;

Escovar um ou dois dentes de cada vez, com um movimento de vaivém ou efectuando pequenos círculos, começando pelos molares; Escovar ligeiramente a língua e mucosa oral;

Examinar a boca a fim de detectar lesões o Próteses dentarias:

Escovar as próteses por cima e por baixo, com ajuda de uma escova para próteses ou escova de cerdas rígidas;

Passar por água fria, antes de recolocar; Remover os depósitos sobre as próteses, mergulhando-as durante a noite em vinagre branco;

Escovar regularmente as próteses, mesmo que se recorra a um produto de limpeza de próteses dentárias; Providenciar para que bocheche frequentemente;

Examinar a mucosa oral, afim de detectar lesões.

14.1. Cuidados de higiene e banho em utente acamado 14.1.1. Lavagem da cabeça

1 resguardo impermeavel ou 1 toalha 2 toalhas

Shampoo

Jarro com água

Saco de sujos

1 Bacia

Luvas caso seja necessários

Pente ou escova Secador

Procedimento: - Combinar com o utente, pedir o seu consentimento;

- Promover privacidade;

- Trazer para junto do utente todo o material necessário;

- Pedir ajuda a um colega ou auxiliar de enfermagem;

- Lavar as mãos;

- Saber se o doente tem frio ou calor e retirar roupa (colcha e cobertor) conforme as preferências da pessoa; - Retirar cabeceira da cama, se não for possível colocar o doente na diagonal;

- Colocar sob o doente resguardo enrolado nas pontas de modo a que a água não escorra para o chão; - Colocar uma toalha sobre o peito e ombros da pessoa;

- Enquanto um dos intervenientes coloca a cabeça na bacia vazia quem está ajudar, despeja lentamente a água sobre os cabelos tendo o cuidado de tapar ora um ora outro ouvido; - Lavar a cabeça até ficar bem lavada;

- Ter o cuidado quando enxaguar novamente, retirar todo o shampoo;

- Envolver o cabelo numa toalha, retirando o resguardo e deixando o doente confortável com almofada; - Pentear e secar.

14.1.2. Higiene oral

Escova de dentes ou espátula montada; Elixir;

Tina reniforme;

Saco de sujos;

Copo com água;

Pasta de dentes;

Toalha; Celulose.

14.1.3. Higiene no leito

Duas bacias com água 2 manapulas

2 toalhas

Sabonete

Luvas

Roupa necessária para fazer a cama de

lavado: 2 lençóis, um resguardo, uma

fronha

1 salva camas

Pijama

Tabuleiro de massagens: óleo de amêndoas doces ou outro

Pomadas cremes ou loções

Saco de roupa suja.

Cueca protectora

Material para fazer a barba se necessário

Compressas

Material para cortar as unhas e espatula se necessários

Saco de sujos

Normas: - Promova sempre a privacidade e autonomia do doente.

- Lave sempre: - da zona mais limpa para a zona mais suja, o membro mais afastado e só a seguir o que se encontra junto a si.

- Se a cueca protectora se encontrar suja (urina ou fezes), comece pela higiene dos genitais e deixe o doente com uma cueca protectora limpa e seca. - Mude a água das bacias tantas vezes quanto forem necessárias.

Procedimento:

Peça o consentimento e negoceie a melhor altura para proceder os cuidados de higiene ao utente; Posicione a pessoa o mais perto de si em decúbito dorsal, confortávelmente;

Coloque o material para o banho ao seu alcance;

Promova privacidade do utente (coloque um biombo, corra as cortinas);

Numa cadeira aos pés da cama coloque por ordem, a roupa necessária para efectuar a cama e vestir o doente; Lave as mãos;

Retire a roupa da cama (colcha e cobertor) caso o utente verbalize não ter frio;

Deixar o cobertor ou edredon, se necessário;

Proceda conforme a técnica da cama ocupada (desentalar somente a roupa de cima, deixando a base feita e esticada; Efectue uma dobra aos pés da cama, mantendo os pés cobertos;

Coloque a toalha sobre o peito e em redor do queixo e rosto do doente que fica voltado para si;

Se por indicação clínica não puder subir a cabeceira da cama, coloque a cabeça do doente na extremidade da almofada;

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