Variação linguística (1)

Variação linguística (1)

Como agir diante dos chamados “erros de português”?

  • Como agir diante dos chamados “erros de português”?

  • Em primeiro lugar, Bortoni-Ricardo pondera que o termo erros de português sem aspas é inadequado e preconceituoso. Na verdade, trata-se de diferenças entre variedades da língua.

  • Polêmica: há quem considera o “erro” uma deficiência do aluno e há quem considera o “erro” como uma simples diferença entre as duas variedades (padrão e não-padrão).

A) o professor identifica “erros de leitura” (erros na decodificação do material que está sendo lido), mas não faz distinção entre diferenças dialetais e erros de decodificação na leitura, tratando-os todos da mesma forma;

  • A) o professor identifica “erros de leitura” (erros na decodificação do material que está sendo lido), mas não faz distinção entre diferenças dialetais e erros de decodificação na leitura, tratando-os todos da mesma forma;

  • B) o professor não percebe uso de regras não-padrão. Devido a duas razões: ou o professor não está atento ou o professor não identifica naquela regra uma transgressão porque o próprio a tem em seu repertório.

C) o professor percebe o uso de regras não-padrão e prefere não intervir para não constranger o aluno.

  • C) o professor percebe o uso de regras não-padrão e prefere não intervir para não constranger o aluno.

  • D) o professor percebe o uso de regras não-padrão, mas intervém, e apresenta, logo em seguida, o modelo da variante-padrão.

  • A (lendo): - A onça resolveu atraí-la a sua furna fazendo corrê notícia de que tinha morrido e deitando-se no chão da caverna fingiu-se de cadáver. Todos ós bichos vinheru olhá a defunta contentíssamos.

  • P – Contentíssimos. Ó, psi, depois de “contentíssimos” tem ponto, tá? Todos os animais, né, vinheru olhá a defunta contentíssimos.

Permite que as crianças com antecedentes urbanos se familiarizem com a cultura rural.

  • Permite que as crianças com antecedentes urbanos se familiarizem com a cultura rural.

  • Chico Bento pode se transformar em símbolo do multiculturalismo que deve ser cultivado.

  • Suas histórias são um ótimo recurso para despertar nos alunos a consciência da diversidade sociolinguística.

  • Atividade interessante: verificar as variantes próprias dos falares rurais e variantes próprias dos falares urbanos que sofreram processo de padronização. Ex. Vixi/virgem; inté/até; prantei/plantei.

Grupos etários;

  • Grupos etários;

  • Gênero;

  • Status socioeconômico;

  • Grau de escolarização;

  • Mercado de trabalho;

  • Rede social.

  • A variação é inerente à própria comunidade linguística;

  • A variação está relacionada aos papéis sociais.

Contínuo de urbanização.

  • Contínuo de urbanização.

  • Contínuo de oralidade-letramento.

  • Contínuo de monitoração estilística.

CONTÍNUO: SEM FRONTEIRAS RÍGIDAS

  • CONTÍNUO: SEM FRONTEIRAS RÍGIDAS

  • O CONTÍNUO DE URBANIZAÇÃO PODE SER ASSIM REPRESENTADO:

  • Ex. Inté/ (forma arcaica da prep. até)

  • Ex: Ocê - Vossa Mercê > vosmecê > você > (o)cê.

  • Ex. Limoero – sufixo –eiro quase sempre pronunciado “êro”

  • Ex. Dexei – ditongos ei e ai seguidos dos fonemas /r/, /n/, /j/ e /x/ tendem a ser reduzidos, tornando-se vogais simples /e/ e /a/. Cade(i)ra, be(i)jo, ca(i)xa.

Contínuo: sem fronteiras rígidas.

  • Contínuo: sem fronteiras rígidas.

Contínuo: sem fronteiras rígidas.

  • Contínuo: sem fronteiras rígidas.

  • Os fatores que nos levam a monitorar o estilo são:

  • O AMBIENTE,

  • - O INTERLOCUTOR,

  • - O TÓPICO DA CONVERSA.

+ rural ………………………………………. +urbano

  • + rural ………………………………………. +urbano

  • + oralidade ………………………………. + letramento

  • - monitoramento …………………… + monitoramento

  • Entrevista gravada. Carpinteiro, com pouca escolarização, residente na cidade de Brazlândia, DF, proveniente de área rural de Minas Gerais. 54 anos, residia há 24 anos no DF.

Como proceder quando os alunos têm acesso muito limitado à norma culta em seu ambiente social?

  • Como proceder quando os alunos têm acesso muito limitado à norma culta em seu ambiente social?

  • Levar em conta a interferência das regras fonológicas e morfossintáticas de seu dialeto na aprendizagem no português-padrão.

  • Os “erros” que cometem são sistemáticos e previsíveis quando são conhecidas as características do dialeto em questão.

Recorrem à elaboração de escalas que se baseiam nos componentes da gramática.

  • Recorrem à elaboração de escalas que se baseiam nos componentes da gramática.

  • Modelo desenvolvido por Bortoni-Ricardo: prevê a postulação de categorias de natureza sociolinguística – por enquanto, aborda apenas variáveis morfofonêmicas.

  • Postuladas as seguintes categorias de erros

A um texto produzido espontaneamente por um adulto nascido, criado e alfabetizado em zona rural, em Minas Gerais, e radicado havia quinze anos na região metropolitana de Brasília quando da produção do texto. (p. 58).

  • A um texto produzido espontaneamente por um adulto nascido, criado e alfabetizado em zona rural, em Minas Gerais, e radicado havia quinze anos na região metropolitana de Brasília quando da produção do texto. (p. 58).

Relações plurívocas entre fonema e letra (caso dos fonemas sibilantes). Ex. (rezolver)

  • Relações plurívocas entre fonema e letra (caso dos fonemas sibilantes). Ex. (rezolver)

  • Uso de diacríticos e certas peculiaridades morfológicas (caso de “ão” quando é tônico e “am” quando for átono). Ex. (chamarão)

Distinção entre regras fonológicas categóricas de regras fonológicas variáveis.

  • Distinção entre regras fonológicas categóricas de regras fonológicas variáveis.

  • Regras fonológicas categóricas (independentemente das características sociodemográficas que identificam o falante, e do contexto situacional).

  • Regras fonológicas variáveis: podem aplicar-se ou não (dependerá de fatores estruturais linguísticos ou extralinguísticos).

(2) de regras fonológicas categóricas no dialeto estudado.

  • (2) de regras fonológicas categóricas no dialeto estudado.

  • A) vocábulos fonológicos constituídos de duas ou mais formas livres ou dependentes grafados como um único vocábulo formas. Ex. ‘uque’, ‘janotei’

  • B) crase entre vogal final de uma palavra e vogal idêntica ou foneticamente próxima da palavra seguinte. Ex. ‘a tenção’

  • C) neutralização das vogais anteriores /e/ e /i/ e das posteriores /o/ e /u/ em posição pós-tônica ou pretônica. Ex: ‘ficamus’, ‘meo’, ‘elis’.

  • D) nasalização do ditongo em ‘muito’ por assimilação progressiva.

(3) de regras fonológicas variáveis graduais (ocorrência em grande parte dos registros não-monitorados).

  • (3) de regras fonológicas variáveis graduais (ocorrência em grande parte dos registros não-monitorados).

  • A) despalatização das sonorantes palatais. Ex. Olhar >> oliar; carinhoso >> cariosu.

  • B) monotongação de ditongos decrescentes. Ex: beira >> bera; outro >> otro.

  • C) desnasalização das vogais átonas finais. Ex: homem >> homi.

  • D) assimilação e degiminação do /nd/: /nd/ >> nn >> n/. Ex: mostrando >> mostranu.

  • E) Queda do /r/ final nas formas verbais.

Difícil problema do português brasileiro contemporâneo é o de estabelecer distinções entre regras variáveis que definem uma estratificação gradual, isto é, um aumento crescente na frequência quando estudadas em diversos grupos sociais, e as regras que indicam uma demarcação descontínua e definida entre os grupos sociais (presentes em alguns estratos e ausentes na linguagem dos demais).

  • Difícil problema do português brasileiro contemporâneo é o de estabelecer distinções entre regras variáveis que definem uma estratificação gradual, isto é, um aumento crescente na frequência quando estudadas em diversos grupos sociais, e as regras que indicam uma demarcação descontínua e definida entre os grupos sociais (presentes em alguns estratos e ausentes na linguagem dos demais).

  • Ex. Nem todos os casos de simplificação da concordância verbal ou nominal são regras graduais.

  • Nos verbos, isso ocorre com formas rizotônicas. Ex: ‘ele come/ eles comem’.

  • Porém, nas formas arrizotônicas, a ausência de concordancia é passível de sofrer estigmatização, restringindo-se às variedades populares da língua.

(4) de regras fonológicas variáveis descontínuas (privativos de variedades rurais e/ou submetidas a forte avaliação negativa).

  • (4) de regras fonológicas variáveis descontínuas (privativos de variedades rurais e/ou submetidas a forte avaliação negativa).

  • A) semivocalização do /lh/. Ex: velho >> véio.

  • B) epítese do /i/ após sílaba final travada. Ex.: paz >> pazi; pessoal >> pesuali.

  • C) troca do /r/ pelo /l/. Ex.: sirva >> silva.

  • D) monotongação do ditongo nasal em ‘muito’ >> munto.

  • E) supressão do ditongo crescente em sílaba final.

  • Nasal: padrinho >> padriu >> padrim

  • Oral: veio >> vei.

  • F) simplificação dos grupos consonantais no aclive de sílaba com a supressão da segunda consoante. Ex.: dentro >> dentu.

  • G) metátese em ‘satisfeito’. (sastifeito)

Baseia-se em descrições socilinguísticas das variedades da língua.

  • Baseia-se em descrições socilinguísticas das variedades da língua.

  • A análise em categorias sociolinguísticas permite a ordenação de erros numa série implicacional (relativa aos antecendetes sociolinguísticos do aluno, exceto os da categoria 1, relativos à eficiência das técnicas de alfabetização e do treinamento da escrita).

  • Síntese das relações entre o processo de análise de erros e as tarefas do sociolinguista e do professor:

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