resenha - ISABEL NICOLAU - O conceito de estratégia

resenha - ISABEL NICOLAU - O conceito de estratégia

Gizelle Jacinta Santos – Aluna do Curso de Mestrado em Administração Profissional da UNA – Junho de 2012.

Resenha do Artigo: O conceito de estratégia, Isabel Nicolau - INDEG- ISCTE – Lisboa, Setembro de 2001.

A autora começa o texto dizendo que Estratégia é hoje uma das palavras mais utilizadas na vida empresarial e encontra-se abundantemente presente quer na literatura da especialidade, quer nos textos mais comuns, mesmo de âmbito jornalístico. Contudo, um pouco de atenção ao sentido em que a palavra é usada permite, desde logo, perceber que não existe qualquer uniformidade, podendo o mesmo termo referir-se a situações muito diversas. Como afirma Câmbrico (1983), a estratégia é um conceito multidimensional e situacional e isso dificulta uma definição de consenso.

Segundo Nicolau as convergências as definições de estratégia assentam na inseparabilidade entre a organização e o meio envolvente a importância das decisões estratégicas para o futuro das organizações. Concorda-se também, em geral, que as estratégias se podem estabelecer ao nível da organização ou ao nível de atividades específicas desenvolvidas no seu seio, e que todas as organizações têm subjacente ao seu comportamento uma estratégia implícita ou explícita. Contudo, estratégias planejadas diferem de estratégias realizadas. Já as divergências da Estratégia são então "a principal ligação entre fins e objetivos e políticas funcionais de vários setores da empresa e planos operacionais que guiam as atividades diárias" (Hofer e Schendel, 1978: 13). Dois aspectos são particularmente importantes: O primeiro é que a estratégia, conforme já foi referido diz respeito ao futuro da empresa; O segundo é que na gestão das organizações, os processos de definição dos objetivos, dos meios e das formas dos atingir, bem como a sua concretização na prática, não podem ser desligados, mas devem ser pensados como um conjunto de processos integrados e coerentes.

De acordo como o texto a forma como as estratégias surgem e são implementadas não é um processo idêntico em todas as organizações, resultando antes de uma conjugação de fatores externos e de condições internas que configuram cada situação particular. A formação da estratégia como processo racional e formal se desenvolve através de uma série de etapas sequenciais, racionais e analíticas e envolve um conjunto de critérios objetivos baseados na racionalidade econômica para auxiliar os gestores na análise das alternativas estratégicas e tomada de decisão.

A formação da estratégia como um processo negociado é um processo de negociação entre grupos sociais internos à empresa, o que constitui uma restrição à racionalidade econômica (Cyert e March, 1963); (Simon, 1976), ou com atores relevantes do meio envolvente (Murray, 1978). A formação da estratégia como um processo em construção permanente Vai-se formando através da aprendizagem sobre a envolvente, capacidades internas da organização e a forma apropriada de estabelecer uma relação entre elas. As ações que se vão desencadeando, cujas implicações para o futuro não se conhecem à partida, tenderão a desenvolver uma convergência de comportamento que configura uma estratégia.

Para autora embora apresentadas de forma separada, estas abordagens não se podem considerar como alternativas, excluindo-se mutuamente. Na prática, a formação da estratégia nas organizações pode incluir, simultaneamente, os três processos. Pode passar pelo esforço de racionalização e planejamento estratégico, seguir um processo de negociação com os atores internos e externos que o torne aceitável e ser suficientemente flexível para não desprezar o processo de aprendizagem.

Conforme diz Nicolau no texto há Diversos sentidos para o conceito de estratégia como: Estratégias planejadas versus estratégias realizadas são duas formas diferentes de abordagem que não são incompatíveis, mas antes complementares. Estratégias deliberadas versus estratégias emergentes Estratégias deliberadas são as que se realizam tal como foram explicitamente planejadas, através de um processo controlado; estratégias emergentes são padrões de ações consistentes realizadas apesar de intenções. Estratégias implícitas versus explícitas as estratégias se devem formar, explicitar, divulgar e interiorizar na organização com vista ao sucesso da sua implantação. Contudo, conforme já se referiu, não é objeto de controvérsia a existência de estratégias não explícitas. Na hipótese de que o comportamento humano normal é racional e propositado, todas as empresas têm estratégias que, por diversas razões, podem permanecer total ou parcialmente implícitas.

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