Cópia de Resenha-Critica-Exemplo-Extra-UMBIGO-SEM-FUNDO

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EXEMPLOS DE RESENHAS DE UM MESMO LIVRO:

UMBIGO SEM FUNDO

RESENHA 01:

 

UMBIGO SEM FUNDO, DASH SHAW, COMPANHIA DAS LETRAS, 2009, Edição 1, 720 páginas, tradução para o Português: Érico Assis.

Casados há quarenta anos, Maggie e David Loony decidem se separar. Vivendo isolados numa casa de praia, afastados dos filhos, os dois anunciam que não se amam mais. A notícia inesperada é motivo para a família se reunir depois de muito tempo, e pela última vez. Como fantasmas se arrastando silenciosamente pela casa, Maggie e David não amenizam o sofrimento dos filhos com desculpas ou explicações; apesar da dor escancarada, estão convictos sobre o divórcio.

Dennis, o mais velho, inicia uma procura alucinada por pistas que os ajudem a entender os motivos da separação. Passa os dias revirando baús empoeirados, arrastando-se por túneis escondidos pela casa e decifrando cartas antigas trocadas pelos pais. Na tentativa de encontrar respostas para suas angústias, ele se vê obrigado a refletir sobre seu próprio casamento. Claire, a filha do meio, aceita com calma a separação. No entanto, essa aparente tranquilidade esconde uma mãe temerosa, aflita com tudo que diz respeito à filha, Jill. Os dias na casa da infância servirão para que ela se reaproxime da adolescente. É o caçula Peter, no entanto, quem melhor representa o lado disfuncional da família Loony — o “Buraco Negro dos Loony”, em que “cada membro é uma entidade flutuante e separada dos outros membros”. Solitário, ele se considera o “clichê do caçula”, um estranho para o resto da família. Retratado como um sapo, vive numa luta infinita contra a insegurança paralisante.

Escrito quando Dash Shaw tinha 23 anos, Umbigo sem fundo narra com maturidade surpreendente — e uma boa dose de humor — os conflitos individuais e familiares dos Loony, que vêm à tona com o divórcio. Sem complacência, o autor investiga os movimentos mais sutis e os aspectos mais recônditos que tornam único o sofrimento de seus personagens. Com maestria, Shaw utiliza recursos como espaços em branco, variação no tamanho dos quadrinhos e cortes rápidos em cenas simultâneas que dão à narrativa um ritmo que é a um só tempo dinâmico e suave, em que a delicadeza do traço revela cargas máximas de tensão.Ao final, as imagens detalhadas de Shaw mostram que há algo insondável nas relações humanas, como a misteriosa decisão dos velhos Loony que só eles são capazes de entender.

RESENHA 02

Título: UMBIGO SEM FUNDO (Companhia das Letras) - Edição especialAutor: Dash Shaw (roteiro e arte).Preço: R$ 59,00Número de páginas: 720Data de lançamento: Agosto de 2009Sinopse: David e Maggie Loony anunciam para seus filhos que, após 40 anos de casamento, vão se separar. Os três filhos do casal e seus dois netos vão passar a última semana com eles antes da separação. E cada personagem reage de um modo muito particular ao divórcio.

Positivo/Negativo: Umbigo sem fundo é mais um dos grandes lançamentos de quadrinhos de 2009.

Não apenas nas suas 720 páginas, mas também na qualidade de roteiro e de desenho. O traço de Dash Shaw não é vistoso e, muitas vezes, nem bonito, mas cumpre bem seu papel. A qualidade está na arte sequencial.Na lombada da edição já há uma chamada que prepara o leitor para o que encontrará quando abrir o álbum. Shaw sabe usar muito bem o espaço narrativo da página. Por isso, tome espaço em branco e variação de tamanho de quadros. Na primeira parte da graphic novel (dividida em três), quando a narrativa se divide entre Jill (filha de Claire), Dennis (filho de David e Maggie), e Claire (irmã de Dennis) e Aki (esposa de Dennis), Shaw usa diferentes quantidades de quadro por página para dar diferentes ritmos a cada segmento da história.Há muita engenhosidade e complexidade narrativa, mas elas não precisam ser decifradas para que o leitor possa curtir a obra, embora seja um exercício interessante. A narrativa é interrompida (talvez fosse melhor dizer complementada) por cartas, notas jornalísticas, álbuns de fotos etc.No começo da obra, o autor já apresenta para o leitor uma construção particular de narrativa com uma linguagem que remete um pouco a manuais de instrução e outro pouco a texto ilustrado.O texto, o elemento verbal na narrativa é muito importante. Não só pela fala dos personagens, mas pelas características que assume. As onomatopeias são substituídas por descrições breve dos sons, como "gole" ou "engasga, engasga". E não só sons, mas também cores e imagens, como "amanhecer laranja" escrito no céu.Muito engenhosa a cena em que Shaw cria uma verdadeira cacofonia, ao final do primeiro jantar em família no começo do livro, ao usar o choro de Alex (filho de Aki e Dennis), a tosse de Jill, e os balões de fala de diversos personagens.Toda a confusão sonora foi armada com palavras e quadrinhos pequenos, dentro dos quais essas palavras ocupam bastante espaço.Umbigo sem fundo não é apenas um "manual" de recursos dos quadrinhos, é também uma história forte e tocante. Como é comum entre os autores independentes norte-americanos, o tema é a família disfuncional.O assunto é distribuído nas linhas narrativas dos três filhos e da neta Jill; e muito bem amarrado com símbolos criados durante a história, como areia, banhos, espelhos e chaves. E isso tudo está cercado pelas técnicas narrativas.Próximo ao final, as tiras de dois quadros se reduzem de três para duas por página, e depois para uma, até que um único quadrinho ocupe a página, aumentando o branco ao redor dos desenhos e, por consequência, a impressão de vazio que esse trecho da história traz.Há ainda o zoomorfismo de Peter, personagem que é desenhado como um sapo. Se isso tem um sentido para os personagens Disney e outro em Maus, de Art Spiegelman, em Umbigo sem fundo é um modo visual de dizer como aquele personagem faz sua autoimagem.O trabalho da Companhia das Letras é bastante competente. A edição é caprichada, o papel bem escolhido e os cadernos resistem ao manuseio, mesmo num livro tão extenso. Faltou só um prefácio que apresentasse obra e autor ao público. Nada que diminua a grandeza de Umbigo sem fundo.

RESENHA 03:

A análise “sem fundo” de Dash Shaw

Se você gosta de HQs, então vai curtir “Umbigo sem fundo” já pelo seu tamanho: são 700 páginas de história ilustrada. Os acontecimentos são divididos em três partes, tudo muito bem pensado pelo autor, que inclusive requisita que você faça pausas entre a leitura de um capítulo e outro. E funciona, já que a ideia parece ser que as personagens, o ambiente em que se passa o acontecido, os conflitos e as inseguranças mergulhem o leitor em um processo mútuo de amadurecimento.

O autor, Dash Shaw, faz muito bem essa ligação do leitor e das personagens, pois permite que você conheça as neuras de cada um, logo a identificação com um ou mais deles é inevitável. Mas quem são eles? A resposta: a família Looney. Formada pelo pai caladão, David, a mãe preocupada com a família, Maggie, a insegura filha do meio, Claire, o mais velho e metido a sabichão, Dennis, e por fim, o mais novo e esquisito, Peter. O universo familiar sai de sua órbita habitual quando um acontecimento marcante acontece: após 40 anos, o pai e a mãe Looney decidem se divorciar sem motivo aparente.

É nesse contexto que entram em cena Jill, a filha de Claire, Aki e seu bebê, esposa e filho de Dennis, e mais tarde Kat, a “namoradinha” de Peter. Convidados pelos pai e mãe, os Looney voltam a sua antiga casa de praia para viver mais alguns momentos juntos, antes que a família se desforme. É ai que cada um revela que pode reagir de forma bem diferente frente a um divórcio, e você é convidado a conhecer mais a fundo a personalidade de cada participante um deles. Claire vive um conflito interno por não achar que encontrará o amor e ainda tenta se dar bem com a sua filha, Peter, típico adolescente isolado, que parece não se encaixar em canto algum, tenta achar algum sentido para sua vida e Dennis, o que acaba se importando mais com a separação dos pais, vive seus conflitos internos.

Quem parece estar menos preocupados com isso tudo são os pais Looney, que encaram tudo aquilo com muita tranquilidade, com o argumento de que o amor acabou e que não há sentido em continuarem juntos dessa forma. Pois é, sem amor, tudo parece perder um pouco seu sentido, certo? É o que você vai descobrir lendo a HQ. Não se assuste com o tamanho, lendo um pouco por dia, você consegue lê-la em uma semana. Mas tente respeitar a orientação do autor: leia uma parte da história por vez. Dessa forma, você conseguirá assimilar ainda mais as neuras de cada Looney, vale a pena.

Além disso, a narrativa analítica e os desenhos simples de Dash Shaw se complementam de forma muito natural, fazendo com que até aqueles que não estejam acostumados com leitura de HQs entendam o contexto e entrem na viagem. Viagem que é sem “fundo”, levando em consideração que a análise de cada personagem é realmente profunda. O mais curioso é que a história foi escrita quando o autor tinha seus 23 anos e desenhada entre março de 2005 a agosto de 2009. Resumindo, “Umbigo sem fundo” representa quadrinhos “adultos” de excelente nível.

Autor: Dash Shaw/Tradutor: Érico AssisEditora: Quadrinhos na Cia720 páginas, R$ 53

RESENHA 04:

RESENHA – UMBIGO SEM FUNDO

Dash Shaw é um quadrinhista de 26 anos, considerado por muitos um dos grandes nomes da nova geração de graphic novels underground. Seu livro recentemente lançado, Umbigo Sem Fundo, mostra que o jovem artista faz por merecer tantas críticas positivas.

Desenhado entre 2005 e 2007, Umbigo Sem Fundo conta o drama pelo qual a Família Loony está passando: Maggie e David Loony, depois de 40 anos de casados, decidem se separar, dizendo que não se amam mais. Os três filhos então vão para a casa de praia do casal para tentar entender o motivo da separação.

Dennis, o filho mais velho do casal, vai com sua mulher e bebê, e não consegue entender como duas pessoas deixam de se amar, de uma hora para outra, depois de tanto tempo juntos. Ele encara a situação toda como um grande caso de mistério, e revira a casa toda, percorrendo seus labirintos internos atrás de cartas codificadas e provas que mostrem o que de fato se passou.

Claire, a filha do meio, vai para a casa de praia com sua filha Jill, que está entrando na adolescência. Ela, que já passou por um divórcio, entende com mais clareza os motivos do pai, mas apresenta uma série de dificuldade para se comunicar com sua filha.

Peter, o filho mais novo, se enxerga como o filho caçula deslocado no ambiente familiar, como se todos olhassem para ele, e enxergassem apenas um estranho sapo. E é assim que ele é representado por Shaw na história, como um grande sapo, que trabalha como crítico de cinema, e não consegue superar seus problemas de intimidade, seja com sua família, ou com as mulheres no geral.

Dash Shaw já anuncia na primeira página que está é uma história em quadrinhos proibida para crianças. O drama familiar é retratado com muita profundidade, e o livro como um todo é uma experiência gráfica incrível. Sem cores, os traços dos quadrinhos são num tom marrom, e Shaw modifica constantemente o tamanho dos quadrinhos, trabalha com cenas paralelas, utiliza espaços em branco com perspicácia, e transforma simples movimentos em sequências quase que cinematográficas. O uso constante de referências nas imagens, como uma seta indicando de que cor seria uma parede, ou em que direção que o vento sopra, dá a impressão de estarmos lendo um storyboard, o que não é nada incômodo; na verdade, torna a obra como um todo mais charmosa.

O livro é dividido em três partes, e o autor dá a dica: faça uma pausa entre cada uma. O que na verdade é uma regra muito difícil de ser obedecida, e as mais de 700 páginas do livro voam num instante, nos proporcionando uma leitura dinâmica, fluida, mas com um conteúdo muito sóbrio e profundo, com pitadas precisas de humor e sarcasmo.

Além de Umbigo Sem Fundo, Dash Shaw possui uma série de outras histórias em seu site oficial. O autor planeja transformar em livro sua série Bodyworld, que pode ser vista em inglês em seu site. Dessa vez, Shaw diz que irá usar cores, e o formato do livro será na vertical, tal qual uma página de Internet. Para os fãs de histórias em quadrinhos mais alternativas, esse é um nome que você deverá passar a dar mais atenção futuramente.

RESENHA 05:

Resenha crítica de Umbigo sem fundo

Com um nome estranho, metafórico talvez, uma arte não tão atrativa, proporções épicas para um quadrinho independente e um preço pesado para os bolsos dos leitores brasileiros, algo em torno de R$ 60, Umbigo sem fundo assusta a primeira vista. Mas não se engane, não fuja dele, na verdade, ele vale muito a pena ser lido. Considerado como um dos novos expoentes dos quadrinhistas independentes americanos, Dash Shaw, o autor da obra, apresenta-nos uma história profunda, fluida e madura, algo surpreendente para um rapaz de 23 anos que até então nunca tinha tido uma obra publicada.

A trama conta a história do casal Loony, que após quarenta anos de casados decidem se separar, pois não se amam mais. Os filhos reúnem-se com os pais para entender os motivos da separação. Dennis, o mais velho, que não entende e não aceita a separação dos pais, passa boa parte da história procurando explicações no passado dos pais em velhos baús - ele parece desvendar o mistério ao ler uma carta codificada. Cabe ao leitor decifrá-la ou não; a filha do meio, Claire, mãe solteira que entende muito bem toda a situação, mas não consegue lidar com o amadurecimento da filha; o caçula, Peter, desenhado como um sapo, para retratar sua distância e solidão em relação ao resto da família.

A arte de Umbigo sem fundo é simples, fluida. São seiscentas páginas que passam despercebidamente. O autor, com ares de modernista, brinca com o tamanho dos quadrinhos, sua disposição e o número deles na página.

Sempre inovador e original, Umbigo sem fundo tornou-se uma importante graphic novel da atualidade e já está sob os olhares gulosos da indústria cinematográfica, sendo um dos projetos de interesse do ator e diretor Ben Stiller para uma futura adaptação.

Após ler o livro, o nome continua estranho, o tamanho da obra assusta, mas a história é ligeira e a leitura também. O preço vale cada real que se paga e é um drama dos bons que dá vazão à comédia, ao suspense, ao romance, tudo orquestrado de forma natural e satisfatória. Um novo clássico dos quadrinhos.

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