História do Piauí

História do Piauí

(Parte 1 de 12)

PIAUÍ

Carlos Félix Ferreira Castro Teresina 2006

Apresentação

O homem é o único animal histórico que faz e conta a história e que vive historicamente, tendo consciência do tempo e espaço que ele ocupa. Enquanto a organização social das outras espécies obedece a uma determinação natural, que se repete geração após geração, uma espécie humana ao longo da história, organiza- se em diferentes modelos da sociedade, geralmente de acordo com os interesses dos grupos dominantes. Sendo a história uma obra coletiva, o processo de ensino-aprendizagem de história só alcançará sucesso na medida em que resultar da ação conjunta de todos os envolvidos e interessados de modo especial professores e alunos.

Para um bom desenvolvimento de ensino de história deve-se acreditar que mais importante do que conhecer os fatos históricos é aprender a pensar historicamente. Para isso é necessário um ensino para a reflexão crítica, para a auto-conscientização do ser que conquista direitos de cidadania, para estimular nele o crescimento da autonomia do pensamento. Como conseqüência disto, ter-se-á um aluno capaz de pensar sem ser dirigido por alguém, habilitado a emitir opiniões próprias, tendo consciência de suas necessidades e de sua realidade.

Esta apostila tem como principal objetivo trazer para o aluno a História do Piauí contextualizada com a brasileira e a mundial, buscando contribuir para um entendimento mais consciente dos acontecimentos que foram marcantes para o processo de formação da realidade atual piauiense.

Índice

1.1– Introdução
1.2– São Raimundo Nonato
1.3– Texto Complementar

Capitulo 1 – A Pré-História Piauiense

Capítulo 2 – O Piauí Colonial

2.1 – Processo de Povoamento 2.2 – Evolução Política 2.3 – Sociedade e Economia 2.4 – O Piauí na Luta pela Independência.

Capítulo 3 – Piauí Império

3.1 – O Piauí no Primeiro Reinado 3.2 – O Piauí no Período Regencial. 3.3 – O Piauí no Segundo Reinado.

Capítulo 4 – Piauí República

4.1 – A República Velha no Piauí. 4.2 – A Era Vargas no Piauí 4.3 – O Período Democrático no Piauí. 4.4 – A Ditadura Militar no Piauí. 4.5 – A Nova República no Piauí.

F Pré-História Piauiense

1 – Introdução:

Uma das maiores polêmicas da Arqueologia atual é determinar a data de povoamento do continente americano e as rotas utilizadas pelo homem pré-histórico para chegar nesta região. Durante muito tempo, estas dúvidas eram explicadas por uma Teoria Tradicional que afirmava que o caminho seguido pelo homem para chegar à América, foi atravessando o Estreito de Bering, durante o período de glaciação, passando da Ásia para a América pelo Alasca, numa data aproximada de 20000 anos.

Porém, descobertas atuais em sítios arqueológicos da América do Sul, passam a questionar esta teoria, tanto na data do povoamento quanto nos caminhos percorridos pelo homem americano. Destes sítios, o que apresenta as descobertas mais polêmicas é o de São Raimundo Nonato no Piauí, onde as pesquisas chefiadas pela arqueóloga Niéde Guidon mostram indícios fortíssimos que esta região foi uma das primeiras a ser ocupada.

2 – São Raimundo Nonato:

2.1 – Características Gerais:

Nesta região, entre os rios Piauí e Itaueira, a mais de 700 quilômetros a Sudeste de Teresina, uma missão arqueológica franco-brasileira, dirigida por Niéde Guidon, conseguiu identificar mais de 220 abrigos sob rochas, a maioria repleta de detalhadas pinturas rupestres monocromáticas e policromáticas.

O clima árido e o isolamento do local (a densidade populacional é de 4,1 habitantes por quilômetro quadrado) permitiram a conservação, durante milênios, de painéis de até 200 metros de comprimento com representações do cotidiano de um povo completamente desconhecido. O que mais surpreende é a idade deste acervo. Segundo criteriosos testes com o processo do carbono 14, realizados pelo Centro Nacional de Pesquisa Científica de Paris, a datação de carvões localizados junto a restos de fogueiras atingiu 50.0 anos.

O acervo indica a existência no passado de um ecossistema bastante diferente, de uma fauna e flora exuberante. O material utilizado na fabricação das cores encontradas nas pinturas ainda é um mistério. Suspeita-se apenas que o vermelho ocre tenha sido retirado do óxido de ferro, o amarelo, do Dióxido de ferro, o preto, da hematita e o cinza e o branco das argilas, assim com o azul meio acinzentado.

2.2 – Interpretações das descobertas:

A análise de fósseis de plantas indicou que na região existia densa floresta tropical, habitada por cavalos, tigres-dentes-de-sabre, lagartos, capivaras, preguiças e tatus gigantes. Muitos desses animais podem ter sido fonte de alimentação para os povos que habitavam a região. Esses povos praticavam a caça e utilizavam o fogo para cozinhar, defender-se e atacar os inimigos.

Entre os sinais que deixaram, os arqueólogos identificaram mais de 25 mil pinturas rupestres, em mais de 200 abrigos. Foram encontrados, ainda, fragmentos de fogueiras, machados, facas e raspadores. Acredita-se que estes vestígios podem chegar a ter 50 mil anos de idade. Após estas descobertas, todas as teorias tiveram de ser revistas. Atualmente, vários indícios levam os especialistas a sustentar a hipótese de uma corrente migratória da Polinésia ao norte do Brasil, em frágeis embarcações através do Pacífico e do Atlântico.

Muitos pesquisadores, entretanto, questionam os resultados das pesquisas realizadas em São

Raimundo Nonato. Como lá não foram encontrados fósseis humanos com idade superior a 20 mil anos, eles acreditam que as fogueiras e as pedras polidas podem ter sido produzidas pela ação de incêndios ou raios e não por seres humanos.

2.3 – Principais Conquistas:

Dado a importância da grande concentração de sítios arqueológicos da Serra da Capivara, situada na região de São Raimundo Nonato, em 1991, a área foi transformada pela Unesco (Organização para Educação, Ciência e Cultura da ONU) em Patrimônio Cultural da Humanidade.

O Parque Nacional da Capivara foi criado pelo Decreto Federal no 83.548/79, assinado pelo presidente João Batista Figueiredo. Além de São Raimundo Nonato, o parque ocupa terras dos municípios de São João do Piauí, João Costa, Coronel José Dias e Brejo do Piauí. A curiosidade sobre os mistérios que envolvem a origem do homem e de seus ancestrais atrai a atenção da comunidade científica e de turistas do mundo inteiro para o Parque Nacional da Serra da Capivara.

Visando preservar os sítios arqueológicos e garantir a integridade total do Parque Nacional da

Capivara, a equipe de pesquisadores da Missão científica Franco-Brasileira, criou a Fundação Museu do Homem Americano (FUMDHAM), entidade científica, estruturada em forma de sociedade civil, sem fins lucrativos e filantrópica, que tem como objetivos a preservação do patrimônio cultural e natural do parque; a pesquisa científica interdisciplinar, abrangendo o estudo da interação homem-meio, da pré-história aos dias atuais e a integração da população local através de programas que visem desenvolver a educação, a saúde e criar um sistema auto-sustentado de produção alternativa.

2.4 – Texto Complementar:

O Quebra-Cabeça da Pré-História

O berço da maior polêmica – e, quem sabe, dos primeiros americanos – é a Toca do Boqueirão da Pedra

Furada, o sítio mais importante do Piauí. Ali foram achados, em 1992, fragmentos de uma fogueira datados de 50 mil anos atrás. A idade surpreendente dessa chama remota revolucionou o que se imaginava até então sobre a ocupação do continente americano.

Povos primitivos podem ter chegado ao Brasil de barco, pelo oceano Pacífico ou pelo Atlântico, ou mesmo caminhando a partir da Ásia, da Sibéria ao Alasca. O caminho dos ancestrais, porém, é um dado secundário. O ponto de fervura desta discussão é o tempo – a presença dos seres humanos na América 30 mil anos antes das teorias mais aceitas.

Os restos de carvão da Serra da Capivara despertaram muitas dúvidas no mundo científico. Com a datação e a teoria migratória referente ao crânio de Luzia – achado no sítio de Lapa Vermelha, perto das cidades de Lagoa Santa e Pedro Leopoldo, em 1975, definiram-se no país duas correntes de pensamentos sobre os primeiros americanos. Luzia, de família asiática e feições dos negros atuais, teria andado pelo interior de Minas há 13,5 mil anos. Alguns habitantes da Serra da Capivara, de origem incerta, viveram ali há talvez 50 mil anos.

Os arqueólogos contrários à teoria, usam, na maioria das vezes, um argumento simples e sólido. Para eles, os fragmentos da Pedra Furada não indicam necessariamente que o homem esteve ali e ateou fogo à madeira para se aquecer ou assar um pedaço de carne. A chama pode ter sido gerada pela natureza – raios durante uma tempestade ou combustão espontânea.

Niede Guidon e os demais cientistas de sua equipe contestam e seguem insistindo em provar a veracidade da relíquia. Recentemente, a pesquisadora Gisele Daltrini Felice realizou, para uma tese de mestrado, sondagens detalhadas de todo o vale da Pedra Furada. E não encontrou nenhuma outra fração de fogueira dispersa pela área. Para Niede, esse novo estudo também ratifica a sua teoria. “Um fogo de causas naturais deixaria sinais espalhados por uma área maior, e não concentrados num único ponto, como ocorreu”, avalia.

mais antigos já encontrados. Mais velhos, até, que o crânio de Luzia

Amostras dos fragmentos estão sendo novamente datadas, com métodos mais modernos, na Austrália. A tendência, Niede acredita, é que a barreira do tempo seja novamente quebrada. Mais: três dentes humanos e um pedaço de maxilar desenterrados há anos na toca do Garrincho foram analisados a pouco num laboratório de Miami. A datação, calibrada, situa os fósseis entre 14 mil a 15 mil anos atrás – portanto, os fósseis humanos

Questões

1º) Para o estudo do modo de vida das comunidades primitivas do Piauí, podemos recorrer a:

I. Utensílios domésticos, pintura em pedras e a escrita. I. Ossadas humanas, a escrita, utensílios domésticos e artísticos. I. Ossadas humanas, pinturas rupestres, utensílios domésticos e artísticos. Assinale a opção correta:

a)Apenas I é verdadeira. d) Apenas I e II são verdadeiras.
b)Apenas I é verdadeira. e) Apenas I e I são verdadeiras.
c)Apenas I é verdadeira.

2º) Leia, com atenção, o texto abaixo sobre a Pedra Furada (Piauí, Brasil).

“A partir da datação de supostos instrumentos e fogueiras identificados nesse sítio, escavado por N.

Guidon e F. Parenti, afirma-se que os seres humanos estão na América há mais de 40 mil anos. Mas muitas das conclusões apresentadas pêlos pesquisadores são questionadas por alguns especialistas”. (PILETTI, Nelson e PILETTI, N. História & Vida. 5o série. São Paulo: Ática, 2201, p.3).

A partir deste texto, podemos afirmar corretamente que:

a)A história carece de teorias a respeito da ocupação da América.
b)O sítio, ao qual o texto faz referência, diz respeito a um lugar de criar e plantar.
c)A presença do Homem na América, há 40 mil anos, tornou-se incontestável com as pesquisas de Pedra
d)Estudos sobre o início da presença do homem na América dizem respeito à arqueologia e não interessa
e)Existem diferentes teorias sobre a ocupação da América.

Furada. à história.

3º) Mesmo antes da invenção da escrita, o homem já era produtor de arte. As pinturas rupestres, encontradas no Parque nacional da Serra da Capivara (Piauí), executadas há mais de cinco mil anos, expressam:

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