Semiologia Familiar - além do indivíduo

Semiologia Familiar - além do indivíduo

A Clínica Ampliada

  • A Clínica Ampliada

  • A humanização

  • A complexidade

  • A integralidade

No contexto dos problemas de saúde, a família é particularmente importante, podendo funcionar como recurso a mobilizar no apoio à pessoa doente

  • No contexto dos problemas de saúde, a família é particularmente importante, podendo funcionar como recurso a mobilizar no apoio à pessoa doente

  • ou, pelo contrário, como factor de stress que agrava ou está mesmo na origem dos problemas do nosso paciente.

  • Muitos insucessos terapêuticos são consequência da falta de avaliação do sintoma no seu contexto.

  • Para fazer essa avaliação, o médico tem de ser capaz de compreender a família e de estabelecer uma relação continuada e empática com o sistema familiar

• Sintomas inespecíficos (cefaléias, lombalgias, dores abdominais) em doentes com grande freqüência de consultas, sem doença orgânica

  • • Sintomas inespecíficos (cefaléias, lombalgias, dores abdominais) em doentes com grande freqüência de consultas, sem doença orgânica

  • • Utilização excessiva dos serviços de saúde ou consultas freqüentes a diferentes membros da família

  • • Dificuldade de controlo de doenças crônicas, nomeadamente quando requerem dietas ou intervenção / ajuda de outros familiares

  • • Problemas emocionais ou de comportamento graves

  • • Efeito mimético (sobretudo após ter ocorrido uma situação anterior de doença grave na família)

  • • Problemas conjugais (dependência excessiva) e sexuais (impotência, infertilidade)

  • • Triangulação, sobretudo com a criança

  • • Doenças relacionadas com estilos de vida e ambiente (doença hepática e alcoolismo; doença pulmonar e tabagismo)

  • • Doenças nas fases de transição do ciclo de vida (espera do primeiro filho, filhos adolescentes, ninho vazio)

  • • Morte na família, acidente grave, divórcio, etc.

  • • Sempre que o modelo biomédico tradicional se apresente inadequado ou insuficiente (não adesão à terapêutica, ineficácia do tratamento).

  • Sempre que houver o desempenho de avaliar “a pessoa como um todo”

Família não é mais apenas aquele grupo específico de parentes constituído por pai, mãe e filhos, como dantes se falava. A família é hoje um espaço emocional à procura de novos equilíbrios e que pode revestir as mais diversas formas

  • Família não é mais apenas aquele grupo específico de parentes constituído por pai, mãe e filhos, como dantes se falava. A família é hoje um espaço emocional à procura de novos equilíbrios e que pode revestir as mais diversas formas

Nuclear: caracterizada por uma só união entre adultos e um só nível de descendência, ou seja, pais / filhos. Nas populações envelhecidas, estas famílias são freqüentemente constituídas apenas por dois elementos – o casal de “meia idade” ou idoso.

  • Nuclear: caracterizada por uma só união entre adultos e um só nível de descendência, ou seja, pais / filhos. Nas populações envelhecidas, estas famílias são freqüentemente constituídas apenas por dois elementos – o casal de “meia idade” ou idoso.

  • Alargada ou Extensa: constituída por várias gerações, inclui freqüentemente a família nuclear, os avós e, por vezes, linhas colaterais (tios, primos).

  • Unitária ou Unicelular: constituída por uma única pessoa, vivendo só ou em casa de estranhos

1. Casal sem filhos

  • 1. Casal sem filhos

  • 2. Família com filhos pequenos (do nascimento do primeiro filho até à idade pré-escolar, 3 anos)

  • 3. Família com filhos em idade pré-escolar (até aos 6 anos)

  • 4. Família com filhos em idade escolar (até à entrada do filho mais velho na adolescência)

1. Casal sem filhos

  • 1. Casal sem filhos

  • • O estabelecimento dum casamento mutuamente satisfatório

  • • O reajustamento das relações com as famílias alargadas e amigos, de modo a incluir o cônjuge

  • • A criação de um espaço próprio

  • • A preparação para a gravidez e nascimento do 1º filho

2. Família com filhos pequenos

  • 2. Família com filhos pequenos

  • São tarefas do segundo estádio do ciclo de vida familiar de Duvall, o da família com filhos pequenos:

  • • A educação dos filhos

  • • Conseguir adaptar a casa a contento, quer dos pais, quer dos filhos

  • • O reajustamento das relações com a família alargada, tendo que realçar o papel dos avós

  • • Adaptarem-se ao desgaste físico e à falta de intimidade.

3. Família com filhos em idade pré-escolar

  • 3. Família com filhos em idade pré-escolar

  • Deve corresponder às necessidades e interesses dos filhos, estimulando a descoberta de novos horizontes.

4. Família com filhos em idade escolar

  • 4. Família com filhos em idade escolar

  • São tarefas do estádio 4, integrar os filhos num mundo mais amplo, a escola, e

  • encorajá-los a terem sucesso escolar.

5. Família com adolescentes

  • 5. Família com adolescentes

  • Uma adaptação harmoniosa da família ao estádio 5 do ciclo de vida, exige a

  • flexibilidade necessária para mudar algumas das sua regras, tornando as fronteiras familiares permeáveis ao exterior.

  • Só assim é possível a realização com êxito das tarefas da adolescência,

  • a conquista de autonomia ou

  • atingir a identidade sexual através de um processo complexo onde as experiências individuais e de grupo são fundamentais.

6. família com filhos adultos jovens

  • 6. família com filhos adultos jovens

  • O estádio 6, o da família com filhos adultos jovens, inicia-se quando o primeiro filho sai de casa e termina quando o último o faz.

  • Neste estádio a família deve dar assistência adequada e proporcionar rituais apropriados à saída dos filhos (à procura de trabalho, para o serviço militar, para casarem, etc.);

  • estabelecer relações adulto-adulto entre os filhos crescidos e pais;

  • reajustar as relações de modo a incluir genros, noras e netos.

7. Casal de meia idade (“ninho vazio”)

  • 7. Casal de meia idade (“ninho vazio”)

  • • Renegociar a díade marital

  • • Manter relações intergeracões

  • • Aceitar o papel mais central da geração do meio

  • • Interessar-se por novas opções sociais

8. Família idosa

  • 8. Família idosa

  • O último estádio do ciclo de vida familiar de Duvall, que decorre da reforma à viuvez, tem como tarefas:

  • • Reagir bem à situação de reforma

  • • Adaptar-se à viuvez e a viver só

  • • Deixar a sua casa de família ou adaptá-la às sua necessidades actuais

  • • Preparar-se para a própria morte.

Monoparentais:

  • Monoparentais:

  • Ter de elaborar o luto da família intacta anterior.

  • • O pai ou a mãe custodial viver numa situação de sobrecarga

  • • Para o adulto, há a necessidade de um apoio e intimidade com alguém.

  • • Por vezes há um retorno à família de origem e o apagamento das fronteiras entre as diferentes gerações.

Reconstruídas

  • Reconstruídas

  • • Todas sofreram perdas importantes

  • • Todas têm uma história familiar anterior

  • • Os laços pai (ou mãe) / filho interferem nas ligações do novo casal

  • • Existe outros - um pai (ou mãe) biológico (vivo ou morto)

  • • Os filhos pertencem a duas casa.

FUNCIONAIS

  • FUNCIONAIS

  • COM DISFUNÇÃO MODERADA

  • COM DISFUNÇÃO GRAVE

Funcionais

  • Funcionais

  • Uma exata medida de coesão, havendo unidade mas também espaço individual; as fronteiras entre os seus membros são claras e flexíveis, permitindo a comunicação com diferenciação dos diferentes elementos.

  • • Flexibilidade, permitindo modificar as suas regras quando necessário; a família será tanto mais saudável quanto mais flexível for, quanto maior for a bolsa de soluções que pode dispor em determinadas situações.

  • • Comunicação clara e direta: nas famílias funcionais as pessoas exprimem o que querem dizer, há poucos segredos.

Disfunção moderada

  • Disfunção moderada

  • Aglutinação, ou seja, as fronteiras entre os seus membros não são nítidas, não há autonomia; os projeto de um confundem-se com os projeto dos outros, perguntamos algo a um dos membros e responde outro.

  • • Rigidez, mostrando dificuldade em modificar as regras (por exemplo, os horários dos filhos não mudam à medida que eles vão crescendo).

  • • Comunicação pouco clara, freqüentemente com segredos. Não verbalizam as emoções, exprimindo-as através do corpo, sendo comum os problemas psicosomáticos nestas famílias. Há geralmente negação dos conflitos

Disfunção grave:

  • Disfunção grave:

  • • Desagregação, com fronteiras rígidas entre os seus membros, implicando falta de união no sistema familiar. Em caso de doença, é mais difícil mobilizar a família no apoio à pessoa doente.

  • • Regras caóticas ou inexistentes, o que torna estas famílias altamente patogénicas, pois as pessoas não sabem com o que se confrontar.

  • • Comunicação distorcida, com segredos, curto-circuitos e paradoxos.

O genograma

  • O genograma

  • o Apgar Familiar de Smilkstein;

  • a Linha de Vida de Medalie;

  • o Círculo Familiar de Thrower;

  • a Escala de Readaptação Social de Holmes e Rahe;

  • o Eco-Mapa;

  • a Dinâmica Familiar de Minuchin;

  • A Psicofigura de Mitchel

  • o Modelo de Olson.

Genograma

  • Genograma

Apgar Familiar de Smilkstein

  • Apgar Familiar de Smilkstein

  • O Apgar Familiar é constituído por cinco perguntas, cada uma com três hipóteses de resposta, a que se atribui pontuações diferentes:

  • “quase sempre” – 2pontos;

  • “alguma vezes” – 1 ponto

  • “quase nunca” – 0 pontos.

Nível 1- “Ênfase mínimo nos assuntos familiares” Consiste em lidar com as famílias apenas quando necessário por razões práticas ou de natureza médico-legal.

  • Nível 1- “Ênfase mínimo nos assuntos familiares” Consiste em lidar com as famílias apenas quando necessário por razões práticas ou de natureza médico-legal.

  • Nível 2 – “Colaboração com as famílias para trocar informação ou aconselhar” Para funcionar a este nível, o médico tem de estar disposto a obter a colaboração das famílias, tendo o cuidado de comunicar os dados médicos e as opções de tratamento a familiares do doente, escutando as sua perguntas e preocupações. Isto não requer um conhecimento especial sobre o desenvolvimento familiar ou sobre reações a experiências causadoras de stress.

  • Nível 3 – “Abordagem de apoio atendendo aos sentimentos da família” Para atuar a este nível, o médico necessita de conhecimentos sobre desenvolvimento familiar e sobre o modo como as famílias reagem às experiências causadoras de stress. Implica saber fazer escuta ativa e ser sensível às alusões subtis pelas quais se exprimem necessidades emocionais.

Faça a classificação familiar de sua família segundo ciclo de vida, estrutura familiar e utilize os instrumentos, genograma e o Apgar Familiar de Smilkstein para realizar a análise de funcionalidade.

  • Faça a classificação familiar de sua família segundo ciclo de vida, estrutura familiar e utilize os instrumentos, genograma e o Apgar Familiar de Smilkstein para realizar a análise de funcionalidade.

Comentários