Manual de fitopatologia volume 2 - doenças das plantas cultivadas

Manual de fitopatologia volume 2 - doenças das plantas cultivadas

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MANUAL DE FITOPATOLOGIA Volume 2: Doenças das Plantas Cultivadas

H. Kimati, L. Amorim, A. Bergamin Filho,

L.E.A. Camargo, J.A.M. Rezende (Editores)

Departamento de Fitopatologia

Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” Universidade de São Paulo

Editora Agronômica Ceres Ltda. São Paulo - SP

Capa e Projeto Gráfico: Rosana Milaré Impressão/Acabamento: Editora Ave Maria Ltda.

Edição Ceres IV (6)

Editado pela

Editora Agronômica CERES Ltda. Av. Pompéia, 1783 - Vila Pompéia CEP 05023-001 - São Paulo - SP

Fones: (035) 441-2138 Responsável: Eng. Agr. José Peres Romero

Dados lnternacionais de Catalogação na Publicação (CIP) DIVISÃO DE BIBLIOTECA E DOCUMENTAÇÃO - Campus “Luiz de Queiros”/ USP

Manual de fitopatologia/editado por Hiroshi Kimari[et al]. - 3. ed.

Conteúdo: v. 1 Princípios e conceitos - v. 2 Doenças das plantas cultivadas 1. Cultura agrícola – Doença 2. Planta - Doença I. Kimati, Hiroshi. ed.

CDD 581.2

Autores

A. A. Henning - EMBRAPA, Londrina, PR A. Bergamin Filho - ESALQ-USP, Piracicaba, SP A. Bianchini*- IAPAR, Londrina, PR A. C. Maringoni - UNESP, Botucatu, SP A. de Goes - UNESP, Jaboticabal, SP A. Grigoletti Júnior - EMBRAPA, Colombo, PR A. M. Q. Lopez - UFAI, Maceió, AL A. M. R. Almeida - EMBRAPA, Londrina, PR C. A. Forcelini - UPF, RS C. G. Auer - EMBRAPA, Colombo, PR C. Kurozawa - UNESP, Botucatu, SP C. L. Salgado - ESALQ-USP, Piracicaba, SP C. V. Godoy*- ESALQ-USP, Piracicaba, SP D. R. Trindade - EMBRAPA, Belém, PA E. Cia - IAC, Campinas, SP E. Feichtenberger - IB, Sorocaba, SP E. L. Furtado - UNESP, Botucatu, SP E. M. Reis - UPF, RS E. Piccinm*- ESALQ-USP, Piracicaba, SP E. R. N. Ortiz - LINCK Agroindustrial, Cachoeira do Sul, RS F. M. Assis Filho - UFRPe, Recife, PE G. Pio-Ribeiro - UFRPe, Recife, PE G. W. MüIler - IAC, Campinas, SP H. Kimati - ESALQ-USP, Piracicaba, SP H. Kuniyuki - IAC, Campinas, SP H. Tokeshi - ESALQ-USP, Piracicaba, SP I. J. A. Ribeiro - IAC, Campinas, SP I. P. Bedendo - ESALQ-USP, Piracicaba, SP J. A. Betti - IAC, Campinas, SP J. A. C. de Souza Dias - IAC, Campinas, SP J. A. M. Rezende - ESALQ-USP, Piracicaba, SP J. Bleicher - EMPASC, Caçador, SC J. C. de Freitas*- ESALQ-USP, Piracicaba, SP J. F. V. Silva - EMBRAPA, Dourados, MS J. R. Stangarlin*- ESALQ-USP, Piracicaba, SP J. T. Yorinori - EMBRAPA, Londrina, PR L. Amorim - ESALQ-USP, Piracicaba, SP L. E. A. Camargo - ESALQ-USP, Piracicaba, SP L. Gasparotto - EMBRAPA, Manaus, AM L. P. Ferreira - EMBRAPA, Londrina, PR L. S. Poltronieri - EMBRAPA, Belém, PA M. A. Pavan - UNESP, Botucatu, SP M. A. S. Tanaka - IAC, Campinas, SP M. Barreto - UNESP, Jaboticabal, SP M. Dalla Pria*- UEPG, PR M. E. T. Nunes*- UNESP, Ilha Solteira, SP M. I. Fancelli - ESALQ-USP, Piracicaba, SP M. I. P. M. Lima - EMBRAPA, Manaus, AM M. M. F. B. dos Santos*- ESALQ-USP, Piracicaba, SP

M. Menezes - UFRPe, Recife, PE M. T. Iamauti*- Dow Chemical, São Paulo, SP N. A. Wulff*- ESALQ-USP, Piracicaba, SP N. G. Fernandes - UNESP, Jaboticabal, SP N. Guirado - IAC, Campinas, SP N. R. X. Nazareno - IAP, Curitiba, PR N. S. Massola Jr* - ESALQ-USP. Piracicaba, SP O. A. P. Pereira - AGROCERES, Rio Claro, SP P. C. Ceresini - UNESP, Ilha Solteira. SP P. Caldari Jr*- ESALQ-USP, Piracicaba, SP R. B. Bassanezi*- ESALQ-USP, Piracicaba, SP R. C. Panizzi - UNESP. Jaboticabal, SP R. L. R. Mariano - UFRPe, Recife, PE R. M. Moura - UFRPe, Recife, PE R. M. V. B. C. Leite - EMBRAPA, Londrina, PR R. S. B. Coelho - UFRPe, Recife. PE R. T. Casa - UPF, RS S. F. Pascholati - ESALQ-USP, Piracicaba, SP S. M. T. P. G. Carneiro*- IAPAR, Londrina, SP S. M. Véras - UFRPe, Recife, PE S. R. Galleti*- IB, São Paulo, SP T. L. Krugner - ESALQ-USP, Piracicaba, SP Z. J. M. Cordeiro*- EMBRAPA, Cruz das Almas, BA

* Alunos do Curso de Pós-graduação, Departamento de Fitopatologia, ESALQ-USP

É com prazer que apresentamos aos engenheiros-agrônomos, estudantes e técnicos brasileiros a terceira edição do Manual de Fitopatologia: Doenças das Plantas Cultivadas (Volume 2). Desde a publicação da primeira edição, em 1968, mais de 40.0 exemplares do Manual já foram vendidos, fatos sem precedente na história da Fitopatologia brasileira.

Esta terceira edição mantém a divisão em dois volumes introduzida na edição anterior. Da mesma forma que ocorreu com o Volume 1 (Manual de Fitopatologia: Princípios e Conceitos), publicado em 1995, neste Volume 2 houve significativa ampliação do material apresentado: das 37 culturas abordadas na segunda edição, publicada em 1980, passou-se agora para 67 culturas, tornando este Manual ainda mais abrangente e de maior utilidade para nossos profissionais e estudantes da área agronômica. O número de ilustrações coloridas também foi consideravelmente aumentado. Nesta edição, optou-se pela apresentação das doenças de cada cultura de acordo com sua etiologia, na seguinte seqüência: doenças causadas por vírus, bactérias, fungos e nematóides. A nomenclatura dos vírus causadores de doenças de plantas foi atualizada de acordo com o lnternational “Cormmittee on Taxonomy of Viruses” (Archives of Virology, Suppl . 10, 1995. 586 P ).

Apesar das mudanças, esta edição mantém os mesmos objetivos das anteriores. Como foi dito Com propriedade no prefácio da primeira edição, em 1968, este livro “não tem pretensões de ser um tratado de fitopatologia, nem de abordar todos os temas ventilados com profundidade ou originalidade. Limitamo-nos a apresentar os temas como são tratados nas várias disciplinas de Fitopatologia da Escola Superior de Agricultura ‘Luiz de Queiroz”, da Universidade de São Paulo, de forma a possibilitar aos estudantes e engenheiros-agrônomos uma visão geral acerca dos princípios e conceitos básicos da Fitopatologia, num livro eminentemente didático”.

Finalmente, não poderíamos deixar de destacar o apoio recebido de numerosas pessoas e organizações: dos autores dos diversos capítulos, pela confiança manifestada no nosso trabalho; de nossos alunos de pós-graduação, pelas sugestões na fase de planejamento deste volume e pelas correções feitas no texto; do Departamento de Fitopatologia da ESALQ-USP, pelas excelentes condições de trabalho que sempre ofereceu; das agências de fomento FAPESP, CNPq, CAPES, FINEP e Comunidade Econômica Européia, pelo imprescindível apoio financeiro para a formação científica da maioria dos autores; à Editora Agronômica ‘Ceres’, na pessoa do engenheiro-agrônomo Jose Peres Romero, que tudo iniciou, pelo estímulo constante.

Os editores

1. DOENÇAS DO ABACATEIRO10

Índice E. Piccinin & S. F. Pascholati

2. DOENÇAS DO ABACAXI18

A. de Coes

3. DOENÇAS DA ALCACHOFRA24

M. M. F. B. dos Santos, j.R. Stangarlin & S.F. Pascholati

4. DOENÇAS DA ALFACE27

M. A. Pavan & C. Kurozawa

5DOENÇAS DA ALFAFA ....................................................................................................................... 3

M. T. Iamauti & C. L. Salgado

6. DOENÇAS DO ALGODOEIRO40

E. Cia & C. L. Salgado

7. DOENÇAS DO ALHO E DA CEBOLA5

M. E.T.Nunes & H. Kimati

8. DOENÇAS DO AMENDOIM70

M. Barreto

9. DOENÇAS DE ANONÁCEAS E DO URUCUZEIRO82

A.M. Q.Lopez

10. DOENÇAS DO ARROZ8

I. P. Bedendo

1. DOENÇAS DO ASPARGO102

A. C. Maringoni

12. DOENÇAS DA AVEIA106

C. A. Forcelini & E. M. Reis

13. DOENÇAS DA BANANEIRA113

Z. J. M. Cordeiro & H. Kimati

14. DOENÇAS DA BATATEIRA136

J. A. C. de Souza Dias & M. T. Iamauti

15. DOENÇAS DA BATATA-DOCE160

R. S. B. Coelho, G. Pio-Ribeiro & R. L. R. Mariano

16. DOENÇAS DO CACAUEIRO171

M. Dalla Pria & L. E. A. Camargo

17. DOENÇAS DO CAFEEIRO178

C. V. Godoy, A. Bergamin Filho & C. L. Salgado

18. DOENÇAS DO CAJUEIRO193

M. Menezes

19. DOENÇAS DA CANA-DE-AÇÚCAR199

H. Tokeshi

20. DOENÇAS DO CAQUIZEIRO215

R. B. Bassanezi & L. Amorim

2. DOENÇAS DA CENOURA232

M. I. Fancelli

23. DOENÇAS DA CEVADA237

C. A. Forcelini & E. M. Reis

24. DOENÇAS DO CHÁ242

E. L. Furtado

25. DOENÇAS DOS CITROS246

E. Feichtenberger, G. W. Müller & N. Guirado

26. DOENÇAS DO COQUEIRO280

R. L. R. Mariano

27. DOENÇAS DO CRAVEIRO-DA-ÍNDIA294

M. Dalla Pria & L. E. A. Camargo

28. DOENÇAS DAS CRUCIFERAS297

A. C. Maringoni

29. DOENÇAS DAS CUCURBITÁCEAS307

C. Kurozawa & M. A. Pavan

30. DOENÇAS DO DENDEZEIRO319

D. R. Trindade

31. DOENÇAS DA ERVA-MATE325

A. Grigoletti júnior & C. G. Auer

32. DOENÇAS DA ERVILHA328

J. R. Stangarlin, S. E. Pascholati & C. L. Salgado

3. DOENÇAS DO EUCALIPTO37

T. L. Krugner & C. G. Auer

34. DOENÇAS DO FEIJOEIRO353

A. Bianchini, A. C. Maringoni & S. M. T. P. G. Carneiro

35. DOENÇAS DA FIGUEIRA376

S. R. Galleti & j. A. M. Rezende

36. DOENÇAS DE FRUTEIRAS DA AMAZÔNIA382

S. M. Véras, M. I. P. M. Lima & L. Gasparotto

37. DOENÇAS DO FUMO387

C. V Godoy & C. L. Salgado

38. DOENÇAS DO GENGIBRE396

P C Ceresini & N. R. X. Nazareno

39. DOENÇAS DO GERGELIM401

N. A. Wulff & 5. E. Pascholati

40. DOENÇAS DO GIRASSOL409

R. M. V. B. C. Leite

41. DOENÇAS DA GOIABEIRA422

E. Piccinin & S. E. Pascholati

43. DOENÇAS DO GUARANA430

D. R. Trindade & L. S. Poltronieri

4. DOENÇAS DO INHAME434

R. M. Moura

45. DOENÇAS DA MACIEIRA E OUTRAS POMÁCEAS440

J. Bleicher

46. DOENÇAS DO MAMOEIRO452

J. A. M. Rezende & M. I. Fancelli

47. DOENÇAS DA MAMONEIRA463

N. S. Massola Jr. & I. P. Bedendo

48. DOENÇAS DA MANDIOCA466

N. S. Massola Jr. & I. P. Bedendo

49. DOENÇAS DA MANGUEIRA475

I. J. A. Ribeiro

50. DOENÇAS DO MARACUJAZEIRO488

C. Pio-Ribeiro e R. de L. R. Mariano

51. DOENÇAS DA MENTA498

M. M. E. B. dos Santos, J. R. Stangarlin & S. E. Pascholati

52. DOENÇAS DO MILHO500

O. A. P. Pereira

53. DOENÇAS DO MORANGUEIRO516

M. A. S. Tanaka, J. A. Betti & H. Kimati

54. DOENÇAS DA NOGUEIRA PECAN530

E. R. N. Ortiz & L. E. A. Camargo

5. DOENÇAS DA PIMENTA-DO-REINO536

D. R. Trindade & L. S. Poltronieri

56. DOENÇAS DOS PINHEIROS541

T. L. Krugner & C. G. Auer

57. DOENÇAS DAS PLANTAS ORNAMENTAIS549

P. Caldari Junior, J. C. de Freitas & J. A. M. Rezende

58. DOENÇAS DO QUIABEIRO571

N. S. Massola Jr. & I. P. Bedendo

59. DOENÇAS DE ROSÁCEAS DE CAROÇO576

J. Bleicher

60. DOENÇAS DA SERINGUEIRA583

D. R. Trindade & E. L. Furtado

61. DOENÇAS DA SOJA596

A. M. R. Almeida, L. P. Ferreira, J. T. Yorinori, J. E. V. Silva & A. A. Henning

62. DOENÇAS DAS SOLANÁCEAS618

C. Kurozawa & M. A. Pavan

64. DOENÇAS DO TOMATEIRO641

C. Kurozawa & M. A. Pavan

65. DOENÇAS DO TREMOCEIRO670

C. A. Forcelini & E. M. Reis

6. DOENÇAS DO TRIGO675

E. M. Reis, R. T. Casa & C. A. Forcelini

67. DOENÇAS DA VIDEIRA686

L. Amorim & H. Kuniyuki

(Persea americana Mill.) E. Piccinin & S. F. Pascholati

O abacateiro é cultura originária do continente americano, tendo México e Guatemala como seu centro de diversidade. Todas as variedades comerciais de abacate são da espécie Persea americana, que subdivide-se em duas variedades botânicas: a antilhana (P americana var. americana) e a mexicana (P. americana var. drymifolia). Encontramos também híbridos de P americana var. americana com P nubigena var. guatemalensis. Por tratar-se de uma fruta tropical, existe interesse no abacate para fins de exportação, sendo o mesmo apreciado pelo mercado americano e europeu.

GOMOSE - Phytophthora cinnamomi Rands

Sintomas - A gomose ou podridão de raízes do abacateiro é uma das principais doenças da cultura tanto em viveiro como em campo. Sintomas desta doença são muito semelhantes aos da gomose dos citros, iniciando-se com amarelecimento generalizado das folhas, lembrando deficiência de nitrogênio. A seguir, ocorre queda das folhas e exposição dos ramos. Observa-se também seca de ramos do ponteiro. Frutos raramente apresentam sintomas da doença. É comum ocorrer, no entanto, um repentino aumento na produção de frutos menores na fase que antecede a morte das plantas. As raízes exibem descoloração e sintomas de necrose, e as radicelas ficam quase que totalmente destruídas. Fendilhamento da casca, na região próxima ao colo da planta, pode também ser observado, associado à exsudação de goma. Tecidos localizados logo abaixo da casca fendilhada apresentam coloração marrom e necrose. De um modo geral, a doença somente é percebida em estádio muito avançado, quando torna-se muito difícil seu controle, culminando com a morte da planta.

Etiologia - O fungo P cinnamomi pertence à subdivisão Mastigomycotina e classe Oomycetes, apresentando hifa não-septada. O patógeno produz esporos assexuais, os zoósporos, que são liberados na presença de água e infectam o hospedeiro. Como estrutura de reprodução sexuada, o fungo produz oósporos, que apresentam paredes espessas e servem como estrutura de resistência.

Esse patógeno tem boa capacidade saprofítica, podendo sobreviver por longos períodos desta forma.

A sobrevivência do mesmo no solo e na ausência de plantas hospedeiras pode chegar até oito anos na forma de clamidósporo, e em raízes infectadas no mínimo 15 anos. O fungo necessita de água livre para que os zoósporos possam se locomover e infectar o hospedeiro. Portanto, a ocorrência da doença depende da presença de umidade elevada no solo, bem como de temperaturas entre 21 e 300C. Temperaturas acima de 33ºC inibem o desenvolvimento da doença completamente, enquanto que temperaturas entre 9 e 120C reduzem muito sua incidência.

Na literatura internacional são relatadas outras espécies de Phytophthora atacando o abacateiro, como P cactovorum e P citricola, que, normalmente não causam cancros, apenas podridões de raízes. Controle - Medidas de controle incluem: a) uso de porta-enxertos tolerante ao fungo, como os mexicanos Barr Duke, Duke, D9, Thomas, Toro Canyon, Borchard, Topa Topa e G-6; os guatemalenses G1033, Martin Grande (híbridos deR americana com P schiendeana Ness) G755a, G755b, G755c, UCR 2007, UCR 2008,UCR 2022, UCR 2023 e UCR 2053; e G-755 (P schiedeana); b) aquisição ou produção de mudas de qualidade; c) remoção de restos de cultura tanto em viveiro como em campo; d) plantio de mudas em locais não encharcados; e) cuidados com o balanço nutricional. Níveis elevados de nitrogênio e pH e baixos de cálcio e fósforo aumentam a predisposição da planta à doença; f) evitar ferimentos nas raízes ou mesmo no tronco das árvores, pois constituem-se em vias de entrada do patógeno na planta; g) usar fungicidas quando a doença é constatada em seu início. Entre os fungicidas com possibilidade de uso temos: metalaxyl (aplicação via solo) e fosetyl alumínio (pulverização foliar).

PODRIDÃO DE RAÍZES - Rosellinia necatrix Prill (Dematophora necatrix)

De maneira geral, a podridão de Rosellinia não tem grande importância econômica, sendo problema apenas em áreas isoladas. É uma doença típica de áreas recém-desbravadas, devido a alta capacidade saprofítica do patógeno.

Sintomas - Inicial mente observa-se murcha e sintomas que lembram deficiência nutricional, caracterizados por amarelecimento foliar. A doença manifesta-se de maneira lenta, levando alguns meses ou até anos para matar o hospedeiro. São comuns sintomas de murcha ou seca de folhas mais novas, ocasionando seca de ponteiros, que pode ocorrer por toda a planta ou apenas cm algum lado da planta, correspondendo ao lado do sistema radicular afetado. Sintomas e sinais nas raízes caracterizam-se por podridão e coloração branca logo abaixo da casca.

Etiologia - Em geral o fungo ascomiceto R. necatrix, um parasita facultativo, é facilmente encontrado cm restos de troncos, raízes mortas ou matéria orgânica devido à sua capacidade saprofítica. Em condições de elevada umidade, o patógeno pode formar cordões miceliais de coloração negra sobre as raízes ou sobre a matéria orgânica próxima à planta atacada. E comum também a presença de peritécios sobre raízes, quando o estado de podridão radicular mostra-se bem avançado.

Controle - Deve-se: evitar o plantio em áreas recém-desbravadas ou cm regiões muito ricas em matéria orgânica; amontoar e queimar restos de cultura e raízes presentes no solo; eliminar plantas doentes e seus sistemas radiculares através da queima dos mesmos, se possível no próprio local, e alqueivar o solo; evitar o plantio em solos úmidos; evitar ferimentos nas plantas, principalmente nas raízes, durante as operações de cultivo; utilizar porta-enxertos resistentes (as variedades mexicanas e guatemalenses são muito sensíveis ao patógeno).

CANCRO E PODRIDÃO DE FRUTO - Dothiorella gregaria Sacc.

Sintomas - Podem ser observados tanto em ramos, tronco ou ainda em frutos, neste último caso sendo mais comuns em pós-colheita. Nos ramos e troncos, a doença manifesta-se através de fendilhamento e escamamento, sendo possível observar uma massa branca pulverulenta nos pontos de fendilhamento. Sintomas de cancro têm importância esporádica e ocorrem somente em algumas variedades. Locais afetados tendem a exibir descoloração e necrose dos vasos, interrompendo o fluxo normal da seiva, provocando a seca de ramos e podendo, inclusive, causar a morte da planta. O patógeno pode ocasionar danos no colo das plantas e, ocasionalmente, sintomas de seca dos ponteiros. Na superfície dos frutos ainda verdes, sintomas aparecem inicialmente como pequenas pontuações de coloração marrom ou púrpura. As lesões formadas aumentam de tamanho, até envolver o fruto completamente. O patógeno tende a invadir a polpa do abacate, ocasionando um escurecimento de tonalidade marrom e liberação de odor desagradável. Também pode ocorrer a queda prematura dos frutos, visto que o fungo pode infectar o pedúnculo dos mesmos.

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