A SUSTENTABILIDADE DO RIO PARNAÍBA E A POLUIÇÃO POR RESÍDUOS SÓLIDOS DOMÉSTICOS E INDUSTRIAIS

A SUSTENTABILIDADE DO RIO PARNAÍBA E A POLUIÇÃO POR RESÍDUOS SÓLIDOS DOMÉSTICOS...

A SUSTENTABILIDADE DO RIO PARNAÍBA E A POLUIÇÃO POR RESÍDUOS SÓLIDOS DOMÉSTICOS E INDUSTRIAIS

LIMA, D. D. F.¹; RODRIGUES, T. M. B.²; FEITOSA, A. A.³

1-Graduando em Gestão Ambiental (IFPI – Campus Teresina Central) – dinaellima@facebook.com

2-Graduanda em Gestão Ambiental (IFPI – Campus Teresina Central) – thycianerodrigues@hotmail.com

3-Graduanda em Gestão Ambiental (IFPI – Campus Teresina Central) – amanda-tchev@hotmail.com

RESUMO

Nos dias de hoje é cada vez mais comum se falar em questões relacionadas à disponibilidade de água potável e a diminuição de resíduos oriundos das fábricas e moradias nos rios são de grande significância para que a água potável restante seja melhor utilizada pela sociedade. O presente trabalho teve como objetivo fazer uma breve análise sobre como os resíduos domésticos e industriais podem afetar a sustentabilidade de um rio. Como área de estudo foi escolhido um trecho do Rio Parnaíba, no município de Teresina-PI, onde encontram-se bocas de esgotos, atividades de pequenas e médias empresas, atividades de lavadores de carros. Foi descrito o processo de gestão de resíduos sólidos e a maneiras que estes afetam a disponibilidade de água para as gerações presentes e futuras. Como métodos de pesquisa foram empregadas visitas ao local, registros fotográficos e leituras bibliográficas sobre temas semelhantes ao tratado. O trabalho se fecha com a evidente e esperada suposição de que as políticas de educação ambiental e de gestão de reaproveitamento de resíduos são fortes ferramentas para que tal problema seja minimizado de maneira satisfatória.

Palavras-chave: resíduos sólidos urbanos, sustentabilidade, poluição de rios.

  1. INTRODUÇÃO

A disponibilidade dos recursos hídricos está ameaçada pela poluição produzida pelas atividades antrópicas, em especial pela geração descontrolada de resíduos sólidos das fábricas e das moradias, cujo descarte inadequado compromete a sustentabilidade dos grandes corpos d’água. O processo de urbanização gera inúmeros problemas de caráter ambiental e, dentre eles, a poluição por resíduos sólidos nos rios é imensa. Tal geração de resíduos sólidos se dá inicialmente pelo padrão de consumo da sociedade. No caso brasileiro ocorre um padrão de consumo baseado nas nações desenvolvidas e isso acarreta no aumento da demanda de bens materiais que nem sempre tem uma destinação adequada no meio natural.

A contaminação dos rios, quando vista sob a óptica econômica, gera um efeito manada na economia, Gremaud (2004, p. 530) ressalta que “questões locais ligadas à poluição também são extremamente sérias: a contaminação dos recursos hídricos tem comprometido a pesca e a agricultura e aumentado o custo de tratamento da água para consumo humano”. A produção de resíduos domésticos e industriais se torna um problema que envolve diversas questões, desde a identidade cultural de consumo adquirida pela sociedade, problemas à saúde pública e até os quesitos políticos. Segundo Strauch e Albuquerque (2008, p. 5):

O problema do qual estamos falando diz respeito à saúde das comunidades e do meio ambiente face ao ritmo imposto por um modo de processo produtivo que privilegia o ponto de vista econômico e valoriza apenas a “produtividade” e o “consumo”, sem ter aprendido formas sustentáveis e socialmente justas da produção do lucro – o que está longe de ser um elemento apenas do plano ideológico.

Nessa perspectiva, em conformidade com Alves (2005) entende-se que resíduo corresponde ao objeto do descarte de rejeitos (sólidos, líquidos ou em outro estado) feito pelas atividades industriais, domésticas, hospitalares, industriais, serviço de varredura, agrícola etc., apresentam-se de várias formas e nem sempre sua identidade é óbvia à primeira vista, uma vez que o seu manuseio pode alterar sua forma original. De certa forma, o que torna mais agravante o problema do descarte inadequado de resíduos nos rios é a intensificação do grau de urbanização seguida ao passo da industrialização e nesse contexto esses segmentos envolvidos não são sensibilizados com o problema dos impactos fluviais nos diversos setores da economia e na própria sociedade.

Assim, este trabalho analisará sobre as mais variadas maneiras que o descarte de resíduos das residências e das indústrias, no município de Teresina-PI, podem afetar não só a paisagem, mas danificar também, diretamente, a sustentabilidade do Rio Parnaíba, visto que este descarte pode causar poluição de caráter orgânico, por meio do lançamento de volumes crescentes de lixo pelos esgotos domésticos sem tratamento, bem como pelo lançamento sem intermédios por parte das indústrias e, até, da população.

Tais circunstâncias observadas no Rio Parnaíba ao longo dos anos não tem sofrido ações de proteção ambiental e não são alvo da ação de políticas públicas que priorizem os princípios do Desenvolvimento Sustentável, nascido na Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente Humano (realizada em Estocolmo, em 1972), e que frutificou-se na Eco-92, evento que tratou sobre o Meio Ambiente, ocorrido no Rio de Janeiro, em 1992, momento este que incluiu o Desenvolvimento Sustentável como diretriz da Agenda 21.

O que mais torna relevante a discussão desta problemática é a visível situação em que se apresenta o rio em questão. Assim, a pergunta norteadora desta pesquisa é: O Rio Parnaíba tem sua qualidade hídrica comprometida afetando a demanda de água para os diversos usos da comunidade, isto é, das famílias e das empresas?

Hipoteticamente acredita-se que o Rio Parnaíba encontra-se poluído haja visto os esgotos que derramam materiais contaminados. Esta questão seria amenizada se houvesse uma conscientização por parte da população. Fadini e Fadini (2011, p. 11) explicitam que para “o gerenciamento do lixo, é necessária a existência de um programa de educação ambiental que contemple a recusa de consumo de produtos com alta capacidade de geração de resíduos, redução de consumo, reuso e reciclagem”.

As relevâncias que levam ao estudo do tema em questão se dividem, primeiramente, em dois tópicos principais: as atividades que geram os resíduos sólidos domésticos e as atividades que geram os resíduos sólidos industriais. Ademais, estão as medidas que tentam controlar tal produção de descartes que tem como destino o Rio Parnaíba que muitas vezes não conseguem obter um resultado satisfatório, pois o tempo de (auto) recuperação que um rio necessita é muito grande, e o processo da necessidade de consumo que vem a poluir um rio é bem mais curto e muito intenso.

Os resíduos sólidos domésticos terão sua origem ligada ao consumo da população por bens não duráveis: latas, garrafas pet, embalagens diversas, sacolas, papéis etc. Após o consumo, o lixo pode ser dirigido aos rios por esgotos sem tratamento ou por enxurradas, quando jogados em terrenos baldios ou nas ruas. E como existe, nestes resíduos, elevada quantidade de matéria orgânica, que favorecem a ação de micro-organismos anaeróbicos, a poluição de um rio é acelerada ao combinar-se com os resíduos resultantes das atividades industriais (RIBEIRO; LIMA, 2000). Os descartes industriais que mais podem afetar a manutenção de um rio são mais generalizados, podem corresponder principalmente a bens duráveis e não duráveis: material de escritório e de limpeza, produtos descartados por falta de eficiência no processo produtivo, materiais hospitalares, embalagens de matérias primas, entre outros.

A oportunidade que se tem para desenvolver um trabalho relacionado ao descarte inadequado de resíduos sólidos domésticos e industriais no Rio Parnaíba é fazer com que as empresas e a população se atentem à necessidade que se tem em dar um destino mais responsável ao lixo que é produzido, visando uma redução significativa não só no lixo mal disposto, mas também nos gastos das empresas e das famílias.

Consequentemente, como outra justificativa para tal pesquisa a suposição evidente que a poluição evolui a um passo bem maior que a eficácia da mitigação (imaginando-se unidades de resultados equivalentes), pois com o passar dos anos, os impactos ambientais se mostram resistentes, frente às medidas de mitigação que mais previnem do que corrigem os problemas ambientais desencadeados desde os tampos menos contemporâneos possíveis.

Desta forma, traça-se como objetivo principal deste trabalho analisar a poluição do Rio Parnaíba provocada pelo descarte inadequado de resíduos sólidos por parte das empresas e das moradias.

  1. REFERENCIAL TEÓRICO

A crescente atividade industrial mundial e a ausência de programas eficazes de gestão de resíduos fazem com que cada vez mais resíduos sejam gerados sem que haja uma correta utilização ou disposição destes, proporcionando um passivo ambiental que compromete a qualidade de vida das futuras gerações. Uma boa parte desses resíduos é perigosa e contem elementos que podem prejudicar a saúde humana, bem como contaminar o solo e os lençóis freáticos.

O desenvolvimento tecnológico, gerado para o conforto e bem estar da sociedade, partiu das revoluções industriais e levaram à intensificação de uso de materiais descartáveis, ocasionando o aumento da quantidade de resíduos gerados e, até mesmo, não utilizados pelo homem, muitos deles provocando a contaminação do meio ambiente e trazendo riscos à saúde humana, principalmente nas regiões urbanas.

Existem diversas formas de se classificar os mais variados resíduos sólidos existentes (comerciais; domésticos; serviços públicos ou de saúde; resíduos de portos, aeroportos, terminais rodoviários e ferroviários; industriais etc.), algumas dessas formas são conflitantes, mas a grande maioria caminha para um censo comum. Logo, os resíduos domésticos e industriais classificam-se por suas origens (logicamente dos domicílios e das indústrias).

Os resíduos domésticos são resíduos do tipo urbano que, segundo Ribeiro e Morelli (2009) originam-se das atividades humanas que ocorrem nos centros urbanos, caracterizados por uma pequena geração individual, mas de uma grande geração coletiva. Originados na vida diária das residências, os resíduos domésticos são constituídos basicamente por restos de alimentos (como cascas de frutas, leguminosos, verduras...), produtos deteriorados, jornais, revistas garrafas, embalagens em geral, papel higiênico, fraldas descartáveis e uma grande diversidade de outros itens pode conter alguns resíduos tóxicos.

Já os resíduos industriais (também do tipo urbano) são gerados nas atividades do mais diversos ramos da indústria, tais como o metalúrgico, o químico, o petroquímico, o papeleiro, o alimentício, etc. O resíduo industrial é bastante variado, podendo ser representado por cinzas, lodos, óleos, resíduos alcalinos ou ácidos, plásticos, papel, madeira, fibras, borracha, metal, escórias, vidros, cerâmicas, entre outros. Nesta categoria, inclui-se grande quantidade de lixo tóxico. Este tipo de lixo necessita de tratamento especial, devido sua capacidade potencial de envenenamento, sendo subclassificados em: radioativos, agrícolas, resíduos da construção civil (ou de construção e demolição).

O gerenciamento dos resíduos sólidos deve ser feito pela administração pública e pela própria sociedade com o objetivo de coleta, segregação dos resíduos a serem descartados, destinação correta, reciclagem e reutilização dos mais variados resíduos, que em grande parte são originados nas indústrias e moradias. Bortoleto e Hanaki (p. 29, 2007) salientam:

pode-se considerar o gerenciamento integrado do resíduo sólido urbano quando existir uma estreita interligação entre as ações normativas, operacionais, financeiras e de planejamento das atividades do sistema de limpeza urbana, bem como quando tais articulações se manifestarem também no âmbito das ações de limpeza urbana com as demais políticas públicas setoriais.

Antes que os resíduos sólidos cheguem a poluir os rios e o solo é que devem ser executadas as formas de gerenciamento que podem trabalhar em conjunto com associações recebendo, armazenando temporariamente, classificando, prensando e dando uma destinação adequada ao lixo e agregando valor a este para que seja reutilizado pela população. Algumas experiências em âmbito nacional de gerenciamento de resíduos em parceria com associações mostraram que, por um lado, a quantidade de resíduos destinados para a coleta seletiva por parte da população aumentou e, por outro lado, o surgimento de diversos catadores informais e centros de triagens particulares que comercializam os materiais por um valor menor, definindo um valor de mercado e absorvendo grande parte do lucro que antes era das associações (CARLI et al, 2007).

Por parte das indústrias o gerenciamento de resíduos sólidos pode se dar de várias maneiras, enfatiza-se aqui o método de logística reversa que conforme Leite apud Piassi et al (2009, p. 60)

é a área da logística empresaria que planeja, opera e controla o fluxo de informações logísticas correspondentes, do retorno de bens pós-venda e de pós-consumo ao ciclo de negócios ou ao ciclo produtivo, por meio dos canais de distribuição reversos, agregando-lhes valores de diversas naturezas: econômico, ecológico, legal, logístico, de imagem corporativa, entre outros.

No Piauí, os resíduos sólidos domésticos e industriais (sejam inertes, não inertes ou perigosos) inúmeras vezes são descartados pelas sarjetas e destinados aos rios sem nenhum tipo de tratamento, comprometendo a sustentabilidade dos lençóis freáticos. Segundo Silva (2008) algumas industrias teresinenses, além praticarem o descarte direto aos rios, realizam a queima a céu aberto do lixo de classe considerada perigosa, causando a poluição atmosférica.

Os resíduos mais reaproveitados ou utilizados na fabricação de outros produtos são os com potencial de combustão, solubilidade em água ou biodegradabilidade e os descartes como papel papelão, vidro entre outros são vendidos para industrias de reciclagem, sucatas ou doados para a população ou associações (SILVA, 2008).

No geral, tanto resíduos domésticos quanto industriais não tem uma boa parcela bem gerenciada pelas unidades familiares e pelas empresas (principalmente por empresas de pequeno porte, pois em geral não realizam o reaproveitamento de seus resíduos); embora possam ter consciência de que os esgotos não tem um tratamento adequado para despejar o lixo num determinado rio, pouco são sensibilizadas para ter conta da atual situação em que os corpos d’água se encontram. Para tal é necessário um programa de reaproveitamento de resíduos dentro das empresas e uma melhor formação sensibilizadora para famílias para que compreendam a importância da água.

O conceito de poluição das águas deve ser vinculado à sua qualidade. Assim, pode-se definir poluição das águas, de uma forma bastante simples e abrangente, como a alteração de suas características físicas, químicas ou biológicas que prejudicam um ou mais de seus usos pré-estabelecidos, porque toda água disponível, para ser utilizada, deve estar associada aos usos atuais e futuros, que deverão estar compatíveis À sua qualidade, também atual e futura.

Quando a água é poluída por esgotos domésticos, tratados ou não, suas características físicas , químicas e biológicas naturais são alteradas e essa alteração será maior ou menor em função do grau de tratamento a qual se submete o esgoto doméstico, assim como em função do grau de diluição proporcionada pelo corpo receptor.

Já as atividades industriais geram efluentes com características qualitativas e quantitativas muito diversificada. Dependendo muito da natureza da indústria os efluentes industriais podem conter elevadas concentrações de matéria orgânica, solos em suspensão, metais pesados, compostos tóxicos, microrganismos patogênicos e substâncias teratogênicas e cancerígenas.

Referindo-se ao abastecimento da água, entende-se que pode existir o abastecimento do tipo público e do tipo industrial. O abastecimento público corresponde ao uso nobre da água, englobando o consumo de água para beber e para higiene pessoal, limpeza de utensílios, lavagens diversas, cozimento de alimentos, irrigação de jardins e combates a incêndios. A água deste abastecimento é fornecida por um meio de sistema de abastecimento que engloba a sua captação, tratamento, reserva e distribuição, sendo normalmente operado por um órgão da administração municipal ou uma concessionária de águas e esgotos.

A água é utilizada pela indústria na fabricação de seus produtos em diversas situações, como lavagem das matérias-primas e de equipamentos, caldeiras para a produção de vapor, refrigeração de equipamentos, lavagem de pisos das áreas de produção, incorporação aos produtos, reações químicas, higiene dos funcionários, entre outros usos. Em cada uma dessas utilizações, a água deve seguir padrões mínimos de qualidade de forma a atender as exigências de higiene e segurança de cada uso.

A disponibilidade da água está fortemente ameaçada e o problema que agrava a escassez e compromete a qualidade desta, em determinada situações é simplesmente alarmante. A água é intensamente utilizada na agricultura e na indústria e a água dita potável é de qualidade precária, pois nos países pobres do Terceiro Mundo, mais de 80% das doenças e mãos de um terço da taxa de mortalidade são decorrentes da má qualidade da água, utilizada pela população para suas necessidades (ANTUNES, 2006)

No Brasil, a água ainda é tida como um recurso infinito e sem valor (quase que considerada como um bem público de uso coletivo) e o que deve ser realmente necessário é aprender a valorizar a água como um recurso escasso para que a água potável ainda não tenha sua sustentabilidade afetada pelas atividades domésticas e industriais que geram resíduos.

Os efeitos da poluição dos rios no abastecimento público envolve a contaminação biológica bem como o encarecimento do tratamento de água. A contaminação ocorre devido os esgotos domésticos possuírem organismos que tem como vetor patogênico a própria água, podem intensificar a ocorrências de doenças como a cólera, hepatite, febre tifóide e gastrenterite; doenças estas que podem ser adquiridas a partir da ingestão da água contaminada. No que se refere ao encarecimento, novas fontes de água distantes do centro de consumo podem fazer com que os serviços de distribuição fiquem mais escassos e, consequentemente, mais caros.

Para as indústrias a poluição ainda pode acarretar na limitação do uso da água para determinadas operações, principalmente para indústrias do ramo de bebidas, de alimentos, papel e celulose, petroquímicas, entre outras.

E é com base na literatura acima exposta que será feita uma análise sobre o tema para a construção dos resultados esperados e atender os objetivos deste trabalho.

  1. METODOLOGIA

O município de Teresina localiza-se no estado do Piauí na região nordeste do país (abrangendo-se na transição dos biomas cerrado e caatinga), ocupando uma área com cerca de 1.392 Km² com uma população superior a 814.000 habitantes com densidade demográfica de 585 habitantes por Km² e com PIB per capita a preços correntes1 de R$ 9.374,32 (IBGE, 2011). A área de estudo da pesquisa compreenderá a margem do Rio Parnaíba na Avenida Maranhão, no município descrito no parágrafo anterior, compreendida entre o trecho da Alameda Parnaíba e a Rua Alcides Freitas, conforme mostra a figura 2.

Figura 1: Área de estudo da pesquisa: margem do Rio Parnaíba/Teresina

Fonte: Google Earth, 2011.

Serão utilizados no decorrer do estudo métodos de pesquisa bibliográfica em livros didáticos, revistas especializadas e artigos científicos contidos na base de dados SciELO2, bem como observações por meio de visitas ao local delimitado e registros fotográficos com uso de câmera digital, para que se faça uma melhor abordagem descritiva e qualitativa sobre a atual situação do Rio Parnaíba, no tocante à poluição causada pelo descarte de resíduos sólidos domésticos e industriais.

  1. RESULTADOS

Os resultados foram vistos sobre as duas ópticas: a da poluição e a da sustentabilidade, auxiliadas concomitantemente pelas visitas e observações realizadas ao trecho destacado na área de estudo, pelos registros fotográficos e pela própria literatura dos temas em questão.

Conforme o que se pode constatar, notou-se que o Rio Parnaíba tem sua sustentabilidade ainda comprometida, visto que os resíduos chegam ao leito do rio pelos esgotos sem tratamento ou pelo descarte direto feito pela própria população. No local visitado existem várias bocas de esgotos que despejam resíduos diversos providos das moradias de regiões circunvizinhas e de empresas de pequeno e médio porte.

O que já foi feito foi um tratamento de filtração dos produtos utilizados pelos lavadores de carro que ficam na margem do trecho visitado que consiste na filtragem física através de tanques de decantação composta (SILVA JÚNIOR, 2010). Ainda é desconhecido algum tipo de tratamento feito acerca dos esgotos que depositam rejeitos no leito do rio. Como foi observado, nas bocas de esgoto encontradas no trecho estão visivelmente presentes copos, sacolas, latinhas de bebidas, garrafas pet, etc. Isso indica que parte da população não reutiliza, recicla seu lixo ou não o destina para a coleta dos caminhões de coleta do lixo.

Figura 2: (a) filtro de decantação utilizado pelos lavadores de carro e (b) boca de esgoto sem tratamento

Fotos dos autores (Teresina, 2011)

Face à questão da sustentabilidade o que se pode ver é que programas de educação ambiental podem ser eficazes, quando tratados diretamente com a população, pois a grande parte da poluição que se agrega às margens do Rio Parnaíba é causada pela população que o utiliza como fonte de lazer; sinalizações e alertas (como placas) no local atentando as pessoas sobre os problemas da má disposição do lixo poderia causar uma maior sensibilização.

Face a tudo isso, foi notada a má disposição de resíduos sólidos, como é observado na figura 3, tornando como evidência a falta de informação, educação e sensibilização por parte das empresas e população em geral. Para Silva (2008), por parte das empresas o que mais afeta o curso do Rio Parnaíba são indústrias de pequeno porte como gráficas e empresas de confecções, pois despejam resíduos químicos diretamente pelos esgotos e também não utilizam ou não conhecem um sistema de gestão ambiental que minimize a geração de resíduos no processo produtivo.

Figura 3: bocas esgotos no Rio Parnaíba com visível má disposição de resíduos.

Foto dos autores (Teresina, 2011)

Dentre o lixo doméstico, o que mais afeta a sustentabilidade do Rio Parnaíba são o restos de comida, garrafas, latas, entre outros; estes resíduos se agregam a produtos de limpeza, como detergentes e desinfetantes, que podem ser não biodegradáveis, e assim diminuem a quantidade de oxigênio do Rio afetando a qualidade da água que garante a sobrevivência dos peixes que alimentam boa parte da população. Os restos de comida, quando dispostos no solo se agregam a este, podendo enriquecê-lo, mas o mesmo não acontece quando é disposto nos corpos d’água, pois competem espaço e diminuem os níveis de oxigênio disponível na água (CASTRO, 2008).

O problema da má disposição de resíduos se agrava mais ainda no período de chuva, pois as primeiras enxurradas são capazes de arrastar todo o lixo ao Rio e de forma mais direta, tendo que ser foco dos órgãos ambientais competentes, e isso que também deve ser fator de ações educativas da sociedade (CASTRO, 2008).

  1. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Pode-se concluir nesta pesquisa que o problema maior dos resíduos domésticos e industriais que são despejados no Rio Parnaíba são de resolução necessária e urgente, pois o aumento populacional demanda mais consumo e, consequentemente, mais esgotos (uma vez que o esgoto seja a solução mais viável para depositar rejeitos diversos).

A população precisa de maior conscientização de que as ações de despejo de rejeitos em rios podem aumentar a escassez de água e comida, pois o ato indiscriminado do lançamento de lixo nos rios, e no meio natural em geral, ainda é comum pelo homem e isso acelera o desequilíbrio do ecossistema e o aparecimento de doenças, tal conscientização necessita de um enorme esforço, mas se incide diretamente na diminuição do lixo presente nos Rios.

As indústrias, como visto, também são potenciais depositantes de lixo nos rios (principalmente as de pequeno porte) e isso gera a necessidade da criação de um rigoroso programa de gerenciamento de resíduos por profissionais devidamente capacitados (como o próprio gestor ambiental). Nestas empresas as estratégias de proteção ainda são ineficientes, pois as questões econômicas são mais priorizadas e isso demanda a execução de políticas públicas que possam intervir na questão do aproveitamento de resíduos (SILVA, 2008).

O que realmente se espera é que tanto as famílias como as indústrias se atentem a questão do reaproveitamento, reciclagem e disposição adequada dos resíduos na natureza para que seja minimizado o problema da qualidade da água que abastece nobremente toda a sociedade para os mais variados usos.

REFERÊNCIAS

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ANTUNES, P. B. Direito Ambiental. 9 ed. Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2006.

CASTRO, D. Poluição doméstica - Ag Solve. Disponível em: < http://www.agsolve.com.br/

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FADINI, P. S.; FADINI, A. A. B. Lixo: desafios e compromisso. Cadernos Temáticos de Química Nova na Escola. ed. especial, mai. 2001.

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SILVA, A. K. M. Resíduos sólidos industriais da cidade de Teresina. Teresina [dissertação de mestrado]: 2008.

SILVA JÚNIOR, J. H. Avaliação das atividades dos lavadores de carros nas margens do Rio Parnaíba em Teresina como fator de poluição. V Jornada Científica da Faculdade NOVAFAPI. Teresina: 2010.

STRAUCH, P. ALBUQUERQUE, P. P. Resíduos: como lidar com os recursos naturais. São Leopoldo: Oikos, 2008.

1 Renda devida à produção num determinado território que leva em conta o valor dos produtos produzidos e comercializados no mesmo ano de seu cálculo (GREMAUD et al, 2004).

2Biblioteca virtual de revistas científicas brasileiras em formato eletrônico (PACKER et al, 1998)

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