A IMPORTÂNCIA E AS APLICAÇÕES DA CARTOGRAFIA PARA OS ESTUDOS AMBIENTAIS

A IMPORTÂNCIA E AS APLICAÇÕES DA CARTOGRAFIA PARA OS ESTUDOS AMBIENTAIS

A IMPORTÂNCIA E AS APLICAÇÕES DA CARTOGRAFIA PARA OS ESTUDOS AMBIENTAIS

FEITOSA, A. A.¹; LIMA. D. D. F.¹; SILVA JÚNIOR, J. H.¹;

MONTE, M. J. S.²

1. Graduandos em Gestão Ambiental – Instituto Federal do Piauí - IFPI. amanda-thev@hotmail.com; dinael1988@gmail.com; junior986@hotmail.com.

2. Orientadora: Professora Mestra da NOVAFAPI. mmonte@novafapi.com.br

RESUMO: A cartografia, como estudo da forma de expressão da superfície terrestre, é um forte instrumento para a análise e elaboração de dados a serem posteriormente interpretados pelos mais diversos tipos de pesquisa. Para os estudos ambientais não é diferente, pois é capaz de mostrar, de forma detalhada, áreas diversas e expor suas características principais. Visto a necessidade de se melhor entender os fenômenos sócio-ambientais, a cartografia se transforma em uma forte tecnologia de monitoramento e controle para decisões importantes para o gestor ambiental. Com essas bases foi traçada uma pesquisa com fundamentos bibliográficos e com aplicações computacionais para mostrar as diversas formas que a cartografia e suas aplicações podem contribuir para estudos e pesquisas ambientais. Conclui-se o trabalho com a evidente proposta de divulgar as maneiras que a cartografia favorece a tal propósito e contribui com o bem estar do homem no espaço em que ocupa.

Palavras-chave: Informação geográfica; interdisciplinaridade; gestão de áreas verdes.

INTRODUÇÃO

A cartografia, como ciência, surgiu com a necessidade que o homem teve em conhecer o mundo em que ele vivia, bem como saber a forma do planeta e como orientar as suas noções sobre os mais variados tipos de deslocamentos. Sua interação com outras ciências (e com a arte) é bem ampla utilizando aspectos de ciências consideradas puras, como a astronomia, a física, a matemática, a geodésia, entre outras ciências para alcançar uma exatidão que satisfaça a necessidade e o objetivo de uma aplicação. Para alguns autores, não é considerada como ciência e nem como arte “mas, é, sem dúvida, um método científico que se destina a expressar fenômenos observados na superfície da Terra, e por extensão, na de outros astros”. (GÓES, 2009, p. 32). A evolução da cartografia contou com alguns problemas com relação à forma original da Terra, pois não eram ainda empregadas as precisões que se tem nos dias atuais ou outros modelos de projeções para se ter uma base inicial. Mercator, famoso cartógrafo belgo, teve complicações com seu modelo de projeção pelo fato de haverem distorções nas distâncias, principalmente nos pólos do globo terrestre.

A cartografia é um instrumento indispensável para coleta de dados de caracteres técnicos, sociais, econômicos e o seu principal objetivo é expressar – através de mapas, cartas e plantas – a superfície terrestre, levando em consideração diversos fenômenos, fatos e dados, como por exemplo: renda familiar, idade, densidade demográfica, amplitude de áreas verdes ou desmatadas (tudo isso com uma orientação espacial determinada previamente); podendo ainda utilizar recursos gráficos e computacionais e/ou ondas de satélites para alcançar os objetivos de tais finalidades. Para que se possa contribuir de modo aprofundado para as pesquisas ambientais, a cartografia pode ser utilizada como meio de representação e análise de imagens que possibilitam o estudo e o monitoramento de fenômenos naturais do meio ambiente, como os da atmosfera, do vulcanismo, da erosão do solo, da inundação e aqueles de caráter antrópico como o desmatamento ou uso e ocupação indevida do solo.

Como a cartografia tem a finalidade de representar a superfície terrestre de diversas formas, traça-se como objetivo deste trabalho destacar como a cartografia pode auxiliar nos estudos ambientais de caráter tecnológicos ao aplicar técnicas de programas computacionais, mostrando as ferramentas e os procedimentos de coletas de dados necessários para definir áreas verdes e de degradação, entre outros ambientes, para que se tenha um mapa em que se possa fazer uma análise prática e tomar decisões de gerenciamento ambiental da situação de tais áreas.

A metodologia para a realização do trabalho se fundamentou em dois momentos. No primeiro, foi feita uma revisão bibliográfica e, no segundo, foram empregadas técnicas de programas computacionais, visando a aplicação prática da cartografia na identificação de espaços ambientais. Para a aquisição dos dados teóricos, foram empregadas pesquisas de caráter bibliográfico em artigos e livros didáticos relacionados com a cartografia. Para o georreferenciamento e a vetorização, da imagem da área escolhida (Apêndice 1), foram utilizados os recursos do programa AutoCAD Map 2004 que, segundo Góes (2009, p. 5), consiste como “a principal plataforma do sistema de informações geográficas (SIG) para criar e georreferenciar dados espaciais”.

RESULTADO E DISCUSSÃO

O conhecimento do meio sempre foi fundamental para garantir a sobrevivência da humanidade, seja para localizar-se no próprio meio seja para a construção de edificações ou simplesmente para localizar recursos (comida, abrigo, etc.). Diante disto o homem desenvolveu ferramentas e métodos para que pudesse entender as características físicas do mundo ao seu redor. Várias questões são levantadas a respeito do aspecto superficial do planeta, dentre as principais estão àquelas relativas à sua forma. Cita Rocha que:

A forma da Terra ao longo da história da humanidade, já foi conhecida sob diversas formas. Pitágoras (6° séc. A. C.) e Aristóteles (4° séc. A. C.) definiram a Terra como esférica, Newton (séc. XVII) considerou-a elipsoidal. Gauss (séc. XVIII) concluiu que a melhor forma para defini-la seria a geoidal. Tanto a concepção da Terra plana como esférica oferecem aproximações aceitáveis para determinados fins. Dentro dos limites da topografia, por exemplo, a Terra é considerada plana e, por outro lado, para muitos cálculos astronômicos, a Terra é considerada uma esfera. (ROCHA, 2000, p. 21)

O maior problema da cartografia está relacionado ao fato de como representar um objeto esférico em um plano horizontal, ou seja, como representar a Terra, que possui a forma similar a de uma esfera em um plano horizontal.

Devido ao fato de a Terra possuir a sua superfície irregular (devido a ação da gravidade, do tectonismo das placas, da ação antrópica, etc.) vários modelos foram sugeridos a fim de simplificar os cálculos e que se aproximassem ao máximo possível da realidade. Dentre os principais foram sugeridos os modelos do geóide e do elipsóide de revolução.

Nesses modelos, a cartografia (ao utilizar seus sistemas de coordenadas) se encontra como ferramenta indispensável para a realização de estudos sobre o meio ambiente auxiliando nas atividades de manutenção dos recursos naturais, uma vez que faz uso da computação gráfica para facilitar no gerenciamento das unidades de conservação ou na execução projetos de planejamento e desenvolvimento urbano. Tal ferramenta possibilita a obtenção de vários dados em um único documento – o mapa, a carta ou a planta – para que se possa ter uma visão simplista, embora com várias formas de interpretações. Os dados coletados podem ser recursos naturais, culturais e/ou regionais; dados estes que tem uma analogia com o processo inicial de obtenção e estabelecimento de uma base de dados para um sistema de informações de caráter geográfico (PHILIPI JR et al, 2004).

A cartografia representa a visualização e o planejamento do meio geográfico, logo “para entender a contribuição da cartografia para o planejamento ambiental é necessário fazer uma relação entre a cartografia e a geografia, já que a cartografia tem uma relação muito próxima com a geografia”. (SANTOS, 2009). Para que a cartografia possa ser utilizada nos estudos ambientais, faz-se uso da tecnologia do sensoriamento remoto, que corresponde à “tecnologia que permite obter imagens e outros tipos de dados, da superfície terrestre através da captação e do registro da energia refletida ou emitida pela superfície” (FLORENZANO, 2002, p. 9).

Algumas ferramentas que auxiliam a cartografia com o uso de projeções e bancos de dados programas computacionais (respectivamente AutoCAD e Google Earth, por exemplo) são de fundamental importância para análises ambientais, isso ocorreu com o avanço da técnica cartográfica com o auxílio de áreas afins, como a fotogrametria, Sistema de Informação Geográfica (SIG) e do sensoriamento remoto assistido por um vasto processo de informação.

Utilizando-se dos recursos dos programas GPS TrackMaker e Google Earth, com o auxílio da internet, obteve-se a figura resultante do Apêndice 2, contendo os nomes das ruas e bairros, com aspectos da paisagem. A mesma aplicação, a utilização dos programas GPS TrackMacker e Google Earth, foi o bastante para que se identificasse o município no qual a imagem está inserida. Trata-se da capital do Ceará, Fortaleza, nas proximidades do município de Maracanaú, no mesmo estado.

Na aplicação dos recursos do programa AutoCAD 2004 para a vetorização da imagem, foram determinadas algumas áreas que foram destacadas com alguma importância; entre elas, as áreas verdes, lagos, áreas com pouca vegetação, área desmatada, ruas (pavimentadas ou não pavimentadas), avenidas ou estradas, áreas urbanas, antropizadas ou habitadas. A partir disto, tem-se o trabalho finalizado (georreferenciado, vetorizado e com as áreas dos seguintes elementos calculadas [áreas com pouca vegetação, lagoas e áreas desmatadas]). Por fim, obteve-se a imagem vetorizada, conforme a figura mostrada no Apêndice 3. Separando a imagem dos vetores, obteve-se, aproximadamente, a área (A) e o perímetro (P) dos seguintes vetores: área com pouca vegetação (A=145.538 m²; P=3.078 m); lagoas (A=33.372 m²; P=1.746) e da áreas desmatadas (A=92.134 m²; P=3.726 m), áreas estas apresentadas por meio do Apêndice 4.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Os resultados obtidos evidenciam a importância da cartografia para as pesquisas ambientais possibilitando o reconhecimento da distribuição de espaços e objetos, tais como áreas verdes ou degradadas, espaços urbanos diversos e outros aspectos geográficos. Com o auxílio da computação é possível identificar os aspectos geográficos com maior precisão sobre a organização e a estruturação do espaço, bem como as transformações ao longo do tempo e demais visões aprimoradas do objeto em estudo.

A cartografia pode e deve ser aplicada em estudos que visem o melhor conhecimento do meio ambiente e a preservação dos recursos naturais, pois os dados que podem ser armazenados servem para avaliar e monitorar as ações do homem no meio ambiente, bem como gerenciar de maneira eficaz recursos naturais diversos.

REFERÊNCIAS

FLORENZANO, T. G. Imagens de satélites para estudos ambientais. São Paulo: Oficina de Textos, 2002.

GÓES, K. AutoCAD Map 3D: aplicando o sistema de informações geográficas. Rio de Janeiro: Brasport, 2009.

PHILIPI Jr, A. et al. Curso de gestão ambiental. Barueri, SP: Manole, 2004.

ROCHA, C. H. B. Geoprocessamento: Tecnologia transdisciplinar. Juiz de Fora: Ed. Do autor, 2000.

SANTOS, C. Cartografia Ambiental e Planejamento Territorial Urbano. Patrimônio: Lazer & Turismo, v. 6, n. 7, jul-ago-set/2009, p. 40-74.

APÊNDICES

APÊNDICE 1 – Área escolhida para a realização da pesquisa.

APÊNDICE 2 – Imagem da área escolhida com nomes de ruas, bairros e outros ambientes.

APÊNDICE 3 – Imagem vetorizada com utilização dos recursos computacionais.

APÊNDICE 4 – Vetores isolados da imagem.

Comentários