Proteção coletiva por etapa da obra

Proteção coletiva por etapa da obra

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7) Em sua opinião a norma brasileira é bem estruturada para garantir a segurança dos trabalhadores? È exigente demais ou deficiente? Em que itens poderiam melhorar?

“ A norma brasileira é exigente e bem estruturada, tendo ainda por qualidades ser bem auto-explicativa e dar uma boa orientação para o curso das obras. No entanto, ela não possui uma flexibilidade que muitas vezes é necessária para a obra, principalmente no que se refere a prazos. Ela diz que é preciso fazer, mas não dá um prazo flexível, para a obra poder, por exemplo, estudar uma forma econômica de executar as proteções. Mas no geral, ela é uma boa aliada do bem estar do trabalhador, e embora seja severa com o empregador, acaba por também ser aliada.”

6.2 CONSCIENTIZAÇÃO DOS FUNCIONÁRIOS

Um dos maiores inimigos da segurança do trabalho nas obras é a falta de interesse e colaboração dos trabalhadores. Segundo Dias Campos (Apud Zocchio, 2000, pág 25). É desnecessário ressaltar a importância da educação na prevenção de acidentes de trabalho, muito embora não se possa atribuir-lhe a responsabilidade integral na solução do problema.” Falta de uso do cinto de segurança, capacete, retirada de utensílios de proteção em equipamentos de alto risco (como serras circulares) em prol de uma maior rapidez de serviço, são alguns dos erros mais freqüentes em obras, que podem resultar em acidentes. Várias são as formas de sensibilizar os funcionários para o problema, dentre elas as mais usadas são; palestras, treinamentos, integrações de trabalhadores novos, cartazes espalhados pelo canteiro, quadros de avisos, jornais periódicos, Semana Interna de Prevenção de Acidentes de Trabalho (SIPAT), concursos internos nas empresas sobre segurança e principalmente fiscalização rigorosa. Ainda Segundo Dias Campos ( Apud Zocchio, 2000, pag 26), “A educação visando a prevenção de acidentes deve buscar a formação de consciência prevencionista, reforçando a tônica, através de repetições e palestras, usando de recursos audiovisuais e, particularmente, fazendo a fiscalização ambiental para garantir a continuidade das práticas prevencionistas adotadas.”

6.2.1 Treinamento e Palestras Presenciei um treinamento sobre segurança do trabalho, obrigatório por lei, efetuado antes do início dos serviços do funcionário, deve conter os seguintes itens:

• Equipamentos de Proteção Individual(EPI) O técnico de segurança faz a demonstração do uso correto dos EPI’s (bota de couro ou borracha (de cano alto ou baixo, dependendo da situação), cinto de segurança para trabalhos em altura, luva de borracha ou PVC, capacete, óculos de segurança, protetor auricular, máscara contra poeira, protetor facial, ombreira e capa de chuva).

• Equipamentos de proteção Coletiva (EPC) Demonstração da forma correta de construção e manutenção das proteções individuais e coletivas nos edifícios (Como bandejas primárias e secundárias, proteções em poços de elevadores, em aberturas de piso, proteções de periferia, corrimãos de escadas, escadas provisórias e rampas de acesso, instalações elétricas, funcionamento e restrições de máquinas e equipamentos), previamente planejadas no PCMAt da obra.

• Riscos Ambientais Conscientização dos funcionários sobre os riscos existentes na construção civil (riscos químicos, físicos, riscos biológicos e riscos ergonômicos)

• Acidentes de trabalho Alertar aos funcionários sobre conseqüência dos acidentes de trabalho, apresentando-lhes dados estatísticos, bem como formas de evitá-los.

• Primeiros socorros Orientação sobre as primeiras medidas a serem tomadas perante a ocorrência de um acidente como técnicas de salvamentos e transporte de vítimas.

• Combate á incêndio Orientação sobre riscos de incêndio , importância da prevenção, agentes extintores treinamentos de retirada coletiva e práticas de combate ao fogo.

Treinamentos específicos são exigidos por lei para execução de determinados serviços, dentre eles: a) Serviços elétricos: Curso SENAI para capacitar o funcionário a lidar com energia elétrica; b) Guincho: Curso para guincheiros para sinalização de operação, movimentação de cargas suspensas, proteção das cargas ao serem içadas, cabos de aço e demais medidas de segurança. c) Elevadores cremalheiras: Curso de sinalização de operação, movimentação de cargas, cabos de aço e demais medidas de segurança.

Para uma maior eficiência no combate aos acidentes de trabalho, o treinamento deverá ocorrer antes da execução dos serviços, bem como deverá haver palestras periódicas.

6.2.2 Cartazes e quadros de aviso Com o intuito de fazer permanecer o tema da segurança do trabalho no cotidiano do trabalhador da obra, os cartazes, quadros de aviso e jornais periódicos são importantes ferramentas de persuasão.

Fig. 1) - Demonstrativo de placas de alerta ao uso de equipamentos de proteção individual. Fonte: PCMAT da obra Portal São Francisco – Jaguaré – Construtora Gafisa S/A

As figuras acima mostram modelos das principais placas de campanha de segurança, no que se refere ao uso de proteção individual. Devem ser colocadas em locais estratégicos, conforme descrito abaixo:

• Uso obrigatório de máscara de respiração: As placas de aviso de uso obrigatório de máscaras de respiração devem ser colocadas próximo ás betoneiras, às queimas de cal, recintos fechados de pintura e aplicação de gesso, à locais de aplicação de carpete ou outros materiais que necessitam de aplicação de cola, bem como locais onde são efetuados corte de tijolos e cerâmicas.

• Uso obrigatório de capacetes As placas de aviso de uso obrigatório de capacetes devem ser colocadas principalmente na entrada da obra, sendo reforçada a idéia por todo o empreendimento. Não deverá ser permitida a entrada do trabalhador que não trouxer consigo este equipamento.

• Uso obrigatório de protetor auricular As placas de aviso de uso obrigatório de protetor auricular devem ser colocadas próximo às serras circulares, policortes, em obras com fundações em estacas cravadas, em todos os procedimentos repetitivos ruidosos em obras e colocar avisos nas caixas de máquinas muito ruidosas (como por exemplo, pistolas pregadeiras, marteletes, pistola finca pinos, materiais elétricos, etc)

• Uso obrigatório de luvas As placas de aviso de uso obrigatório de luvas devem ser colocadas próximas a locais de fechamentos de alvenarias, concretagens, cargas e descargas de materiais, locais de preparação de ferramentas, locais de lavagem de pastilhas e locais que passarão por processo de impermeabilização.

• Uso obrigatório de botas As placas de aviso de uso obrigatório de botas de borracha devem ser colocadas próximas a locais onde há excesso de umidade e pelo canteiro, principalmente durante a fundação, locais a serem concretados. As placas de aviso de uso obrigatório de botas de couro deverão ser colocadas em todo o empreendimento, sendo vetada a entrada de trabalhador que não use.

• Uso obrigatório de óculos de segurança e/ou protetor facial As placas de aviso de uso obrigatório de óculos de segurança e/ou protetor facial devem ser colocadas em pedestais próximos aos serviços com entalhadoras, serviços de chapisco, emboço, reboco de paredes e tetos, serviços relacionados a gesso, concretagens, vibradores, lavagem de pastilhas. Devem também conter avisos equipamentos de alto risco de manuseio, como serras circulares, policortes e máquinas elétricas.

• Uso obrigatório de cinto de segurança As placas de aviso de uso obrigatório de cinto de segurança deverão ser colocadas em pedestais próximo das beiradas das lajes em execução, afixar nos balancins, divulgar para serviços de montagem de elevadores, gruas, elevadores cremalheiras e outros que implicam trabalhos em alturas elevadas e que tem o risco de quedas em altura.

6.2.3 Padronização das placas de sinalização As placas de sinalização, cartazes e quadros de aviso devem respeitar a norma NR26, específica para o tema, que determinas as cores a serem empregadas em cada tipo. Segundo a norma NR26, as cores empregadas para cartazes de segurança na construção civil são: vermelho, amarelo, branco, preto, verde e devem ser usadas da seguinte maneira:

• Vermelho é empregado para identificar: - caixa de alarme de incêndio, hidrantes, bombas e todos os demais itens referentes a combate a incêndio; - portas de saídas de emergência;

- nas luzes a serem colocadas em barricadas, tapumes de construções e quaisquer outras obstruções temporárias; - em botões interruptores de circuitos elétricos para paradas de emergência.

• Amarelo: Significa “Cuidado” ou “Alerta”. É empregado para identificar: - corrimãos, parapeitos, pisos e partes inferiores de escadas que apresentem risco;

- bordas desguarnecidas de aberturas no solo, e de plataformas que não possam ter corrimãos; - meios-fios, onde haja necessidade de chamar atenção;

- vigas colocadas a baixas alturas;

- cabines, caçambas, guindastes, escavadeiras, cremalheiras, bomba para lançamento de concreto, etc; - fundos de letreiros e avisos de advertência;

- uso obrigatório de equipamentos de segurança

• Branco: O branco será empregado em: - passarelas e corredores de circulação, por meio de faixas (localização e largura); - localização e coletores de resíduos

- localização e bebedouros

• Preto: É empregado para indicar as canalizações de inflamáveis e combustíveis de alta viscosidade ( ex: óleo lubrificante, asfalto, óleo combustível, alcatrão, piche, etc.).

• Verde: é a cor que caracteriza “segurança”. É empregado para identificar: - caixas de equipamento de socorro de urgência;

- caixas contendo máscaras contra gases;

- macas;

- quadros para exposição de cartazes, boletins, avisos de segurança

- localização de EPI; caixas contendo EPI;

Para melhor eficácia no uso coletivo dos equipamentos de segurança e na execução de todos os elementos de proteção coletiva, é necessária a existência de um encarregado de segurança de presença constante na obra, que zelará em campo pela eficiência das medidas adotadas.

6.3 Medidas de Proteção coletiva em Edifícios

Entende-se por proteção coletiva toda e qualquer medida protecionista que faça parte do corpo do prédio em construção, ou a medida tomada que visa a proteção de um conjunto de trabalhadores, que foge aos equipamentos de proteção individual (EPI’s) dos mesmos. São exemplos de proteção coletiva (EPC’s) em edifícios os seguintes utensílios: bandejas primárias e bandejas secundárias, proteções de poço de elevador e proteções de abertura de piso, proteções de periferia (como gradil e tela), corrimãos e guarda-corpo provisório de escadaria, instalações provisórias de obra e proteções de máquinas de alto risco (como gruas e máquinas de corte). Pode-se dividir as medidas de proteção coletiva em cinco principais sub-itens:

• anteiro de obra: serão algumas medidas que deverão ser tomadas para minimizar os riscos de contaminação química e biológica dos trabalhadores, bem como organização para evitar acidentes;

• Fundação e terraplanagem: serão analisados neste item os escoramentos necessários, as proteções de periferias de taludes, os detalhamentos das passarelas de transição e proteções dos arranques;

• Estrutura e transporte de pessoas e cargas: serão analisadas as proteções coletivas nas montagens de formas, nas armações, nas proteções de periferia de laje para concretagem, as proteções necessárias nos equipamentos de transporte de pessoas e materiais , bem como elevador de obra, proteções coletivas contra quedas de altura, como bandejas primárias e secundárias, telas e plataformas de proteção. Serão vistos ainda proteções de escadaria, com corrimãos e guarda corpo, iluminação de emergência e proteção contra incêndios;

• Fachada: Serão analisados os detalhamentos de andaimes suspensos mecânicos pesados e andaimes suspensos leves, proteções e equipamentos para trabalhos em altura; Para descrição detalhada de cada tópico acima, foram analisadas não só as medidas obrigatórias impostas por lei na norma NR18, mas também medidas aconselháveis de proteção coletiva, medidas estas de uso comum em obras. Deste modo, para os capítulos que se seguem, não só serão mostradas medidas da norma, mas também medidas impostas por normas internas de construtoras de grande porte como as empresas Gafisa e Hochtief.

6.4 Canteiro de obras

Neste item foram analisados diversos cuidados a serem tomados na organização de canteiros e no cuidado com o trabalhador, de modo a evitar a contaminação e acidentes em obras. As principais medidas a serem tomadas em canteiros de obra são: - Limpeza constante do canteiro de obra, principalmente vestiários, banheiros, refeitórios, a fim de evitar a proliferação de bactérias, fungos, insetos, ratos, escorpiões, evitar doenças de pele nos banheiros e vestiários, e doenças provocadas por contato com animais portadores; - Contratar funcionários com a carteira de vacinação em dia, ou vaciná-los na contratação, principalmente nas doenças nas quais eles são grupo de risco, como o tétano ( pois estão em contato com a terra e metais enferrujados), gripe (pois irão trabalhar expostos em dias de frio e chuva), dengue, entre outras; - Controle constante de materiais armazenados, poças de água, afim de evitar o surgimento do mosquito portador da dengue; -Ventilação natural ou forçada em banheiros e vestiários, de acordo com a norma NR18; - Piso higiênico e lavável nos refeitórios e banheiros, de caimento perfeito para os ralos (opcional o uso de plurigoma nos banheiros a fim de evitar o contato dos pés com água suja); - Fornecer e estocar materiais de limpeza e higiene do trabalhador;

- Chuveiros eletricamente aterrados, para evitar choques elétricos;

- Possuir água potável na proporção de 100 l/trabalhador (previsão diária), proporção está presente na norma NR18; - Limpeza periódica da caixa d água, evitando a ploriferação de insetos, baratas, mosquitos da dengue, ou ainda ratos que através desta podem transmitir Leptospirose; - Organização de canteiro de obra, separando materiais e maquinários do tráfego constante de trabalhadores (vestiários, refeitórios, grêmio, etc); - Isolamento e demarcação de áreas de risco de quedas de material e da projeção vertical do alcance da grua; - Manter desobstruídas as passagens de trabalhadores pela obra;

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