Educação Transito Mod2

Educação Transito Mod2

(Parte 1 de 7)

Capacitação em Educação para o Trânsito – Módulo 2

SENASP/MJ - Última atualização em 14/09/2009 Página 1

Módulo 2 – Trânsito: Um enfoque comportamental e pedagógico

Apresentação

De que forma a polícia rodoviária federal poderá contribuir para estimular uma proposta de trabalhar o trânsito, como tema transversal nas escolas?

Neste módulo, você estudará o enfoque comportamental e pedagógico relacionado ao tema trânsito.

Ao final deste módulo, você será capaz de:

● Compreender a dinâmica e a natureza de comportamentos arriscados no trânsito, considerando-os no planejamento de ações educativas, bem como na atuação policial;

● Reconhecer a importância da transversalização do tema trânsito nas escolas;

● Utilizar conceitos sobre linguagem e comunicação na transmissão de informações sobre educação e segurança no trânsito; e

● Identificar os principais recursos educativos a serem utilizados em ações de educação para o trânsito.

O conteúdo deste módulo está dividido em 3 aulas:

Aula 1 – Psicologia e segurança de trânsito

Aula 2 – Trânsito como tema transversal Aula 3 – Recursos educativos, linguagem e comunicação

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Aula 1 – Psicologia e segurança de trânsito

Para trabalhar de maneira mais eficiente a educação para o trânsito, é importante que você conheça alguns conceitos referentes aos aspectos comportamentais que envolvem, em especial, os condutores no trânsito. Embora considerando que todos – condutores, ciclistas, motociclistas, pedestres – são elementos ativos desse cenário, deve se dar merecida atenção ao condutor pela potencial capacidade de contribuir para o bem-estar social no trânsito.

É indispensável o aprimoramento do comportamento e das atitudes do ser humano ao volante. Em direção defensiva, por exemplo, aprende-se as habilidades técnicas para dirigir com segurança, utilizando elementos primários na prevenção de acidentes, como atenção constante, capacidade de previsão, a agir em caso de emergência, etc. Porém, é possível constatar que conhecimentos e técnicas apenas, assim como os aspectos legais, não são suficientes para que se tenha um trânsito seguro, pois o que ocorre na prática é que os condutores, ao se envolverem em acidentes, conheciam os procedimentos de segurança, mas, por algum motivo, não aplicaram esses conhecimentos de maneira satisfatória. Ou seja, entre conhecer procedimentos de segurança e aplicá-los constantemente, existe uma distância considerável, que passa por uma decisão do próprio condutor. E essa decisão depende, dentre outros, dos fatores psicológicos.

De maneira simplificada, a psicologia é a ciência que estuda o comportamento humano e suas relações com o meio físico e social. Comportamento é o conjunto de ações de um indivíduo ou de um grupo de indivíduos, nas mais diversas situações da vida. É formado por fatores internos e externos.

Fatores internos

Também chamados de fatores psicológicos ou de personalidade, caracterizam a individualidade de cada um. Embora todos os seres humanos sejam diferentes entre si, há muitas reações semelhantes, classificadas em grupos pela psicologia.

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Certamente, você conhece alguém que se encaixa no grupo de pessoas consideradas irritadas, que perdem a calma com facilidade ou que, dificilmente, mudam de opinião. Essas são as características psicológicas internas do indivíduo.

“Para o entendimento dos fatores próprios e individuais, ou seja, os fatores internos inerentes ao comportamento humano, deve-se considerar que o ser humano é um animal social; entretanto, cada sujeito possui aspectos que os tornam únicos. Existem diferenças sociais, culturais e particulares que influenciam nos padrões de comportamento, na formação da personalidade, nas aspirações, valores, aptidões, e motivações de cada um. Cada pessoa é considerada um fenômeno multidimensional.”

(Chiavenato, 1998)

Fatores externos

Já os fatores externos são as influências que o meio físico e social exerce sobre o indivíduo. Veja esta situação: Num estádio de futebol, influenciado pela torcida, pelo ambiente, pelo resultado do jogo e por diversos outros fatores externos, o indivíduo poderá comportar-se de maneira muito diferente do que se comporta normalmente. As pressões e acontecimentos do dia-a-dia, ou estímulos, podem alterar o padrão de comportamento. Constantemente, você recebe estímulos e pressões do meio físico e do social onde vive.

Grupos sociais

As características psicológicas ou pessoais formam o padrão ou predisposição que define o comportamento do indivíduo ou do grupo em determinada situação. E esse padrão será influenciado pelos estímulos externos. Com esses conceitos já é possível entender um pouco mais as reações individuais e os diferentes tipos de comportamento.

Os indivíduos formam os grupos sociais e esses a sociedade. É importante salientar que você, como indivíduo, tem pouco contato com toda a sociedade, mas tem contato direto e participa de vários grupos sociais. Cada ser humano é livre para escolher os grupos sociais aos quais deseja pertencer, ou seja, pode escolher o seu

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SENASP/MJ - Última atualização em 14/09/2009 Página 4 grupo de amigos, grupo religioso, com quem se deseja constituir família, o grupo político, o grupo de trabalho, etc. E um dos fatores que possibilita a escolher ou ser escolhido pelos grupos é a afinidade de comportamentos.

Se você pertence a determinado grupo estará, automaticamente, aceitando os seus padrões de comportamento.

“O fato é que o ser humano se diferencia dos outros animais, por ser capaz de interferir conscientemente no mundo. Além disso, ao mesmo tempo em que preserva e deseja manter-se isolado e em sua individualidade, sente-se impelido para o grupo, formando a sociedade humana. A sociabilidade ou a capacidade de viver, sobreviver e existir em coletividade parece ser uma das melhores caracterizações do homem. Diferentemente do que ocorre com outras espécies, o homem não se associa por instinto, mas por vontade. O homem não é dependente, mas senhor da sociedade; não está nela devido aos instintos, mas porque assim o quer.” (Carneiro, 2009)

A sociedade e o trânsito

Analisando o trânsito como fenômeno social e resultante da necessidade que o ser humano tem de movimentação e deslocamento, fica evidente a vulnerabilidade e diversidade de estímulos a que o ser humano é exposto diariamente em função de sua complexidade. Veja quais são estes estímulos.

Estímulos a que o ser humano é exposto diariamente em função de sua complexidade. ● É cada vez maior o espaço ocupado por estradas, ruas, avenidas, estacionamentos, viadutos, etc. Dessa forma, o carro está “tomando” o espaço do homem e da natureza; ● O trânsito, ao contrário dos grupos sociais, é um local que reúne pessoas de todos os níveis sociais e culturais e com os mais diversos tipos de personalidade, objetivos e padrões de comportamento; ● Essa diversidade e o amplo espaço proporcionado pelo trânsito, permite que o indivíduo comporte-se inadequadamente protegido pelo anonimato;

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● A crescente violência é resultado da descarga diária das pressões, frustrações e problemas pessoais; ● O trânsito lidera as estatísticas mundiais de mortes violentas, tanto no Brasil como no restante do mundo; e ● Por estar diariamente no trânsito, o ser humano tende a banalizar os seus efeitos e, muitas vezes, não percebe como ele afeta o seu comportamento e como as suas ações podem alterá-lo.

O automóvel

O automóvel é considerado um dos maiores sucessos como produto de marketing. Os veículos automotores estão hoje presentes em todas as partes do mundo, sendo utilizados indistintamente por todos os tipos de pessoas, nas mais variadas situações, assumindo diferentes significados:

Meio de transporte Decorrente da necessidade humana de “ir e vir”, esta invenção proporcionou um inevitável progresso ao homem, “reduzindo as distâncias”, poupando tempo e multiplicando as oportunidades.

Símbolo de posição social Para muitas pessoas, o automóvel ainda é um objeto de desejo. Possuir um passou a significar liberdade, contentamento, status e outras subjetividades.

Símbolo de poder A máquina passou a ser uma verdadeira extensão do homem. Alguns indivíduos usam o tamanho e a potência dos seus veículos para demonstrar superioridade ou atender às suas vaidades.

Autoafirmação Existe hoje uma verdadeira “cultura sobre rodas”: o veículo deixou de ser uma ferramenta de trabalho e passou a representar um artigo de luxo.

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