deficienciavisual

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(Parte 1 de 9)

Presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva

Ministro da Educação Fernando Haddad

Secretário Executivo José Henrique Paim Fernandes

Secretária de Educação Especial Claudia Pereira Dutra

Brasília 2006

Educação Infantil

Deficiência visual Dificuldades de comunicação e sinalização

Saberes e práticas da inclusão

Educação infantil : saberes e práticas da inclusão : dificuldades de comunicação
sinalização : deficiência visual. [4. ed.] / elaboração profª Marilda Moraes Garcia
Bruno – consultora autônoma. – Brasília : MEC, Secretaria de Educação Especial, 2006.
81 p. : il.

Bruno, Marilda Moraes Garcia

1. Educação infantil. 2. Deficiente da visão. 3. Atendimento especializado. 4. Educação inclusiva. I. Brasil. Secretaria de Educação Especial. I. Título.

CDU 376.014.53 CDU 376.32

Coordenação Geral •Profª Francisca Roseneide Furtado do Monte – MEC/SEESP

•Profª Idê Borges dos Santos – MEC/SEESP

Elaboração •Profª Ms. Marilda Moraes Garcia Bruno – Consultora autônoma

Revisão Técnica •Profª Francisca Roseneide Furtado do Monte – MEC/SEESP

•Profª Idê Borges dos Santos – MEC/SEESP

Revisão de Texto •Profª Idê Borges dos Santos – MEC/SEESP

•Profª Ms. Aura Cid Lopes Flórido Ferreira de Britto – MEC/SEESP

Consultores e Instituições que emitiram parecer •Cristiane Maria Marques Sucupira – Fonoaudióloga e Psicopedagoga – SE/DF

•Profª Maria Helena de Miranda Pimenta – Secretaria de Educação do Distrito Federal

4ª edição / 2006 Tiragem: 10.0 exemplares (08 volumes)

Carta de Apresentação

A educação e os cuidados na infância são amplamente reconhecidos como fatores fundamentais do desenvolvimento global da criança, o que coloca para os sistemas de ensino o desafio de organizar projetos pedagógicos que promovam a inclusão de todas as crianças. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional impulsionou o desenvolvimento da educação e o compromisso com uma educação de qualidade, introduzindo um capítulo específico que orienta para o atendimento às necessidades educacionais especiais dos alunos, que deve ter início na educação infantil.

O Ministério da Educação, dissemina nacionalmente a política de educação inclusiva e tem implementado ações que colocam como prioridade a ampliação do acesso e do atendimento educacional especializado, criando as condições necessárias para a inclusão nas escolas de ensino regular, propiciando participação e aprendizagem de todos os alunos e possibilitando avanço as demais etapas e níveis de ensino.

Nesse contexto, o MEC apóia a realização de programas de formação continuada de professores e disponibiliza aos sistemas de ensino a Coleção Saberes e Práticas da Inclusão – Educação Infantil que traz temas específicos sobre o atendimento educacional de crianças com necessidades educacionais especiais, do nascimento aos seis anos de idade. São oito volumes organizados para o desenvolvimento da prática pedagógica com enfoque nas Dificuldades Acentuadas de Aprendizagem ou Limitações no Processo de Desenvolvimento; Dificuldades Acentuadas de Aprendizagem – Deficiência Múltipla; Dificuldades de Comunicação e Sinalização – Deficiência Física; Dificuldades de Comunicação e Sinalização – Surdocegueira/ Múltipla Deficiência Sensorial; Dificuldades de Comunicação e Sinalização

– Surdez; Dificuldades de Comunicação e Sinalização - Deficiência Visual e Altas Habilidades/ Superdotação.

Esperamos que este material contribua no desenvolvimento da formação docente a partir dos conhecimentos e temas abordados e desta forma, sejam elaborados projetos pedagógicos que contemplem conceitos, princípios e estratégias educacionais inclusivas que respondam às necessidades educacionais especiais dos alunos e propiciem seu desenvolvimento social, afetivo e cognitivo.

Claudia Pereira Dutra Secretária de Educação Especial - MEC

INTRODUÇÃO07

Sumário

EDUCAÇÃO INFANTIL:ASPECTOS SOCIOCULTURAIS1

1.A INCLUSÃO DE CRIANÇAS COM DEFICIÊNCIA VISUAL NA

2.1Como são as crianças com deficiência visual?13
2.2Quem são as crianças com deficiência visual?13
2.3Como enxergam as crianças de baixa visão?14
2.4Principais causas da baixa visão na infância14
3.EDUCAÇÃO PRECOCE E O PROCESSO DE INCLUSÃO15
4. A FORMAÇÃO PESSOAL E SOCIAL17
4.1As primeiras interações e a construção de vínculos17
sentir-se protegido e seguro?18
4.3A creche como espaço de socialização e aprendizagem18
com deficiência visual?18
E AFETIVIDADE2

5.O PAPEL DA INTERAÇÃO SOCIAL NA FORMAÇÃO DA IDENTIDADE

E LINGU AGEM23

6.A COMUNICAÇÃO E A CONSTRUÇÃO DO SISTEMA DE SIGNIFICAÇÃO

DOS ESQUEMAS SENSÓRIO-MOTORES E DO CONHECIMENTO25
8.INTERVENÇÃO PRECOCE: PROGRAMA DE COMPLEMENTAÇÃO CURRICULAR27
8.1 Aspectos conceituais27
8.2 Objetivos do pr ograma de intervenção precoce29
8.3Avaliação funcional da visão e do desenvolvimento integral29
ENFOQUE PEDAGÓGICO3
10. PROCEDIMENTOS DIDÁTICO-METODOLÓGICOS34
10.1 O desenvolvimento da autonomia e independência36
10.2Ação transdisciplinar: apoio e suporte à família36

9.ORGANIZAÇÃO DO PROGRAMA DE INTERVENÇÃO PRECOCE NO

DESENVOLVIMENTO E APRENDIZAGEM41
1.1 O processo de construção da linguagem41
2. INTEGRAÇÃO SENSÓRIO-MOTORA E APRENDIZAGEM43
2.1 A formação da auto-imagem4
3.A CONSTRUÇÃO SIMBÓLICA E A FORMAÇÃO DE CONCEITOS4
3.1 O processo de formação de conceitos45
4.EDUCAÇÃO INFANTIL: ESPAÇO LÚDICO DE LITERATURA E ARTE47

1.AS IMPLICAÇÕES DA DEFICIÊNCIA VISUAL NO PROCESSO DE

APRENDIZAGEM E AUTONOMIA48
5.1Acessibilidade: adaptação do espaço interno e externo49
5.2 Adaptação do tempo50
6.O PROCESSO ENSINO-APRENDIZAGEM E A CONCRETIZAÇÃO DO CURRÍCULO50
6.2 Sorobã: brincando e calculando52
VISÃO E CEGUEIRA5 3
8. COMO PROPORCIONAR UM AMBIENTE ALFABETIZADOR?5
8.1O processo de construção de leitura e escrita: algumas reflexões56
9. COMPLEMENTAÇÕES CURRICULARES59
9.1Complementações e adaptações de acesso ao currículo59
9.2Recursos tecnológicos: acesso à comunicação e informação60
10. PAIS, COOPERADORES VALIOSOS61

7.ADAPTAÇÕES DIDÁTICO-METODOLÓGICAS PARA CRIANÇAS COM BAIXA

PROFESSORES, ESCOLAS E INSTITUIÇÕES63

Introdução

A inclusão de crianças com necessidades educacionais especiais na educação infantil vem se tornando gradativamente uma realidade. O Brasil vem avançando nesse sentido com a implementação da Política Nacional de Inclusão desde a Lei Nº 9.394/96 – Lei de Diretrizes e Bases de Educação Nacional, e mais recentemente, com as Diretrizes nacionais para a educação especial na educação básica (BRASIL, 2001). O Referencial curricular nacional para educação infantil (BRASIL, 1998) assegura, pela primeira vez, estratégias e orientações para a educação de crianças com necessidades educacionais especiais na educação infantil.

O avanço teórico tem sido considerável. Entretanto, ainda há uma grande distância entre a teoria e prática vivida no interior dos centros de educação infantil, o que tem acarretado dúvidas, ansiedades e até mesmo certa descrença entre famílias e professores com relação a viabilidade da inclusão de crianças com deficiência visual em creches e pré-escolas em suas comunidades.

Em virtude dessas questões, o objetivo deste documento é promover discussão e reflexão sobre os conceitos de inclusão, necessidades específicas decorrentes da deficiência visual, o redimensionamento e reorganização dos programas de intervenção precoce e, principalmente, discutir estratégias para a elaboração de projetos de inclusão em creches e pré-escolas da rede pública e particular de ensino.

Foram convidados para participar da elaboração deste documento universidades, escolas, diversos serviços e instituições especializadas para que pudessem compartilhar experiências exitosas e também as dificuldades encontradas na implementação da política de inclusão na escola.

Agradecemos a todos aqueles que direta ou indiretamente colaboraram na elaboração coletiva deste trabalho, especialmente aos colegas da Universidade de São Paulo, Unesp, Unicamp, Unicid, à Laramara (SP), ao CIP (Centro de Intervenção Precoce da Bahia), às escolas, professores e pais que nos enriqueceram com seus depoimentos, experiências e luta para a construção de uma educação infantil verdadeiramente inclusiva.

Esses relatos revelam que a inclusão da criança com deficiência visual em creches e pré-escola é possível e desejada por todos, mas depende, essencialmente, da ação e construção coletiva.

A educação e inclusão de crianças com deficiência visual em creches

DIFICULDADES DE COMUNICAÇÃO E SINALIZAÇÃO • DEFICIÊNCIA VISUAL11

1. A inclusão de crianças com deficiência visual na educação infantil: aspectos socioculturais

O significado social da deficiência visual: superando mitos e estereótipos

O movimento da inclusão social vem, desde a década de 80, defendendo, simultâneamente, os princípios de direito à igualdade e à diferença nos contextos educacionais, visando eliminar os processos de preconceito, discriminação e estereótipos produzidos no interior da escola.

A educação inclusiva pode desempenhar importante papel de transformação cultural em relação à deficiência visual, principalmente, no que diz respeito à reflexão sobre os mitos e estereótipos atribuídos às pessoas cegas e de baixa visão nos diferentes momentos históricos. A construção social da deficiência visual, através dos tempos, tem sido repleta de mitos, estereótipos e barreiras atitudinais que influenciam as relações sociais, as formas de interação e a formação do auto-conceito dessas pessoas.

Vários estudos revelam que a deficiência visual, por si só, não acarreta dificuldades cognitivas, emocionais e de adaptação social. Entretanto, as formas de interação, comunicação e significados socialmente construídos são fatores determinantes para o processo de desenvolvimento, aprendizagem e adaptação social das crianças com deficiência visual.

Quais os conceitos da deficiência visual presentes no imaginário social?

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